Mask of Shadows
1 Prólogo.
Notas iniciais

Prólogo.
Em uma fria manha de abril, Clarissa Fray, Clary congelava em frente a uma casa vermelha. Ela abriu as baixas cercas de madeiras, que, mesmo por cima da luva, sentia estarem úmidas e moles. Fechou a cerca com cuidado, para não desmontá-la e foi, meio correndo meio deslizando pelo chão com uma fina camada de neve, até a pequena porta da modesta e bela casa vermelha. Bateu na porta. “Já vai! “ disse a fraca voz de uma senhora, que Clary conhecia como a mãe de Simon, seu melhor amigo. Ouviu passos apressados e soube que Simon descia a escada correndo. Ele chegou na porta e a recebeu, com um sorriso. Tinha as bochechas rubras, o cabelo despenteado e os óculos levemente embasados. “Entre, está congelando”, disse com a voz alegre. “Simon! Não quero me atrasar para o teste e você também não deveria!” devolveu, no mesmo tom. Simon soltou um suspiro, vencido. Não queria sair do aconchego de sua casa e ir para um mundo congelado, mas era Clary, então não tinha jeito.
*
Os jovens seguiram normalmente, pela nebulosa manha até a escola, ansiosos por causa do teste. Aquele inverno estava sendo estranhamente violento se comparado aos outros e ninguém sabia o motivo. Simon e Clary passavam normalmente, ignorando as alfinetadas dos membros da Franqueza e olhares curiosos dos da Abnegação. E acima de tudo o olhar entretido de um jovem Audacioso, um olhar que faria muito mais diferença do que eles imaginaram.
Os testes começaram na hora do intervalo, e Clarissa Fray, uma pequena e assustada garota da Amizade foi chamada para ir á sala onde ocorreriam. Outro nome é chamado além do dela, mas ela não presta atenção. Simplesmente, vai, puxando o capuz para mais perto do rosto, perecendo nervosa e febril, ao encontro das portas engorduradas da cantina, em direção ao seu destino.
*
Clary parou em frente a porta da sala onde ocorreriam os testes, após andar por vários corredoras, e cogitou sair dali correndo e gritando. Ela sabia que estava sendo mesquinha e infantil e que os testes eram só isso mesmo, testes. Ela poderia escolher a facção que quisesse independentemente do resultado dos testes. Expirou e inspirou lentamente até tomar coragem e abrir a porta.
A luz era fusca e clara, um claro lunar. Mas era, por outro lado, muito diferente da luz da lua. Era mais forte e parecia puramente artificial. O lugar tinha cheiro de um consultório médico, misturado com o cheiro das luvas de borracha novinhas.
A sala era branca e cinza cheia de espelhos por todos os lados. Clary não prestou atenção neles ou em seu reflexo, concentrou-se no centro da sala, onde havia uma cadeira reclinável ao lado de uma máquina. O homem que faria o teste era claramente um Audacioso e estava sentado em uma cadeira ao lado da que ela iria provavelmente sentar-se, com as pernas cruzadas e uma prancheta, descartando totalmente o computador ao lado dele. Tinha, provavelmente, origem asiática e olhos felinos e amarelos. Quando viu Clary, deu um sorrisinho. "Entre, entre!" falou. Parecia meio impaciente, como se estivesse esperando alguém, e ela não passasse de um aborrecimento que o impedia de encontrar-se com a pessoa. Clary entrou, ainda meio assustada com a maquina, que não parecia nem um pouco convidativa. Sentou na cadeira. “O que vai fazer ?“ pediu Clary. “Uma simulação, para ver a que facção você é mais apta, já deveria saber disso." Clary fez uma careta. Não foi o que quis dizer. "Sente-se nessa cadeira e trate de relaxar os músculos." Clary sentou-se, desconfortável. "Agora, pegue, beba isto" o homem estendeu-lhe um frasco com um liquido transparente, parecendo entediado, como se ouvisse sempre as mesmas perguntas e estivesse ficando cansado de responde-las. A menina observou o homem colocando fios que ligavam ele e ela a maquina. Ela respirou fundo. Levou o frasco até a boca, vendo sua respiração embaçar o vidro do copo. Fechou os lhos e bebeu todo o conteúdo do frasco com o liquido transparente.
