Mask of Shadows

3 Choose and think well.


Notas iniciais
"Eu assisti ao peso do seu mundo desabar E agora é a sua chance de seguir em frente Mudar o jeito que você viveu por tanto tempo Você encontrará a força que sempre esteve dentro de você" Life Starts Now - Three Days Grace P.O.V.: Clarissa. Capa (caso a imagem não abra): https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-xpa1/v/t34.0-12/10836464_744748955608076_716883191_n.jpg?efg=eyJvbGF0IjowfQ%3D%3D&oh=0c2cf109ffe985262241eb1328a0f651&oe=547D0516&__gda__=1417549385_df0631bbce3870f5503ab5d453693a73

O sol que escapava da pequena fresta de minha cortina vermelha tocou no meu rosto, levemente. Acabou, pensei. Finalmente, acordei.

Em algum momento enquanto estava dormindo, mordi o lábio. Agora ele estava sangrando bastante. Mas, acho que foi bom, isso me impediu de gritar. Bom, talvez eu tenha gritado. Acho que nunca vou saber, afinal eu estava isolada do mundo, em um quarto subterrâneo da casa de sitio do Luke, amigo da minha mãe, e ali não se dava para ouvir nada.

Me levanto e tento me espreguiçar, de olhos fechados. Hmmm. Suspirei, ao sentir o suor gélido escorrer pela minha testa. Mesmo com meu grosso pijama amarelo e vermelho, consigo sentir o suor imundando a minha cama. Eu sei o porque dele. Só não quero pensar no porque. Isso é assim tão horrível ? Não consigo me lembrar de todo o sonho. Só imagens tremulas, gritos, sufocamento, sangue, desespero. Eu deveria tentar me lembrar e combater. Não só pra não ser uma medrosa, mas por que algo me dizia que ele significava muito. Que mudaria tudo. Mas era tão, tão doloroso. Eu simplesmente não queria lembrar.

Abri os olhos. Um dos piores erros que já cometi.

Audácia. Puramente Audácia.

Aquele maldito simbolo estava por tudo. Papeis com o desenho do simbolo da audácia cobriam as paredes. O teto, tinha -não me pergunte como- papeis colados que caiam no chão, aos poucos. Como uma chuva de medos. E o chão. O chão me fez soltar o mais profundo grito que eu já soltei. Ele estava vermelho, com o simbolo da audácia pintado de vermelho cobrindo todo ele. Como no meu sonho. Era sangue. Era eu. Gritei novamente, colocando a mão na boca. A afastei rapidamente, apavorada. Ela estava vermelha. Meus dedos tinham calos de tanto forçar o lápis/caneta/pincel. Meu cabelo, tinha tinta. Meus olhos pareciam pintados de preto arroxeado, mas eram apenas olheiras. Eles encheram-se de lágrimas não!, Não é hora pra chorar. Respirei fundo. Soltei o ar. Fui ate a parede, recolhi algumas folhas e as enfiei na mochila. Separei uma muda de roupas e fui para o banheiro. Se tinha um lugar para tirar a tinta das mãos, chorar, pensar e se acalmar, era o banheiro.

*

– Calma, calma. Vamos repassar os fatos: Você tem um sonho, desculpe, pesadelo em que cai de um poço e vira sangue. Ai você acorda e descobre que passou a noite inteira rabiscando o simbolo de uma certa facção. Muito bem, então me diga: Como você desenhou aquilo se estava dormindo e sendo psicologicamente torturada por pesadelos artísticos ? — Falou Simon, que guardava a teoria de que tinham invadido meu quarto, pintado minhas mãos e o simbolo no chão fora pura coincidência.

–Simon... Acha mesmo que foi tudo uma coincidência? Tudinho? — Falei, meio irritada meio triste. Pensei que ele iria entender. Ele deveria entender...sempre entendia. Acho que é meio egoísta pensar assim, mas é inevitável.

Estávamos falando aos sussurros. Eramos os primeiros a andar naquele corredor, já que Luke tinha nos levado de moto ate a cerimonia. A cerimonia. Lembrar disso me deu náusea e tontura, me obrigando a desviar o olhar para a janela.

Foi quando eu o vi pela primeira vez. O rosto banhado no claro sol que essa época de frio permitia. Os belos cabelos dourados caindo em sincronia sob o rosto. Os lábios abertos em uma eterna risada. Tentei imaginar um risada digna daquela beleza. Não consegui. Olhei para seus olhos. Ah, que olhos! Sol nascente e poente, pureza irradiada em raios refletidos, a luz das estrelas douradas iluminando a fria e escura noite...

–Clary! Não esta ouvindo ? — Ouvi Simon perguntar. Se eu estava ouvindo ?

–O q..? Ah! Desculpe Simon, o que disse ? — Perguntei, tentando ver se ele tinha ficado magoado.

–Ah, nada, esquece. — Falou. Ele tinha. Sentia que devia um pedido de desculpas apropriado, mas voltei minha atenção a janela. Ele tinha sumido. Não sei bem porque, mas aquilo pareceu ser mais do que apenas doloroso.

*

Todos estávamos espalhados, nervosos e falantes.

