Marés do Tempo
8 O imperdoavel
Notas iniciais
Havia chegado a Hora de, finalmente, arranjar meu próprio navio, onde poderia ter minha própria tripulação, não mais trabalhando como cozinheiro e homem de bordo apenas, mas como capitão.
Pois eu comecei o trabalho. Contatei alguns homens da tripulação, Luke, Hivan e Daniel. Eles eram fortes e uteis, embora não me obedecessem muito facilmente. Mas desgostavam do comando atual, isso bastava. E eu não queria demorar, uma tempestade estava a caminho. Nós quatro não jantamos com nossos companheiros está noite.
O capitão atual, Marino, um homem de feição rude e sem emoção, nos levava para o sul, numa tentativa de cercar um galeão espanhol, cheio de ouro, que navegava para a metrópole. Eu planejei bem. Em uma noite tudo aconteceu.
A tempestade nos havia alcançado rápido, apenas alguns homens haviam ficado acima do convés, os outros, dormiam no porão. Eu fui rápido, subi até o timão, marino me encarou com um olhar de desprezo. –O que faz aqui? Vá cagar imbecil e deixe eu e Lars em paz.- Sorri de um lado só. Ele mal viu a faca.
Um corte rápido no pescoço e o grande prazer em ver sua expressão de desprezo transformar-se me dor e desespero. Lars levantou-se e apontou-me sua pistola. –Bastardo!- Gritou. –Matou Marino! Matou o capitão! Morra!- E apertou o gatilho, com o cano apontando para meu peito.
Meu sorriso aumentou, havia sabotado sua arma enquanto dormia na noite passada. Lars sacou a espada, era tarde demais, minha arma já estava em sua testa. Um trovão rugiu no céu e, com um puxão do gatilho, sua vida já não estava em seu corpo.
Desci para completar o serviço, Hivan subiu e assumiu o timão, o trovão encobrira o tiro, ninguém havia acordado. Desci para o porão e acordei Daniel e Luke, eles estavam prontos.
Subimos ao convés, e pegamos os outros de surpresa, foi fácil acabar com todos apenas nós tês assim, cortei a garganta de um e joguei-o no mar. O que viu veio até mim, assustado, e com a pistola em punho, este Luke chegou por trás e atravessou-o com a sua espada, o sangue misturou-se a água da chuva, e a expressão de terror do homem juntou-se as águas do mar.
Daniel matou outro, com uma facada nas costas, e eu e Luke fomos aos outros três, mas eles gritaram por reforços antes de chegarmos, desta vez seus gritos foram ouvidos na tempestade, e logo eles viriam, entrei em combate com um, desviei usa lamina e cortei sua perna em um movimento rápido, ele caiu de joelhos.
–Você me pegou, e pegou Marino e Lars também, mas você não pode com todos da tripulação juntos!- Eu sorri de lado. –Não, não posso.- Cortei sua garganta.
O alçapão que dava para os porões se abriu, e a tripulação surpresa subiu, um a um, ao convés, e, um a um, viram o sangue e os corpos que não haviam sido jogados no mar espalhados pelo convés.
–Matem-nos! Assassinos! Arranquem suas tripas! Empalem-os no mastro do navio!-
Eu e meus companheiros ficamos parados. Diante da multidão raivosa, que avançava.
Eu dei um passo a frente e ergui a espada, cravei-a no chão.
–Minhas ultimas palavras.- sorri de lado.- Adeus.-
E, um a um, os piratas, já tontos, foram caindo no chão molhado do convés. -Nenhum de vocês notou o veneno na comida e no vinho? Somos piratas, rapazes.-
Uma nova bandeira se ergueu no navio aquela noite. A bandeira do O imperdoável.
*****
Madeira e cheiro de queimado, farpas e objetos não identificados voavam por todos os lados, gente ferida corria para se refugiar, estávamos sendo atacados, gritei algumas ordens para que lutassem, e respondemos os tiros, mas o meu antigo navio, The Unforgiven (O imperdoável) era rápido, e a primeira salva havia anunciado sua eminente vitória.
Eu corri para um dos canhões, a carga preparada para o espaço não podia ser usada na terra, era feita para gravidade 0 e pressão absoluta, os tiros nos danificariam mais do que ao inimigo, sem mais solução, respondemos com balas de canhão e tiros de mosquete e sectum.
O The unforgiven chegava mais perto, pretendia abordar-nos, eu estava parado, em pé, em meio ao caos em meu navio.
Mais uma saraivada nos atingiu, gritos, madeira e sangue voavam pelo ar, o cheiro que queimado e pólvora entrava pelas minhas narinas, e o gosto de sal, sangue e poeira enchia minha boca.
EU estreitava os olhos, para conseguir ver alem da fumaça provocada pelos canhões, meus ouvidos pareciam explodir ao som dos tiros, e meu corpo sentia o impacto no navio.
Vi a bandeira que reinava agora no mastro de meu velho amigo, cai no chão, impotente de susto, nem as bolas de canhão conseguiriam isso, mas foi um impacto muito forte me lembrar que O imperdoável caíra nas mãos de meu rival, o pirata, bucaneiro, tirano e fora da lei James.
