Mas O Que É Mesmo O Amor?

14 Feliz Natal, Professor


Notas iniciais
Desculpem pela demora, o site entrou em manutenção e a minha vida também hahaa muito enrolada, mas estou de volta! Obrigada por comentarem e continuarem acompanhando..

Lizzy chegou a Hogwarts rapidamente, e, na entrada, foi recebida pela professora Minerva, que conversava com o professor Hagrid.

– Srta Austen! O que faz aqui? – perguntou a diretora, surpresa.

– Olá, diretora. Professor. – cumprimentou gentilmente Hagrid, seu professor de Trato de Criaturas Mágicas. – Desculpe chegar assim, sem avisar. Tive problemas em casa e decidi voltar para passar o fim de ano em Hogwarts. É claro, se não houver problema.

– Bom, a Srta não estava na lista... Mas daremos um jeito. Entre, seja bem vinda novamente. Seu pai sabe que a Srta ficará aqui?

– Meu pai... Bom, meu pai me expulsou de casa, diretora. – não fazia sentido mentir para a Diretora, ela precisava de ajuda de quem pudesse conseguir.

– Oh, pobre criança! – lamentou Minerva – Vamos, entre, não se preocupe. Vai ficar tudo bem, Hogwarts sempre será um lar que acolherá seus alunos. Vamos, venha comigo. – disse, passando as mãos pelos ombros da menina. – Professor Hagrid, perdoe-me, depois continuamos nossa conversa, está bem?

– Sem problemas, diretora. E, Srta Austen – chamou a menina, que olhou para ele – não se preocupe, tudo vai se acertar! Não é a primeira vez que temos um aluno brilhante com problemas em casa, veja Harry Potter! – e sorriu para Lizzy.

Lizzy sorriu de volta, feliz com a ótima recepção de seus professores e orgulhosa da comparação feita pelo professor. Ela, a covarde Elizabeth, comparada a Harry Potter! Somente nos problemas em casa ela conseguia ver alguma semelhança...

A Diretora levou Lizzy até o salão comunal da Grifinória, onde deixou a menina à vontade para arrumar suas coisas e descansar da viagem de volta. Lizzy estava com fome, mas não queria descer e olhar para as pessoas que estavam no salão principal. Todos viram quando ela saiu de Hogwarts naquele mesmo dia pela manhã, e começariam a cochichar sobre o motivo de ela ter retornado.

Esperou até que a hora do jantar estivesse quase no fim e foi até a cozinha pedir um pouco de comida a um dos elfos domésticos. Ao chegar, viu um deles terminando de limpar alguns pratos.

– Olá... – Lizzy estava envergonhada, mas com muita fome – desculpe interromper o seu trabalho. Por favor, será que poderia me servir um pouco de comida? Qualquer coisa que tenha sobrado do jantar já me serve. – ela sorria para o elfo à sua frente.

Ele, surpreso com a educação e a bondade daquela menina, rapidamente serviu a ela quase um banquete, que Lizzy agradeceu e começou a comer com gosto. Enquanto jantava, Lizzy tentou conversar com o elfo, que estranhou a atitude da menina. Estava acostumado a ser ignorado e maltratado, e, somente depois de muita insistência da bruxinha, foi ganhando confiança para respondê-la, sem medo de represálias. Ao final do jantar, Lizzy já havia conquistado parte da confiança dele, que falava animadamente sobre sua vida de elfo doméstico em Hogwarts. A menina ouvia com atenção, até perceber que estava tarde e deveria ir embora. Antes de sair, ela novamente agradeceu pela comida.

– Muito obrigada.... ?

– Egon. Meu nome é Egon, Srta. Elfo doméstico, ao seu dispor. – ele lhe fez uma pequena reverência.

– Egon. Um nome diferente! – Lizzy sorria – Muito obrigada, Egon. Meu nome é Elizabeth. Sou aluna da Grifinória. – ela ofereceu a mão para que o elfo a apertasse.

Ele sentiu-se acuado. Não estava acostumado com esse tratamento respeitoso. Aos poucos, foi esticando a mão para a menina, que insistia com o braço no ar, aguardando o cumprimento do novo amigo. Egon finalmente segurou a mão de Lizzy, que a balançou animadamente.

– E isso nos torna amigos, não é? – Lizzy continuava a sorrir amigavelmente.

– Acho que sim, Srta. – o elfo ainda estava sem jeito. – Mas se somos amigos, a Srta deve saber que sempre pode contar comigo. Um elfo é sempre muito leal a seus amigos e tem poderes diferentes dos bruxos. Infelizmente não posso sair do castelo, mas, enquanto a Srta estiver aqui, pode me chamar para o que precisar. – Egon sorriu para Lizzy, que retribuiu o sorriso de modo sincero.

A menina sentiu-se feliz de ter conhecido aquele elfo e, por alguns momentos, esqueceu-se de seus problemas. Disse adeus a Egon e saiu, caminhando até a torre de astronomia, onde imaginava não haver ninguém. Precisava ficar sozinha para pensar no seu dia conturbado.

Ao chegar, surpreendeu-se ao ver uma sombra negra no mesmo lugar onde ela havia estado, meses atrás, chorando por um amor não correspondido. Era ele. A causa do seu sofrimento. Tentando não chamar atenção, Lizzy virou-se a começou a voltar, não queria que ele a visse.

Seu plano não deu certo.

– Elizabeth?

Lizzy sentiu o corpo todo estremecer ao ouvir seu nome pronunciado pela voz grave de Severus. Pensou no que deveria fazer, queria correr, mas não podia agir como uma criança. Virou-se de volta e cumprimentou-o com formalidade.

– Professor Snape, boa noite.

