Notas iniciais
Obrigada a todos que estão lendo, acompanhando e comentando! Vocês são demais e me dão ânimo pra continuar postando... :)

Lizzy foi andando rapidamente até o salão comunal da Grifinória, onde entrou e seguiu direto para a sua cama. Deitou-se e cobriu-se até o rosto, pensando no que havia acabado de fazer.

“Eu entreguei tudo a ele... Ele vai saber de tudo... Oh, Merlin, o que eu fiz?”

A menina chorava sem saber o que iria ser de sua vida a partir daquele dia. Como iria ter coragem de olhar para Severus depois de revelar seus sentimentos mais íntimos a ele? E as aulas de DCAT, como seriam?

“Eu nunca penso nas consequências das coisas, nunca!”

No fundo de sua mente, lembrou-se de uma vez em que presenciou o próprio Severus dizer isso sobre um grifinório, especificamente Harry Potter, durante uma aula de Poções: “Vocês da Grifinória são metidos a heróis. Agem por impulso e nunca pensam nas consequências!”. Mesmo diante de lágrimas, Lizzy riu da lembrança. “Talvez o chapéu seletor não estivesse tão desregulado, afinal.” Depois de muito revirar-se na cama, inquieta, levantou-se e saiu do salão. Precisava de ar puro para repensar suas últimas atitudes.

Em sua sala, Severus se preparava para ver o que Lizzy havia lhe entregado naquele pequeno recipiente. Sabia que se tratava de memórias da menina, mas o que poderia ser tão importante para que ela fizesse questão que ele visse? Aproveitou que Bellatrix ainda não tinha voltado de Hogsmeade, conjurou uma penseira e depositou as finas linhas brilhantes que saíram da mente de Lizzy... Ao ver as memórias se espalhando pelo fundo da penseira, tremeu. Estava ansioso, mas, ao mesmo tempo, receoso com o que estaria por vir. Respirou fundo e foi abaixando a cabeça calmamente, entrando nas memórias de Elizabeth Austen.

Era noite. Os alunos primeiranistas entravam assustados, preocupados com o que estaria por vir nessa nova fase de suas vidas. Era seu primeiro dia de aula em Hogwarts. Severus viu todas aquelas carinhas assustadas, olhando para os lados e cochichando entre si. Logo a reconheceu. Uma menina linda, de olhos verdes brilhantes, que, sozinha, ia andando a caminho do salão principal. Ela tremia, não conversava com ninguém, não sabia como agir. Entrou no salão junto com os outros alunos e, de repente, parou, fixando seu olhar em algo. Severus seguiu o olhar da menina, percebendo que ele o levava a quem menos esperava. Ele próprio. Sentado na mesa dos professores, ele apenas conversava com Dumbledore e olhava de relance para Harry, a quem tinha a obrigação de proteger. Não reparou no olhar apaixonado e assustado da menina que acabara de chegar, que foi selecionada para a Grifinória e sentou-se ao lado de Eric Darcy, iniciando ali a amizade que perdurava até os dias de hoje.

Sentiu que o cenário mudava e logo se viu em outra memória. Aula de Poções. Ele estava lá, como sempre, com cara de quem chupou limão logo cedo, despejando insultos aos alunos. E ela... Ela estava nas últimas carteiras. Tímida, envergonhada, calada. Fazendo suas poções com calma, sem chamar a atenção. E, sempre que podia, olhando-o. Os mesmos olhos verdes apaixonados, imaginando quando ele olharia para ela. Severus sentiu raiva do seu eu nas memórias de Lizzy e tinha vontade de sacudi-lo, mandá-lo olhar para ela, perceber aquele ser maravilhoso que não cansava de admirá-lo, mesmo que ele fosse apenas uma sombra grotesca.

O cenário mudou novamente e outra memória se iniciou. Severus não reconheceu este local, mas logo percebeu que estava na casa de Lizzy. A menina, aparentemente com 14 anos, subia as escadas correndo e chorando, o pai estava bebendo e gritando no andar de baixo. Snape sentiu-se mal: sua infância havia sido bem parecida com essa. Quis abraçar Elizabeth, consolá-la. Ela deitou-se na cama, secando as lágrimas. Pegou um pergaminho e começou a escrever. Severus se posicionou atrás dela, tentando ler o que ela escrevia. Era uma carta. Uma carta pra ele. Nunca a recebera, pois a menina, logo após escrevê-la, rasgou-a em mil pedaços, sabendo que nunca teria coragem de enviar. Uma lágrima caiu dos olhos de Severus. Ninguém nunca escrevera para ele com tanto amor. Queria poder ter essa carta, guardá-la. Lizzy levantou-se da cama e foi até o espelho de seu quarto. Severus observou-a arrumar o cabelo, secar de vez as lágrimas e tentar sorrir. “Olá, professor Snape”, ela dizia para sua própria imagem refletida no espelho, “Meu nome é Elizabeth Austen. O senhor nunca reparou em mim, mas eu... Eu o amo.”. Severus sentiu o coração bater mais forte ao ouvir essas palavras. Ela o amava desde sempre, e ele nunca nem mesmo havia visto aquela menina. Lizzy começou a rir de si mesma e a memória começou a mudar, quando ele ainda a ouviu dizer “Esqueça, Elizabeth. Ele nunca vai olhar pra você”.

