Master of Tides

7 O Louco, o Mago e o Eremita


Notas iniciais
Olá pessoal, tudo bem? (: Nossa, fazia quase um ano que eu não atualizava essa fic, quanto tempo hehehe Gente, sério, me desculpem a demora. Durante todo esse tempo, eu não escrevi nada, não por bloqueio criativo, porque eu reescrevi esse capítulo umas mil vezes antes de postar, mas por vários fatores. Primeiro: conforme o final do mangá se aproximava, me desculpem quem gostou, mas eu fiquei bastante decepcionada e peguei um leve ranço pelo mangá, entrei em outros fandons, me interessei por outras coisas e custou para eu me interessar de novo por Fairy Tail. Segundo: eu passei por uma depressão brava nesse meio tempo. Sabem quando tudo dá errado, mas TUDO MESMO, demissão, problemas familiares, meu relacionamento amoroso indo por água a baixo, uma amizade de anos se desfazendo de uma maneira bem brusca... fora outras coisas que já vinham se acumulando, eu simplesmente não tinha vontade nenhuma de escrever. Terceiro: Achei um erro bem grande no planejamento da história e aproveitei esse tempo para estudar melhor meu enredo, pesquisar por assuntos relacionados a ele, etc, enfim, eu amadureci, andei até estudando um pouco de tarot pra não escrever um monte de bobagens baseado em esteriótipos kkkk Agora, sem mais delongas, boa leitura!

Lucy xingava baixinho o capitão do Red Lizard enquanto terminava de dar uns pontos em uma camisa do mesmo. Costureira. Além da limpeza diária daquele navio enorme, ajudar na cozinha, pilhas de louça para lavar, contagem e organização do estoque, os assédios da tripulação, ajudar com as cordas no convés quando necessário, agora também teria que remendar as roupas rasgadas de Dragneel. Era o fim da picada! “Calma Lucy” pensava, “mais dois dias e aportaremos em Margaret. Mais dois dias e estará livre.” Com mais um suspiro, tentou ser otimista antes que rasgasse toda a peça com o ódio que estava sentindo. Pelo menos o balanço do navio não a deixava enjoada.

Havia pensado bastante sobre Natsu Dragneel. Definitivamente era um homem estranho. A tripulação comentava constantemente que mais cedo ou mais tarde ela aprenderia a gostar do capitão e veria que ele não é uma pessoa tão má quanto aparenta, mas ela continuava duvidando, apesar de um ato de gentileza ou outro, como por exemplo, quando ele lhe deu aquela maçã no dia anterior. Apesar disso, ele era irritante na maior parte do tempo! Sempre que perguntava sobre o motivo de ter sido raptada, ele apenas respondia:

— Isso depende de você.

Argh! Que ódio! Tomara que se engasgasse com o tão adorado molho de pimenta!

A loira acordou de seus pensamentos ao escutar passos se aproximando da cozinha. Que horas deviam ser? Umas 23h00? Deveria se apressar para dormir, amanhã seria mais um dia longo.

— Lucky? O que faz acordada a essa hora? – Era Gray, acompanhado de Loki e Jellal.

— Já estava indo dormir, só estava terminando de costurar esta camisa.

Os rapazes caíram na gargalhada e Lucy inflou as bochechas.

— Posso saber qual é a graça?

— Você realmente virou a cachorrinha do capitão! – Jellal respondeu.

— Vai pro inferno!

— Wow, calma aí Lucky, eu estava brincando.

— Já estou farta desta brincadeira de vocês!

— É verdade que pegamos um pouco pesado com você – Lucy ficou surpresa ao ouvir isso de Gray – O que me diz? – ele ofereceu uma garrafa a ela – uma oferta de paz?

Hesitante, Lucy pegou a garrafa do navegador.

— Posso perguntar uma coisa?

— O que quiser.

— Qual a história de vocês com o capitão? Aquele homem é um cretino e ainda assim, vocês demonstram uma lealdade tão grande a ele...

Os rapazes deram um gole de suas bebidas, sem responder a loira. Pra falar a verdade, ela não estava tão interessada assim na história deles, mas na de Loki em especial. Cresceu com ele e o conhecia, para ter se tornado um pirata e ser tão leal a Dragneel, algo grande aconteceu, mas pela sua expressão hesitante, com certeza não seria o primeiro a falar.

— Eu conheço a figura desde criança. – começou Gray.