Severus não esperava vê-la esta noite. Ele viu quando a menina pegou o trem com Eric para Londres, imaginou que só a veria novamente no ano seguinte. Apesar de sentir-se feliz de poder estar ali com ela, não pode evitar perguntar.

– O que aconteceu? Por que você está aqui?

Lizzy não queria alongar essa conversa, não queria sofrer mais.

– Problemas, professor. Nada demais.

Severus desconfiou da resposta da menina, mas não queria pressioná-la. Resolveu mudar de assunto.

– Por que ainda me chama de professor, Elizabeth? Não estamos na sala de aula.

– Por uma questão de respeito, senhor. Não podemos esquecer a hierarquia que existe entre nossas posições. – A cada palavra que Lizzy dizia, sentia como se uma faca perfurasse seu coração, mas não queria, não podia voltar a tudo isso. — E o senhor, por que não está aproveitando o feriado? – Lizzy sabia que não deveria perguntar isso, mas a curiosidade falou mais alto que a razão.

– Não há o que aproveitar. Não quando não se pode estar com quem se ama. – Severus olhou-a nos olhos, sério.

Lizzy não se deixou levar. “Não dessa vez”, pensou ela.

– E sua namorada, onde está? – dizer essa palavra doía em Lizzy.

Severus sentiu-se mal em falar de Bellatrix. Virou-se de costas para Elizabeth, apoiando-se na sacada da torre.

– Foi a Hogsmeade. Comprar um presente para mim. – disse ele, sem nenhuma animação.

– E o que dará para ela? – Lizzy não sabia o que a levava a fazer todas essas perguntas, mas não conseguia controlar sua língua.

– Nada.

– Nada? – Lizzy sorriu por dentro, mas procurou demonstrar indignação – Ela salvou sua vida, atura seu mau humor todos os dias e você não vai lhe dar nada?

Severus sorriu diante da reação de Lizzy. Percebeu que a formalidade de suas palavras havia desaparecido. Ela estava, finalmente, conversando com ele de igual para igual. Não queria perder isso e continuou a conversa, virando-se para a menina.

– Em primeiro lugar, não sou tão mal humorado assim. – ele deu um meio sorriso que fez as pernas de Lizzy bambearem como sempre – E em segundo lugar, não sei comprar presentes. Nunca dei nada para ninguém.

Lizzy sentiu-se mal com aquela resposta. Ela já devia saber disso. Severus, desde que o conhecera, sempre fora uma alma triste, solitária. Aquele homem nem ao menos sabia dar bom dia, imagine dar um presente para alguém.

– Você podia ao menos tentar... Não fica bem receber um presente sem dar nada em troca, principalmente se tratando de um presente de Natal. – ela se aproximou dele, também se apoiando na sacada, ao lado de onde Severus se encontrava.

– Imagino que não. Mas não pedi a ela que me desse nada, ela insistiu. Agora ainda tenho que me meter nessa enrascada de procurar presente?

Lizzy sorriu. Aquele homem era realmente diferente de tudo que já vira.

– Não precisa ser um presente comprado. Você pode fazer algo para ela. Um cartão ou uma surpresa. Não sei. – Lizzy começava a pensar em tudo que gostaria que Severus fizesse para ela. – Mas acredito que, quando a pessoa realmente ama, também não faz questão de receber nada. – Ela dizia por si própria. Se tivesse a oportunidade de ter o lugar de Bellatrix na vida de Severus, nunca mais pediria por nada na vida.

– Não acho que ela me ame. – Severus estava sendo sincero. – Mas de qualquer modo, não tenho criatividade para nada disso. Darei apenas um “Feliz Natal”, é o que posso oferecer.

Lizzy, pela primeira vez, sentiu pena de Bellatrix. Severus estava com ela somente por gratidão, agora ela tinha certeza. Ele não nutria nenhum outro sentimento por ela. Mas será que ela realmente também não o amava? Se não amasse, por que estaria com ele?

– Às vezes penso que ela só está comigo devido ao meu mais novo status de herói de guerra. Isso deve contar pontos para ela, que gosta tanto da fama. – Severus respondeu a pergunta de Lizzy sem saber. – Me sinto como um boneco nas mãos dela. Sou apenas um troféu que ela gosta de apresentar a todos. – Severus sentia-se feliz de estar, pela primeira vez, desabafando com alguém. – De qualquer modo, acho que é melhor assim. Sem amor, sem dor. Eu nunca fui amado e já não faço mais questão que isso aconteça. Sonhos são somente sonhos, não é, Elizabeth?

Lizzy olhava para Severus sem saber o que dizer. Aquele homem, o amor de sua vida, havia acabado de abrir-se com ela, de uma maneira que ela nunca imaginou que ele fizesse. Sentiu pena do sofrimento dele, queria acabar com tudo isso, queria abraçá-lo, beijá-lo, e cuidar dele para que nunca mais se sentisse sozinho ou desprezado. Mas... Bellatrix. Ele não ia deixá-la. Não podia. Ela, finalmente, começava a entender os motivos por trás disso. Mas precisava aliviar um pouco o sofrimento de seu amor, precisava fazê-lo sentir-se bem, ao menos hoje, era Natal, ele merecia. De súbito, teve uma idéia.

– Severus... – ela disse com calma – eu gostaria de te entregar uma coisa.

Ele se surpreendeu, e aguardou que a menina continuasse. Ela nada mais disse. Apenas pegou sua varinha, conjurou um pequeno recipiente de vidro e, logo depois, apontou-a para a própria cabeça, retirando pequenos fios brilhantes de dentro de sua mente, depositando-os no recipiente em sua mão. Quando acabou, olhou nos olhos negros de Severus, beijou-lhe o rosto com carinho e entregou o pequeno presente em sua mão.

– Feliz Natal, professor.

Ela saiu, deixando-o sem entender o que estava acontecendo.