Notas iniciais
Como hoje eu não tenho mais nada a fazer, resolvi adiantar logo essa fic que eu amo tanto escrever. Primeiro, os capítulos estão saindo meio grandes, pode parecer tedioso pra vocês, mas é uma satisfação saber que a minha criatividade sustenta cada capítulo. Segundo, quero agradecer a todos os novos leitores. E sei que é chato e que vocês já devem estar acostumados com isso, mas se puderem, comentem. Não dói, dependendo do que você quer escrever, não leva nem dois segundos. Sério, se eu ler apenas um 'continua' já fico muito feliz. Bom, sem enrolação, aproveite o capítulo. P.S. Espero não ter entediado vocês nestes últimos 3 capítulos, agora é que as coisas ficam interessantes. XOXO ~Petrova

Desço para buscar um cálice de vinho para Gretel Swarovski. Já é tarde da noite e não consigo dormir. Ela está em algum lugar lá em cima, no camarim principal, seus cabelos longos e ruivos, assim como os intensos olhos verdes, ocultam facilmente a malícia que nela contém. Sua boca profana, está sempre a me difamar e humilhar.

– Elsa, querida. Você é sempre assim tão pálida e esquelética? — Ouço ela dizer, assim que entro no camarim. — Seus cabelos sempre foram assim, tão claros?

Sua cara está esticada em um malvado sorriso. Lembro-me bem que, a apenas duas semanas atrás, quando foi escolhida como Soprano por Legrand, se tornando então o cristal de Martiniére, adotou-me como sua serviçal, dizendo que sempre será "um privilégio trabalhar com uma equipe adequada e preparada para suprir suas pequenas necessidades." Desde então, sou obrigada a retribuir o favor que ela faz a todos ali, fazendo tudo o que deseja.

– Sim. — Respondo prontamente, tentando manter-me calma.

Ela se levanta do divã vermelho envolto em veludo. Não esconde de ninguém seus casos com os funcionários do lugar. Neste momento, estava deitada com a cabeça repousada no peito de um dos bailarinos com quem contraceno. Esta é a grande piada. Ela é a grande estrela. Somos apenas o enfeite do fundo. Servimos para deixar o cenário bonito. Sem cerimônia nenhuma, puxa sem delicadeza o objeto em minhas mãos. Leva-o a boca. Gostaria que estivesse envenenado, penso.

– Arendelle, que diabos é isto? — Levanta o cálice, que quase encontra meu rosto, ocupando todo o campo de visão que tinha. Havia tomado um único gole da bebida.

– O vinho que a... Senhora, pediu. — Respondo, contrariada.

– Este não é meu vinho. — Protesta — Quero o de meu estoque particular. Não o que esta gentalha bebe. — Disse, azeda.

Respirei fundo.

– Este é o vinho de seu estoque, madame. — Respondi, contendo-me.

– Não me agrada. — Olhou para o conteúdo do cálice, quase cheio.

– Dei o meu melhor. — Implorei.

– Não é o suficiente. — Levei uma das mãos à têmpora. — Faça mais, é exigir muito? — Perguntou, em um tom horrivelmente meloso.

– Não. — Respondi, baixo.

– Que bom. Talvez, você sirva algo a mais do que dançar sobre o palco sem brilho e sucesso. — Disse, maldosa.

Senti algo dentro de mim se contrair. Ela está de costas para mim, o que me dá tempo de secar uma lágrima, que desce involuntariamente. Não posso demonstrar fraqueza diante dela. É exatamente o que quer. Saí, fechando a porta atrás de mim. Os gemidos recomeçaram no quarto, enquanto descia as escadas em caracol. Ainda calçava minhas sapatilhas, o que já era perfeitamente normal para mim.

Fui até a cozinha. Anna estava lá, calçando sapatos mais confortáveis e preparando-se para recolher. Dei boa noite para a jovem bailarina, que subiu até nosso dormitório. Larguei-me em uma cadeira. Descobri que não conseguia chorar. Pensei em tudo o que aconteceu em minha vida. A morte precoce de meus pais, o crescimento neste lugar, onde nunca parei de trabalhar, meu sonho de ser a estrela, de brilhar nos palcos, e que agora, com a chegada dela, jamais se realizariam. Não é justo. Fecho os olhos. O bolo em minha garganta se forma. Depois, transforma-se em lágrimas. Pronto. Estou chorando.

Gotas descem em abundância por minhas bochechas. Todos os dias, a mesma humilhação.

– Eu quero brilhar. — Sussurro, com raiva. — Eu mereço. Faria qualquer coisa...

– Elsa Arendelle, o que faz aqui? — Pergunta Alicie, tirando-me de meus sufocantes pensamentos.

– Nada. — Respondo, secando as lágrimas. — Vou dormir.

