Master of Tides

14 Os irmãos Strauss


Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem? Cheguei com mais um capítulo! Personagens muito especiais vão aparecer, espero que gostem (: Boa leitura!

Gritos surpresos e exclamações eram ouvidos por todos os lados conforme a tripulação do Red Lizard avançava pela ilha. Alguns os olhavam com medo, outros com curiosidade, até com indignação, mas a surpresa era vista em todos os olhares. Não bastasse os estranhos na ilha, eles ainda acompanhavam princesa Yukino, que estava ferida! Mas nada faziam os guardas para separar a princesa dos estrangeiros, o que tornava a situação mais estranha ainda. Na verdade, não dava para saber quem estava mais surpreso, os Galunianos ou os piratas. Aquilo era mesmo real? Estavam pisando na lendária Ilha Galuna? Era incômodo ter tantos olhares em cima de si, mas ao mesmo tempo era uma visão fascinante. Todos em Galuna tinham cabelos brancos. Alguns tinham tonalidades loiras ou azuladas, prateadas e até mesmo alaranjadas. A única albina de cabelos completamente brancos a vista na verdade era Yukino. Todos vestiam trajes tribais e pararam suas atividades rotineiras para vê-los.

Aparentemente a vida em Galuna não era muito diferente dos vilarejos de Fiore. Via-se agricultores cuidando de plantações, apesar de não reconhecerem nenhuma daquelas plantas, artesãos, construtores, tecedeiras, ferreiros e comerciantes. As edificações eram em sua maioria de madeira, mas alguns prédios eram de pedra, indicando, talvez, uma classe social?

Uma criança correu até Lucy com olhos curiosos e esta hesitantemente tocou os cabelos da loira. Esta sorriu gentilmente para a criança que se sentiu confiante para explorar mais os estrangeiros e aos poucos mais pessoas foram se aproximando, a maioria crianças. Algumas tentaram se aproximar vendo a iniciativa dos outros, mas foram impedidos pelos pais receosos.

¹— Fy mhobl – Começou Yukino quando havia uma quantidade considerável de pessoas ao redor. — Caniataodd Ophiuchus i'r dieithriaid hyn basio ac fe wnaethant achub fy mywyd, felly croeso yn Galuna a'm gwesteion. Eu derbyn yn dda!

Imediatamente a população se aproximou dos piratas, com menos receio desta vez. A princesa sorriu satisfeita ao ver seu povo interagindo com os estrangeiros, eles olhavam com curiosidade as roupas, os cabelos, a pele, e os piratas pouco pareciam incomodados com a situação. Cana e Lucy estavam bem à vontade com os albinos, mostravam suas roupas e deixavam as pessoas tocar suas vestes e cabelos como quisessem. Natsu, Gray, Jellal, Loki e Sting também já estavam mais soltos, apenas Gajeel e Rogue estavam desconfortáveis com a atenção. Zeref estava fascinado com toda a informação e oportunidade de aprendizado à sua frente. Tudo estava correndo muito bem. Ou quase tudo.

O sorriso da princesa morreu um pouco ao ver que uma parcela do povo, maior do que imaginava, não olhava com bons olhos para os estrangeiros. Recolhiam-se para suas casas e voltavam para suas tarefas com um olhar de desgosto, e apesar de esperado, isso a preocupava. Reforçou para si mesma que Ophiuchus era cuidadosa e que não deixaria más pessoas se aproximarem da ilha. Eles a teriam feito de refém ou a deixado para morrer entre as pedras se fossem pessoas más, certo? Pessoas más não cuidariam de seus ferimentos e não teriam um olhar tão gentil quanto ao da garota loira, certo?

— Princesa.— um dos soldados chamou. – Devemos ir. Princesa Sorano está preocupada.

— Está certo. – Ela se voltou para a loira. – Lucky? Devemos ir.

