Mascara Colorida

3 DECLARAÇÃO DE AMOR


O sangue escorria entre as gramas do quintal... Era o sangue de Phellipe?

Não! No momento em que tudo aconteceu e quando Sandro deu o tiro, Rafael empurrou Phellipe da mira da arma de Sandro. Mas, na tentativa de salvar seu amado, Rafael acabou atingido...

Phellipe desesperado chamava por socorro...

Já no hospital, Phellipe aguardava ansiosamente noticias sobre seu amigo na sala de espera. Nesse momento chegaram Amanda e a família de Rafael:

- O que houve com meu filho, o que ele estava fazendo? – Disse a mãe de Rafael desesperada.

- Calma senhora, seu filho esta bem! – Disse o médico que acabara de entrar na sala de espera.

- Mas o que houve?... Foi tudo culpa sua, seu moleque... – Disse a mãe de Rafael indo para cima de Phellipe culpando-o pelo o que havia ocorrido.

Houve uma pequena discussão entre eles que foi apartada pelo médico que tentou acalmar a mãe de Rafael:

- Calma, senhora ...?

- Julia Sant’Anna. – Respondeu a mãe de Rafael.

- D. Julia, seu filho esta bem. Ao empurrar Phellipe a bala pegou de raspão na barriga dele... Ninguém tem culpa de nada. Ele só foi tentar salvar a vida do amigo. – Disse o médico, após ter ouvido a história contada por Phellipe.

- Mas o que ele estava fazendo na sua casa? – Perguntou Julia para Phellipe

- Eu não sei... ele foi apenas conversar!

- Conversar, conversar com uma bandido, com um traficante?

- Olha dona, respeito é bom e eu gosto! Ele foi lá por que ele quis!

- Por favor parem a discussão! – Interrompeu o médico.

- Tudo bem Doutor, mas já posso ver meu filho?

- Pode sim, mas ele quer ver primeiro o Phellipe!

- O que? O que ele quer com esse traficante? Levar um tiro não foi o suficiente? Eu não autorizo! Eu quero velo agora!

- Dona, ele insistiu em ver o Phellipe. Ele não quer conversar com ninguém, apenas com ele.

Julia com um pouco de remorso olhou profundamente nos olhos de Phellipe e autorizou a sua entrada.

Ao entrar no quarto, Phellipe colocou sua mão sobre a de Rafael. Ele estava meio desorientado. Mesmo assim Phellipe fez uma pergunta rápida e direta:

- O que você estava fazendo lá no meu “barraco”?

O sorriso que estava no rosto de Rafael se desfez, e ele tentou explicar:

- É que... É que eu queria saber se era verdade que você era traficante! É isso que eu fui fazer lá!

- Mas que Droga Rafael! Por que você fez isso? – Disse Phellipe alterado.

- É que me disseram que você estava traficando drogas... O que você ia fazer com aquela droga que ele trocou com você? E aquelas armas, o que você ia fazer com elas?...

- Rafael isso não é da sua conta! Não era pra você ter ido lá... Quando você tomou o tiro os policias quase revistaram a casa, imagina se encontrasse isso tudo lá, eu ia em “cana” na hora!

- Mas Phellipe... Por que você meche com essas coisas?

- Rafael, não interessa! Como vou pagar minhas contas? Eu tiro dinheiro disso!

O clima foi esfriando e Phellipe se acalmou. Rafael olhando atentamente para Phellipe, fazia de tudo para sentir seu corpo tocar no dele... Após algum tempo em silencio Phellipe disse:

- E por que você tentou me salvar? Você poderia ter morrido!

- Eu faria isso por qualquer pessoa... Mas...

Rafael buscando palavras para tentar falar, Phellipe insistiu:

- Mas o que?

Rafael tomou coragem e disse a verdade para Phellipe:

- Phellipe, eu fiz isso por que... Por que... Por que EU TE AMO!

- O que? Como assim? – Perguntou Phellipe espantado com o que Rafael dissera.

- Eu te amo muito... E não é um amor entre amigos... Num sei bem o que é, só sei que te amo mais que tudo... Por isso me enfie na frente daquela bala por você, e faria de novo se fosse possível!

Phellipe abaixou a cabeça, e pensou por um longo tempo...

- O que foi?... Perguntou Rafael para ver o que Phellipe diria.

Por um longo tempo ninguém falou nada... Phellipe levantou-se da cadeira que estava sentado e saiu do quarto. Neste momento Rafael começou a chorar, as lagrimas que caiam pareciam gotas de sangue provocado por uma dor imensa no coração.

