Mascara Colorida
1 O COLORIDO DA VIDA
Alta Floresta, Fevereiro de 2012
Em um quintal cheio de folhas e galhos secos espalhados por todo canto, Rafael, um menino extrovertido e muito emotivo, andava cuidadosamente em direção a uma casa. Cada passo que dava sentia uma dor insuportável, logo que seu pé direito estava enfaixado com faixas de hospital. Rafael ao aproximar-se da casa meramente humilde, se deparou com um pequeno entulho de galhos secos. Vendo aquela situação e sem saber o que fazer, começou a passar por cima daqueles arbustos secos. Cuidadosamente, passo por passo, ele estava conseguindo ultrapassar, mas ao enroscar seu único pé saudável em um dos galhos, caiu de cara ao chão e deu-se para ouvir seu grito de dor:
— AI. Estou bem... Eu acho!
Ao levantar-se, se reestabeleceu e continuou sua curta caminhada. Ao chegar de frente para a porta principal da casa, Rafael gritou o nome de sua amiga:
- AMANDA!
Ela desesperada abriu a porta e ao deparar-se com Rafael disse:
— Á seu monte de bosta! Pensei que era alguém pedindo socorro, alguém importante!
Ao dizer isto os dois começaram a dar gargalhadas e Amanda olhou dos pés a cabeça de Rafael e perguntou:
— Nossa, o que houve? Você esta horrível!
— Nem me fala, hoje acordei com a “macaca”! Parece até que levantei com o pé esquerdo... Antes mesmo de terminar a frase, Rafael começou a se lembrar do momento em que ele levantou-se da cama:
FLASHBACK
Com o pé esquerdo colocando no chão Rafael acordou de seu delicioso sono. Mas ao levantar-se completamente começou a caminhar e sem perceber bateu o pé no pé da cama que ele dormira. Com uma dor insuportável ele segurou seu pé com a mão e sem equilíbrio bateu o seu corpo no armário que havia bem em frente ao seu quarto. A batida fez com o que o vaso que estava em cima do armário caísse sobre a sua cabeça...
FINAL DO FLASHBACK
— Nossa, isso por que é seu aniversario! – Disse Amanda satirizando Rafael ao saber o que havia acontecido com ele.
-É mesmo, já ia me esquecendo, cadê meu presente? Você fez bolo? Cadê, Cadê? – Perguntou Rafael.
— Calma, vamos entrar!
Ao adentrar na casa de Amanda, Rafael sentou-se na mesa que estava na cozinha de sua casa:
- Então, me conta as novidades.
- Há, nenhuma de interessante... – Disse Amanda.
Rafael e Amanda se serviram e começaram a se deliciar com aquele bolo de chocolate suculento! Nisso Amanda lembrou-se de algo e avisou Rafael:
-Há, lembrei... Eu vi o Phellipe hoje!
Phellipe era o melhor amigo de Rafael, mas com o passar dos tempos Rafael começou a sentir uma atração muito forte por Phellipe, além de amizade. Rafael estava loucamente apaixonado pelo seu amigo.
Ao ouvir isso Rafael quase se engasgou com o bolo que estava comendo e saltou-se da cadeira dizendo:
- O que? Onde? Quando?
- Por ai. Ele estava com aquela menina loira, branquinha...
- Deve ser a Cristina, aquela vadia! – Disse Rafael com raiva.
- É ela mesma!
Após comerem metade do bolo, Amanda resolveu fazer pipoca para acompanhar. Rafael não queria saber de pipoca nenhuma, pois estava adorando comer aquele bolo delicioso. Mesmo assim, Amanda pôs a panela, com óleo dentro, para esquentar. Quando ela começou a colocar a pipoca na panela sua barriga começou a sair barulhos estranhos. Ela largou o saco de pipoca das mãos, colocou em cima da mesa e desesperada disse:
- Vichi, o bolo fez efeito. Termina de fazer a pipoca que eu vou para o banheiro. – Mas antes ela avisou Rafael — Mas não é para comer mais nenhum pedaço do bolo. Disse Amanda colocando o bolo dentro da geladeira.
Rafael sem se importar com o aviso de Amanda, a esperou entrar no banheiro para poder pegar o bolo. Rafael cortou um enorme pedaço do bolo e sentou-se no sofá de costas para a cozinha que estava bem perto da sala.
