Master of Tides
3 O Sobrevivente do Zirconis Fiore
Notas iniciais
Mar, limite do território de Fiore, 19:20
A tripulação do Zirconis Fiore, o orgulho da família real, estava em festa. O porão estava carregado de barris dos melhores vinhos, pinturas valiosas e caixotes com joias preciosas, presentes para a família real, especialmente para a Rainha Hisui, mandados pelo rei de Jova, numa tentativa de conquistar o coração da bela jovem. Além dos presentes para a rainha, havia um presente especial naquele porão, um baú de ouro, também dado pelo rei de Jova, para ninguém menos do que Natsu Dragneel. Ninguém imaginava que o rosado se tornaria tão bom negociante, a ponto de cativar reis e estes enviarem diplomatas para aumentar os laços entre os reinos graças à amizade com Dragneel. A rainha não poderia estar mais orgulhosa do ex pirata.
Quando retornara com navio e tripulação intacta da Ilha Caracole, juntamente com um acordo comercial firmado, o corsário ganhou a confiança da rainha de Fiore, tendo seus crimes perdoados e pagamento realizado como prometido. Hisui estava mais do que feliz agora, podendo finalmente provar um dos deliciosos gelatos de Star Mango da Ilha Caracole, no fim, este era um dos principais objetivos da rainha ao firmar um acordo comercial com a Ilha.
Inicialmente foi difícil para a tripulação lidar com o gênio de Dragneel, a cada noite era uma conspiração diferente para se livrar do corsário atrevido, mas no fim da viagem, já havia cativado toda a tripulação do navio. Visto o talento do rapaz e o sucesso de sua missão, a rainha lhe enviara em mais uma, numa tentativa bem sucedida de aumentar as rotas comerciais de Fiore, objetivando o reino de Stella. Agora, Natsu Dragneel, corsário da família real, retornava de sua terceira missão a bordo do Zirconis Fiore, com negociações bem sucedidas com o reino de Jova.
— O senhor parece mais animado que o normal, senhor Dragneel, seria efeito dos nossos vinhos? – A jovem de pele morena e cabelos brancos num curioso penteado se aproximou do rosado com um sorriso malicioso nos lábios.
— Talvez, senhorita Briar, ou talvez seja apenas ansiedade mesmo.
O rosado deu espaço para a diplomata de Jova sentar-se ao seu lado na proa do navio.
— Se os ventos continuarem a nosso favor, amanhã mesmo estaremos ancorando em Crocus. Mal posso esperar.
— Imagino. Sua esposa também deve estar ansiosa para vê-lo.
Natsu deu um riso divertido com a suposição da jovem.
— Não sou casado, senhorita, mas há sim uma pessoa ansiosa pelo meu retorno. – disse enquanto visualizava a rainha em sua mente.
Ambos ficaram em silêncio por uns instantes, enquanto observavam o mar, com ondas agitadas pela ventania. Apesar das ondas agitadas e dos ventos fortes, não havia sinal de tempestade, a lua crescente brilhava forte no céu.
— Espero que Crocus seja bonita como nos rumores.
— Pode apostar que é. Você vai adorar a comida! É muito melhor do que esta gororoba que servem aqui no navio, isso eu posso garantir! – a garota riu do comentário.
Então o som de cantoria vindo do convés, acompanhado de palmas ritmadas e um violino despertou a atenção dos dois. Natsu se levantou e estendeu a mão para a jovem diplomata.
— Quer dançar, senhorita Briar?
Sob a fraca luz, o rapaz estava extremamente charmoso aos olhos de Briar, que corou imediatamente com o pedido. Murmurando um sim, esta segurou sua mão e foram juntos para a roda onde alguns tripulantes dançavam.
Não se enganem com tal comportamento de Dragneel. Não é como se ele tivesse mudado da noite para o dia e passado a tratar as mulheres com mais respeito e delicadeza, mas sabia o quanto esta mulher era importante para a efetiva conclusão desta missão e se ela se sentisse ofendida de qualquer maneira, seria um problema sério para todos. O caso dela era um tanto delicado, pois além de ser a diplomata de Jova, apesar das roupas sugestivas, Briar seguia uma religião bastante rigorosa, sendo esta mesma seguida pela maior parte da população do reino, sendo assim, precisava fazer com que ela se sentisse o mais a vontade possível, sem flertes ou qualquer coisa parecida, apenas cavalheirismo.