*
Clary abriu os olhos.
Não sabia quanto tempo havia se passado desde que ela havia fechado os olhos, e perguntou-se quanto tempo a bebida levara para fazer efeito. Em seguida, observou o lugar onde se encontrava.
Estava em uma sala escura, pouco iluminada de frente para uma mesa. Aproximou-se da mesa para examinar melhor o que havia em cima. Um pedaço de queijo e uma arma. Clary pegou os dois exatamente ao mesmo tempo e examinou-os um de cada vez. De repente, a paisagem mudou, e ela não segurava mais o queijo ou a arma. Estava em um trem, e um homem gritava com ela, dizendo-lhe que sabia que Clary conhecia outro homem, e apontando para um jornal. Ela sabia que o conhecia, mas ficou calada, com medo da culpa. De repente ele começou a gritar mais alto e ela não aguentou. Gritou, bem alto, que conhecia o tal homem, mas que não sabia de onde. O homem que gritava com ela, ficou furioso e a paisagem mudou novamente.
Agora, encontrava-se em uma sala com muitos espelhos. Ela, refletia-se neles, cada detalhe físico do seu ser. Era baixa e magra, com olhos verdes, cabelos -agora úmidos e volumosos por causa do tempo- ruivos, e algumas sardas. Estava usando um casaco creme –que não fugia do amarelo usado pela Amizade- com um capuz entendido por cima da cabeça. Um cachecol bordo com calças jeans da mesma cor. Sua expressão era de puro pavor.
Pavor, porque ao seu lado direito avia uma jaula com muitas, muitas cobras. Elas pareciam sussurrar pra Clary. Do seu lado esquerdo, aviam muitos cachorros, acorrentados. Eles latiam ferozmente. Ela tinha uma arma e queijo, mas não sabia quantas balas aviam e tinha certeza de que se virasse para os cachorros eles a atacariam. Seu queijo também não seria o suficiente pra todos os cachorros. “Se você não escolher logo, irei soltar ambos os animais.“ disse uma voz dura e fria. Clary deu um passo em direção as cobras. Sabia que não era nem um pouco coerente, mas lembrou-se de ouvir a voz de seu professor de biologia , “O método mais seguro é observar a presença de um pequeno orifício entre os olhos e as narinas: a chamada fosseta loreal. Todas as serpentes venenosas, com exceção da cobra coral, são dotadas desse orifício, que não aparece nas não-venenosas". Clary sabia que aquelas não eram cobras corais pois já tinha visto muitas corais na fazenda de sua mãe. Então foi em frente. Tocou na jaula das cobras. Esperou.
*
Clary acordou, suando frio, tremula e com a cabeça doendo muito, em cima de uma cadeira reclinada, de modo que ela estava mais deitada do que sentada. Arfou, e se sentou, lembrando-se do que fazia naquela sala clara.
O homem que controlava o teste, parecia assustado, fascinado e surpreso ao mesmo tempo. Clary sentiu náusea e vontade de vomitar. O homem deve ter percebido isso pois murmurou “Aqui não, há banheiros nos corredores, aguente.” Clary foi invadida por uma espécie de pânico pós traumático que sufocou a náusea e tontura, sentou-se, não se importando em derrubar os fios que a ligavam a maquina e perguntou rapidamente “Qual foi o resultado ?” as palavras que ela mal conseguiu pronunciar, vieram repletas de ansiedade. O homem a olhou com um “estranho” pensou Clary, tipo de pena. Como se já soubesse o que ia acontecer, mas não pudesse evitar ou alertar. Como se já tivesse vivido isso mais vezes do que pode suportar. Então ele falou, a mentira evidente em sua voz:
“Audácia. Só e puramente Audácia.” Então ele se levantou, não aguentando nem mais um minuto daquilo. Claramente, um convite para que ela se retirasse. “Espere. Como é o seu nome?” pediu Clary.
“Magnus. Magnus Bane”. Ele respondeu, como se preferisse ter de pronunciar qualquer outro nome, menos o dele mesmo.
E assim, Clary saiu da sala.
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