Olhei para os membros da Erudição. Eles tinham um ar esnobe. Simon também os olhava, mas não com repulsa como eu, com um poco de admiração. Arg, devo estar alucinando agora.

Olho para os membros de minha facção. Alegres, falantes. Eu nunca conseguirei ser como eles. Não tenho amigas. Só tenho o Simon, minha mãe e Luke. Eles são minha família. São felizes, completos. E eu também sou, me obriguei a pensar. Eu sinto tanta falta do futuro. Como eu já me imaginei em outra facção.

Olho para os membros da Abnegação. De todas as facções, Abnegação é a que eu mais admiro. Queria ser como eles. Queria falar com eles, sentir sua bondade. Mas eles eram tão distantes, reservados.

Olhei para a Franqueza. Todos soltos, abertos. Me lembrei do homem gritando no teste. Estremeci. Já tinha descartado a Franqueza.

E então, olhei para a audácia, para ele. E, ele, estava olhando para mim. Baixei a cabeça encarei minhas mãos. Elas estavam suadas e cerradas, já ficando com as articulações brancas. Ainda assim, eu me recusa a deixar que alguém as visse tremer.

Sr.Kyle entrou, e começou o discurso. Não estava ouvindo, ou melhor, estava ouvindo até demais. Todos pareciam falar ao mesmo tempo. Todos, gritando. Olhei para uma menina de roupas cinzas do outro lado do local e a ouvi sussurrar "Não seja tão tola", depois para um menino na parde oposta, falando com uma menina "Haha, sim. Mary...não vai me deixar, vai ?", depois para mais várias rostos e vozes e finalmente, para ele, o loiro. "Ela não esta bem" ele disse. Cabelos pretos e olhos azuis marinhos responderam "O que ? Deixe de besteiras. Talvez ela vomite, mas isso é normal no dia da escolha." Mais vozes. Elas iam de graves a agudas, de sussurros a gritos. Comecei a me abaixar e levar as mãos a cabeça quando senti um apero no braço. Ergui a cabeça para ver quem era e olhos castanhos e nervosos me olharam de volta. "Tudo bem. Vai ficar tudo bem, Clary." Simon. Tentei entender do que ele estava falando, quando olhei ao redor. Várias cabeças se voltavam pra mim. -Hm-hm. Clarissa Fray. — O "hm-hm", claramente dizia que ele já avia me chamado uma vez. Cerrei as mãos, levantei a cabeça e caminhei em direção aos recipientes.

*

Infelizmente, minha coragem e auto-estima passaram tão rápido quanto chegaram.

Tentei imaginar meu sangue nas pedras. Imaginar meu sangue no vidro. Meu sangue na água e meu sangue na terra. Mas só o que eu conseguia visualizar era meu sangue fervendo no fogo, o fraco som do fogo queimando-o, aquecendo.

Imaginei eu e Simon, sentados na grama comendo maçãs, um sorrindo para o outro. Por algum motivo, não senti nada ao ver isso. Nem felicidade, nem tristeza, nem amor nem desapontamento. Nada. Quando me dei por conta, já estava de frente para o homem da Abnegação. Sabia seu nome, só não me lembrava dele. Nem fazia questão lembrar. Aceitei a faca que ele me entregou. Cortei o pulso, um poco forte demais. O sangue jorrou, formando um pequena poca no chão. Vi meu reflexo nela. Eu parecia bem menos apavorada do que me sentia. Era tanta pressão.

Eu sabia que estava parada. "Tudo bem. Vai ficar tudo bem, Clary." Olhei as pessoas ali, de novo. Pensei neles como uma especie de publico. Eu era como a estrela do show, e se não agisse logo, as cortinas se fechariam e peça acabaria, sem aplausos. Assim eram as antigas peças de teatro. Li isso em algum lugar. Era de um antigo filosofo, eu acho. Não tinha certeza de nada.

Olhei para Simon que parecia confuso. Para Jocelyn e para Luke. Não parei para observar a provável incredulidade que encontraria naqueles olhos. Então, meu olhar encontrou o dele. Porque. Ele. Olhava. Pra. Mim. Daquele. Jeito? Talvez eu nunca viesse a saber. Talvez eu nunca mais o visse de novo. Não. Mas...mas essa era... era minha escolha, e eu queria velo. Esse pensamento me assombrou. Não arriscaria perde-lo. Não, eu não me entendia. Confusão. Impulso. Medo. Isso me levou a fazer o que fiz. Já estava fora do meu controle. Estava fora de controle desde que eu o vi. E, o que fiz foi, ir ate o recipiente da Audácia e queimar minha mão ao tentar derramar o sangue dentro das brasas.

E , isso não era irônico? Afinal a Audácia, de todas as virtudes, presa a coragem. E o que fiz foi apenas por medo. Medo de perde-lo.

Apostei tudo em alguém que eu não conhecia. Em uma vida que não fazia ideia de como seria. Parabéns Clary, pensei comigo mesma.

Notas finais
Postei esse capítulo na corrida, então se tiver algum erro, por favor, me avisem. Rviews seriam bem legais. Obrigado por lerem, até o próximo !!