Ele podia fazer isso. Tendo isso em mente, bebeu mais uma caneca de vinho e se retirou após a primeira dança. Sabia que se continuasse ali, perderia o controle e faria alguma besteira, afinal, o corpo daquela mulher era inacreditável. Será que a rainha Hisui teria um corpo tão belo quanto o de Briar debaixo de todo aquele pano? Natsu sorriu com os pensamentos sujos e virou para o lado numa tentativa de pegar no sono, afinal, teria um dia logo pela frente.
[...]
— É um prazer conhece-la, majestade! – Briar fez uma reverência diante da rainha de Fiore, que respondeu com um aceno de cabeça e um sorriso.
A recepção ao Zirconis Fiore estava grandiosa no porto de Crocus, com direito à banda marcial favorita da rainha e vários curiosos para ver a bela moça de aparência tão exótica chegar ao reino. A rainha fez questão de cumprimentar cada um que desembarcava do navio.
— O prazer é meu, senhorita Briar, seja bem vinda a Fiore!
Briar observava o porto completamente encantada, tudo era muito diferente de Jova, o clima, o vento, as flores, e ficou mais maravilhada ainda ao ver o castelo Mercúrios ao longe, era tão grandioso quanto imaginara.
Após a recepção da diplomata, esta embarcou em uma carruagem para prosseguir com a cerimônia que ocorreria no castelo, e enquanto a atenção estava toda voltada para Briar, Hisui aproveitou para se aproximar do rosado que estava em um canto mais afastado, devorando completamente sem modos uma coxa de frango.
— É bom vê-lo de volta, Dragneel.
— Estava com saudades, majestade?
O rosado a enlaçou pela cintura e colou os corpos com um sorriso sacana, fazendo com que a rainha corasse, mas logo se desvencilhou do abraço um pouco sem graça, já estava começando a se acostumar com as ousadias do corsário.
— Seu bobo, não faça essas coisas em público! Tem noção do que aconteceria se alguém visse isso?!
— Eu me tornaria rei? – chutou rindo e arrancando uma careta da rainha. – Então quer dizer que posso fazer isso quando estivermos sozinhos? – arqueou uma sobrancelha e soltou um riso malicioso. – Bom saber.
— Claro que não, seu bobo. Não é porque se tornou meu corsário que você pode sair fazendo esse tipo de coisa, se eu quiser, é só estalar os dedos e Arcádios degolará você. Sabe que ele é louco pra fazer isso contigo, não?
— Mas você não quer fazer isso. E ele também não me degolaria, sei que no fundo ele gosta de mim.
— Convencido. Enfim, darei um jantar em homenagem à chegada de Briar, gostaria de participar conosco?
— Comida de graça, como eu recusaria? – Hisui bufou com a resposta. – E qual seria a sobremesa, majestade? – perguntou com o tom mais malicioso que conseguiu usar.
— Pra você, o que sobrar da cozinha se continuar usando esse tom. Agora vamos logo, ou vão estranhar a demora.
— Você é quem manda, majestade.
[...]
Uma coisa que definitivamente surpreendeu os convidados era ver Briar bêbada. Num país conhecido pela sua produção de vinhos, não imaginavam que a diplomata ficaria bêbada tão fácil, e ainda mais tendo este tipo de reação. Era como se ela se dividisse em várias personalidades dela mesma, ora estava triste pelos cantos, ora estava se jogando apaixonada nos braços do primeiro homem que visse, ora ficava raivosa do nada. Ainda bem que era uma noite para descontrair e não um jantar de negócios, ou as negociações com Jova seriam prejudicadas por tal comportamento da diplomata.
Hisui se divertia com essas cenas, estava sendo um jantar interessante. Estranhou um pouco o comportamento de Natsu à mesa, quem visse pensaria que ele era um cavalheiro de verdade, mas então se deu conta de que era porque Briar estava ali. Imaginou que ele passara uma boa imagem para ela no navio e não podia mancha-la agora. Comer com boas maneiras deveria ser uma tortura para ele, pensou, o que tornava o jantar ainda mais divertido.
