Master of Tides
11 A Lenda de Tenroujima
Notas iniciais
O dia seguinte à festa foi de faxina, afinal, não tinha como não ficar abismado com a situação do convés ao acordarem pela manhã amontoados uns nos outros e vendo o resultado de álcool em excesso no sangue. Mas não se arrependiam de nada.
Aquela noite foi o marco de uma nova era naquele navio para Lucy. Passou a ser mais respeitada por seus colegas e agora se sentia oficialmente parte da tripulação, então, pela primeira vez, ajudou na limpeza do navio sem reclamar. Todos ajudaram na tarefa. Quer dizer, todos, menos um. Tudo bem, duvidava que ele tivesse uma porcentagem significativa naquela destruição, mas não via sinal de Zeref desde que ele ajudou um pouco pela manhã. Aliás, não via muito Zeref pelo navio desde que acordou daquele incidente, basicamente o via quando ele vinha cuidar de seus ferimentos, que já haviam cicatrizado em sua maioria de uma maneira assustadoramente rápida.
O anoitecer já se aproximava e a limpeza ainda continuava. Enquanto limpava respingos de vinho nas janelas, Lucy olhou pelo vidro e reparou em algo que deveria ter percebido há um certo tempo: Zeref estava sempre enfurnado naquela cabine, mergulhado em livros e mapas antigos, falando sozinho e fazendo anotações. Ela costumava ver ele de relance sempre fazendo isso, mas agora um detalhe lhe chamou a atenção: um mesmo livro estava sempre em destaque.
— O que tanto olha para o Zeref, Lucy? – Natsu brotou por trás dela, assustando-a. – Interessada?
— Natsu!
A malícia do comentário foi ignorada com louvor, a exaltação foi por ele tê-la chamado por seu nome tão casualmente. Mas para a sorte da mesma, não havia ninguém por perto para que pudessem ouvi-los.
— O que Zeref tanto pesquisa naquele livro velho? Ele já não o decorou?
— Você diz o diário? Ele precisa conhecê-lo bem, é crucial para nossa viagem.
— Falando nisso, Natsu...
Lucy largou o pano e se sentou à escada, junto a seu cantil de água, deixando um espaço a seu lado, claramente um convite para que ele se juntasse a ela. Apesar de refletir o brilho do sol poente em seus olhos, eles estavam distantes, o vento agitava seus cabelos e suas novas roupas a valorizavam muito. Esperava um escândalo por parte dela quando viu que suas roupas era muito mais ousadas do que as que costumava usar, mas ficou chocado e até um pouco arrependido ao ver com a facilidade com que ela aceitou e a naturalidade com que as vestia. Ela ficava linda daquele jeito, mas o rosado não admitiria isso em voz alta. Natsu percebeu que seria uma longa conversa e se juntou à loira, encostando-se ao corrimão.
— Para onde estamos indo? Estou há semanas neste navio, trabalhando em prol de um objetivo que desconheço, e isso é bem frustrante.
Natsu ficou em silêncio por uns instantes. O que ela pensaria sobre isso? Aceitaria numa boa? Ou surtaria e o chamaria de louco? Muito provavelmente a segunda opção. Começou a se preparar psicologicamente para conter o surto da loira, enquanto escolhia suas palavras.
— O que sabe sobre Tenroujima, Lucy?
A loira refletiu por alguns momentos, enquanto tomava um gole.
— Tenroujima... Não muito... Minha mãe me contou algumas histórias quando eu era criança, mas o que isso importa?
Após um longo gole de uma garrafa que estava por perto, Natsu começou sua narrativa.
“Há muito tempo, Tenroujima era o lar das fadas, dos humanos e dos monstros. Um reino onde as criaturas das tribos do fogo, da água, do ar e da terra conviviam em harmonia. Uma terra repleta de tesouros e magia localizada nas bases da árvore sagrada.
