Notas iniciais
Olá fantasminhas, tudo bem? É, não vou nem falar da minha demora porque isso já virou uma marca minha, mas enfim... Não queria ter demorado tanto pra postar este capítulo, já que ele estava rascunhado fazia um tempo, mas uns problemas bem chatos na minha vida acabaram me afastando da escrita por um tempo, e também não posso garantir que vou postar com uma frequência maior (por enquanto) porque alguns destes problemas ainda não foram resolvidos e não sei quanto tempo vai levar, mas tá acabando com minha motivação. Capítulo dedicado à Larissa Ribeiro, por todo apoio e por me motivar a escrever de novo, muito obrigada! ♥ Boa leitura!

Três dias depois

— Ei, Lucky! – o capitão olhou por cima do pequeno livro com um sorriso brincalhão.

— O que você quer? – Lucy respondeu irritadiça enquanto esfregava o pano contra os vidros da janela. Já fazia uma meia hora que estava limpando as janelas da cabine do capitão e seus braços lhe imploravam por uma pausa, mas queria terminar logo o serviço para se ver livre daquela presença desprezível.

— Faltou um pedaço ali. – ele apontou para um canto qualquer, que evidentemente não havia sujeira nenhuma, apenas porque achava divertido vê-la irritada.

— Ah, poupe-me! – ela jogou o pano na direção do capitão, mas este desviou com facilidade enquanto gargalhava.

Três batidas na porta foram ouvidas e um rapaz ruivo adentrou no recinto. Ao perceber que Lucy estava presente, abriu um sorriso divertido, o que fez com que ela suavizasse sua expressão raivosa e lhe sorrisse de volta, o que claro, estragou a diversão do capitão.

— Boa tarde capitão, Gajeel mandou avisar que o almoço está pronto. – Natsu acenou com a cabeça e então o ruivo se virou para Lucy. – Me acompanha no almoço, my lady Lucky?

A loira soltou uma risadinha divertida e se aproximou do rapaz, enganchando seu braço ao dele, enquanto Natsu observava a cena revirando os olhos. Já estava farto daquele comportamento dos dois.

— Sério mesmo que você cai nesse papinho? O que ele tem que eu não tenho?

A loira apenas deu a língua em resposta, deixando o capitão a sós na cabine.

“Atrevida”, pensou dando um último gole do conhaque.

[...]

Lucy ajudava Gajeel com a louça em silêncio. Aqueles marujos comiam feito porcos e a garota ficava chocada com a quantidade de objetos sujos a cada refeição. Com a tia avó rigorosa que tinha, e a vida que levava antes de morar com a mesma, estava acostumada com ambientes sempre limpos e organizados, viver a bordo daquele navio estava sendo uma tortura!

— Terminando os pratos, vá limpar a mesa, Bunny girl! – o moreno ordenou com um sorriso debochado.

— Minha pilha é muito maior que a sua, suas mãos não vão cair se você limpar a mesa. – retrucou.

Lucy nem percebeu quando Gajeel se moveu. Foi tão rápido e silencioso que quando deu por si, estava prensada contra a parede, com uma faca muito próxima de sua garganta. No susto, acabou derrubando um prato que se despedaçou em diversos cacos.

— Quem você pensa que é pra me dar ordens, Lucky?

Lucy engoliu em seco e sentiu os olhos marejarem, mas não derrubou uma única lágrima. Era a mesma coisa todo dia, ameaças constantes.

— É uma pena que quebrou um prato, Bunny Girl, porque agora alguém terá de se virar pra ter uma refeição decente. – o moreno, que mais parecia um brutamontes, se divertia com a expressão assustada da loira.

— Larga ela, Gajeel.

Demorou um segundo, mas logo se afastou da garota, permitindo que finalmente respirasse aliviada.

— Seu apelido realmente faz jus a você, garota. Parece que o capitão e seu “príncipe encantado” sempre aparecem na hora certa pra te defender.

Gajeel saiu da cozinha, esbarrando de propósito no ruivo, ainda com deboche na expressão, e dirigiu a palavra a loira mais uma vez antes de sumir.

— Não se esqueça de limpar a mesa!

Finalmente sozinhos.

— Obrigada Loki. – ela suspirou, começando a recolher os cacos.