Seus pensamentos a respeito do rosado foram logo cortados quando Arcádios se aproximou da mesma com um pergaminho em mãos, e pela seriedade de sua expressão, mas com um sorriso leve disfarçado, trazia boas novas, presumiu, boas novas que provavelmente não o agradavam em algum ponto. Teria algo a ver com Dragneel? Pronto, novamente estava pensando nele. Estaria gostando dele?
Hisui olhou novamente para o rapaz e sorriu ternamente. Não, não estava gostando dele, não de um jeito romântico, pelo menos. Ele era uma das poucas pessoas que não a tratavam com tanta formalidade, talvez fosse isso. Rindo ao ver Briar se jogando em cima de Natsu chorando porque foi rejeitada por um soldado, a rainha se retirou do salão para discutir o pergaminho com Arcádios.
[...]
Ainda sentindo um pouco os efeitos da ressaca do jantar da noite anterior, Natsu polia sua espada em sua cama, orgulhoso de ver seu rosto refletido na lâmina. Se divertiu tanto com a cara dos soltados quando estes retornaram do porto com a espada que pedira para a rainha em seu primeiro contato.
Seus pensamentos se desviaram da espada quando ouviu três batidas na porta. Quem seria àquela hora? Não era nem hora do almoço ainda...
— Bom dia, senhor Dragneel! – o jovem mensageiro cumprimentou alegre seu ídolo.
— Bom dia, Romeo. O que o traz aqui tão cedo?
— Cedo? Já é meio dia, senhor! Ah, e o senhor deve se apressar!
— MEIO DIA?! – Gritou, se arrependendo logo em seguida ao sentir uma pontada forte na cabeça. – Me apressar pra que?
— O senhor tem uma nova missão. – o rapaz estendeu um pergaminho enrolado para o rosado, junto a um livro com cartas de corso assinadas e carimbadas pela rainha. Romeo era realmente um rapaz de confiança, ou jamais deixariam tais documentos nas mãos de um menino tão jovem. – O Zirconis Fiore já está sendo carregado, o navio zarpa às 16h00 de amanhã, não se atrase!
Sem entender muito bem o que Romeo dizia, apenas acenou e fechou a porta, voltando para a cama logo em seguida. Uma missão, mas já? Acabara de chegar de uma viagem longa e cansativa e já teria de partir? A rainha era cruel mesmo. Desenrolou o pergaminho e reconheceu a letra de Hisui imediatamente.
“Bom dia Dragneel,
Perdoe-me por manda-lo em mais uma missão tão repentinamente. Durante o jantar recebi uma mensagem de Minstrel e preciso que participe das negociações com o rei Arlock. Mary e Jerome o acompanharão nesta missão. Desejo-lhe sorte e espero vê-lo novamente em breve.
Hisui E. Fiore”
— Fala sério, quem ela acha que é pra achar que pode simplesmente mandar em mim desse jeito, a Rainha de Fiore?! Espero que eu tenha uma boa recompensa dessa vez, majestade.
[...]
— Tudo pronto para a partida, senhor Dragneel! Dia lindo, não acha? – a jovem sorridente de cabelos rosados curtos se aproximou do corsário que mirava sério o horizonte. – Algum problema? Você está com uma cara horrível!
O porto de Crocus se encontrava bastante movimentado naquele dia, alguns barcos haviam ancorado com produtos para abastecer o mercado e o movimento de barris e caixotes era intenso. O céu estava claro, sem nuvens, um dia belo, afinal, mas algo estava incomodando o rosado.
— Estou com um mau pressentimento...
— Ah, largue de ser agourento, está parecendo o velho do meu avô! Vai trazer maus presságios para o navio! Anda logo que eu quero chegar em Minstrel em três dias! Mal posso esperar pra chegar, a moda de lá é fabulosa!
— Credo Mary, como você é chata.
— Isso não é maneira de se tratar uma jovem senhorita, senhor Dragneel. – o loiro se aproximou dos dois com uma careta.
— Você é tão chato quanto ela, Jerome.
Natsu podia ter conquistado a empatia da tripulação e da rainha Hisui, mas por mais que estivesse se saindo bem com as negociações e no mar, os nobres ainda não achavam uma boa ideia ter um ex pirata nos navios reais.
— Estou falando sério, acho melhor adiarmos a partida para amanhã.
— Nós não vamos adiar a partida, o tempo está favorável e já temos autorização para deixar o porto. Temos que ir, não vai acontecer nada, eu garanto.