Ela não pergunta o motivo de meu choro. Dá espaço para que eu suba, novamente as escadas. Estou rumando em direção ao dormitório das bailarinas, mas subitamente, volto-me para o lance seguinte, onde há o galpão e um velho e abandonado camarim. Sigo para a segunda opção. Fecho a porta atrás de mim, e caminho silenciosamente pelo cômodo com os olhos novamente marejados. Paro na frente de dois espelhos. Meu reflexo chora para mim. Desta vez, até meu corpo tremer-se em soluços nervosos. Olho-me furiosa e esmurro um dos espelhos. Este se parte, e vários pedaços caem no chão, com estardalhaço. Ajoelho-me, chorando amargamente. Ouço então, uma suave e melodiosa voz. Que diz: "Ouvi teu choro, senti tua fúria. Sei o desejo que predomina o teu coração."

Assustada, pergunto quem é. A resposta veio em uma risada. Leve e debochada.

– Quem é você? — Pergunto, irritada.

– Sou aquele que pode dar-te tudo o que quer, por um preço.

– O que você quer?

– Olhe para o espelho. — Mandou a estranha voz.

Viro-me. Observo apenas meu próprio reflexo ali. Em seguida, uma luz branca e azul dança diante de mim. E esta luz, vai transformando-se em massa. Devagar, moldando um corpo. Quando este brilho se foi, havia no lugar o reflexo de um homem. Era belo de uma forma sobrenatural. Seus cabelos, eram de um louro pálido, tão claro que parecia neve. Sua pele era pálida e livre de imperfeições. Seus olhos de um azul gélido. Usava um traje social azul, com calças de um tom marrom. Botas de couro firmes, e na mão direita, segurava um cajado de madeira, retorcido. Seus lábios finos estavam retos, sua feição era como mármore. Atrás dele, era possível ver um halo, fraco. Como uma fina camada de gelo, que também poderiam ser asas. Ele era lindo. Sublime e lindo, como um anjo.

– Você é um anjo? — Pergunto, hipnotizada.

– Provavelmente, não. — Ele riu.

– O que você é?

– Digamos que um espírito. — Respondeu, apoiando-se no cajado.

– Pode sair daí? — Refiro-me ao espelho.

Ele balançou a cabeça, em confirmação. Deu um passo em minha direção. Atravessou o espelho como se fosse água. Logo, estava bem na minha frente.

– Podemos ir logo com isso? — Perguntou, enquanto eu olhava, arrebatada por sua beleza. — Sou Jack Frost, espírito da neve e do gelo. E estou aqui para fazer-lhe um proposta irrecusável.

Olhei para ele, confusa.

– Que proposta?

– Observei você, na cozinha. Especialmente, quando disse que faria qualquer coisa para realizar seus sonhos. — Ele tocou minhas têmporas com os dedos gelados, provocando arrepios em minha pele. — Devo mostra-la?

Assenti.

Fecho os olhos. Um estranho silêncio se faz no lugar. Nenhum ruído é emitido. Quando os abro novamente, encontro-me em cima do palco principal da Ópera. Uso um vestido azul, muito brilhante. Meus cabelos, estão trançados em diamantes, assim como na coroa prateada em minha cabeça. Meu colar é feito de cristais. Meus pés, estão envolvidos em um material duro e brilhante. Diamantes!

Na parte inferior de minha roupa, uma fenda corta na vertical, desde meus pés, até a altura de meus joelhos. Atrás de mim, há uma capa azul, muito longa. Segue-me, esvoaçante. Meus lábios arqueiam em um sorriso, como jamais exibi ao mundo.

Na plateia, inúmeras pessoas levantam-se para aplaudir de pé. Rosas brancas são lançadas ao palco. Curvo-me, em agradecimento. Atrás de mim, bailarinos dançam, vestindo branco perolado. O figurino caía como neve no cenário. O único destaque ali, era eu, com o lindo vestido azul, cor de gelo. Entre os bailarinos, encontra-se Gretel Swarovski. Sorrio maliciosa para ela, e me volto à plateia. Elas ainda riem e aplaudem, mas já não consigo ouvi-las. O barulho mais me parece um som abafado. Jack aparece ao meu lado, mais lindo que nunca, se possível. Usa um traje a rigor, que cai-lhe muito bem.

– Você deseja tudo isso? — Pergunta ele, abrindo os braços, como se quisesse abraçar a vastidão do lugar.

– Sim! — Exclamo, mais feliz do que nunca. Meus pais teriam orgulho de mim, agora. Penso.

– Posso dar-te tudo isso. — Ele estala os dedos, e volto para o mesmo camarim mofado, trajando a mesma roupa, no mesmo silêncio. — Por um preço. — Completa.

Paro, e penso por um instante.

– O que você quer? — Pergunto.

– Bom, como já devo ter lhe dito, — Começa. — Sou um espírito imortal. Mas já fui humano. Meus desejos carnais ainda precisam ser saciados. Caminho pelo mundo, trazendo a neve, mas em meu interior, preciso de calor que aqueça meu coração. — Viro-me para o espelho, observando meu próprio reflexo. Ele vira-se também, ficando bem atrás de mim. Sua respiração fria, arrepiando-me a nuca. — Observei você, Elsa. Você tem algo, que me atrai. É como uma aura mágica. Eu preciso descobrir o que é.

