Mask of Shadows

2 I'm falling, I'm ... dead?


Notas iniciais
Blooded - Within Temptation (Instrumental). Capa (caso não abra o link): https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-xpa1/v/t34.0-12/10834105_744748958941409_640495283_n.jpg?efg=eyJvbGF0IjowfQ%3D%3D&oh=796f27d3ac2f93a7c7c07a3196bc468c&oe=547D14C1&__gda__=1417556894_64b047070c3961e8d635a641d36152a1

Clarissa

Desespero.

Era a palavra perfeita para descrever a minha atual situação.

Eu estava caindo, por um poço infinito. A cada centímetro que eu caía, uma memória surgia, me assombrando.

Uma menina indo a um médico que possuía olhos felinos; uma mãe preocupada com a mão nos lábios; um bebê loiro em uma casa em chamas; um garoto loiro observando uma garota ruiva de longe no dia dos testes; um garoto de óculos e olhos castanhos estudando sem parar; a mãe chorando diante de uma mecha pequena e prateada, parando de chorar bruscamente ao ver uma menina ruiva espiar por entre a porta; uma menina, caindo por um poço sem fim, enxergando suas lágrimas flutuarem a cima de seus olhos, gritando, em pânico.

Mas, a medida que essas memórias voltavam elas se apagavam da minha mente deixando só leves borrões, como uma borracha no papel. Tentei me lembrar das coisas que vi há alguns segundos, tentei lembrar o porque de eu ver lagrimas flutuarem conforme eu caia, mas não consegui. Cada memória ou pensamento que eu tinha, sumia. E o medo me dominava.

O cheiro era pútrido, e enlouquecia minhas narinas ...queria parar de respirar...era demais pra mim. Minha garganta doía a cada grito que eu não conseguia me impedir de soltar, minha cabeça doía, meus olhos estavam transbordando, não conseguiam se fechar, minha boca se esticava a cada grito que eu dava, consequentemente fazendo as rachaduras em meus lábios abrirem-se. E eu ia caindo, caindo e caindo.

Meus braços pareciam se deslocar, eles doíam infernalmente, assim como minhas pernas e todo o meu corpo. Ferro quente parecia ter sido passado pela minha cabeça. Os poucos segundos lúcidos, onde eu cogitava a ideia de tudo isso ser um pesadelo, eram sufocados por ondas de pânico, e esquecidos em seguida. Mas, nesses breves momentos, eu parecia ver vultos a espreita, sombras, fragmentos de pequenos pensamentos, dançando pelas paredes. E aí a dor aumentava e tudo se despedaçava, a pequena linha entra sanidade e loucura rompendo-se.

Fechei os olhos e os abri. Continuava caindo. Me ouvi gritando. Eu era vítima dos meus próprios gritos, que ecoavam pelo poço, nunca terminando... Calma, Clary...se agarre a alguma lembrança...se não vai enlouquecer...A quanto tempo estou caindo? Tenho a sensação de ser a algumas horas, ao mesmo tempo me parecem poucos minutos...não consigo me focar, pensar racionalmente...se eu ao menos tivesse algo a que me agarrar...espere, o que ? No que eu estava pensando? Arg! Não consigo me lembrar!

Foi assim por um longo tempo. Eu me ouvia gritar e não tinha nenhum pensamento coerente, pelo menos nenhum que eu me lembre. O cheiro pútrido me enjoava, assim como o úmido do poço. Não faço ideia de como sabia que era um poço, acho que pensei nisso em algum momento.

De repente, tudo mudou. Estava sufocando. Eu me afogava. Não me lembro da água só da sensação de me afogar, os olhos fechados, o ar sumindo do pulmão. Eu me debatia, sedenta por ar, mas não achava nada.

Uma luz clara se pronunciou na escuridão e a sensação de afogamento passou. Eu me via, de dentro e de fora do meu corpo ao mesmo tempo. Não estava molhada, mas quebrada. Meus braços e pernas estavam em ângulos estranho e minha pele estava incrivelmente pálida, meus lábios rachados e sangrentos. Meus cabelos grudados ao rosto pelo suor. Respirar parecia impossível e talvez fosse. Não sabia se estava respirando. Por puro instinto tentei me levantar, mas assim como sabia que havia caído por um posso, eu sabia que todos os ossos estavam quebrados. Foi aí que eu percebi. Percebi, que estava tomada pelo panico.

Uma dor alucinante se apossou de mim e eu quis berrar, mas isso seria um luxo dado somente aos que não lutavam para respirar. Senti meu rosto molhado e percebi que eu estava chorando. Não sei como, pois não conseguia fechar os olhos. Eu chorava sangue. Pelos olhos, pelo nariz, pela boca, que parecia transbordar sangue. Eu me senti sendo separada do meu corpo e foi como uma morte psicológica. Eu vi o estado deplorável do meu corpo que estava virando sangue. Puro sangue. Eu, ou o que sobrou de mim, vi isso sendo puxada para a superfície, indo para o inicio do poço. E eu vi de cima, quando só sobrou o vermelho se espalhando pelo chão formando um único símbolo. E foi assim que meu cruel e torturante pesadelo terminou.

Com um circulo, uma chama.

Audácia“.

Notas finais
Pessoal, esclarecendo ponto de vista do autor: Clary estava ansiosa por causa da cerimonia e todo esse capítulo foi um sonho. Eu não gosto de fazer as pessoas esperarem, então fiz este capítulo porque o próximo pode demorar a chegar, pela complexidade da cerimonia de escolha. Sim, é no próximo! Bye, meus lindos e lindas, até o próximo ! 0/