Lucy colocou de volta no chão a criança que estava em seu colo e se despediu com um aceno dos albinos que a rodeavam, os outros piratas aproveitaram a deixa para fazer o mesmo e então seguiram a princesa pela estrada de pedra.

Seguiam caminho pelos rochedos que se erguiam pelo interior da ilha até chegarem a um belíssimo palácio de pedra, às bases da montanha. A arquitetura era esplendida, repleta de entalhes e adornos, estátuas posicionadas pelo pátio com o que Lucy identificou como os 12 signos do zodíaco, mas o que mais lhe chamou atenção foram os motivos das fases da lua no chão, e um brasão com uma lua minguante com uma criança ao centro. Os corredores eram largos, com grandes janelas deixando a luz do dia iluminar seu interior.

Seguiram a princesa até um grande salão onde uma garota aparentemente um pouco mais velha que Yukino se encontrava aflita. Assim como Yukino, também usava um belo vestido branco, com detalhes em azul e possuía uma fita do mesmo tom no cabelo, e um belo rosto, com longos cabelos albinos puros, sem nenhuma mescla de cor como a maioria da população. Ela correu para um abraço assim que avistou a segunda princesa e começou a falar rapidamente enquanto checava o estado da garota e a tirava de perto dos piratas, quando se deu conta de que estava acompanhada de estrangeiros.

² — Ond beth ydyw, Yukino? Beth sy'n digwydd? Pwy yw'r tramorwyr hyn?

— Rwy'n iawn, fy chwaer. Fe wnaethon nhw achub fy mywyd. Caniataodd Ophiuchus nhw i mewn. – Yukino respondeu com um sorriso doce para a garota. Então virou-se para os piratas. – Esta é minha irmã mais velha, Princesa Sorano, futura rainha de Galuna.

Os piratas fizeram uma reverência a Sorano, enquanto a mesma os observava com receio.

— Agradeço por terem salvado minha irmã. Mas quem são vocês? O que querem em Galuna? – Sorano respondeu com certa dificuldade. Identificou o idioma que Yukino falou anteriormente e não se lembrava de muito do que aprendeu quando criança.

— Majestade – Natsu começou meio incerto. – Sou Natsu Dragneel, capitão do Red Lizard e esta é minha tripulação. Fomos pegos por um nevoeiro e surpreendidos pela barreira de rochas no mar. Nosso navio sofreu muitas avarias. Gostaríamos de pedir sua permissão para atracarmos e realizar os reparos.

Só então repararam em outras pessoas no salão ao começarem a ouvir cochichos. Identificaram algumas servas com bandejas e jarras em mãos, trocando olhares surpresos entre si, e um homem diferente dos demais que viram em Galuna. Este possuía cabelos azulados e tinha um olhar sério voltado aos piratas. Suas roupas também brancas e sua posição no salão indicava um cargo maior que um simples servo. Um conselheiro, talvez?

Sua postura rígida e seu olhar diziam tudo: eles não eram bem vindos na ilha.

— Por favor, irmã.— Yukino interveio em seu idioma – Eu já permiti que atracassem.

— Você fez o que?! Yukino, você não conhece essas pessoas, podem ser perigosas!

— Mas irmã! Eles salvaram minha vida! E Ophiuchus permitiu que passassem! Ela jamais permitiria a entrada de pessoas mal intencionadas em Galuna. Por favor, irmã, já faz séculos desde que um estrangeiro pisou nesta ilha, o mundo pode ter mudado. Eles podem ser a solução para os nossos problemas!

— Não se atreva a envolver estrangeiros em questões internas, Yukino.

— Mas irmã-

— Basta.— e então se voltou aos piratas. – Permitirei que atraquem e façam seus reparos, mas devem partir assim que seu navio estiver em condições.

— Muito obrigado, majestade. – Natsu se curvou.