Ao sair do quarto Phellipe passou pela sala de espera, e Amanda o viu passar. Foi atrás dele e após ele parar os dois começaram a conversar:

- O que houve? Por que esta assim? – Perguntou Amanda.

- O Rafael disse... Ele disse que me ama!

- E você num sabia disso? Nossa véi, estava na cara!

- Parece que todo mundo sabe disso, menos eu! – Disse Phellipe.

- É, mas agora sabe! Mas por que você ficou tão triste? Eu sei que você não é gay, mas... Por que esta reação? – Perguntou Amanda

- Eu não sou gay, e também não posso dar esperanças a ele. Mas eu estou preocupado com outra coisa...

- E o que seria? – Perguntou Amanda.

- Olha não conta para ninguém principalmente para ele, se ele souber disso o estado dele pode piorar...

- Ai meu Deus, agora fiquei curiosa, o que é?

- É que... A Cristina...

- O que tem a Cristina?

- A Cristina está gravida... E eu sou o pai da criança!

- GRAVIDA?

- Cala a boca Amanda! Quer que todos saibam¿ Anuncia na rádio! – Disse Phellipe com ar sarcástico.

- Mas, por quê? Como isso foi acontecer? Perguntou Amanda.

- É que a gente estava ficando e... Se sabe... A camisinha estourou!

- O Rafael vai morrer quando souber disso! – Disse Amanda.

- Ele não vai morrer, pois ele não vai ficar sabendo! Eu não curto ficar com homens, mas também não quero magoa-lo e nem piorar o estado dele com esta noticia!

- É eu sei, eu sei, mas... Isso faz quanto tempo? – Perguntou Amanda.

- Faz... Uns dois meses!

- Nossa... por que você fez isso com ele? Ele salvou sua vida e você faz isso com meu amigo que te ama? – Disse Amanda.

- Eu não sabia que ele gostava tanto de mim assim! Nunca poderia imaginar!

- É mas, a Cristina sabia... Ela sabe que o Rafael te ama! Ela fez isso só pra magoa-lo... – Disse Amanda

- Olha, essa historia tem que ficar entre nós. Promete que não dirá pra ninguém?

-Prometo!

Após essa conversa, Phellipe foi embora e Amanda ficou aguardando, na sala de espera, a saída de Rafael.

No dia seguinte, Rafael teve alta. “O ferimento não foi muito grave e ele terá apenas que repousar” disse o médico para a família.

Já na casa de Rafael Julia conversava com ele sobre o que havia acontecido:

- O que houve ontem Rafael, quem te deu aquele tiro?

- Eu já te disse mãe. Foi uma tentativa de assalto. Foi muito rápido e não sei quem foi!

- Olha Rafael diga a verdade, você está encrencado?

- Já te disse a verdade mãe! Não estou encrencado!

- Bom, seja o que for que houve, você vai dizer a verdade para a policia quando for prestar depoimento semana que vem!

Rafael estressado com aquela conversa decidiu ir na casa de Amanda. E mesmo a mãe dele não o deixando ir, ele desobediente foi.

Ao chegar á casa de Amanda, desta vez passando por um lugar mais acessível, Rafael percebera que ela estava inquieta e meio triste:

- Que cara é essa Amanda?

- Não é nada!

- Nada, sei! O que esta escondendo de mim?

Amanda não queria contar sobre a gravidez de Cristina, mas Rafael era seu melhor amigo e já que o mesmo teve alta do hospital ela decidiu contar:

- Rafael senta ai, vamos conversar. – Disse Amanda apontando o dedo para o sofá de sua sala.

Ao se sentar, Rafael ficou meio que com medo, e neste momento o silencio predominou e ele curioso apressou Amanda:

- O que houve? O que aconteceu?

- Olha eu vou te contar uma coisa, só que você tem que ficar calmo e, por favor, não dê chilique igual aquele dia na escola. – Amanda disse isso, pois lembrou-se do dia em que, após ficar sabendo que Phellipe sofrera um acidente há algum tempo, Rafael se desesperou e desmaiou no meio da sala de aula.

- Ta, mas conta logo o que aconteceu! – Disse Rafael

- A Cristina...

- O que tem aquela vadia?

- O Phellipe...

- Meu Deus, o que tem eles?

- A Cristina esta gravida, e o Phellipe... e o Phellipe é o pai!

Neste momento Rafael ficou sem reação e pode-se ver novamente lagrimas escorrendo pelo seu rosto... as mãos tremulas o fez chorar ainda mais... O ferimento da bala, que estava enfaixado, começou a sangrar, e Amanda se desesperou...