Mascara Colorida

5 A PRIMEIRA TENTATIVA


Fatima se desesperou mais ainda ao ver sua filha no chão morta. Ela pedia perdão, mas sabia que Cristina não poderia responder. O pedido de Fatima foi realizado, ela não teve o neto, mas também não teve a sua filha!

No necrotério, um homem, responsável pelo lugar, entregou a Fátima alguns objetos que estavam no bolso de Cristina. No meio destas coisas havia um papel pequeno com o nome de Phellipe e com um número de telefone. Fátima logo pensou que poderia ser o nome do pai do filho de Cristina, então, decidiu ligar.

Phellipe atendeu o telefone e Fátima contou o acontecido...

Ele chocou-se com a noticia, o mundo, para ele, havia desabado naquele momento!

Apesar de muito debilitada, Fátima conseguiu realizar tudo para o velório de sua filha. Amanda ficou sabendo dessa fatalidade e correu para contar para seu amigo Rafael. Ao saber disso, Rafael abaixou a cabeça e Amanda não identificou qual foi a reação dele...

Mas ao saber da tristeza de Phellipe, Rafael também ficou muito triste e resolveu ir ao velório acompanhado de Amanda.

O velório de Cristina foi na casa onde ela viveu todos estes anos com sua mãe, e onde ela morava atualmente. Muitos amigos e parentes estavam presentes para dar o ultimo adeus, mas a tristeza de Fatima era maior, pois ela chorava como nunca chorou, a perda de uma filha é como se arrancasse algum órgão do corpo da mãe. E ainda se sentia culpada pela morte da filha.

Mas antes de ir para o velório de Cristina, Amanda passou na casa de Rafael para que ele pudesse tomar banho e trocar de roupa. Enquanto Rafael tomava banho Amanda o esperou em seu quarto, mas Rafael á deu um aviso de que “não é para mexer em nada”. Não dano ouvido ao amigo, Amanda começou a “futricar” nas coisas de Rafael e curiosa como ela era abriu portas e gavetas de seu guarda-roupa. Após algum tempo, Amanda percebeu que no guarda-roupa de Rafael havia um fundo falso. Ao abrir este fundo falso, Amanda ficou chocada. Mas antes dela saber detalhadamente o que era tudo aquilo a mesma ouviu Rafael saindo do banheiro e desesperada fechou tudo e não contou nada sobre o que havia visto.

Ao chegar ao velório, acompanhado de Amanda, Rafael deu seus pêsames para Fatima, que muito debilitada, adentrou na sua casa chorando mais ainda. Rafael, então, começou a procurar por Phellipe e o encontrou chorando, sentado na beira da cama do quarto de Cristina.

Ao ver Rafael, Phellipe o abraçou. Os dois sentaram-se na beira da cama e Phellipe desabafou para o amigo:

- Por que isso foi acontecer? Por que ela se matou?...

- Calma Phellipe. Foi uma fatalidade, mas eu estou aqui para te dar todo o apoio...

- Obrigado Rafael. Mas onde esta a Amanda¿

- Amanda? O que quer com ela?

- É... Nada, só perguntei por perguntar...

Rafael ficou meio que sem entender qual era o interesse de Phellipe por Amanda, nesse momento da conversa.

- Obrigado Rafael, por estar aqui me apoiando! – Disse Phellipe mudando de assunto.

Dito isso, os dois se olharam, e sem pensar, Rafael foi se aproximando de Phellipe... Cada vez mais ele ia de encontro com a boca dele. Seria o primeiro beijo que ele daria em Phellipe? Será que Phellipe havia virado gay?

Foi quando Rafael aproximou-se bem perto da boca de Phellipe, mas ele o empurrou de cima da cama:

- O que você esta fazendo? – Perguntou Phellipe.

- Eu pensei... Eu pensei que você estava afim...

- O que? Claro que não! Você acha que eu ia te beijar? Nunca! Você não tem sentimento? A Cristina acabou de morrer e você tenta dar em cima de mim! Disse Phellipe.

- Eu tenho muito sentimentos. Eu tenho muito amor para dar! E eu quero dar todo o meu amor para você.

- Eu não preciso do seu amor! Eu não preciso de você! Alias, eu precisava de você... Precisava apenas para ficar perto da Amanda...

- O que? Como assim?

- Eu queria ficar com ela... E não queria nada com você. Não quero nada com você. Nunca mais fale comigo, eu tenho nojo de você!

Rafael chocou-se ao saber disso. A última frase dita por Phellipe repetiu por várias vezes na cabeça de Rafael. E aos prantos ele saiu do quarto correndo. Ao ver Rafael correndo de dentro da casa de Fátima, Amanda foi verificar o que tinha acontecido. E ao adentrar no antigo quarto de Cristina, viu Phellipe e perguntou a ele o que havia ocorrido:

- O que aconteceu com Rafael?

- Aquele... Aquele... O Rafael... Ele tentou me beijar!

- O que? Nossa agora ele passou dos limites!

- Passou muito dos limites. Eu disse a ele que não sou gay!

