Matar ou Morrer
2 Capitulo 2
–Alaska! – Grita a minha tia- Vai á porta da entrada- “Existe mais alguma porta” penso, mas não repito em voz alta, estou a tentar
ser um pouco mais simpática com a minha tia nos últimos dias que vou ter com ela.
Saio do meu quarto e vou abrir
a porta, atrás dela está Luke, com o seu sorriso misterioso.
–Vamos! Rápido não temos muito tempo antes de anoitecer- diz ele. Poderia lhe preguntar onde é que vamos mas não preciso, sei exactamente onde é que ele me quer levar
.
Pego no meu casaco que estava pendurado no cabide perto da porta de entrada e grito:
–Vou sair.- Fecho a porta antes da minha tia conseguir me responder. Descemos as escadas do prédio e dirigimo-nos ao nosso sítio.
–Como é que estás? – Pergunta-me com ar de preocupação na sua cara.
–Estou muita animada por ter que ir para o exército, onde provavelmente vou ter que limpar
a porcaria dos outros- respondo-lhe com tom um pouco demasiado sarcástico.
Ele não diz nada. Continuamos o nosso percurso em silêncio, até que chegamos á antiga biblioteca abandonada. Já ninguém entra lá depois do que aconteceu, á cerca de 10 anos um grupo de terroristas incendiaram a biblioteca e mais de 20 pessoas morreram, apesar do fogo a biblioteca não esta em muito mau estado, uma parte dos livros tinha desaparecido mas uma boa parte deles estava legível. Eu e Luke vimos para aqui desde pequenos, desde sempre este foi o nosso sítio, o que pode ser um pouco macabro pois foram assassinadas muitas pessoas neste sítio. Este é o meu lugar preferido no mundo inteiro, onde ninguém me pode chatear e onde posso passar horas e horas sem que ninguém me encontre (a excepção de Luke).
Finalmente, Luke quebra o silêncio.
–Eu sei que deves de estar apavorada, pelo menos eu estaria no teu lugar- diz com um tom de voz muito baixo, quase como um sussurro. Ele, para além de ser rico, bonito e inteligente também tevê a sorte de nascer num ano antes de mim o que significa que não terá que ir para o exército, só se candidatar. Só de pensar em Luke querer
ir para o exército dá-me vontade de rir, pois ele sempre odiou tanto este regime como.
– Bem… vai ser divertido, vou conhecer
pessoas nova, fazer toneladas de amigos e divertir-me tanto que nunca vou querer sair do exército.- digo eu no meu habitual tom irónico, é o que eu sei fazer melhor: ser irónica.
– Claro que vais fazer toneladas de amigos, como tu és bastante social e amigável- diz ele tentando copiar o meu tom irónico.
–Auch! Essa doeu, prefiro quando és simpático.
–Ahaha, ambos sabemos que não.- diz ele recuperando o seu tom normal.
Ambos estamos calados, sente-se a nostalgia no ar, odeio esta sensação, odeio o facto de nunca mais ir vê-lo, odeio tudo.
–Ei- sussurra Luke enquanto procura algo dentro de uma saca- tenho um presente para ti- ergue uma garrafa de vodka.
Grito de imediato, nem consigo acreditar no que vejo, já vos mencionei que Luke é rico, mas não assim tão rico. Conseguir aquilo nos tempos de hoje é praticamente impossível, a vodka é a bebido da nação russa portanto só os russo é que têm, e nós somos inimigos dos russos portanto não há vodka para os inimigos.
–Como é que isto é possível?! – pergunto histérica.
– Um tenente da mais alta patente deu aos meus pais como um sinal de agradecimento, e eu sendo um filho horrível roubei dos meus pais- Luke têm o seu sorriso malicioso na cara.
– Eu sei que gostas de irritar os teus pais, mas não podemos beber isto, eles vão matar-te, não podemos- mas eu quero tanto, o meu nível de hipocrisia está a 100 por cento.
–Em primeiro lugar eles nunca iriam bebe-la e ia tornar-se um desperdício, só têm a garrafa para dizerem que têm, e, em segundo lugar tu vais partir
, não vejo melhor altura para festejar isto- tem um sorriso esforçado mas triste na cara- Portanto vamos festejar- Abre a garrafa e passa-ma.
