Master of Tides
1 Prólogo
Notas iniciais
Magnólia, X777 – 23:30
Pratos limpos e empilhados. As duas crianças se entreolharam enquanto suspiravam e limpavam o suor da testa depois de uma noite de trabalho árduo. A confusão ainda continuava na taberna e se estenderia pela madrugada, mas isso não importava para as duas crianças, apenas queriam encontrar o dono do estabelecimento e receber seu pagamento para poder ir embora. Uma noite inteira de louça suja, grosserias e provocações por apenas alguns jewels. Aquilo não era nada, eles trabalhavam praticamente de graça, mas na realidade em que viviam, era aceitar o que pagassem ou passariam fome. Socos eram distribuídos quase que aleatoriamente entre os presentes, o som de vidro quebrado era quase sempre constante e o cheiro forte de álcool impregnava o lugar, digno de uma taberna de uma terra sem leis. Com um pouco de dificuldade, os dois garotos desviavam da briga, e mesmo estando acostumados com isso, acabavam sendo empurrados uma vez ou outra, mas isso não importava, eles já estavam com o dinheiro nos bolsos e agora finalmente poderiam voltar para casa.
[...]
Do lado de fora do albergue, Porlyusica olhava atentamente as ruas procurando algum sinal dos garotos. A senhora de aparência carrancuda, assustadores olhos rubros e cabelos róseos presos em um majestoso coque firme podia não transparecer sentimento algum, mas por dentro estava aflita, sabia o quanto as ruas de Magnólia podiam ser perigosas durante a noite e já havia passado do horário em que os meninos costumavam chegar. Suspirando, a senhora olhou por cima do ombro, era possível ver da janela uma mesa simples de madeira e dois pratos fumegantes de uma sopa rala.
O albergue não era de todo ruim. Vez ou outra apareciam algumas pessoas de caráter duvidoso (temia que alguns fossem piratas) procurando por vagas para passar uma noite, mas também havia hóspedes gentis e com boas histórias para contar. Nesse vai e vem de pessoas desconhecidas, suas únicas companhias eram a neta, o garoto que já dormia e os donos daqueles pratos fumegantes. Olhou novamente para a rua, agora demonstrando preocupação no olhar, não gostava de colocar os meninos para trabalhar, mas os impostos que o reino cobrava estavam cada vez mais altos e ela sozinha, com o pouco dinheiro que conseguia com o albergue, já não conseguia mais manter as crianças. Às vezes tinha vontade de jogar tudo para o alto e ir embora, quem sabe ir para o mar ou algum lugar deserto, afinal, não gostava de pessoas (o que era irônico, pois ela mesma decidiu abrir o albergue) e nenhuma daquelas crianças (com exceção de sua neta) era de fato sua responsabilidade, mas havia algo no olhar delas que a tornava incapaz de abandoná-las.
Um movimento na rua então chamou a atenção da mulher e logo reconheceu a silhueta dos dois garotos. Retomou sua postura firme imediatamente e já repassava em sua cabeça o sermão que daria a eles, mas ao ver suas expressões cansadas, aliviou um pouco os traços e apenas deu passagem a eles dizendo para não voltarem tão tarde novamente.
[...]
Os meninos já haviam tomado sua sopa e agora ajudavam Porlyusica a arrumar o lugar antes de irem para a cama. Os três trabalhavam em silêncio, não vendo a hora de esquecer o dia que tiveram.
Três batidas na porta foram ouvidas, chamando a atenção dos três. Já estava tarde, não esperavam receber ninguém àquela hora. Porlyusica suspirou, sinalizou para os meninos irem para a cama e se direcionou a porta. Esta foi aberta com um rangido, revelando um pequeno homem grisalho envolto numa capa escura. Ele trocou poucas palavras com Porlyusica e esta o acolheu com um sorriso discreto.
— Já faz muito tempo, Makarov, você está acabado.
Os meninos observavam da escada enquanto o velhinho passava e soltava a trouxa que carregava no chão, seu olhar era sério e cansado, mas colocou um sorriso leve no rosto após a mulher fechar a porta.
— A vida não está nada fácil pra ninguém. É complicado ser um mercador honesto com tantos piratas e corsários por aí. Sinto saudades dos nossos tempos de jovens, de quando navegávamos pelos mares, buscando tesouros e aventuras...
— Continua sonhando com aquele tesouro? – isso aguçou a curiosidade das crianças. – Pare de perder seu tempo, velho, olhe só para você, está tão acabado que não duraria um minuto numa aventura dessas novamente...
Makarov fechou a cara com a afirmação.
— Você diz isso, mas está mais acabada do que eu. – murmurou.
— O que foi que disse?! – Porlyusica perguntou irritadiça, com o cenho franzido e uma veia pulsando em sua testa.
— Nada! – Makarov se apressou em dizer, suando frio e com um sorriso amarelo.
Os meninos que observavam da escada não seguraram a risada, ninguém nunca tinha falado assim com Porlyusica antes e esta reação havia sido realmente engraçada, mas cobriram a boca e se arrependeram imediatamente quando viram que agora os dois os encaravam. Eles finalmente haviam notado sua presença.
— Boa noite meninos! – Makarov exclamou, cumprimentando-os com um aceno.
— Boa noite, senhor! – responderam automaticamente e subiram os últimos degraus correndo e logo se fecharam no quarto que dividiam com outro garoto.
— Não sabia que cuidava de meninos agora, você amoleceu, Porlyusica.
— Não podia deixar que eles morressem na rua. Mas não interprete errado, ainda não gosto de pessoas.
— Se você diz...
— Agora vá dormir, seu quarto é o primeiro à direita, conhece minhas regras, nada de bebidas aqui, entendeu?
— O tempo passa, e você continua uma chata.
[...]
Uma grande tempestade atingiu Magnólia naquela noite. A chuva torrencial não dava trégua em nenhum momento, gerando um barulho alto no telhado da estalagem, e para o azar das crianças que moravam naquele albergue, seu quarto ficava exatamente no sótão. O vento forte uivava e arrepiava os meninos ao passar pelas frestas da janela, de longe podiam ver as silhuetas das árvores se retorcendo lá fora e isso os assustava, sem contar com os raios e trovões que impediam qualquer um de dormir. Um deles havia desistido de tentar dormir, estava cansado devido à noite pesada de trabalho, mas a tempestade insista em deixa-lo acordado. Levantou de sua cama e acendeu a única vela que tinha em um castiçal em cima do criado-mudo.
— Ei, Natsu! – um dos meninos sussurrou. – O que está fazendo?
— Não consigo dormir. – respondeu no mesmo tom como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Vou pegar um pouco de água.
— Sei. – desdenhou. – Fala a verdade, você está com medo!
— Não estou nada!
— Está sim!
— Não estou!
— Vocês querem calar a boca?! – o terceiro se pronunciou.
— Não enche, Zeref! – os dois responderam juntos.
Um clarão de um raio, seguido de um trovão arrepiou os três, que ficaram calados e imóveis por alguns segundos, apavorados. Então os outros dois que ainda estavam na cama se levantaram de prontidão.
— Eu vou com você!
— Eu também!
Os três desciam as escadas, iluminadas somente pelo castiçal de Natsu, na ponta dos pés e com o maior cuidado para não fazer nenhum barulho, pior que acordar alguém hóspede, era acordar Porlyusica, e isso definitivamente nenhum dos três queria. Então uma luz chamou a atenção dos três. Era fraca e vinha de um quarto cuja porta encontrava-se entreaberta, mas foi o suficiente para eles se entreolharem e darem uma espiada, afinal, eram crianças, a curiosidade fazia parte. Os três se esguelharam até a porta e com cuidado observaram o quarto. Era o velhinho que havia se hospedado antes dos dois irem para a cama! Ele segurava uma folha de papel amarelada e a olhava atentamente com nostalgia.
— Também não conseguem dormir, crianças? – Makarov perguntou.
Os três estacaram imediatamente.
— Não tenham medo, não vou contar à Porlyusica que estão fora da cama a essa hora. Venham!
Eles se entreolharam e entraram timidamente no quarto, um a um.
— Quem são vocês, meninos?
— Gray Fullbuster, senhor. – o primeiro respondeu e Makarov o cumprimentou com um menear da cabeça.
— Natsu, senhor. – o segundo respondeu.
— Natsu...?
— Apenas Natsu, senhor. – complementou cabisbaixo. O velho o observou por um segundo e logo o cumprimentou, passando a olhar o terceiro.
— Zeref, senhor.
— Também apenas Zeref?
— Sim senhor.
Makarov mergulhou em pensamentos por um segundo, apoiando o queixo com a mão. Todos eram órfãos, com certeza, mas casos diferentes, pelo menos um deles. O primeiro tinha sobrenome, sinal de que teve uma família antes de vir parar aos cuidados de sua velha amiga. Já os outros dois não tinham sobrenome, significa que ou não conheciam os próprios pais, ou não queriam aceita-los. “Interessante” pensou. Olhou para a folha que segurava e sorriu.
— Querem ouvir uma história, garotos?
Os três se empolgaram imediatamente, adoravam histórias! Sentaram-se em um semicírculo e passaram a observar Makarov atentamente.
— Muito bem... Quando eu era criança, meu bisavô me contou várias histórias, mas uma delas eu carrego comigo até hoje. Ele foi um homem que sabia aproveitar a vida e viveu inúmeras aventuras, histórias envolvendo perigos, tesouros e o mar e um amigo dele, em especial, lhe proporcionou a maior de todas...
Natsu, Gray e Zeref se aproximaram mais, com os olhos brilhando de excitação e expectativa.
“Igneel Dragneel era seu nome. Era um bom homem, porém, era um pirata. Ele vivia nas ilhas vulcânicas de Dragen. Dragen já foi um reino poderoso, mas seu povo estava em decadência, com um rei fora de controle almejando cada vez mais poder. Igneel não aguentava ver seu povo sofrendo com as injustiças do rei, então se lançou ao mar em busca de riquezas. Igneel saqueou dois navios e voltou para casa trazendo uma quantia considerável de ouro, prata e joias, livrando seu povo da miséria. Ele foi acolhido como um verdadeiro herói, mas isto despertou inveja do rei, que ouvia seu povo gritar mais o nome de Igneel do que seu próprio.”
Makarov viu os meninos ficarem apreensivos com o que poderia acontecer.
“Certo dia, tentando resgatar sua popularidade, o rei convidou Igneel para um banquete e lhe ofereceu uma missão especial. Se tornaria seu corsário e realizaria alianças com outros reinos em nome de Dragen, descobriria novas rotas marítimas e o rei lhe asseguraria segurança militar e diversos outros benefícios, além de ter liberdade política para realizar saques. A proposta era tentadora, ficaria rico e ainda poderia ajudar seu povo, sem falar que finalmente se provaria digno de casar-se com sua amada, então Igneel aceitou na hora.”
— Era uma armadilha! – Natsu interrompeu a história apreensivo.
— Sim, foi uma armadilha.
“Igneel se lançou novamente ao mar, traçou uma nova rota e desta vez, havia feito a sua maior pilhagem, trazendo consigo o maior navio da frota carregado com tesouros e escravos. Com o regresso dos navios com grandes fortunas em nome de Dragen, a popularidade do rei subiria novamente e não precisaria mais dos serviços de Igneel, portanto, em segredo, o rei ofereceu 200.000 peças de ouro pela cabeça de Igneel a um soldado de confiança para que o assassinasse quando achasse que havia condições de ele mesmo guiar os navios de volta ao reino. Mas uma coisa não estava nos planos do rei: uma grande tempestade se formou no mar, e antes que Igneel fosse assassinado, o navio naufragou.”
Os meninos ficaram chocados com o final da história. O grande herói Igneel havia morrido? O povo foi novamente explorado pelo rei malvado? Eram essas as perguntas que rodeavam a mente de dois dos meninos.
“Mas esta não foi a última vez que Igneel foi visto.”
Natsu e Gray suspiraram aliviados com a afirmação, enquanto Zeref continuava concentrado nas palavras do velho.
“Três meses depois, Dragneel retornou à praia. Estava acabado, com roupas em um estado lastimável, a barba ruiva consideravelmente grande e olheiras profundas, mas todos o acolheram em festa, ninguém acreditava que ainda estivesse vivo! Mas algo estava diferente nele. Andava pensativo e o pegavam falando sozinho com frequência, mas ele se recusava a dizer o que acontecera com ele neste tempo em que ficou desaparecido. O rei não ficou nada contente com seu retorno, mas precisava manter as aparências e deu uma grande festa em sua homenagem. Dragneel percebeu que as intenções do rei não eram boas, e antes do fim da festa, saiu sem ser visto, carregou um barco e zarpou em uma nova aventura.”
— Mas senhor, o que o seu bisavô tem a ver com essa história? – Zeref perguntou.
Makarov sorriu vitorioso e bebeu um gole de rum direto da garrafa, indo totalmente contra as regras de Porlyusica.
— Meu bisavô navegou com Igneel, era apenas uma criança na época, mas um amigo de confiança, por isso sabia de alguns segredos. Foi a única pessoa que Igneel levou junto consigo em sua última aventura. – os meninos novamente olhavam para Makarov com total atenção.
— Nossa, isso é incrível! – Gray exclamou.
— Seu bisavô realmente conheceu um herói, senhor Makarov! – foi a vez de Natsu exclamar empolgado.
Zeref olhou curioso para Natsu, não entendia como o amigo sabia o nome do velho, mas procurou não pensar nisso e deixar Makarov continuar a história.
“Meu bisavô, Yoseph Dreyer, admirava Igneel antes mesmo de ele se tornar um herói e sempre pedia para ir junto a suas aventuras, mas nunca lhe era permitido. Na noite em que Igneel saiu da festa, Yoseph se escondeu no barco que Igneel preparara, e já estavam em alto mar quando Igneel percebera sua presença. Meu bisavô contava que ele ficou muito bravo no momento, mas depois passou a gostar da ideia de companhia e os dois partiram para uma grande aventura.”
“Passaram por ilhas que Yoseph jamais vira antes, com formatos estranhos e estreitos que convidavam a morte, experimentaram frutas exóticas, conheceram pessoas diferentes, fugiram algumas vezes da marinha e Yoseph podia jurar que algum dia viu uma calda de sereia perto do barco. Igneel tinha um olhar sonhador para o céu e um espírito de aventura sem igual, e sua honra era de longe sua maior característica, mas também era um homem cheio de segredos. Várias vezes, quando dormiam sob as estrelas, Igneel costumava dizer que um dia o malvado rei cairia perante o povo e que ele, Igneel, traria de volta a Dragen sua antiga glória, mas quando Yoseph perguntava como, Igneel apenas sorria e olhava para o céu.”
“Conforme o tempo passava, as coisas começaram a ficar estranhas entre Yoseph e Igneel. Igneel andava ansioso e parou de se preocupar consigo mesmo e com o garoto, estava sempre a observar o horizonte e a murmurar.”
“Yoseph conta que Igneel mantinha sempre consigo um diário e o consultava com frequência, mas não permitia que visse o conteúdo daquelas páginas. Igneel a cada dia de viagem ficava cada vez mais empolgado com o mar e Yoseph não conseguia entender o motivo, apenas sabia que algo mudaria sua vida drasticamente. Igneel guardou o livro em um caixote de madeira e esperou. O céu escurecia ao meio dia e as ondas aumentavam de tamanho e força, mas nada importava para Igneel que seguia em linha reta, nem mesmo os gritos de Yoseph dizendo o quanto era perigoso, que o barco não iria aguentar, até que o inevitável aconteceu: uma onda excessivamente grande virou o pequeno barco e Yoseph perdeu Igneel de vista durante o tormento.”
“Pouco antes do naufrágio, a última vez que se viram, Igneel estava segurando uma caixa, mas não lhe contou o que havia dentro. Depois do naufrágio, Yoseph apenas conseguiu sobreviver, pois ficou a deriva agarrado a uma caixa que havia boiado, e esta caixa era justamente a que Igneel segurava antes de desaparecer no mar.”
“Quando estava quase morrendo de fome e desidratação, Yoseph foi resgatado por um navio mercante que passava. Depois de comer e descansar, ele esperou até que ficasse totalmente sozinho para que então abrisse a misteriosa caixa de Igneel, a única coisa que conseguiu salvar em sua memória. Nela, havia uma pequena chave de formato estranho e um livro negro mediano envolto em alguns pedaços de pano, e quando o abriu, não teve dúvidas, era o diário de Dragneel! E ao folhear as páginas, ficou chocado com o que descobriu, informações sobre diversos reinos, passagens, segredos de rotas, segredos reais! Todos os segredos de Igneel que o levaram ao sucesso catalogados em um diário, mas o maior de todos estava escrito nas últimas páginas: a existência do tesouro de Tenroujima, um tesouro de proporções inacreditáveis que foi oferecido ao rei dragão Acnologia para evitar a chacina, isto não salvou a vida do povo e agora o tesouro jazia em esquecimento para ser encontrado apenas por aqueles que forem dignos de portarem o conhecimento do rei.”
“ ‘Tão vasto que apenas um rei não seria digno de tamanha riqueza, tão belo que nem o mais brilhante bardo poderia descrevê-lo e tão glorioso que nenhum mortal conseguiria resistir à tentação de chama-lo de seu.’ Yoseph não conseguia acreditar no que lia, sempre achou que a história deste tesouro era apenas mais uma inventada para fazer crianças dormirem, mas as palavras escritas naquele diário não deixavam dúvidas: ele havia encontrado o tesouro de Tenroujima.”
“Yoseph leu e releu várias vezes o diário numa tentativa de entender melhor os segredos e os planos de Dragneel, mas havia algo que não se encaixava, e infelizmente algumas frases foram borradas pela água. As únicas palavras que conseguiu entender em meio aos borrões foram ‘Chave’ ‘Tormento’ e ‘Aquárius’”
— Ele podia estar se referindo à chave que estava junto do diário? – Natsu interrompeu na curiosidade.
— Talvez. – Makarov respondeu pensativo.
— Aquárius não é aquela sereia lendária? – Gray perguntou.
— Ele podia estar também fazendo uma referência ao poder do mar, note que ele fala “Tormento”, deve estar falando da ira do mar e usando Aquárius como referência. – Zeref falou com o queixo apoiado em uma mão.
Makarov sorriu ao ver que os meninos se empolgaram e começavam a ligar os pontos, exatamente como ele, Porlyusica, Bob, Yajima, Rob e Goldmine quando jovens. Pigarreou chamando atenção das crianças e continuou a história.
“Por mais que estivesse triste pela perda do amigo, pelo menos ainda havia uma chance de ajudar seu povo, o conhecimento não havia sido perdido, mas quando conseguiu retornar a Dragen, Yoseph já era um adolescente e chocou-se com o que encontrou. Uma inquisição havia se instaurado, após o rei declarar a descoberta de um plano de Dragneel para lhe roubar a coroa, usando de falsos testemunhos para fundamentar-se. Qualquer um que apoiasse o pirata ou tivesse alguma relação com o mesmo deveria ser executado. Houve uma chacina e o medo se espalhava por todo lado. Por o sobrenome Dreyer estar relacionado com a família Dragneel, Yoseph também teve de fugir do reino para continuar vivo.”
Os meninos agora encaravam Makarov chocados com a informação.
“Yoseph não tinha mais para onde ir, tinha perdido tudo, menos a fé. Prometeu a si mesmo que recuperaria a glória dos drageonianos custe o que custasse e honraria o nome de Igneel. Mas seus planos não ocorreram como o esperado. Enquanto viajava em busca de algum ponto para recomeçar, Yoseph foi abordado por soldados do reino de Bosco que lhe roubaram tudo o que carregava consigo, inclusive o diário e a chave, e tudo o que lhe sobrou foi uma página que caiu, esta mesma página que agora está em minhas mãos.”
Os meninos ficaram chocados com o final da história e se aproximaram todos ao mesmo tempo de Makarov para ver a última evidência que provava que esta história era real.
Uma folha mediana amarelada pelo tempo trazia o desenho de uma chave e uma única frase abaixo dele que dizia: “O segredo estará guardado com a dona da voz enfeitiçada em um reino de jarros.” Os três olharam maravilhados para a folha.
— Isso é incrível! – Natsu falou com os olhos brilhando.
— Esplêndido. – Zeref usou o mesmo tom de Natsu.
— Senhor Makarov, o tesouro desta história é o mesmo tesouro que a dona Porlyusica mencionou quando o senhor chegou? – Gray perguntou finalmente tirando os olhos da folha amarelada.
— Oh sim. – Makarov respondeu com um sorriso sem graça. – Quando éramos jovens, costumávamos procurar por este tesouro, ela sempre esteve comigo e apesar de ter a cara fechada, era bastante aventureira. – Os meninos o encararam desacreditados. – Mas com o tempo, ela parou de procurar, dizendo que nunca encontraríamos aquele tesouro e que eu devia desistir também porque estava velho demais para isso.
Eles ainda o encaravam sem demonstrar nenhuma reação além do espanto e curiosidade.
— O que vocês fariam? – o velho continuou, falando mais devagar, enfatizando as palavras com um tom sugestivo. – Enfrentariam as mais perigosas águas do oceano, as criaturas mais misteriosas e arriscariam a própria vida e as de seu redor pelo tesouro do rei dragão?
O barulho da porta abrindo com tudo assustou os quatro e a voz cortante arrepiou a todos, inclusive Makarov.
— O que pensam que estão fazendo fora da cama?!
O rosto de Porlyusica ficava ainda mais assustador na penumbra e os três meninos se abraçaram em pânico.
— E você – apontou para Makarov que se arrepiou instantaneamente. — enfiando essas histórias na cabeça dessas crianças? Tem noção do que está fazendo?! – agora ela se voltou para os três meninos, mais assustadora ainda. – E vocês, já para o quarto!
Não esperaram por uma segunda ordem, eles correram o mais rápido que puderam para o quarto enquanto Porlyusica dava bronca em Makarov. Não perderam tempo em se enfiar debaixo das cobertas, mas nenhum se arrependia. Crianças precisam de histórias. E antes que pegassem novamente no sono, Natsu olhou sorridente para a janela, a tempestade havia passado e as nuvens começavam a dar lugar a um lindo céu estrelado e sussurrou para os amigos:
— A partir de agora, quero que me chamem de Natsu Dragneel.
Gray e Zeref deram sorrisos e risadas discretas.
— Dorme logo, Natsu Dragneel.
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N/A
Faz algum tempinho que não escrevo, então estou um pouco enferrujada, mas espero que tenham gostado!
Comentários e críticas construtivas são bem vindos (:
E então, o que acharam?
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