Ao ver o olhar desanimado de Yukino, Sorano suavizou sua expressão. Não gostava da ideia de receber estrangeiros na ilha, muito menos que Yukino se envolvesse com eles, mas também odiava ver sua querida irmã triste, e essa expressão já estava em seu rosto há tempo demais. Com um tom mais brando então, disse:

— Darei um jantar esta noite em homenagem à vida de minha irmã. Estão convidados a se juntar a nós.

— Obrigada Irmã! – Yukino se jogou em um abraço forte a Sorano e então se voltou à Natsu. – Darei todo o suporte que precisarem, esperarei ansiosa por vocês esta noite!

— Obrigado majestade. – Natsu se curvou novamente em um breve aceno. – Começaremos os reparos imediatamente, se nos dão licença...

— Espere, capitão! – Yukino interveio mais uma vez. – Antes de ir, quero falar com vocês sobre minha condição.

[...]

— O que vamos fazer, Natsu?

Gray perguntou enquanto avaliavam a situação do navio agora que ele já estava em terra firme. A situação era crítica e o mais um impacto, por menor que fosse, causaria uma tragédia. Era um milagre estarem vivos.

— Já estamos em Galuna e ainda não conseguimos decodificar o diário.

— A Purpura Luna ocorrerá daqui a uma semana.

— Zeref precisa se apressar, ou tudo o que passamos será em vão.

— Você acha mesmo? – Natsu perguntou olhando diretamente para ele agora. – Encontramos Galuna, descobrimos que ela é real. Não foi tudo em vão.

— Natsu, você mesmo nos arrastou para tudo isso, leve mais a sério. Alguns de nós deixaram tudo pra traz por esse tesouro.

— Confio em Zeref. Sei que ele vai conseguir decodificar a tempo. Ele está fazendo um bom trabalho com a tradução e Cana conhece bem as lendas, ele tem as palavras, ela tem o contexto. Ela estava certa sobre a ilha, não? Ele conseguiu a localização exata, sei que vai dar tudo certo. Enquanto isso, mãos a obra, temos muito trabalho pela frente.

[...]

— Então Lucky, me conte como é a vida no continente.

Lucy se encontrava nos aposentos de Yukino neste momento. Estava impressionada com o quão simples, a o mesmo tempo luxuoso, aquele quarto podia ser. Havia uma lareira, arranjos de flores, tapeçarias nas paredes com símbolos da família real, e uma simples, com traços bem mais desengonçados, com duas meninas albinas juntas, que Lucy acreditava ser Sorano e Yukino, feito por alguma das duas. As janelas eram enormes e tinham uma bela vista da ilha e do vilarejo. Conseguia ver em o cinturão de rochedos no mar e olhando bem, podia ver que circulavam a ilha toda, não tinha como chegar sem passar por ele.

Duas servas cuidavam de Yukino, uma penteando seus cabelos, outra limpando sua pele. Lucy estava de pé diante dela, sem saber o que fazer, enquanto a mesma estava sentada em sua enorme cama, abraçando uma de suas incontáveis almofadas.

O acordo que tinha proposto era simples: queria que Lucky estivesse com ela, no palácio, enquanto estivessem em Galuna. Sorano e o homem de cabelos azuis foram contra isso, mas depois de discutir bastante com a irmã, Sorano concordou, contanto que os outros permanecessem no navio e Lucky fosse interlocutora deles. “Se algo der errado, podem me fazer de refém, não é?” Foi o que Lucy pensou ao final da discussão. Mas Natsu concordou prontamente com a condição e aqui estava ela agora.

Lucy torcia para que Yukino não perguntasse nada sobre seus objetivos em Galuna, afinal, ela mesma não sabia, mas Natsu também não mencionou isso em nenhum momento, então não devia ser a hora certa.