— Nossa, sua palavra me deixa muito mais aliviado. – respondeu com sarcasmo. — Vamos logo então.
[...]
Naquela noite, já nas águas pertencentes ao território de Bosco, as ondas estavam mais revoltas que o normal, além do que era considerado seguro para navegar. Os ventos sopravam cortantes e o barulho de trovões chegava a ser ensurdecedor: uma tempestade estava se formando. A tripulação do Zirconis Fiore corria para reforçar as estruturas e recolher as velas, a tempestade não estava nos planos do capitão, que a todo custo tentava manter o controle do timão.
Natsu era o membro da tripulação mais irritado naquele momento. Entre correr e se equilibrar, o rosado fazia o possível para controlar as velas antes que alguma delas rasgasse, mas estava difícil com a agitação das ondas e a força dos ventos.
— Droga! Se algum daqueles idiotas estivesse me escutado!
Um solavanco fez com que o rapaz se desequilibrasse e caísse, deslizando até outro lado do convés. Uma onda grande demais levantou o navio e fez com que ele caísse com tudo, derrubando mais da metade dos homens que não estava se segurando em nada rígido naquele momento.
— Maldição!
Logo a tempestade começou, com a chuva grossa e pesada, castigando o navio e sua tripulação. Os relâmpagos cortavam o céu e Natsu começou a temer os raios, naquele momento eram o ponto mais alto, isolado naquela imensidão revolta, a chance de serem atingidos não era pequena, e as consequências seriam graves, no mínimo.
— Droga, Jerome!
Naquele momento Jerome e Mary se abrigavam na cabine do capitão, engolindo em seco.
— Por que não escutamos aquele idiota? – murmurou, abraçando a garota que agarrava o tecido da sua camisa com medo da tempestade.
Um segundo solavanco, mais forte do que o primeiro, despertou o pânico entre todos. Naquela confusão para tentar manter o controle do navio, em meio à escuridão da tempestade, que já havia quebrado e apagado metade dos lampiões do navio, ninguém havia visto que se aproximavam de rochedos, mas o mais perigoso de tudo não eram os rochedos e sim o que se encontrava abaixo deles.
— Batemos em um recife! – um dos marujos gritou.
Os que se encontravam nos partes inferiores do navio tentavam desesperadamente conter a água que entrava pelos buracos feitos no casco, mas esta entrava com velocidade e pressão demais, precisavam fazer alguma coisa e rápido, ou o navio não aguentaria.
As correntes marítimas arrastavam o casco pelo recife, alargando os buracos que permitiam a entrada de água, e como se já não bastasse este problema, um raio atingiu o mastro principal, matando todos os marujos que se encontravam em contato com ele. O impacto fez com que a madeira se partisse e partes do mesmo caíssem por cima das velas que não foram recolhidas a tempo e os dois outros mastros do navio.
Seria um milagre se conseguissem chegar em terra firme nestas condições, ainda mais no meio daquela tempestade. Alguns marujos já haviam perdido as esperanças na embarcação e se atiravam ao mar, na esperança de conseguirem nadar até algum lugar seguro.
— Abandonar o navio!
Mary e Jerome já se encontravam no bote que estava prestes a ser lançado ao mar, tentando desesperadamente salvar o ouro que carregavam consigo. “Nobres idiotas”, pensou Natsu ao ver aquela cena deplorável. “Salvar ouro em vez de vidas será sua ruína”.
O nível da água subia cada vez mais no inferior do barco e logo atingiria o convés, era o fim do Zirconis Fiore, o orgulho da família real.
Juntando suas últimas forças e esperanças, Natsu arrancou uma porta e a atirou contra a água, se lançando ao mar logo em seguida. Se segurando na madeira, o rosado nadou para o mais longe que conseguia do navio. Assim que afundasse, o peso do navio puxaria qualquer coisa que estivesse por perto, para baixo junto com ele, precisava sair dali o mais rápido possível, mas aquelas ondas eram realmente difíceis de vencer. Por um segundo, jurou ter sentido o impulso de duas mãos ajudando a empurrar o pedaço de madeira, vindas debaixo da água, mas a impressão sumiu no momento em que veio. Quando finalmente tomou uma distância que achava segura, se deu ao luxo de olhar para trás.