Ele certificou-se novamente de que Gajeel não estava mais por perto, nem mais ninguém, antes de recostar no batente da porta, direcionando um olhar preocupado para Lucy.

— Você podia cuidar dele sozinha, sabia?

— É realmente uma boa ideia meter um soco na cara dele? Os outros marujos não me apedrejariam? Oito contra uma é um tanto complicado.

— Se ao menos houvesse pedras aqui, mas relaxa, sabe que eu te ajudaria, estou louco pra meter um soco na cara do Gajeel faz algum tempo.

Os socos de Loki eram famosos, como se houvessem a energia da estrela Regulus neles, ninguém gostaria de levar um.

— Aí o “ilustríssimo” capitão nos mandaria pro fundo do oceano. – ela bufou, se livrando dos últimos cacos do prato.

Loki apenas riu em resposta e abraçou a loira por trás.

— Não fique assim. Por mais que seja difícil pra você ver no momento, vai ver que no fundo, Natsu é uma boa pessoa.

— É mesmo? – ela riu sem humor. – Ele tem sido uma ótima pessoa desde que me sequestrou e me prendeu aqui.

Loki apenas riu, apertando o abraço e afundando o rosto no pescoço de Lucy.

— Veja pelo lado bom, ele acabou nos dando a oportunidade de nos reencontrarmos. Você não sabe o quanto senti sua falta, Lucy.

— Eu também, Loki. Você não sabe o quanto alivia meu fardo aqui, é muito bom ter você por perto nesse inferno.

— Aqui não é tão ruim assim, você vai ver. Assim que os caras virem do que você é capaz, vão parar de pegar no seu pé.

— Eu quero sair daqui Loki. Não é justo! A troco de que Natsu me raptou? Pra ser uma escrava nesse navio e ficar me provocando o dia todo? – ela então se permitiu derrubar a primeira lágrima. – Não é justo comigo! Não é justo com tia Spetto, não é justo com a Michelle...

Loki afagou seus cabelos e esperou em silêncio até que a garota se acalmasse, cada um mergulhado em seus pensamentos. Todos esses anos de amizade com Natsu o fizeram aprender o quanto seu capitão era imprevisível, mas ao mesmo tempo, calculista. Não concordava com todas as atitudes do amigo, mas também não conseguia condená-lo, devia sua vida a ele. Não apenas Loki, mas todos naquele navio estavam ligados a Natsu de alguma maneira, mas uma coisa era formar uma tripulação com caras que já não tinham nenhuma expectativa na vida, eram apenas bêbados sem rumo e foragidos, com exceção de Gray, antes desta viagem começar, mas sequestrar Lucy tinha sido demais.

“- Ficou maluco, capitão?! – o ruivo espalmou a mesa, encarando firme o rosado nos olhos. – O que essa garota está fazendo aqui?! Todos sabem que os casos de qualquer um de nós não devem sair de terra firme, inclusive seus, então, o que está acontecendo?!

— Lucky está se juntando à nossa tripulação, oras. – Natsu deu de ombros e abriu um sorriso torto, cruzando as mãos que estavam apoiadas embaixo do queixo. – Mas que bom que está aqui, preciso falar com você. Como conhece essa garota?

— Por que acha que a conheço?

— Por favor, acha mesmo que me engana? Enquanto eu a apresentava à tripulação, você foi o único que não tirou um pedaço dela com o olhar, logo você, com a maior fama de mulherengo deste navio, pelo contrário, havia algo diferente no seu olhar em relação a ela, preocupação, estou certo? Isso apenas reforçou minhas suspeitas. E então?

O ruivo engoliu em seco e permaneceu alguns instantes em silêncio.

— A conheci na infância. Mas ainda não entendo, aonde quer chegar com isso?

— Ela luta igual a você.

Loki arregalou os olhos e nada disse.

— E agora que sei que vocês se conhecem mesmo, como devo chama-la? Ela é teimosa e não me quis dar seu nome, então Lucky é um nome provisório.

‘Então ele não sabe sobre ela’ pensou, ‘uma maldita coincidência ele ter escolhido logo seu antigo apelido?’

— De Lucky.

— Como é?

— Era assim que todos a chamavam quando éramos crianças, Lucky.”

O que Natsu tinha em mente? Ele com certeza não a sequestrou apenas para reaproxima-la de um antigo amigo, aquela viagem tinha um objetivo perigoso demais para esse tipo de trivialidade, então o que ele estava tramando?