Então contou sobre Fiore. Falou sobre Magnólia, sobre a comida, as pessoas, seus costumes, aparências e Yukino ouvia atentamente com um brilho de encanto nos olhos. Às vezes Lucy tinha de encontrar outras maneiras de se expressar, pois Yukino não compreendia algumas de suas palavras. As criadas nada entendiam o que a loira falava, mas se mostraram bastante curiosas sobre sua aparência. Assim que terminaram o tratamento que davam a Yukino, a princesa permitiu que conhecessem melhor a loira, com seu consentimento, é claro, e começaram a tocar seus cabelos e roupas com fascínio. Era estranho, mas Lucy se divertiu com isso, pouco depois, Yukino pediu que se retirassem.

— Princesa Yukino, eu gostaria de saber, como sabe meu idioma?

— Há muito tempo, tivemos contato com estrangeiros, meus pais achavam importante que eu e minha irmã aprendêssemos a língua de vocês, pela nossa própria história. No final, eles estavam certos, acabou sendo útil. Estou tão feliz por terem me salvado! E por ter conhecido vocês também! A vida no continente parece ser fascinante!

— Estou muito feliz por conhecê-la também, princesa Yukino. Vou ser sincera, para mim e para a maioria das pessoas, a Ilha Galuna é apenas uma lenda, não imaginávamos que fosse mesmo real que estaríamos aqui algum dia.

— É mesmo? Já fazem... Duzentos anos desde que um estrangeiro esteve aqui, e acredito que não deva ser fácil chegar até aqui com a barreira de Ophiuchus... E por favor, me chame apenas de Yukino.

— Certo, Yukino. É impressionante também como conseguiram se manter isolados por tanto tempo... Quero dizer, o mundo está tão pequeno...

— O mundo está pequeno?!

— Oh, é um modo de falar, quero dizer que há poucos lugares desconhecidos hoje em dia.

— Entendo.

As duas conversaram por mais alguns minutos até que duas servas as interromperam alegando que precisavam se preparar para o jantar. Seria uma noite muito especial.

[...]

Uma enorme mesa os esperava no jardim do palácio e decorada com belíssimos arranjos de flores. O local era iluminado por tochas e velas, dando um ar romântico e inspirador, tendo em vista que tinham uma bela vista para o mar e um magnífico céu estrelado. Os piratas estava chocados com a quantidade de louças que estavam postas sobre a mesa. Aquilo tudo era ouro e prata?!

Diversos servos estavam a postos com jarros e bandejas, e outros apenas aguardavam ordens para direcionar os convidados à mesa. Uma suave música era tocada, ao som de batuques em tambores, flautas e instrumentos de corda, ao lado de um pequeno palco vazio. Haveria alguma apresentação?

Os piratas começaram a se sentir nervosos com a situação. A grande maioria ali não estava acostumada a estar na presença da realeza, suas roupas estavam decentes o suficiente para a ocasião? Como deveriam se portar neste jantar? O que deveriam fazer?

Loki correu para o lado de Lucy e a abraçou com força quando a viu do outro lado do jardim e esta o retribuiu com carinho.

— Fiquei preocupado com você. Sozinha aqui, sem ninguém para te ajudar caso precisasse.

— Eu estou bem, não fizeram nada comigo. Como estão as coisas lá no navio?

— Nada bem, vai dar bastante trabalho consertar, mas acredito que vai dar tudo certo. A princesa Yukino mandou marceneiros para ajudar nos reparos do navio.

— Entendo.

Vindo então do palácio, o homem de cabelos azuis que viram mais cedo ao lado da princesa Sorano se direcionou aos piratas e fez um leve aceno, ainda com o mesmo olhar frio.

— Sejam bem vindos, tripulação do Red Lizard. – ele se pronunciou, surpreendendo a todos ao falar seu idioma com perfeição. – Me chamo Invel, conselheiro da família real de Galuna. Queira todos ficar de pé para receber a Primeira Princesa, Sorano Agria.

No topo das escadas que davam acesso ao palácio, Sorano surgiu com um belíssimo vestido longo branco com pedrarias azuis, fitas do mesmo tom no cabelo e um colar de lua minguante feito de cristal. Todos miravam impressionados a beleza da princesa, seus cabelos brancos reluziam ao brilho da lua.