Quando o livro de Devilma foi roubado, os líderes das quatro tribos se reuniram para tratar da questão e o príncipe Silver, do povo do fogo, e a princesa Ell, do povo da água, se uniram para recuperar o livro de feitiços antes que fosse usado para o mau. Então-“
— Espera, pode parar! – Lucy interrompeu. – Eu conheço a lenda de como Silver e Ell salvaram seu mundo da Medusa Bárbara*. A Lenda do equilíbrio dos quatro elementos. Toda mãe conta essa história ao filho para ensinar-lhe respeito ao próximo. O que isso tem a ver com a nossa viagem?
— Muito bem, posso pular essa parte. Se me permite continuar...
“Para comemorar a coroação do rei Silver, o mais novo rei do povo do fogo, juntamente com seu casamento com a princesa Ell, foi oferecido aos noivos um grande tesouro como presente dos quatro povos e dos doze guardiões, os espíritos estelares: ouro, prata, pedras preciosas, relíquias, escrituras da mais vasta sabedoria, riquezas inimagináveis, mas o maior presente para o casal veio anos depois, quando a rainha deu a luz a uma linda menina, chamada Irene, o principal símbolo da paz entre os povos.
A cada aniversário da princesa, uma grande comemoração era feita, e o tesouro da família crescia cada vez mais. A família real era feliz e Tenroujima viveu anos de paz. Eram tempos gloriosos.
Porém, na noite de noivado da princesa com o príncipe do povo da terra, uma catástrofe aconteceu. Acnologia, o dragão negro apareceu no evento e com inveja da felicidade do casal, assassinou o príncipe da terra na frente de todos os convidados, e para evitar que mais sangue fosse derramado, o rei e a rainha ofereceram ao dragão todo o tesouro da família real para conter sua fúria, mas isso não foi o suficiente para evitar uma chacina.
Uma grande batalha se iniciou, onde os povos das quatro tribos e os doze guardiões se juntaram para derrotar a fera e após uma luta sanguinária e devastadora, o grande dragão negro foi derrotado. Para comemorar a vitória, foi forjada uma joia que simbolizaria a nova aliança entre os reinos, cujo pedestal estaria localizado às bases da árvore sagrada: a Jade Tenrou.
Contudo, a joia era muito poderosa e delicada, ninguém, sob sua proteção, estaria sujeito à morte, e esta, somada ao grandioso tesouro agora sem dono, despertou a ganância dos humanos, que cometeram diversos crimes em seu nome.
Então, para proteger um tesouro tão precioso, a nova aliança lançou um feitiço sobre a ilha, obrigando todos os povos a procurar novas terras e então, escondeu sua localização para o mundo. E para garantir a segurança do tesouro e da Jade Tenrou, todos os humanos perderam seus poderes mágicos e lembranças sobre esta terra. As criaturas dos quatro povos e os doze guardiões se separaram, para guardar este segredo para sempre.
Porém, a maga Anna, membro da nova aliança, ainda tinha esperança nos humanos e convenceu a aliança dar uma segunda chance a eles de merecer o tesouro e a vida eterna. Uma série de vestígios foi deixada para trás, para que apenas aqueles considerados dignos do conhecimento do rei encontrassem o tesouro sagrado.”
—... Tenroujima. O objetivo desta viagem é o tesouro de Tenroujima. – Lucy repetiu para ter certeza de que ouviu direito. Natsu nada respondeu. – Está me dizendo que todos nós estamos arriscando nossas vidas por causa de uma lenda?!
— Imaginei que fosse reagir assim – suspirou – eu sei que parece loucura, mas-
— Isso é loucura! – ela se exaltou. – Como pode fazer isso conosco?!
— Lucy! Me escuta, por favor!
— Não! Eu não acredito que estamos fazendo isso! – ela se exaltou mais uma vez, com os olhos marejados agora. — Somos foras da lei agora, por uma bobagem dessas! Por que acha que pode encontrar um tesouro encantado de um conto de fadas?! Deixa eu adivinhar, você ouviu essa história quando criança e levou a sério. Tem noção do quão absurdo é isso que acabou de me dizer?
— Eu não arriscaria a vida de todos aqui se eu não acreditasse que há uma chance de conseguirmos! Por favor, me deixe explicar!