Novas memórias. Milhões de imagens similares. Aulas de Poções, em que Elizabeth o olhava com o mesmo olhar cheio de amor e carinho, enquanto ele mal sabia seu nome. Imagens de encontros no corredor, em que ela reparava a cada passo que ele dava, enquanto ele seguia seu caminho sem olhar para os lados. As refeições que aconteciam no salão principal, em que ela, disfarçadamente, procurava sempre sentar de modo a conseguir olhá-lo, e ele sempre ocupado com seus próprios problemas. Todas as comemorações de Natal, Festas de Dia das Bruxas, jogos de quadribol, provas, o Torneio Tribruxo em que ela torcia por Harry Potter, sem tirar os olhos de seu professor favorito. Imagens da guerra, em que ela lutava junto com seus amigos contra os Comensais, mas sempre preocupada com ele. A alegria dela ao descobrir que ele estava vivo e que era um herói. Em todas essas memórias, todos esses momentos, ela o amara.

Uma memória específica chamou sua atenção. A memória daquela noite. A fatídica noite da morte de seu único e melhor amigo. Dumbledore. Severus viu a si mesmo correndo com os Comensais, levando Draco Malfoy para fora de Hogwarts. Harry o seguia, tentando acertá-lo com feitiços, enquanto ele rebatia a todos com facilidade. Harry gritava “COVARDE”, enquanto Severus corria para fora dos limites do castelo.

No dia, ele não havia reparado na menina que estava atrás de Harry, correndo e chorando junto com ele.

– Harry – ela gritava, desesperada – Harry, deve ter uma explicação. Sei que não somos amigos, mas me escute. Snape não pode ter feito isso sem um motivo.

– Elizabeth, você não conhece esse homem! Ele é um Comensal da Morte, ele está ajudando Voldemort, ele odeia a todos nós! Ele matou Dumbledore! Eu vi! – Harry gritava, enfurecido.

– Mas Harry, não, não acredite nisso, tenho certeza que há alguma explicação, ele...

– Você não sabe de nada, Elizabeth! Você não o conhece! Não o defenda, ele é um covarde! Um assassino! – Harry gritou e saiu chorando, logo encontrando seus amigos Hermione e Rony.

Lizzy ficou parada no mesmo local, olhando para o portão, imaginando o que iria acontecer com seu amado a partir daquele momento. “Deve ter alguma explicação”, era o que seu coração dizia. “Ele não é o que dizem dele, eu tenho certeza que não”. De repente, Eric chega correndo e abraça Lizzy, que chora pela morte de Dumbledore e pela incerteza do futuro daquele que mais ama.

Severus sentiu seu coração apertado. Aquela menina sempre o amou incondicionalmente.

Mudança de cenário. Mais uma memória. Severus percebe que essa memória é recente, pois reconhece a decoração do salão principal no primeiro dia de aula deste ano letivo. Ele vê Lizzy chegando e, claramente, procurando por ele ao olhar a mesa dos professores. Vê a menina se sentando, a seleção dos primeiranistas acontecendo e o discurso da diretora. De repente, ouve uma porta se abrindo e vê a si mesmo entrando de mãos dadas com Bellatrix pelo salão. Ele rapidamente olha para Elizabeth, que fecha os olhos sentindo como se seu coração tivesse sido quebrado em mil pedaços.

Tudo se afasta e Severus sente-se sendo puxado para fora das memórias de Lizzy. De repente, se vê novamente em sua sala, de frente para a penseira.

Ele se sente fraco, vai cambaleando até a cadeira mais próxima e consegue se sentar. Não entende como pode ser tão cego, tão estúpido a ponto de ignorar aquela menina por todos esses anos. Lembrou-se de quando perguntou a ela “Acha que não me magoou ao ignorar-me todos esses dias?” e se sentiu o ser mais desprezível do mundo. Acusá-la de magoá-lo por ignorá-lo por alguns dias, enquanto ele a ignorou durante seis longos anos... “Sou mesmo um monstro, por isso eu nunca encontrei o amor”. Severus chorava de raiva, se sentia culpado por tudo, por todo o sofrimento daquela menina que hoje ele amava de todo o seu coração. Queria recompensá-la, queria fazê-la feliz, amá-la como ela o amou por todos esses anos. Mas como poderia agir nesse momento, depois de tudo o que acontecera?

Lembrou-se então, do que a própria Elizabeth lhe disse mais cedo:

“Não fica bem receber um presente sem dar nada em troca, principalmente se tratando de um presente de Natal.”

Era a sua oportunidade. Guardou as lembranças de Elizabeth de volta no recipiente e colocou-o em um lugar escondido dentro de seu armário de poções. Correu até a torre de astronomia, mas não havia ninguém. Depois de pensar um pouco, seguiu para a Floresta Proibida. Não sabia o porquê, mas tinha certeza que encontraria quem procurava lá. Não estava errado. Lizzy estava sentada apoiada em uma árvore, olhando para o céu e procurando esquecer tudo que havia vivido nesse dia tão intenso. Só percebeu Severus se aproximando quando ele se ajoelhou ao seu lado, e lhe disse:

– Feliz Natal, Elizabeth.

E a beijou com tanta vontade, como se aquela fosse a última oportunidade que ele tivesse de expressar todo o seu amor.

Notas finais
Bjs e até o próximo!!!