***
Doí-me a cabeça. A minha cabeça vai explodir, apetece-me vomitar e praticamente não consigo abrir os olhos, portanto, nem vou tentar levantar-me. A minha primeira ressaca e provavelmente última ou não, não faço a mínima ideia, neste momento só sei que me doí a cabeça. Ontem á tarde não foi preciso muito até ficar fora de mim, não me lembro praticamente de nada, deve ter feito figuras tristes, não sei como é que cheguei a casa, não sei como é que cheguei á cama nem quem me vestiu o pijama. E isto é um pensamento assustador- Quem é que me vestiu o pijama? Se foi o Luke… muito estranha e envergonhador, se foi a minha tia estou morta, literalmente. Porra para os Russos e a sua Vodka.
Li um livro sobre uma época em que a “Rússia” provavelmente algo a ver com a nação Russa, e os Estados Unidos (um país qualquer, não sei) estavam em guerra, a Guerra Fria, pelo o que eu li não houve mesmo guerra como existe hoje, mas sim um conflito ideológico e económico. Muitas pessoas dizem que isto nunca aconteceu, são apenas histórias inventadas por um idiota qualquer, mas eu acredito que isto aconteceu e muitas outras coisas no antigo mundo, um mundo em que existia liberdade, algo eu não existe hoje. Volta a adormecer no meio dos meus pensamentos parvos.
***
É hoje. Tecnicamente ainda faltam cinco horas mas é hoje. Não foi feita para isto, nunca me irei adequar lá, ainda posso fugir, não sei para onde mas posso tentar. Posso me dirigir para as terras abandonadas, provavelmente nunca lá conseguiria chegar, os guardas apanhavam me ou morria pelo caminho, ou ainda morria nessas terras desconhecidas nunca se sabe o que poderá lá existir. Tenho que me preparar mentalmente para isto, não importa o que poderá acontecer tenho que tentar não morrer logo no primeiro dia.
Visto-me com roupas desportivas pois vou precisar para os treinos físicos, a minha mala está pronta, tenho os meus livro preferidos, u caderno para o caso de não ter ninguém com quem falar as minhas roupas, algumas bugigangas e claro o meu pendente do dragão que encontrei na biblioteca e que nunca abandonarei. Saio cedo de casa e vou caminhar sozinha pelas ruas do distrito que estou prestes a abandonar, nunca pensei que iria sentir falta disto, mas vou, das pessoas a gritar na rua e a vender os seus produtos, dos guardas a namoriscar com as jovens trabalhadoras, toda esta vida que existe e que eu nunca dei valor. Sento-me num dos bancos do jardim do pavilhão, tento não entrar em pânico, tento não pensar em nada mas não consigo.
Um rapaz um pouca mais alto que eu de cabelo loiro escuro senta-se num banco perto de mim. É o Dylan, também tem 16 anos e frequenta a mesma escola que eu, é uma daquelas pessoas com quem eu não tenho relação nenhuma e que nem quero, é um daqueles miúdos parvos que só faz porcaria, ele e o seu amigo jonh (odeio-o), e tem todas as rapariguinhas atrás deles.
–Também vais fazer hoje as provas?- pergunta-me Dylan, sem olhar para mim. Demoro uns segundos para perceber se está a falar para mim, porque é que ele esta a falar para mim’
–Parece que sim- respondo de uma forma indiferente e sem qualquer tipo de emoção.
–Vou sentir falta disto, mas é para o melhor vamos ajudar a nação- que cãozinho, ele pensa como toda a gente, não percebe que é errado usar jovens e pô-los a lutar por razões que eu nem sequer entendo.
Dou uma risada irónica muito baixo, mas não baixo o suficiente pois parece-me que ele ouviu.
– Boa sorte- diz ele, cada vez me chateia mais.
–Também te desejava boa sorte mas não me parece que precises- claro que não precisa, ele deve ter sido treinado, tem um físico muito bom provavelmente irá para soldado
–Tu também não precisas de sorte, és uma rapariga inteligente- responde-me com o seu tom charmoso.
Mas quem é que este idiota pensa que é para falar de mim como se me conhecesse? Antes que pudesse disparar-lhe um pouco da minha raiva ouça alguém a gritar:
–Alaska!- é o Luke, levanto-me de imediato e vou ter com ele antes que ele chegue até mim, para nãi ter que estar perto do idiota do Dylan.
–Vemo-nos mais tarde- diz ele, tentando disfarçar a tristeza na sua voz.
Idiota.
–Estavas a falar com ele porque?- pergunta co uma mistura de ciúmes e desconfiança.
–Nada- respondo imediatamente.
Passam alguns minutos em silêncio e volta-me a fazer uma pergunta.
–Devemos falar sobre a tarde da vodka?
–Não por favor, vamos apenas andar mais um pouco.
E assim fazemos, continuamos a passear em silêncio.
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