Muitas vezes admiro-me de como é possível que a minha cabeça nunca tenha rebentado. Será que é possível se tivermos demasiados pensamentos e ideias na nossa cabeça acabaria mesmo por explodir? Obviamente que não, porque se fosse esse o caso o meu cérebro estaria neste momento espalhado por todo o chão, paredes, cama, etc. do meu quarto.

Neste momento só consigo pensar em planos de fuga desta casa, desta cidade, deste planeta! (o que seria um bocadinho difícil sem ter uma nave espacial. Tento parar de pensar por um momento, mas não consigo, praticamente já não consigo dormir, não consigo descansar, não consigo ter uma conversa de mais de 5 minutos com outro ser humano. A única coisa em que consigo pensar é que falta 5 dias. Faltam 5 dias para minha vida acabar. Se a minha tia pudesse ouvir os meus pensamentos diria que estou a ser melodramática, que sou uma sortuda, que a minha vida vai ser muito melhor, que nunca me vai faltar pão na mesa nem uma cama onde dormir. Do ponto de vista dela trabalhar para o exército (ou melhor fazer parte) é melhor coisa do mundo, do meu ponto de vista é exactamente o contrário.

Todos os anos são levados todos os miúdos de 16 anos de um dos distrito 4 distritos. Este ano é vez do distrito Hina que por acaso é o meu distrito e por acaso, ou por puro azar eu tenho 15 anos o que poderia ser uma sorte para mim se eu não fizesse 16 anos daqui a 6 dias. De aqui a 5 dias vou ter que apresentar me no pavilhão central do meu distrito e ser submetida a um teste, uma entrevistas e provas físicas que irão destinar que cargo irei desempenhar no exército. Existem vários cargos, o melhor é o de militar o quer dizer que os melhores irão trainar com os militares e os melhores dos melhores irão tornar se militares com as suas próprias equipas que são compostos pelos soldados (os piores dos melhores), depois temos outros cargos como os curandeiros (os que gostam de sangue), os arqueiros (os que teem uma boa pontaria, é um cargo também importante) os engenheiros (os que inventam armas para matar os nosso inimigos) depois existem os cargos mais baixos como as cozinheiras que trabalham na cantina, os limpadores que limpam e devem fazer outras coisas mas nunca me informei muito bem sobre isso, depois também há os guardas que vigiam os prisioneiros de guerra. Existem mais alguns cargos, mas nem todos são de conhecimento público, sabe-se lá o que nos obrigarão a fazer naquele sítio. Existem rumores de que as pessoas com piores resultados são usadas como cobaias pelos cientistas do exército, dizem que experimentam neles soros e medicamentos que podem causar alterações no nosso aspeto físico ou poderão mesmo ser fatais. E esse é o meu maior medo, porque na realidade não sou excelente em nada e não nenhum cargo a que me adequo.

Existe apenas uma coisa boa nisto de ir para o exército: nunca mais vou ter que voltar a esta casa e não vou ter que aturar a minha tia irritante. Sei que pareceu mau dizer que não gosto dela, sendo ela a minha única família e a pessoa que cuidou de mim quando os meus pais faleceram, desde os meus dois anos que a minha tia cuida de mim, só nos temos uma á outra mas não é por isso que nos damos bem, não consigo imaginar como poderia ter uma pior relação com ela porque a que temos é mesmo muito má, eu dou com ela em doida e ela faz de mim o inseto que adora espezinhar. Uma vez parti a nossa louça inteira, já foi á mais de 3 anos e não me lembro porque o fiz, sei que fiz um grande disparate porque não temos muito dinheiro e tudo o que temos é contado aos cêntimos, mas continuando depois daquilo que fiz ela destrui-o o meu livro favorito (porque sabe que eu adoro livros) e durante uma semana apenas comi pão e água, acho que daria em tola se o Luke não me trouxesse-se algumas coisas da sua despensa.

Luke é o meu único amigo, a única pessoa por quem não sinto uma ponta de ódio, ele é pessoa que melhor me compreende mas ao mesmo tempo é tão diferente de mim. Ele é um dos rapazes mais atraentes que já vi, é alto, moreno, perfeitamente bem constituído, as feições da sua cara simétricas, os seus olhos castanho chocolate (só de pensar em chocolate fico com água na boca, só comi chocolate 3 vezes em toda minha vida) é lindo de morrer e, estranhamente, é o meu melhor amigo, Meu: Alaska Jonhson, uma das criaturas mais esquisitas desta planeta, magra, fraca, morena com um dos piores cabelos que já vi e um pouco alta de mais para o peso. Luke é meu amigo desde sempre, conhecemo-nos porque a minha trabalha com empregada de limpeza para os pais dele, os pais de Luke são dois famosos médicos muito conhecidos, e muito ricos. Os pais de Luke sempre foram muito simpáticos para mim e nunca me pareceram arrogantes ou snobes mas Luke odeia-os, nunca percebi porque mas também não o questiono acerca disso. A realidade é que nunca o compreendi apesar dele ser a pessoas que melhor me compreende. Não compreendo porque é rico e bonito, tem todas as raparigas da escola atrás dele mas em vez de andar com elas ou se quer falar para elas anda comigo, tem uma grande capacidade física mas nunca treinou para ser um militar ( o que é o sonho de quase todos os rapazes) em vez disso prefere andar com a miúda magricela que adora história, livros e que acredita que um dia, á vários séculos atrás, o mundo foi diferente, que as pessoas não eram controladas pelo governo, um mundo onde as pessoas viviam sem medo que um dia um exército inimigo atacasse a sua cidade e matasse toda agente que existia nela, um mundo que não era perfeito mas um mundo onde havia liberdade e onde eu teria vontade e gostava de viver.

***