“Magnolia não é um bom lugar para crescer. Uma terra pobre e sem leis onde você faz o necessário para sobreviver. Numa noite em que marinheiros aportaram por lá, especificamente numa taverna perto do porto, houve muita bebedeira e um almirante teve seu uniforme acidentalmente sujo por um garçom. Aconteceu uma chacina naquela noite, onde todos os presentes foram executados a sangue frio pela marinha, entre eles, os meus pais, que trabalhavam na taverna. Não bastasse todo o sangue derramado, a taverna terminou em chamas enquanto os oficiais se afastavam rindo dos pobres coitados que ficaram para trás.”

Lucy ouvia boquiaberta o relato de Gray, contendo o impulso de abraçar o rapaz, só não o fazendo, pois ele parecia estar muito concentrado demais na história e não queria interrompê-lo. Já tinha esquecido do tratamento que recebeu do marujo nos últimos dias e começou a sentir uma certa compaixão por ele.

“Enquanto chorava pelos meus pais em frente ao prédio em chamas, outra criança apareceu e me estendeu a mão. Não precisei dizer nada naquele momento, ele entendeu que eu tinha acabado de me tornar órfão e que não tinha para onde ir, então, com um sorriso gentil, ele me levou até um albergue onde uma velha ranzinza me acolheu. Descobri que a criança se chamava Natsu e que, assim como eu, também era órfão e morava lá com mais duas crianças, Zeref, igualmente órfão e Wendy, neta da dona do albergue. Eram tempos difíceis e precisávamos trabalhar para sobreviver, e mesmo com todo o desrespeito, abuso e absurdos que precisávamos aguentar, Natsu nunca me deixou desanimar, então, mesmo que ele seja cabeça dura às vezes, eu vou com aquele idiota até o fim do mundo.”

Gray bebeu um gole de sua garrafa após concluir seu relato, mas engasgou imediatamente ao perceber que a loira chorava.

— Eu... Não fazia ideia...

— Ei, ei! – agitou as mãos, começando a entrar em pânico. – Não chore! Todo mundo tem uma história triste pra contar, não era pra você chorar, droga! – se atrapalhou todo enquanto ela abria um berreiro.

Em nenhum momento Loki e Jellal se pronunciaram. Sabiam o quanto era delicada esta história da infância de Gray e que era um assunto que ele sempre ficava hesitante em tocar. Na verdade, ficaram um tanto surpresos com a facilidade com que ele se abriu com Lucky, uma desconhecida, para falar sobre isso, ele devia realmente estar querendo esta trégua com ela. Se Gray confiou nela o bastante para falar de seu passado tão abertamente, não teriam por que não fazer o mesmo, não é como se fosse um segredo, afinal.

— Minha vez. – Jellal se pronunciou, dando mais um gole de sua bebida, interrompendo o berreiro de Lucky e a cena ridícula que Fullbuster estava fazendo para acalmar a moça. – Mas minha história não é tão tocante quanto a dele, então vou ficar te devendo essa.

“Quando eu tinha oito anos, vi um homem tentar estuprar uma menina. Os gritos dela, o riso dele, eu era uma criança inocente, mas sabia que algo estava muito errado ali, ainda mais porque qualquer um que estava por perto fingia que nada acontecia. Fui tomado pelo ódio que senti ao ver o pavor em seus olhos e o sorriso maníaco dele e quando dei por mim, o transformei num cadáver. Eu sei, é chocante, mas é assim que minha história começou. Um homem viu e me parabenizou, disse que poderia me dar o poder para proteger a quem eu quisesse se eu o seguisse e foi o que eu fiz. Ele era líder de um grupo de assassinos de aluguel. Fui convencido de que o que fazia era para um bem maior, que só matava pessoas más, que fizeram coisas imperdoáveis como aquele homem que tentou estuprar a menina.”

“Durante anos fui instruído com o intuito de manipular pessoas e treinado para matar. Quando fui reconhecido oficialmente pelo grupo, recebi esta tatuagem no rosto, aposto que andava se perguntando sobre isso, não? Quanto melhor executado o serviço, maior o pagamento. Com o tempo, fui me acostumando à sensação e me esqueci da menina que salvei. Me esqueci de valores morais. Tudo o que me importava era o pagamento. Minha rotina era um banho de sangue para todos os lados, até que botaram um preço pela cabeça de Natsu Dragneel. Achei engraçado, na época, encomendarem a morte de um homem por roubar livros, mas tudo o que eu pensava era que era uma boa recompensa e um trabalho fácil, mas foi aí que me enganei.”