Ele agora se aproxima mais de mim. Um de seus braços, dá a volta em minha cintura, abraçando-me. Reprimo um suspiro. Jamais senti-me assim, diante de homem algum. Irmã Maria, uma freira que vinha algumas vezes para Martiniére, ajudar na faxina, me dissera que era muito errado ter algum tipo de contato com qualquer homem que não fosse meu marido. E Jack, com certeza não era o meu. Mas não tenho forças para afastá-lo. Ele me seduz de uma forma quase assustadora. É a coisa mais sobrenatural, e ao mesmo tempo, pecaminosa que fiz. Sua outra mão, acaricia minha nuca, e vai deslizando, por minha pele até encontrar a alça de meu vestido. Devagar, esta escorrega por meu ombros. Suspiro quando sinto seus lábios gelados, tocarem minha pele. Ele afasta os lábios e consigo sentir sua língua, molhada tocar-me. Céus, nunca senti nada parecido, e é muito bom. Ele começa a fazer pressão naquele ponto, sugando, e tenho certeza de que neste lugar, ficará uma marca vermelha, facilmente identificável em minha pele clara. Levo uma de minhas mãos aos seus cabelos, com a outra, abraço minha cintura, por cima do braço dele. Algo como uma fome cresce dentro de mim. Mas não é por comida, pois já estou completamente saciada disso. Esta fome, porém, parece querer ele. Estou desejando-o. Inclino minha cabeça para o lado, encorajando-o a tocar-me mais intensamente. Somente quando sinto sua mão descer mais além de meu corpo, acordo, afastando-me dele.

Dou uns passos para longe de Jack, que sorri de forma tentadora par mim. Olho-me no espelho. Uma marca vermelha apareceu perto de meu pescoço. Meus cabelos, estão mais desgrenhados que antes. Meu vestido parece torto, com a alça escorregando até meu ombro. Apressada, arrumo-me o melhor que posso. Ele apenas me observa.

– Como será este trato? — Pergunto, tentando mudar de assunto.

– Simples. — Ele disse. — Dou-te fama e riquezas, em troca, quero teu sangue, corpo, alma e coração. — Falou sério, agora.

– Como posso confiar em você? — Meu coração bate acelerado. Antes, nada do que disse ou fez, assustou-me. mas agora, ele quer que eu me venda, para ele.

– Faremos um contrato, Elsa Arendelle. Estaremos interligados. — Ele estende a mão em minha direção. — O que me diz?

Olho para ele, lindo e assustador. Seu rosto está esticado em um sorriso. Por trás daqueles dentes brancos como pérolas, e daqueles olhos azuis como gelo, há um demônio. Viro-me novamente para o espelho. meu reflexo olha, cansado e suplicante para mim. Permito-me tempo para pensar. Deve passar de meia noite, agora. Flashbacks de meus momentos de glória, passam diante de mim. Foi tudo o que sempre quis. Aquela, foi a chance de minha vida. E eu a perdi. Agora, por um preço mais alto, posso tê-la de novo. Nunca mais serei humilhada. É ambição? Sim. É pecado? Sim! Mas é meu desejo. terei reconhecimento, o que sempre quis. Nunca mais ficarei nas sombras. Por uma vez na eternidade, terei tudo.

– Aceito. — Falei com convicção. Estendo minha mão, para apertar a dele, com firmeza. O toque é frio.

Ele sorri, e murmura "Bom negócio." Agita as mãos no ar. Com uma lufada de névoa gelada, surge um papel, flutuando no ar, como um contrato. Ele me entrega uma pena branca, mas não há tinta. Olho para ele, que balança a cabeça positivamente. Assim que toco o papel com a ponta da pena, sinto uma dor aguda, nas costas da mão esquerda. Uma brecha se abre ali. Um corte, sem mais, nem menos.

Sangue!, penso, ele disse que precisava de meu sangue. E era isso. Assinaria minha sentença, com meu próprio sangue. No papel, formei em vermelho o nome "Elsa Arendelle" E entreguei a pena a ele. Fez que sim com a cabeça. Olhei para minha mão. Havia um corte ali, como se tivessem escrevendo meu próprio nome com navalha afiada. Esfrego o ponto, como que para amenizar a ardência. Ele pega a pena e escreve "Jack Frost" no papel. Percebo então, que uma tinta prateada apareceu ali, assim como na sua mão esquerda. mas não me assusto.

– Pronto. — Eles diz, voltando-me a atenção para ele, que encerrava o contrato. Agita as mãos e numa lufada de névoa fria, o papel some.

– Agora terei tudo. — Digo, com uma pontada de emoção na voz. Não sei dizer se é medo, alegria ou tristeza.

– Agora, você é minha. — Afirma Jack.

Notas finais
Gente, também queria dedicar esta fanfic a minha amiga que não vou revelar o nome, mas que me ajudou muito na formação desta Elsa. Ela é dedicada a você! P.S. Nossa, que capítulo gigante.