Todos a reverenciaram enquanto ela descia as escadas com graça e delicadeza e se posicionava no primeiro degrau, ao lado de Invel.

— E agora, a homenageada da noite, a Segunda Princesa, Yukino Agria.

Yukino apareceu no topo das escadas tão linda quanto a irmã, mas com um vestido mais curto do que a outra. Usava uma rosa azul no cabelo e os curativos não diminuíam em nada sua beleza. Todos os convidados a reverenciaram também enquanto descia os degraus.

Após sua irmã se posicionar ao seu lado, Sorano deu as boas vindas aos convidados, apesar de também não estar muito contente com a presença deles na ilha, e os convidou para a mesa.

Sorano e Yukino sentaram-se ao centro da mesa, de frente para o palco vazio, Invel sentou-se ao lado de Sorano e Lucy ao lado de Yukino. Natsu sentou-se ao lado de Invel e assim os piratas tomaram seus lugares, nenhum de costas para o palco. Ao comando de Invel, os servos começaram a servir os primeiros pratos e bebidas enquanto o conselheiro os explicava para a tripulação. Não adiantou muita coisa, pois nunca viram a maioria dos alimentos dispostos na mesa, apenas reconheciam alguns peixes, que estavam com uma aparência de dar água na boca. E vinho. Isso também conheciam bem.

A comida estava maravilhosa e a música bastante agradável, mas não podia se dizer o mesmo quanto ao clima na mesa. As conversas morriam rapidamente, as falas eram levadas basicamente pelos assuntos que Yukino levantava, mas sempre que a conversa chegava a sua irmã, ela respondia com poucas palavras e assim seguiam em silêncio por um tempo.

Servido o prato principal, então a música começou a tomar um ritmo diferente, e pela primeira vez na noite, Sorano sorriu.

Três mulheres, completamente albinas e com belíssimos olhos azuis, indo do tom mais claro ao cinza, subiram ao palco. As três usavam vestidos iguais, apenas com cores diferentes, azul, lilás e vermelho. A de vestido vermelho possuía longos cabelos levemente ondulados e se encontrava ao centro, tocando duas colheres uma na outra, seguindo o ritmo dos tambores. Em seguida, a de vestido lilás, que possuíam cabelos curtos, se juntou a ela tocando uma flauta, e por fim, a de vestido azul, possuía longos cabelos cacheados, se juntou a elas tocando um acordeom? Esse tipo de instrumento existia em Galuna?

Os servos então começaram a acompanhar a música com palmas. O clima do jantar estava completamente mudado. Então a de vestido vermelho começou:

Téir abhaile riú, téir abhaile riú

Téir abhaile riú Mhearai

Téir abhail gus fan sa bhaile

Mar tá do mhargadh déanta

A de vestido lilás e deixou a flauta e cantou o próximo verso:

Téir abhaile riú, téir abhaile riú

Téir abhaile riú Mhearai

Téir abhail gus fan sa bhaile

Mar tá do mhargadh déanta

Por fim, a de vestido azul e cabelos cacheados cantou seu verso:

Is cuma cé dhein é nó nár dhein

Is cuma cé dhein é, a Mhéaraí

Is cuma cé dhein é nó nár dhein mar

Tá do mhargadh déanta.

As três passaram então a se revezar na música, ora cada uma cantando um verso, ora unindo as vozes. O resultado era lindo, e os piratas estavam fascinados com o que viam e ouviam, as três mulheres pareciam anjos no palco. Sorano e Yukino assistiam com sorrisos e batiam palmas conforme a música, não demorou para que os piratas se juntassem a elas nas palmas.

Pós an piobaire

Pós an piobaire

Pós an piobaire, a Mhéaraí

Pós an piobaire ar dtús na hoíche

Is beidh sé agat ar maidin.