— Não Natsu, eu não quero ouvir mais nada.
Lucy se levantou, com suas lágrimas escorrendo finalmente, saiu a passos largos, ignorando a dor na perna machucada e deixando o rapaz frustrado para trás, murmurando o que deveria ter feito diferente. Cana então deixou seu posto no tombadilho do navio e se juntou ao capitão nas escadas.
— O que você ouviu?
— O suficiente.
Ambos ficaram em silêncio por um breve momento.
— Vai ficar tudo bem. Ela passou por muita coisa recentemente, dê um tempo para ela pensar.
— E se ela se recusar?
— O destino já está traçado, capitão. Eu avisei que este era um caminho sem volta.
[...]
As lágrimas corriam livremente por seu rosto. Tudo pelo que passou, tudo o que fez, a liberdade que conquistou, o respeito por ser ela mesma, foi em prol de um conto de fadas? Lucy estava desolada. Apesar de toda essa mudança brusca em sua vida recentemente, já havia aceitado a ideia de que o melhor para tia Spetto e Michelle seria deixar as duas para trás, uma decisão difícil, mas nunca foi tão dolorosa quanto agora. As saudades apertavam seu coração e pensava seriamente em recuar. Estava ciente dos riscos e das possíveis consequências, mas lhe parecia uma opção melhor do que perseguir um sonho impossível.
O rosto de cada um dos membros da tripulação começou a surgir em sua mente. São pessoas diferentes umas das outras, mas todos tem algo em comum: são pessoas simples, batalhadoras, livres, sonhadoras, e todas elas foram iludidas por Natsu Dragneel. Como ele podia ter feito isso com a tripulação? Arriscar a vida de todos por seus desejos egoístas e infantis? Havia esperança nos olhos deles, Natsu estava ciente de tamanha responsabilidade? E ela mesma... Estava começando a confiar no rosado, mas não sabia mais o que pensar sobre ele agora.
— Lucky?
— Zeref! – Lucy levantou num sobressalto, enxugando as lágrimas de maneira desajeitada. – Eu não ouvi você chegando.
— Por que está chorando? Seus ferimentos se abriram?
— Não, não é isso. – Ela respirou fundo, tentando se acalmar enquanto ainda tentava secar as últimas lágrimas. – É só que... Zeref, como vocês podem seguir com uma coisa tão absurda? Quero dizer, é uma lenda, não existem dragões, fadas ou espíritos estelares.
— Então, Natsu finalmente te contou o objetivo da nossa viagem.
— Sim.
Zeref suspirou e se juntou a ela, ali mesmo, no chão da cozinha, como um velho amigo faria. Ele a puxou para mais perto de si, deitando sua cabeça em seu ombro e a loira sentiu que finalmente poderia relaxar.
— Essa história toda é uma loucura, não é?
— Zeref... Por que?
— Eu sou um homem da ciência, Lucky. Não acredito nessas coisas facilmente. Então acredite em mim, eu não teria concordado com essa viagem se Natsu não tivesse me apresentado uma prova de que ele pode estar certo.
— Tem uma prova?
— Sim, o diário de Igneel Dragneel. O diário de duzentos anos de um homem que encontrou o tesouro de Tenroujima.
— Igneel? – Esse nome não lhe era estranho — Mas... Como sabe que isso é verdade? Que não é o manuscrito de alguém com uma imaginação fértil ou que o autor não estava alucinando?
— Bom, isso eu não tenho como provar com toda certeza, mas o diário é real e a informação contida nele é muito precisa para ser meramente uma alucinação. Quando éramos crianças, eu, Natsu e Gray conhecemos um senhor que afirmou ser descendente de um amigo de Igneel. Ele nos contou a história deste homem e nos deu uma página velha e amarelada, que dizia ser a única prova que possuía desta história ser real, uma página que caiu do diário que seu bisavô resgatou depois de ser roubado por soldados de Bosco.