- É, mas, você sabe como ele é! Quando ele ama alguém, ele não pensa em nada! – Disse Amanda.

- É verdade. Mas, o que ele fez é imperdoável!

- Mas ele salvou a sua vida! – Disse Amanda.

- Eu sei disso e sou muito grato a ele, mas, após isso eu não quero mais ser amigo dele! E não vou beija-lo apenas por ter salvado a minha vida! – Disse Phellipe.

- Mas tome cuidado, pois, se você é capaz de amar não faça quem te ama sofrer!

- Isso é demais para mim... A morte da Cristina agora isso! Eu preciso me desestressar! – Disse Phellipe.

- Já sei! Neste final de semana eu e minha família vamos acampar na beiro do rio, vamos também? Disse Amanda para tentar ajudar o amigo.

- Sei não...

- Vamos, é bom para poder esquecer os problemas e se divertir um pouco!

Phellipe pensou por um momento e resolveu ir. “Será uma boa oportunidade para se aproximar mais da Amanda e ainda ficar com ela” pensou ele.

Após isso os dois saíram do quarto e ficaram ao lado do corpo de Cristina.

Já na casa de Rafael o mesmo se debulhava em lágrimas... Não parava de pensar no que havia feito e no que Phellipe o dissera. Desesperado Rafael abriu seu guarda-roupa e também o fundo falso. Neste espaço havia um santuário de coisas sobre Phellipe, desde fotos, até papeis de bala que Phellipe jogara e Rafael guardou neste fundo falso. Rafael era mesmo loucamente apaixonado por Phellipe, mas e agora que isso tudo aconteceu será que Rafael iria desistir?

Ao ver que não havia ninguém na casa dele, Rafael juntou todas as coisas sobre Phellipe que estava em seu guarda-roupa, pôs tudo em uma caixa de latão e magoado ateou fogo em tudo. No momento em que as coisas queimavam, Rafael lembrou-se de cada utensílio, de cada foto que ele guardou naquele santuário. Cada coisa significava um determinado momento que passou ao lado de seu grande amor. Mas ao ver tudo aquilo em chamas, começou a sentir certo remorso dentro de si, e as lágrimas que estavam caindo sobre o fogo transformaram-se em ódio e vingança.

Após as chamas acabarem Rafael enterrou as cinzas e voltou para seu quarto, mas ele estava diferente. Será que esses acontecimentos o fizeram mudar de personalidade?

Ao chegar no final de semana, Amanda ligou para Rafael e o informou sobre a ida ao rio com Phellipe. Rafael não se importou muito, mas sabia que essa seria sua chance de fazer Phellipe mudar de ideia sobre o que ele dissera e tentar recuperar sua amizade com ele. Rafael não iria desistir de ir atrás de seu grande amor.

Amanda e sua família se reuniram e foram todos para o rio junto com Phellipe como o combinado. Ao chegar ao local todos foram conhecer o lugar. Avistaram um enorme e extenso rio, e ao lado havia uma floresta onde eles iriam acampar.

Após se estabelecerem todos se divertiram na “praia” e ao cair da tarde todos tiveram uma surpresa!

Rafael havia ido atrás deles e com muita coragem pediu para conversar com Phellipe:

- Phellipe, posso falar com você?

- O que você esta fazendo aqui? Veio tentar me agarrar de novo? Perguntou Phellipe.

- Não! Eu só quero conversar... Em particular!

Após a insistência de Rafael, Phellipe decidiu conversar com ele. Então, os dois foram para a beira do rio que ficava a poucos metros onde eles estavam acampados:

- E então, o que você quer? – Perguntou Phellipe.

- Eu quero ter a sua amizade de novo... Eu quero ser seu amigo novamente!

- E quem me confirma se você não vai tentar me agarrar de novo? – Perguntou Phellipe.

- Mas por que você não quer ficar comigo? Eu te amo! Eu te amo muito! – Disse Rafael.

- Eu já te disse, eu não vou ficar com você por que eu não sou gay! Esquece isso!

- Mas... Só um beijo... Eu queria apenas experimentar o gosto da sua boca!

Extremamente estressado com aquela conversa Phellipe disse:

- Que nojo! Eu jamais ficaria com um homem! Você quer sentir o gosto da minha boca? Então, abre sua boca que eu dou uma cuspida lá dentro. Eu sou heterossexual e nunca irei ficar com homem algum, muito menos com você! EU TENHO NOJO DE VOCÊ!

Ao ouvir essas palavras, Rafael encheu os olhos de lagrimas, mas não deixou as cair. Respirou fundo e fez algo impensável...

Apontou uma arma de fogo, dourada, para Phellipe e disse:

- Tem nojo agora?

- O que é isso? Onde você conseguiu isso? Perguntou Phellipe assustado.

- Eu peguei na sua casa quando estava vindo para cá! Você é um idiota, deixou a janela aberta. O dia em que eu salvei sua vida eu vi você pegando aquela maleta cheia de armas de fogo! Como fui burro em salvar você! O que eu ganhei? Nada! Só seu desprezo! Mas, isso não ira ficar assim!