[...]

— Acorda bela adormecida! – uma voz conhecida a chacoalhou em sua rede, a despertando de uma noite mal dormida. – Hora de trabalhar.

— Mais cinco minutos, Loki...

— Nada disso, levanta daí. – Num ato de pura maldade, o ruivo a derrubou da própria rede, fazendo com que ela fosse de cara no chão.

— VOCÊ NÃO FEZ ISSO!!

— Ei! Eu fui gentil em te chamar antes! Gajeel teria feito isso sem qualquer tipo de aviso prévio.

Lucy bufou, se recompondo e mostrando uma careta de bom dia para o amigo. Careta não apenas pelo modo “delicado” como fora acordada, mas pelo fato de ser a quarta noite seguida que dormia numa rede. Como alguém consegue aguentar aquela dor nas costas e sorrir? Impossível!

Loki olhou em volta, certificando-se de que não havia ninguém por perto e se aproximou da amiga.

— Hoje você vai me ajudar com a contagem do estoque. – e então, diminuiu o tom de sua voz. – Vamos aportar dentro de três dias.

Lucy piscou absorvendo a informação. Aportariam dentro de três dias para reabastecer o navio, esta seria sua chance de escapar! Não fazia ideia de onde estava e para onde estavam indo, mas isso não importava, qualquer lugar é melhor do que este navio.

— Ei! Por que é que estão demorando tanto?! – uma voz praticamente berrou do andar de cima. – Espero que não estejam fazendo o que acho que estão! Não é hora pra isso!

— Não enche, Sting!

[...]

Faltavam apenas dois caixotes para serem avaliados. Os estoques de comida realmente não durariam mais do que três dias, ainda mais considerando a quantidade de comida que aqueles porcos consumiam, e pra que tantos barris de cerveja? Havia mais barris (vazios) do que caixas de comida! Precisavam repor pólvora, remédios e curativos também. As únicas coisas que não precisavam ser repostas com urgência eram óleo e querosene, o que não significava que não precisavam providenciar mais lamparinas. Pode ser que seu combustível haja de sobra, mas nas brigas que ocorrem com bastante frequência a bordo, já se foram duas desde que Lucy chegou. Eles precisam aprender a se comportar.

— Que tal uma pausa para o almoço? – Loki atraiu a atenção de Lucy. – Podemos deixar esses caixotes para depois, se quiser.

— Pode ir, estou sem fome, deixa que eu termino aqui.

— Tem certeza?

— Sim, falta pouco, vai lá.

Ela estava morrendo de fome, mas não diria isso a Loki. Na verdade, decidira ficar para evitar Gajeel. Ele certamente não deixaria ela pegar um prato de outro marujo para a refeição, já que as louças eram contadas, depois de ter quebrado seu único prato ontem, ele garantiria que ela fosse se arrepender de te-lo retrucado. Esperaria até que a maioria dos marujos já tivesse se alimentado para enfim ir comer, se pouparia da humilhação o quanto possível.

Assim que terminou de listar o último caixote, vinho, um rapaz de cabelos escuros, completamente despido da cintura para cima, apareceu em seu campo de visão.

— Não vai almoçar, Lucky? – ele soltou um risinho de deboche. – Não me diga que está tentando fazer uma dieta.

— Já estou indo, Gray. – respondeu sem qualquer tipo de emoção, o que fez com que ele arqueasse uma sobrancelha. Sem nenhum tipo de estouro pela provocação? – Só queria terminar de vez esta contagem.

— Ei, o que houve?

— Nada. Já estou indo.

[...]

Esperava encontrar a cozinha vazia quando descesse, mas estava terrivelmente enganada. Ninguém menos que Gajeel estava escorado no batente da porta, apenas esperando a garota aparecer. Assim que a viu, seu sorriso debochado apenas aumentou, apontando por cima do ombro para a pilha enorme de louça que a esperava. Lucy suspirou e pegou um prato para lavar e finalmente almoçar, mas Gajeel a impediu, adorando ver a indignação nos olhos da garota.

— Qual é, todos já almoçaram, qual é o problema de eu pegar um prato usado?

— O problema, Lucky, é que você se acha muito espertinha. Não há lugar para espertinhos aqui, se vire pra almoçar, mas você não vai pegar nenhum dos pratos.