Lucy arqueou uma sobrancelha enquanto bebia um gole de sua garrafa. Milhares de pensamentos sobre o azulado se passaram em sua cabeça, mas estava curiosa com o desenrolar da história.

“Aquele homem era impossível de matar! Pela aparência e pelo modo despreocupado de agir, achei que seria apenas um idiota e um alvo fácil, mas ele se esquivava de minhas tentativas com uma facilidade absurda! Dizia que era pura intuição e porque éramos parecidos que ele podia prever meus movimentos, e quando vi, estava imobilizado no chão com uma faca contra a garganta.”

A garota engoliu seco, se lembrando se quando foi capturada pelo rosado.

“Mas em vez de me matar, ele simplesmente me desarmou e disse que eu podia ser muito mais do que apenas um assassino. Em dez anos, ele foi a primeira pessoa que não me viu apenas como uma arma e isso me atingiu de uma maneira inacreditável. Ele decidiu me mostrar o motivo por trás da recompensa e me deparei com um bando de crianças pras quais ele distribuiu os livros roubados. Ao ver o brilho nos olhos delas, vi que ele estava me mostrando um futuro onde não era necessário mais sujar as mãos com sangue inocente. Se aquelas crianças não estivessem recebendo livros e sim armas, teriam acabado como eu? Muito provavelmente, mas elas estavam salvas.”

— UMA OVA QUE SUA HISTÓRIA NÃO É TÃO TOCANTE QUANTO A DELE! – se exaltou a loira abraçando o rapaz repentinamente de novo abrindo um berreiro.

— Lucky?!

— Você é um idiota por fora, mas tem um coração por dentro!

— Está ferindo meus sentimentos! – brincou, dando uns tapinhas de leve nos ombros dela.

— Desculpe por cuspir no seu chá toda vez que me obrigava a te servir aquilo!

— Você o que?!!!

A essa altura, Gray já estava sem camisa – quando ele a tirou? – rolando de rir no chão.

— Ok ok pessoal, vamos acalmar os ânimos. – interrompeu Loki, se pronunciando pela primeira vez. – Antes que alguém apareça para nos dar uma surra pelo barulho.

— Ah Loki! E a sua história?

O ruivo suspirou e tirou gentilmente a garrafa das mãos da loira.

— É uma história longa e complicada. Prometo te contar numa outra hora, my lady, é melhor ir dormir agora, já está tarde.

— Mas-

— Nada de mas. Agora vá se deitar, amanhã será um dia cheio.

— Certo... – ela respondeu meio a contra gosto. – Me respondem uma última questão então?

Os três consentiram com um aceno, descartando as garrafas já vazias.

— Se Natsu é uma pessoa tão boa como vocês disseram, por que é um pirata? O Natsu de suas histórias não me parece nem um pouco com o Natsu que conheço. Se ele é essa pessoa tão incrível, por que me sequestrou? Por que todos me tratam tão mal aqui e ele não faz nada a respeito? Isso não faz sentido.

Os rapazes ficaram em silêncio por um momento, trocando olhares enquanto Lucy aguardava uma resposta. Eles estavam escondendo alguma coisa!

— Entenda, Lucky, a cabeça do capitão é algo impossível de se compreender totalmente, o cara é muito imprevisível. – começou Gray. – Mas ele sempre tem motivos por trás de suas ações.

— Com certeza ele tem planos pra você – Jella continuou. – Ele não te trata como as outras mulheres, que são claramente um passatempo para ele. Mas não me pergunte deles, que eu realmente não faço ideia.

Novamente uma resposta vaga. É basicamente o que Loki dissera antes. Lucy não estava satisfeita, via no olhar deles que não estavam contando tudo, mas decidiu aceitar por enquanto. Aquele final de noite foi bastante inesperado para ela, e acreditava que já tinha feito um bom progresso com aqueles dois marujos, não forçaria a barra por enquanto. Ela suspirou e se retirou com um boa noite.

Eles esperaram os passos da loira sessarem antes de voltar a falar.

— Impressionante você se abrir tão fácil assim com ela.

Gray não respondeu o comentário de Loki. Normalmente não se abriria assim com estranhos, mas lembrar de seus olhos melancólicos do dia anterior lhe apertou o coração. Não custava nada fazê-la se sentir mais a vontade com eles, não é?

— Por que não contou a verdade para ela? – Loki questionou sobre a última pergunta.

— Não podemos, você sabe disso.

[...]