Então Zeref contou a história que ouviu quando criança para Lucy. Sua memória era incrivelmente clara e contou o relato com uma riqueza de detalhes como se tivesse acabado de viver o momento e Lucy ouviu atentamente cada palavra do moreno. Aquilo tudo ainda parecia loucura a seus olhos, mas não podia negar que estava começando a se sentir balançada pela história e um pequeno arrependimento surgia em seu peito por ter se recusado a ouvir o que Natsu tinha a dizer antes.
— Então Natsu encontrou o diário em uma fortaleza abandonada em Bosco. Eu também não quis acreditar na história maluca que ele estava me contando, mas quando tiramos a prova e vimos que a folha que o senhor Makarov nos deu se encaixava perfeitamente no livro, onde faltava exatamente uma página, eu não podia mais me negar a acreditar. Um diário incrivelmente detalhado de um homem que afirma ter encontrado o tesouro de Tenroujima! Depois de ler seu conteúdo e confrontar com meus conhecimentos adquiridos através de diversas pesquisas ao longo desses anos todos, é impossível para eu dizer que não há esperança.
Esperança.
Essa palavra ecoou nos ouvidos de Lucy e imediatamente pensou nas pessoas a bordo. Todos eram pessoas simples, batalhadoras e com esperanças no olhar. Não os conhecia muito bem, mas era nítido que tiveram uma infância difícil e a maneira como lidavam com essa informação lhe lembrava a inocência de uma criança ao ouvir um conto maravilhoso e ver surgir a esperança em seus olhos. Pobres marujos. Uma história pode ser tudo para alguém que perdeu as esperanças. Estariam suprindo, com essa viagem, a falta da esperança de uma história de infância?
Então se lembrou da sua própria. Os momentos em que passou com a família, quando a mãe lhe contava histórias para dormir. Era tudo tão bom. E não sabia o porquê, mas por um momento lhe veio a imagem de seu pai conversando com sua mãe, quando acreditavam que Lucy já estava dormindo e este dizia para Layla: “Por que continua contando histórias do mar para Lucy?” e ela respondeu “crianças precisam de histórias”. Seria daí, desta esperança de descobrir a magia por trás das histórias que o homem desbravou o mundo?
Uma pequena vertigem lhe abateu. Isso tudo era muito repentino para Lucy, por que começou a divagar sobre isso mesmo? Por mais que isso tudo ainda fosse loucura, de repente não conseguia mais julgar o capitão do Red Lizard como o fez anteriormente.
— Zeref... Eu ainda não sei o que pensar.
Zeref abriu um sorriso e se levantou, oferecendo sua mão à moça.
— Venha, quero lhe mostrar uma coisa.
Os dois seguiram para a cabine onde Zeref passava a maior parte de seu dia. Era a primeira vez que Lucy a observava direito. Havia estantes abarrotadas de livros, mapas fixados nas paredes e uma grande mesa, com livros e papeis espalhados, além do diário citado aberto no centro da mesa.
— Este diário data de pelo menos duzentos anos atrás. Nele há dados geográficos muito detalhados e anotações interessantes. Enquanto ainda estávamos em Margaret, antes de dar minha resposta a Natsu, eu já estava intrigado com algumas coisas descritas nesse diário. Por exemplo, aqui na página 83. Ele descreve uma ilha que não consta em nenhum dos nossos mapas atuais, mas se olharmos neste mapa de X490, ou seja, de 302 anos atrás...
— Essas ilhas não estão nos nossos mapas!
— Exatamente.
— Você acha que pode ser-
— Por enquanto ainda não posso afirmar nada. Infelizmente, na lenda não consta nenhuma descrição geográfica que seja realmente útil para nós que não uma árvore gigantesca, e nesses mapas apenas temos o traçado das ilhas, apenas um contorno, sem mais detalhes, mas estou pesquisando mais a respeito disso. Este diário está escrito em linguajar um tanto complicado de se entender, além de ter sofrido ações do tempo e de umidade, mas já consegui um bom avanço na interpretação do mesmo.
Lucy olhou para uma pilha de livros e diversas anotações espalhadas pelo lugar. Zeref estava realmente trabalhando duro em cima disso.
— Por que será que essas ilhas não estão mais no mapa? Sofreram alguma ação do tempo, será? Algum desastre natural?