Com essa atitude, Rafael se esqueceu da pipoca no fogo, mas Amanda o lembrou de dentro do banheiro:
- Você colocou a tampa na panela?
Quando Rafael ouviu a pergunta de Amanda sentiu uma pipoca caindo sobre seu corpo. Assustado, olhou para trás e viu que a panela estava sem a tampa e as pipocas começaram a pipocar, e a cair por todo lado.
Desesperado Rafael começou a juntar as pipocas caídas no chão, mas começaram a pipocar mais e mais e a situação ficou fora de controle. As pipocas estouravam e Rafael sem nada em mente começou a abrir a boca comendo as pipocas enquanto elas voavam da panela. Amanda ao ouvir aquela bagunça perguntou:
- O que está acontecendo ai?
- Não é nada. Continua cagando ai! – Disse Rafael cheio de pipocas na boca.
Amanda não confiando em Rafael, rapidamente terminou de fazer suas necessidades, saiu do banheiro e viu o que estava acontecendo ali naquela cozinha:
- Meu Deus, o que você fez?
- Não sei, começou a sair e cair... Tentou explicar Rafael.
Amanda tampou a panela e desligou o fogo, a situação foi controlada. Mas não por muito tempo, pois ao ver a bagunça feita por culpa de Rafael, Amanda começou a berrar dizendo que ia matar seu amigo!
Após toda aquela confusão, Amanda e Rafael começaram a arrumar toda a bagunça que Rafael fizera. Amanda varrendo o chão avistou pela janela de sua casa o Phellipe que estava acompanhado de outro menino. Ela desesperada avisa para Rafael que Phellipe passara na rua de sua casa:
- Rafael, olha lá o Phellipe!
- Será a onde que ele vai? – Perguntou Rafael com os olhos arregalados ao ver seu amado.
- Acho que ele esta indo lá na no pátio da Igreja! Disse Amanda.
Amanda disse isso, pois este era o lugar mais frequentado por eles e também por Phellipe.
Rafael pegou os pratos sujos que estavam em cima da mesa e jogou com muita força na pia, ele estava furioso:
- Droga! Por que ele não veio aqui, ou na minha casa, para me dar parabéns? Será que ele não sabe que é meu aniversario?
- Calma Rafael, ele pode ter se esquecido.
- Acalmar? Mas eu estou calmo! – Disse Rafael quase quebrando as coisas da pia ao tentar lavar.
Após os nervos de Rafael estarem acalmados e os dois terem terminados de limpar a bagunça, ele teve a brilhante ideia:
- Já sei! Vamos ir á Bom Pastor?
Bom Pastor era o nome da Igreja do bairro. O pátio de lá é cheios de bancos para que a população possa sentar e conversar.
- Num sei não, é melhor não irmos! – Disse Amanda.
- Vamos, vai que ele está lá! – Insistiu Rafael, no intuito de ver Phellipe.
- Tabom, vamos! – Disse Amanda.
Já na Igreja os dois sentaram-se no banco que ficava de frente a uma das principais avenidas daquele bairro e de costas para a igreja. Rafael ficou olhando para todos os lados para ver se Phellipe estava ali, mas não viu nada.
Do outro lado da Igreja, Phellipe caminhava tranquilamente, com um objeto misterioso nas mãos. Depois de alguns minutos andando, ele encontrou seu amigo Carlos:
- Eai Carlos? Tudo tranquilo?
- Eai véi?!? Que bagulho é esse ai na sua mão? – Perguntou Carlos olhando o objeto misterioso nas mãos de Phellipe.
- É uma parada que vou dar para alguém que está merecendo há muito tempo!
- Tabom... Mas não vai fazer merda em!
Phellipe despediu-se de Carlos e continuou a andar. Após avistar Rafael, Phellipe começou a caminhar em sua direção. Os olhos dele ficaram vermelhos e brilhantes, como se fosse fazer algo de ruim.
Ele se aproximava cada vez mais. Enquanto sem saber nada, Rafael conversava com Amanda.
Até que Phellipe chegou bem próximo de Rafael e encostou a sua mão nas costas dele e disse:
- Toma o que você merece!
Ao virar-se, Rafael se assustou ao ver nas mãos de Phellipe aquele objeto misterioso, os olhos desesperados dele o fizeram chorar. Nisso Amanda gritou...
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