Naquela noite, os rapazes que contaram histórias na cozinha tiveram sonhos agitados. As redes de Gray e Jellal balançavam mais que as outras que acompanhavam o balançar do navio, as velhas lembranças do passado visitando seus sonhos.

— A dona Porlyusica não é das mais simpáticas, na verdade, ela é uma velha bem rabugenta, mas me dá de comer todos os dias. – a criança guiava a outra por meio das vielas escuras de Hargeon, evitando ao máximo caminhos que pudessem mostrar o brilho do fogo da taverna que era deixada para trás. – Junto com ela, tem também o Zeref e a Wendy, você vai gostar deles! Eu juro pra você que você não vai ficar sozinho! A propósito, meu nome é Natsu, e o seu?

—___

— Você parece ser tão mais inteligente do que eu, então, por que está fazendo isso? – o rosado perguntou enquanto desviava da lâmina.

— Pare de tentar se intrometer na minha vida! – o azulado gritou enquanto perdia o controle e avançava descontroladamente para cima de Dragneel. – Você não sabe de nada!

— É, eu não sei mesmo, mas eu quero saber. Se eu te vencer agora, você vem comigo!

Nisso, num movimento rápido, ele torceu o pulso de Jellal e jogou o punhal para longe. Jellal, puxou uma outra lâmina por debaixo da manga livre e fez um corte superficial no pescoço de Dragneel, onde um filete de sangue começou a escorrer. Agora, com uma expressão mais séria, Natsu colocou mais força em seus braços, imobilizando Jellal e usando a mesma lâmina contra ele para mantê-lo parado.

— Xeque-mate. Você pode ser muito mais do que isso, Jellal Fernandes.

Ele tremia. Não podia acreditar que havia sido derrotado. Era a primeira vez que alguém o vencia em dez anos! Mas mais do que isso, por que aquele maldito rosado estava dizendo aquilo?! Muito mais do que isso?! Não, já havia muito sangue em suas mãos, não havia um futuro de redenção para si. Então, pela primeira vez em muito tempo, ele se lembrou. Os olhos castanhos cheios de pavor daquela garotinha, se transformando em gratidão quando ele a salvou. Por que havia se esquecido disso?

— Venha comigo, quero te mostrar uma coisa.

[...]

Era difícil ver alguma coisa na escuridão daquele ambiente pequeno e fechado com tecidos grossos, apenas com a luz de duas velas, quase se apagando, e que se refletia em alguns objetos metálicos espalhados pelo ambiente, principalmente garrafas de bebida, mas era o suficiente para a mulher que sorria conspiradora enquanto cantarolava ao olhar para a pequena esfera a sua frente, como se esperasse a muito pelo que via.

— Ora ora, vejam só o que temos aqui...

Logo a jovem correu para acender mais algumas velas e um incenso, aquele momento era muito especial e necessitava de uma preparação.

Embaralhando o baralho velho em mãos, ela perguntou:

— O que o futuro me guarda?

Separou então três cartas da pilha e virou a primeira, simbolizando o passado.

— O Louco. Interessante... o personagem já começou a se mover. Espontaneidade... Liberdade... Curiosidade. Uma pessoa curiosa e imprevisível tomou uma atitude.

Virou então a segunda carta, representando o presente.

— O Mago. Uma jornada é iniciada. Existem escolhas e direções a serem tomadas, e por alguém com sede de poder.

Por fim, virou a última, revelando o futuro.

— O Eremita. Uma revelação importante. Algo que estava perdido e esquecido será revelado. Deve-se ter paciência e buscar a verdade por trás do que se sabe... Interessante. Mal posso esperar para nos encontrarmos, Natsu Dragneel.

Notas finais
E aí, o que acharam? (: Uma pequena explicaçãozinha sobre as cartas mencionadas no final deste capítulo: O tarot exotérico é um jogo de cartas composto por 78 arcanos, que são divididos em 22 arcanos maiores, que revelam o estado latente da ideia, e 56 arcanos menores expressão o resultado e a forma da ideia. As cartas citadas neste capítulo são os Arcanos Maiores I (o Mago), IX (o Eremita) e XXII ou Zero (o Louco). As cartas podem possuir diversos significados e interpretações, dependendo da forma e da ordem que aparecem e tals, mas vou tentar manter a coisas de uma maneira coerente, sem precisar me aprofundar muito em termos técnicos, afinal, a história não é sobre isso, mas se alguém se interessar, recomendo a pesquisa, é um mundo muito interessante e cheio de possibilidades (: De novo gente, me desculpem a demora, mas prometo recompensar, a história vai ficar incrível!