Tá do mhargadh

Níl mo mhargadh

Tá do mhardadh déanta

Níl mo mhargadh

Tá do mhargadh

Nil mo mhardadh déanta

Níl mo mhargadh

Tá do mharghad

Níl mo mhardadh déanta

Tá do mhargadh

Níl mo mhargadh

Tá do mhargadh déanta

Elas encerraram a apresentação com uma reverência sincronizada para as princesas de Galuna, e todos aplaudiram de pé a apresentação. As irmãs tinham um olhar de carinho para com as cantoras, e o olhar era recíproco. Lucy então decidiu arriscar um comentário.

— Elas são ótimas!

— Não é? – as irmãs responderam em uníssono. Desta vez, Sorano não se importou de sorrir para a estrangeira. – São as melhores cantoras de Galuna.

O grupo continuou sua apresentação enquanto o jantar seguia, Sorano já estava bem mais relaxada e já estava conversando normalmente com as pessoas ao seu redor.

Após a última música se encerrar, Sorano subiu ao palco aplaudindo as garotas e então se virou para o público:

— Aplausos para Mirajane Strauss! – A moça de vestido vermelho e longos cabelos ondulados fez uma reverência ao público, e foi aplaudida. – Lisanna Straus! – A garota de vestido lilás e cabelos curtos reverenciou. – E Touka Liberius! – A garota de vestido azul e longos cabelos cacheados imitou as outras. O público as aplaudia e elas sorriam em resposta. Sorano também pediu aplausos para os músicos e assim o jantar se encerrou muito mais leve do que começou.

— Muito obrigada pela presença, Red Lizard, agradeço mais uma vez por salvarem a vida da minha querida irmã. Obrigada também aos músicos e servos por prepararem tudo tão rápido para esta noite. Declaro este jantar encerrado.

Acompanhada de Invel, Sorano então se recolheu ao palácio.

Lucy observou Yukino conversando com suas servas, mas olhando de soslaio para Rogue, que se encontrava mais afastado no jardim, observando o povoado iluminado por tochas e fogueiras. A loira então se aproximou com cuidado e pediu licença para falar com Yukino.

— Está esperando o que? – perguntou baixinho com um tom brincalhão. Foi divertido ver a albina ruborizar ao perceber que foi pega no flagra. – Vai lá. O Rogue é um cara legal.

— “Um cara legal”?

Lucy riu e deu um leve toque nos ombros lhe dando impulso.

— Vai.

Yukino seguiu então tomando fôlego em direção ao moreno. Fique calma, Yukino, é apenas um rapaz. O rapaz a quem devo minha vida! Por um segundo ela estremeceu e decidiu voltar atrás, mas ao ver com o canto dos olhos Lucy a olhando com um sorriso encorajador, não teve escolha.

— Er... Rogue?

— Princesa Yukino. Como está se sentindo?

— Estou ótima, obrigada. E-Eu queria te agradecer, Lucky me disse que você salvou minha vida.

Rogue olhou surpreso para a garota. Não esperava um agradecimento. E ver também uma criatura tão adorável, ruborizando diante dele, não teve como não se sentir lisonjeado.

— Não há de que, princesa.

Ela corou mais ainda com o sorriso gentil que ele lhe direcionou.

— Er... Lucky me disse você é o... Timoneiro, certo? Por ter passado pela barreira de Ophiuchus, você deve ser muito... hã... – Ela virou de costas e foleou rapidamente um livrinho que tinha em mãos e se voltou novamente para ele. – Talentoso!

Rogue soltou um leve riso, que constrangeu um pouco Yukino e então pediu para olhar seu caderno.

[...]

De longe, Lucy observava os dois com um sorriso bobo. Eles eram tão fofos! Ele estava sendo tão cavalheiro com ela e ver ela tão sem jeito, mas com um sorriso que não morria nunca estava fazendo seu coração romântico se aquecer.

— É feio ficar espiando os outros assim, Lucy. – Loki apareceu por trás dela, assustando-a.

— Maldito!

— Ela está parecendo você quando Dan deu em cima de você pela primeira vez quando éramos crianças, lembra?