— É uma possibilidade... Mas minha teoria é de que elas foram retiradas dos mapas de propósito.
— O que quer dizer?
— Política. Esses mapas datam de uma época onde havia muita instabilidade política e comercial. Acredito que alguma coisa aconteceu ao longo desta disputa e que tem alguma coisa nestas ilhas que não querem que as pessoas de Ishgar saibam...
—... Então foram apagadas dos mapas. Zeref, isso é tão...
— Eu sei. – ele riu. – Sinto que estamos para fazer algo grande, Lucky. E eu realmente não queria estar em outro lugar que não neste navio, com vocês, agora.
O coração de Lucy se aqueceu com essas palavras e uma pequena chama de esperança surgiu. Isso tudo era loucura, mas de repente, algo estava diferente para Lucy.
— Quer mais uma prova, pra lhe ajudar a pensar um pouco?
— O que quer dizer?
— Eu lhe falei sobre a chave desenhada na página que Makarov nos deu, certo?
— Sim.
— Pois bem, isso estava junto do diário que Natsu encontrou.
Zeref então puxou a corrente por baixo de sua camisa, revelando uma pequena chave de formato peculiar. Um ato simples, mas de repente tudo começou a girar a volta de Lucy e seu coração disparou loucamente. A loira perdeu o fôlego e se apoiou com tudo na parede.
— Lucky? Está tudo bem?
Ela não conseguia falar. Não conseguia entender o que estava acontecendo, mas aquela chave lhe era absurdamente familiar. Já a vira antes, definitivamente! Não sabia de onde se lembrava dela, não havia memória nenhuma em sua mente, mas algo lhe dizia fortemente que tudo aquilo era real, aquela chave era verdadeira e tudo o que Zeref e Natsu lhe contaram era verdade. Não era um simples conto de fadas.
— Lucky?!
— Zeref, me desculpa. – ela tentou se recompor. – E-Eu preciso pensar. Preciso de ar fresco.
Ela saiu de súbito, assustando o rapaz com o movimento tão repentino e o deixou sozinho, confuso com a reação da loira. Mas o que foi isso?
Lucy correu para o convés, tropeçando em seus pés várias vezes pelo caminho e tateando as paredes constantemente, com a respiração descompassada. O que estava acontecendo? Por que estava reagindo assim? Seu peito ardia, não figurativamente, ardia pra valer. E só parou de andar quando chegou à extremidade da proa, se deparando com o horizonte à sua frente e a lua se refletindo no mar, com o rio de estrelas logo acima. A mesma vista que Natsu lhe mostrara, mas agora, tudo parecia diferente. Não sentia a maresia atingindo sua pele, nem a brisa bagunçando seus cabelos. Lucy respirou fundo tentando desesperadamente se acalmar o turbilhão de pensamentos confusos que estavam em sua mente e então puxou de seu pescoço o colar que mantinha consigo desde criança, revelando uma chave, tão estranha quanto a outra, tão diferente, mas ao mesmo tempo, tão parecida. E ela estava quente.
O que isso quer dizer?
Ao longe, a cigana observava a tormenta pessoal da loira com uma carta de tarô em mãos: O Enforcado.
A morena suspirou e apiedou-se da agonia da garota, mas não deveria interferir. Não agora. A carta era bem clara, era um momento de sacrifício. Uma crise interna que pede uma resolução com urgência, e ao mesmo tempo, passividade. Os pés do homem na figura não estão amarrados, o que é um alívio para a morena, pois a situação não é irreversível. Mas a loira teria de lidar com isso sozinha. Entendia que esta havia acabado de passar por várias mudanças significativas em sua vida em muito pouco tempo e que era difícil digerir tudo de uma vez, mas ela precisava entender que a vida que conhecia, e tudo o que acreditava ficou para trás no momento em que cruzou seu caminho com Natsu Dragneel. Enquanto não aceitasse sua nova realidade, sua angústia não se desmancharia, e ela precisava se aceitar logo, pois um grande desafio em breve estaria diante de si.
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