Lucy considerou de verdade a possibilidade de virar um soco na cara do homem coberto de piercings, mas conteve-se ao lembrar da informação dada por Loki mais cedo. Mais três dias. Mais três dias de tortura e finalmente teria sua chance de escapar, ela podia fazer isso. “Seja paciente, Lucy”, pensou.

Ela bufou, largando o prato de volta na pilha e buscando um recipiente qualquer para pegar o caldo ralo que havia sobrado. Não havia quase nada na grande panela, e percebendo a frustração da loira, Gajeel se retirou satisfeito.

Por alguns minutos, Lucy permaneceu sozinha com o resto de sua sopa, mergulhada em seus pensamentos. Por que não ouviu sua tia? Se pudesse voltar no tempo, nunca teria sugerido ir ao porto naquele dia, sabia desde o começo que sua tia não iria gostar, mas insistiu mesmo assim, e aonde suas atitudes impensadas a levaram? Ao porão de um navio, onde tomava o resto de uma sopa rala, sem saber aonde estava. Ainda estavam em Fiore?

De repente, um toque úmido e quente em seu pescoço a fez despertar de seus pensamentos. AQUILO FORA UM BEIJO?!

— MAS QUE DIABOS-

— Ah, finalmente voltou pra Terra, Lucky!

Com um sorriso vitorioso nos lábios, sentado ao lado dela estava ninguém menos do que o capitão do Red Lizard, Natsu Dragneel. Quando foi que ele chegou ali?

— Dá pra me dizer o porquê disso?! – ela praticamente gritou.

— Você não respondia quando eu chamava, tinha que te acordar de alguma maneira.

— Por que não me chacoalhou, simplesmente?!

— Aí não teria graça. – e piscou para ela.

Como ele se atrevia?

— Por que está comendo numa vasilha? Isso tudo é preguiça de lavar um prato pra comer?

Lucy baixou os olhos, envergonhada.

— Quebrei meu prato ontem.

— E por isso tem que comer numa tigela?

— Bom, Gajeel-

Natsu suspirou entediado, cortando sua linha de pensamento.

— É por conta disso que está com essa cara?

— Você tá de brincadeira?! Você me sequestra, me transforma praticamente numa escrava, todo dia pelo menos uma pessoa encosta uma faca ou uma arma de fogo em alguma parte do meu corpo, sem falar que aquela maldita rede está acabando com a minha coluna, ainda quer que eu fique toda sorrisos por aí?!

Natsu bufou enquanto a garota surtava.

— Sabe Lucky, eu estava com expectativas altas sobre você, mas você está me decepcionando um pouco ultimamente. E já que sua rede está te incomodando tanto, tem um lugar mais confortável que você pode passar a noite.

— É sério? Onde? – perguntou desconfiada.

— Na minha cama.

A loira revirou os olhos, bufando e se dirigindo à pilha de louça logo em seguida.

— Acho que vou ficar com minha rede mesmo.

— Você quem sabe. – lá estava aquele tom vigarista que ela tanto odiava. – Te garanto que acordaria muito mais relaxada lá.

— Vai pro inferno.

Ele soltou uma risada gostosa enquanto ela revirava os olhos, até que uma mudança no tom de sua voz lhe chamou atenção. Daquele tom vigarista, sua voz mudou para um tom divertido e um pouco... gentil?

— Ei, Lucky. Gosta de maçãs?

— Oi?

— Olha, eu vi que os caras não deixaram praticamente nada pra você, deve estar com fome ainda, não?

Ela olhou por cima do ombro e encarou surpresa o rapaz que lhe estendia uma fruta madura, com um sorriso gentil no rosto. O que estava acontecendo? Desde quando o capitão se importava com alguma coisa? O ronco baixo de seu estômago ao visualizar a maçã fez com que ele soltasse um risinho e ela se encolheu envergonhada, mas acabou aceitando a oferta, hesitante.

— Muito bem, até mais tarde, Lucky.

Lucy ficou parada, encarando o capitão ir embora, completamente sem palavras. Mas o que foi isso?

Notas finais
Tadinha da Lucy, estão fazendo ela de gato e sapato no navio, mas vai, esse último trecho foi fofinho, não? hehe Algum palpite sobre o passado da Lucy com o Loki? Até o próximo capítulo (: