Master of Tides

2 Ele é um pirata!


Notas iniciais
Olá pessoal! Tudo bem? (: Espero que gostem do capítulo! Boa leitura!

Hargeon, X792

O porto estava bastante movimentado naquela manhã, alguns navios vindos do reino de Midi aportaram trazendo especiarias e novidades para o comércio de utilidades. Alguns caixotes eram direcionados para o comércio local, mas o conteúdo de outros era comercializado diretamente no porto por pessoas atrás de uma pechincha. Em meio a tanto movimento, ninguém percebeu quando um pequeno barco sem bandeira ancorou no cais e dele desceu um jovem de aproximadamente 25 anos, com um andar animado e confiante. Por onde andava, chamava atenção das moças por seus exóticos cabelos rosados e físico trabalhado e isso aumentou ainda mais o ego e a confiança do rapaz. Quando soube que navios de Midi estavam chegando a Hargeon, não pensou duas vezes antes de roubar um barco em Margareth para ir à cidade, os produtos de Midi eram de altíssima qualidade, e com uma boa conversa, poderia conseguir uma boa pechincha.

Olhava as tendas com armamentos e ficou bastante interessado nas pistolas e espadas. Analisou uma pistola de madeira escura, e deu uma rápida olhada nos punhais.

— Bom dia meu jovem, vai levar a pistola hoje? – o velho mercador apareceu com um sorriso. – São as melhores do mercado.

— Essa aqui é realmente fascinante. – o rosado comentou, analisando-a melhor, então olhou para o mercador e apontou para uma arma atrás do velho. – poderia trazer aquelas espadas ali? Quero dar uma olhada.

— Claro, com prazer!

Assim que o velho se virou, o jovem num movimento rápido e discreto agarrou um dos punhais e colocou no bolso da calça. Quando o velho mercador se voltou para ele, este olhava as pistolas, ninguém havia notado seu pequeno furto. O velho entregou-lhe três espadas, com larguras e tamanhos diferentes. A primeira possuía uma lâmina curva mais larga na extremidade livre, com gume no lado convexo, que não interessou ao jovem rosado. A segunda era uma montante, possuía um cabo longo em forma de cruz de aproximadamente 10 centímetros e uma lâmina com dois gumes, porém, o peso fez com que a descartasse imediatamente. A última foi a que prendeu a atenção do jovem. Uma rapieira, com uma lâmina comprida e estreita, de um fio só, excelente espada para perfuração, mas o que o encantou foi o punho da arma, onde havia um dragão feito com filetes de metal, com detalhes impressionantes protegendo a espada. Ele a empunhou com fascínio e fez alguns movimentos, achando a espada perfeita para si.

— Leve, precisa, lâmina bem afiada... Quanto é?

— 150.000 jewels.

— Como é?! – ele sabia que rapieiras costumavam ser caras, mas aquele preço era um roubo! – Não pode estar falando sério!

— É uma pena, volte sempre. – o mercador arrancou a espada das mãos do rapaz e a guardou na bainha bem trabalhada.

— Está bem. E a pistola?

— 40.000 jewels.

— O que me diz de 10.000 jewels – começou a revirar os bolsos, chamando atenção do mercador. – e um cachimbo de marfim?

O mercador começou a analisar a peça. Os detalhes esculpidos eram muito ricos e cachimbos como aquele tinham um alto valor de mercado, estava mal conservado, mas poderia revender aquela peça por 50.000 jewels se a polisse.

— Feito. Faça bom uso da pistola.

— Tenha um bom dia. – saiu de lá bastante satisfeito, afinal, o mercador não percebeu que o cachimbo era falso.

— Olá, meu bom senhor. – duas jovens se aproximaram do rapaz, olhando para seu corpo de maneira nada discreta. – O que o traz a Hargeon?

O rapaz abraçou as duas e se iniciou uma conversa fiada carregada de malícia enquanto se dirigiam para fora do porto, em busca de um lugar mais reservado, mas estacou quando viu soldados do reino se aproximando do local, ainda mais quando andavam justamente em sua direção.

— Meninas, podemos tomar outro rumo? Conheço um atalho maravilhoso...

— PARADO AÍ, DRAGNEEL!

— Merda. – ele se desvencilhou das duas moças e saiu em disparada.

Deu-se início então à perseguição no porto, Dragneel corria o mais rápido que podia, derrubando caixotes, barris, qualquer coisa que havia no caminho, mas não era suficiente para atrapalhar os soldados reais. Logo eles o alcançaram o combate corporal começou. Dragneel desembainhou a espada velha que carregava consigo, os reflexos aguçados o fizeram se defender dos primeiros ataques e contra-atacou logo em seguida. Teve um vislumbre de suas botas e do punhal que estava para cair do bolso antes de defender-se mais uma vez dos sabres. Abaixou-se então para desviar de um golpe e desferiu um chute em um dos soldados, que caiu do cais direto para o mar. Aproveitou então a breve distração dos homens para fugir, mas foi rapidamente pego por um dos soldados. Dragneel usou o peso e o impulso do mesmo para arremessá-lo para cima de uma das tendas e tornou a correr, mas parou imediatamente ao perceber que estava cercado, e antes que pudesse bolar uma rota de fuga, uma pistola foi encostada em sua cabeça.

— Não ouse se mexer.

Logo mais soldados chegaram, apontando as espadas para o pescoço do rosado.

— Não sou eu que vocês procuram, é outra pessoa nos cartazes de procurado, aquele não é o meu nariz!

Os três soldados que o encurralavam pela frente reviravam os olhos, enquanto um soldado algemava o Dragneel.

— Temos ordens para leva-lo à rainha Hisui E. Fiore imediatamente.

— À RAINHA?! Que diabos está acontecendo?! Não vão me levar pra cadeia?!

— Calado.

O soldado deu então uma coronhada no rosado e este desmaiou imediatamente, a viagem à Crocus seria mais fácil com o homem adormecido.

[...]

Quando acordou, Dragneel estava acorrentado a uma cadeira de madeira maciça, sem qualquer conforto e requinte como qualquer mobília que havia no salão. Sentia a cabeça dolorida no local onde foi atingido, as pontas dos dedos estavam formigando e não sentia mais as pernas. Por reflexo, se remexeu na cadeira tentando soltar as correntes de ferro, mas logo percebeu que era inútil. Deu uma rápida olhada em volta e estranhou ao constatar que era o único naquele ambiente, as grandes portas atrás de si deviam estar sendo guardadas por soldados, concluiu. Havia cortinas vermelhas longas que pendiam pelas janelas amplas, quadros da família real estavam espalhados pelas paredes, as imagens detalhadas olhando para si o acuavam um pouco e o brasão estava perfeitamente colocado acima da lareira a sua frente. O candelabro era gigantesco certamente luxuoso e pensou por um segundo no estrago que faria caso despencasse do teto, repleto de afrescos.

Era um salão bastante requintado para o gosto de Dragneel, e o modo como se encontrava não condizia nada com o ambiente, mas sentiu falta de um objeto importantíssimo: o trono. Era claro que estava no castelo, mas esta definitivamente não era a sala do trono.

Não conseguia imaginar nenhum motivo para a rainha requisitar sua presença, era um fora da lei, com certeza não seria boa coisa. Tentou enxergar pelas janelas a altura dos prédios e concluiu que estava no segundo andar, se conseguisse se livrar daquela maldita cadeira desconfortável, poderia fugir sem se machucar muito, mas precisava ser rápido antes que alguém aparecesse. Novamente, pôs-se a se remexer na cadeira, cada vez com mais brutalidade, até seus movimentos exagerados o fizeram perder o equilíbrio e a cadeira tombou fazendo barulho com o homem preso a ela. Era uma imagem vergonhosa.

— Droga... – murmurou se sentindo estúpido.

As portas se abriram e duas fileiras de soldados adentraram por ela, marchando e se posicionando próximos às paredes da sala toda, ignorando o fato de o prisioneiro estar numa situação constrangedora, todos continuaram sérios, até que então o capitão da marinha se fez presente, escoltando a verdadeira figura importante ali, uma bela jovem de cabelos esverdeados, trajando um longo vestido branco de camadas com detalhes em verde e fios de ouro, um colar simples de esmeralda e uma capa transparecendo sua posição social nobre e majestosa: a rainha Hisui E. Fiore.

A rainha e o capitão da marinha se posicionaram poucos metros a frente de onde o prisioneiro estava caído, o capitão o encarando com uma mistura de descrença com decepção.

— Tem certeza, majestade? Acha mesmo que ele pode fazer alguma coisa? Olhe para isso.

Hisui engoliu em seco, era realmente patético, não se parecia nem um pouco com o Natsu Dragneel dos rumores que rodavam Fiore.

— Andem logo, levantem esse rapaz. – os guardas rapidamente cumpriram a ordem, ajeitando a pesada cadeira com o rosado ainda frustrado. – O senhor é Natsu Dragneel, estou certa?

— Isso depende, minha querida. – respondeu num tom canalha. – Antes que eu responda, poderia saber o que deseja com este rapaz de boa índole?

O capitão da marinha desembainhou a espada e rapidamente a colocou contra o pescoço do rosado, com o pulso tremendo, louco para degolar o atrevido.

— Meça suas palavras, insolente! Está diante da Rainha Hisui E. Fiore e se dirigindo a ela!

— Está tudo bem, Arcadios, abaixe a arma. – Hisui interrompeu.

O capitão olhou do pirata para a rainha, que carregava o olhar sério e se voltou novamente para o rapaz, que sorria em provocação.

— Mais uma gracinha e irá para a forca.

O silêncio se instaurou no magnífico salão enquanto a rainha analisava o pirata a sua frente, que agora a olhava com expectativa.

— Pois bem, vossa majestade — começou com escarnio – posso saber o porquê de eu estar preso aqui e não a caminho da morte certa?

— Já ouvi rumores sobre o senhor, Dragneel, muito negativos por sinal em sua maioria, mas um especificamente me chamou a atenção. – Hisui fez uma pausa e Dragneel arqueou uma sobrancelha. – Dizem que já esteve na Ilha Caracole e contatou seu povo, é verdade?

— Oh, sim, as mulheres de Caracole são bem acolhedoras, por sinal. – Hisui revirou os olhos e Arcadios novamente sentiu vontade de degolar o rapaz, segurando com firmeza o punho da espada embainhada. – Mas sim, é verdade.

— Como posso saber que não está mentindo?

— Minha querida. – começou com um sorriso vigarista que fez com que o sangue de Arcadios fervesse e Hisui corasse, mesmo o que um pouco, o que fez com que a confiança do rapaz aumentasse. – Estou acorrentado diante do exército e da marinha, sem arma alguma para que eu possa fazer alguma coisa, que opção eu tenho se não dizer a verdade? Mentir não me ajudaria a escapar de um fim trágico, acredito eu.

Hisui virou o rosto, inflando as bochechas e tentando disfarçar o rosto corado. Ela respirou fundo e logo retomou a postura real, começando a andar pelo salão, observando as janelas com uma vista para o oceano no horizonte.

— A Ilha Caracole é um território neutro, não pertencendo nem a Fiore e nem a Aracitácia, possuindo uma localização estratégica para rotas comerciais e clima tropical, bastante propenso ao turismo. – Visto que Dragneel não fez mais nenhum comentário impróprio, ela prosseguiu. – Porém, são um povo bastante fechado ao diálogo, além da dificuldade da língua, ninguém que já tenha ido a Caracole retornou a Fiore, a não ser – Ela se voltou para o rapaz acorrentado à cadeira. – O senhor, Dragneel.

— Interessante.

Hisui voltou a caminhar pelo salão, mirando agora o quadro com a pintura da família real, mais necessariamente o brasão.

— Aracitácia e Seven tem demonstrado interesse pela Ilha nos últimos meses e se conseguirem um acordo comercial com Caracole, certamente expandiriam as rotas comerciais, podendo acessar Caelum, limitando o nosso comércio. Há rumores que, com essa conquista, pretendem explorar as águas do oeste. Quanta ousadia.— a rainha se voltou novamente para Dragneel. – O mundo ruma ao progresso, Dragneel, e Fiore não pode ficar para trás nesta corrida, as consequências seriam graves.

— Ou seja, está me dizendo que o futuro de Fiore está em minhas mãos? Muito interessante. – Hisui inflou as bochechas, se recusando a dizer o que o rosado gostaria de ouvir. Ambos ouviram Arcadios rangendo os dentes antes do rapaz continuar. – O que, exatamente, quer de mim, senhorita?

— Majestade. — corrigiu Arcadios quase voando no pescoço de Dragneel.

— Quero que embarque numa expedição a Caracole. Servirá como corsário, em missão sancionada sob autoridade e proteção da coroa e guiará meus homens em uma rota segura até o destino e atuará como intermediário nas negociações com Caracole. Além de recompensa pela missão, terá seus crimes perdoados, e então, você aceita, Dragneel?

— Hum... Deixe me ver... – Natsu fez uma cara de pensativo por alguns momentos, então abriu um sorriso sacana. – Não.

— O que?!

— Veja bem, majestade, o que está me pedindo tem um preço muito alto, afinal, sou o único que já voltou de Caracole para contar história, não? Logo, sou o único que pode fazer isso, além do mais, estarei arriscando minha vida, não há garantia de que ao menos chegarei lá com vida, é um mar bastante traiçoeiro, sabia? Acho que pode melhorar sua oferta.

— Você não está em posição de negociar.

— Ah, não? Pois pelo que estou vendo, a senhorita está desesperada por isso, já que está confiando o futuro de Fiore nas mãos de um pirata. Acho que estou sim em posição de negociar, e então, o que me diz majestade, vai melhorar sua oferta?

Ela engoliu em seco, ele estava certo. Todos os soldados, inclusive Arcadios, seguraram com força o punho das espadas, prontos para realizar qualquer movimento, tanto pela ousadia, quanto pelo simples fato de ter mencionado a palavra pirata.

— O que você quer?

— Em primeiro lugar, se livre dessas correntes, estão me incomodando, e tire esses soldados daqui, não gosto de negociar sob tantos olhares inquisidores.

— Que absurdo! O que tem na cabeça para achar que eu deixaria livre um pirata em meu castelo?!

— Vamos, majestade, seu desejo tem pressa, não?

Hisui rangeu os dentes e fechou o punho com força.

— Está bem. Guardas, soltem-no e saiam.

— Mas majestade!

— Agora!

Enquanto os soldados cumpriram a ordem contrariados, Arcadios sussurrou para a rainha “tem certeza, majestade?”, obtendo como resposta um murmuro “ele é tudo o que temos, preciso dele nessa missão” e um a um foram deixando a sala, restando apenas Natsu, Hisui e Arcadios.

— O que ele faz aqui ainda? – questionou enquanto massageava os pulsos e estralava o pescoço.

— Você disse soldados, Arcádios é capitão da marinha, sua exigência não se aplica a ele.

— Pois bem. Quero meu próprio navio e livre circulação em águas internacionais.

— O navio pode ser providenciado, não posso garantir nada além do território desde reino.

— Muito bem, nacionais já serve.

— Mais alguma coisa?

— Uma noite contigo? – falou num tom brincalhão, porém, foi o suficiente para deixar a rainha extremamente vermelha e desconcertada.

— O QUE?!

— COMO SE ATREVE, MOLEQUE?!

— Ok, ok, nada de noite com a rainha.

Arcádios estava para estrangular o rapaz, que agora se ajeitava bastante à vontade na cadeira a qual estava preso a pouco tempo atrás, achando graça da situação, nem em seus sonhos mais loucos sequer imaginou estar negociando com a própria rainha desta forma. Ela agora evitava qualquer contato visual com o rapaz, que ria divertido vendo ela tentando se recompor.

— Arcádios, comece a preparar a papelada, terminamos aqui.

— Espere um pouco, majestade, tem mais uma coisa que eu quero. – cantarolou o rosado num tom provocante e irritante, o que fez novamente com que ela fechasse o punho tentando conter a raiva e a vergonha de estar negociando desta maneira com um pirata.

— O que você quer?

— A espada de dragão do velho muquirana do porto!

Notas finais
Não sou muito boa com descrições, mas me esforcei bastante! Espero que tenham gostado! Críticas construtivas são sempre bem vindas! E então, o que acharam?