— Nossa, nem me fale. Como pude gostar daquele cara algum dia?

— Não é? Ele era muito estranho. Que bom que não demorou muito para parar de perseguir você.

— Foi você quem o fez parar não é?

— Como sabe que fui eu?

— Na última vez que o vi, ele estava com uma bela marca de soco no rosto. Desconfiei desde então. Obrigada.

— Disponha.

Eles voltaram a observar o moreno e a albina por um tempo. A conversa entre os dois parecia estar fluindo muito bem enquanto ambos foleavam o caderno. Lucy suspirou com a cena.

— Eles formam um bonito casal, não acha? – perguntou sem desviar o olhar dos dois.

Loki nada respondeu. Seu olhar estava fixo na loira ao seu lado. Estava tão linda naquela noite. O brilho da luz fazia seus olhos parecerem um cristal delicado. Era inevitável sentir seu peito se aquecer na presença dela. Estendeu a mão para sua cintura, mas ela saiu do alcance antes que pudesse tocá-la. Ficou parada no ar por um instante e só a recolheu quando Lucy se virou para ele.

— Foi um dia longo, não? Acho que já vou dormir. Boa noite, Loki.

— Boa noite Lucy.

A loira então se afastou em direção ao palácio e o ruivo suspirou. Percebeu então o olhar de consolo de Gray para ele, como se tivesse visto uma cena realmente dolorida. Loki então deu de ombros e voltou então para junto de seus amigos. Tão perto, e ao mesmo tempo, tão distante.

[...]

Os músicos estavam terminando de recolher seus instrumentos. Mirajane e Lisanna conversavam baixo com um deles enquanto Touka se despedia. Antes de ir embora, como capitão decidiu cumprimenta-los pela apresentação, torcendo para que entendessem sua língua.

— Olá, sou o Capitão Natsu Dragneel, nossa, vocês são incríveis! Falam minha língua? Foi uma bela apresentação!

Em nenhum momento eles olharam para Natsu, mas Lisanna e o homem dos tambores olharam para Mirajane, que estava de costas para o capitão, antes de demonstrar qualquer reação.

— Capitão Natsu Dragneel?— Mirajane proferiu com voz ácida. – Vamos deixar algo bem claro, capitão.

Ela se virou para ele com um olhar penetrante, assustadoramente frio. Ameaçador. Essa garota é perigosa.

— Não nos apresentamos para vocês. Nos apresentamos para as Princesas Agria. Vocês só estão aqui pela bondade delas, estrangeiros. – declarou como um insulto. – Terminem os reparos e saiam imediatamente.

Uma aura assustadora surgiu em volta dos albinos, pesada e sombria. Seus braços direitos começaram a tomar formas diferentes e o trio se voltou para o capitão. Natsu deu um passo para trás, completamente aterrorizado com a visão. O braço direito do homem havia se transformado em pedra. Garras enormes e listras surgiram de Lisanna, juntamente com orelhas felinas, e Mirajane, esta possuía garras maiores ainda, extremamente afiadas, as orelhas ficaram pontudas e seus olhos viraram fendas.

Demônios.

— E se algum de vocês ousar fazer qualquer coisa a algum morador desta ilha, principalmente à família real, nós mataremos todos vocês.

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¹ - Meu povo. — Ophiuchus permitiu que estes estrangeiros passassem e eles salvaram minha vida, logo, são bem vindos em Galuna e meus convidados. Os recebam bem!

(...)

² — Mas o que é isso, Yukino? O que está acontecendo? Quem são esses estrangeiros?

— Eu estou bem, minha irmã. Eles salvaram minha vida. Ophiucus permitiu que eles entrassem.

Notas finais
Caso alguém queira saber sobre essa música, se chama Teir Abhaile Riu, do grupo Celtic Woman (: Segue o link da música: https://www.youtube.com/watch?v=iRVBmJzLnMw E então, o que acharam?