Jamais se esqueceria da terrível cena que observava: o grande navio afundando, homens gritando por ajuda, sendo engolidos pelas ondas e o pequeno bote dos nobres virando com a força de uma onda. Aquele era um local de morte.
Já quase sem forças, o rapaz rastejou por cima da porta, tentando manter o equilíbrio da mesma para flutuar sem virar e ali depositou suas últimas esperanças, fechando os olhos em meio ao tormento. Agora, seu destino estava nas mãos de Deus.
[...]
Natsu acordou com a luz forte do sol em seu rosto. Tentou se mexer, mas se arrependeu imediatamente ao sentir dor em todos os músculos, além do incômodo do sal marinho no corpo e roupas encharcadas. Mas pelo menos estava vivo. Por um instante, teve o vislumbre da terrível cena do naufrágio da noite anterior e quis vomitar. Estava com sede, mas não beberia daquela água salgada, ainda não ficara louco de fazer isso. Fazendo um esforço contra sua vontade, ele se apoiou nos cotovelos e tentou avaliar sua situação. A porta que usara como jangada havia encalhado em uma pequena praia de pedras, com ondas quebrando nas pedras pouco a frente. Precisava descobrir onde estava e se havia alguém por perto, então, ouvindo os ossos estalando, Natsu se levantou e agradeceu por não ter perdido as botas durante o tormento. A água batia na altura de seu joelho, o suficiente para caminhar com facilidade por meio daquela praia e avaliar o entorno.
Com cuidado, escalou uma pedra e pode ver alguns destroços do navio presos entre algumas rochas, mas nenhum corpo era visível. Também podia ver que se encontrava numa ilha sem sinal de habitação, pelo menos não no trecho onde se encontrava. Estaria em Bosco, ainda?
— JEROME! MARY! ALGUÉM?!
Não houve resposta.
Andou mais um pouco, até a extremidade das rochas que conseguia escalar e gritou mais uma vez, sem resposta.
Olhou mais uma vez em volta, e algo lhe chamou a atenção. Uma construção se erguia há aproximadamente 2.000 metros de onde ele estava. Um forte. Uma esperança surgiu em seu peito, poderia conseguir ajuda! Mas ao chegar mais perto, sua pequena esperança desapareceu, percebeu que estava abandonado, devido ao estado de conservação e ao fato de haver um enorme buraco em uma das paredes e outras desmoronando, com água do mar invadindo as galerias.
Decidiu verificar o forte abandonado, quem sabe encontrava algo que lhe fosse útil, mas suas expectativas eram pequenas ao ver que o lugar parecia estar abandonado há muito tempo. Musgo cobria as paredes pelo lado de dentro e efeito da salinidade era evidente naquele lugar. Chegando mais ao fundo, Natsu descobriu um calabouço que despertou sua curiosidade, não havia somente água e pedras derrubadas pelo salão, havia caixotes e alguns objetos soltos, espalhados pelo chão! Seria ali que eram guardados objetos confiscados?
Abriu o primeiro caixote e encontrou uma pistola bastante mal cuidada, testou-a e a descartou imediatamente, além do estado de conservação ruim, estava sem pólvora ou balas, ou seja, inútil. Achou um cantil furado, um relógio quebrado e uma faca cuja madeira do cabo se encontrava podre, mas a pegou para si, julgando que a lâmina poderia ser útil.
Não tendo encontrado mais nada de interessante naquela sala, Natsu dá meia volta, pronto para sair e verificar outros salões, mas antes de deixar a sala, tropeça em uma pequena caixa de madeira que se despedaçou, tão discreta e velha que não havia notado. A título de curiosidade, decide dar uma olhada no conteúdo da caixa, visto que não estava vazia e se surpreendeu com o que encontrou.
Um pequeno livro preto, com páginas amareladas pelo tempo e caligrafia levemente borrada pela água, que por um milagre, não encharcou o livro. Junto a ele, havia um pequeno objeto de forma estranha que não conseguiu definir o que era, mas tinha a impressão de que já havia visto algo parecido antes. Olhou com mais cuidado o conteúdo do livro, tendo cuidado com as páginas grudadas e seus olhos se arregalaram quando se deu conta do que estava lendo.
— Não... Não é possível!
O que tinha em mãos era nada menos que o diário de Igneel Dragneel, juntamente com a chave mencionada por Makarov em sua infância.
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