Notas iniciais
Neste capítulo publico dois poemas, "LIVRE" e PEDIDO.

“LIVRE”

A Lenise Magaly, minha irmã.

Sou livre

Como as nuvens do céu,

Eu sou livre;

Como o vento

Que grita no oeste,

No leste,

No norte e no sul.

Sou como um beija-flor,

Uma rosa esperança,

A criança, o poeta,

O artista, o cantor;

Sou como um beija-flor,

Sou amigo, bandido,

Um ventre fecundo;

Sou barro molhado,

Terra gritando,

Gemendo de dor,

Querendo plantar

A beleza, a paz, o amor,

Sou como um beija-flor.

Sou mar-oceano;

Sou noite,

Sou dia,

Sou como um beija-flor.

Sou sonho,

Sou pedra,

Sou morte,

Sou vida;

Sou como um beija-flor.

Sou amor,

Sou ternura,

Sou cisne...

Sou como um beija-flor.

Livre!

Sou como um beija-flor.

PEDIDO

Para meu pai.

Sei... há anos a vida é insensata, ingrata.

S o r r i a !

Riso largo, constante.

Espanta a incerta certeza da vida.

Espanta o mal, alivia a dor.

S o r r i a !

Iluda os problemas.

Ficam mais leves, suaves...

Não causam temor.

S o r r i a !

Tenha sempre esperança no amanhã.

Tenha fé, certeza...

O hoje foi, é, será sempre melhor que o ontem!

S o r r i a !

Riso confiante, constante, seguro.

Não quero sentir tristeza em seu peito.

Ouvir palavras amargas em seus lábios.

Não quero ver seus olhos tristes!

S o r r i a pai!

Sorria sempre... teimosamente...

Mesmo que queira chorar, arrebentar em gritos!...

Saiba amar o que odeia, com garra, com raça, com força.

Seja feliz pai!

S o r r i a !

Levanta a cabeça, olha pra cima.

Deixa a sua força ter um pouco da minha.

Seu sorriso, parte do meu...

Deixa pai... deixa eu te ajudar a viver?!