Eu jamais poderia deixar que isso acontecesse, como ele tomou meu navio? Eu tinha que lembrar... Passei tanto tempo viajando no tempo que bloqueei mentalmente a era dos piratas. Levantei-me, com dificuldade, entre as farpas de maneira.
Pulei por cima do corpo de um companheiro, esperava que vivo, e olhei para fora do convés.
O The Unforgiven estava do nosso lado, jogaram as cordas, para emparelhar, alguns deles já pulavam no convés, barulho de aço era ouvido junto com tiros, o cheiro de fogo, sangue e medo rondava pelo ar, o calor e o barulho intensos provocavam tontura, mas eu podia aguentar, eu já havia lutado muito.
Saquei minha espada, preparei minha pistola e a os meus outros truques. Eu não poderia vencer todos de maneira alguma, seria trucidado, junto com a tripulação. E não havia chance alguma de recuperar o The Unforgiven. Eu fechei os olhos e pensei. O único jeito era encontrar James... E mata-lo.
Corri para onde o combate ocorria, O Fade To Black era um navio grande, e o the Unforgiven era proporcionalmente menor, mas era mais rápido e possuía uma dinâmica de batalha incrível, eu teria que pular para o convés.
Encontrei na batalha Lionel e Johnathan, eles lutavam contra t´res outros, eu derrubei um que estava focando em Lionel, Johnathan aproveitou a surpresa do outro e perfurou-o com crueldade, e Lionel cortou o pescoço do que sobrará, eu levantei e retirei a espada, cravada entre as costelas do pirata caído.
–Vamos entrar no The Unforgiven e matar James.- Os outros dois assentiram, e nós três pulamos para o convés do inimigo, entre balas e gritos.
Eu cai rolando, e joguei uma pequena bomba de polvora e fósforo, que gerou uma fumaça muito parecida com a da queima de madeira, o inimigo não estranhou, e não notou nossa entrada. Mas não demorou nada para sermos descobertos, corremos pelo convésderrubando piratas inimigos, um mirou um mosquete em mim, eu me abaixei e usei um outro, que vinha me atacar, como escudo. Para logo depois acerta-lhe na cabeça com uma bala de sectum. Fazendo-lhe dezenas de cortes.
Pulei por cima de alguns barris, seguido de johnathan e Lionel, haviam cinco na nossa cola, com espadas e facões.
Johnathan levou um tiro no braço e caiu, nós paramos.
Eu corri para ajudalo a levantar, Lionel atirou em alguns com sua pistola, e cruzou espadas com os outros dois, que sobraram.
Lionel defendeou um e cortou-o na barriga, e ele caiu, segurando seu tórax por insitinto. Lionel virou-se para o outro mas tomou uma facada na perna, e caiu de joelhos.
Eu o vi ser executado friamente, mas uma bala veio assoviando do Fade to Black e atingiu o homem, atravessando de um ouvido ao outro.
O sniper era Jasminy, que, em meio a fumaça, acenou, ela estava nos dando cobertura.
Johnathan levantou, seu joelho direito tremia. não conseguia correr, faltavam apenas cinco metros para a cabine do capitão, e logo estaríamos cercados.
–Capitão!-Gritou Lionel em meio a dor.- Entra logo nessa merda! Nós já vamos!-
Eu ri de um lado só. –Nós não somos heróis, Lionel, não desta vez. O justo seria que eu estivesse morto.- Comecei, enquanto olhava ao redor.
–Eu sempre fui mau, desde que te deixei no cais, anos atrás, meu amigo. E você estava certo quanto a seu discurso na ilha.-
Eu levantei minha cabeça, meus olhos brilhavam, e meu corpo inteiro estava respingado de sangue. O cheiro de suor e o gosto metálico do sangue me enotrpedia, mas meus sentimentos estavam lúcidos.
–Eu morro aqui com vocês, ou salvo os que puder, por que eu nunca pensei que poderia ter amigos, ou pessoas que eu amo!- Gritei.
–Se não posso ter vocês como companheiros , o mínimo que vou fazer é findar-me com honra, a honra que eu nunca pude ter.-
Ouvi passos atrás de mim e me virei, sabia o que estava por vir, a espada ficou a centímetros de mata-lo, mas ele calculou a distancia exata para poder fazer sua cena, James Jess.
–Então o Capitain está arrependido do que fez? Que história linda, vai dar um belo romance de drama, no final das contas.- Disse James.
Olhei para ele. Estava ainda mais astuto e maldoso do que eu o conhecia. Os seus olhos eram vermelhos como o sangue derramado hoje, diferiam completamente dos meus. Vestido com uma capa de capitão vermelha, com longos cabelos negros, mais baixo que eu, como eu lembrava. Por isso soube exatamente onde posicionar a espada em seu pescoço. O demônio dos mares, James Jess. Um dia eu, o fantasma, jurei apaga-lo da historia.
–Você deveria ter cuidado de onde põe esta lamina, poderia ter matado seu amigo!-
–Talvez fosse está a intenção...- Cada frase que eu falava, tinha a impressão de que estava caindo em uma armadilha, ele era assim, o demônio.
–Não duvido disso, mas olhe seus amigos... ou o que restou deles.-
Eu olhei. Johnathan estava rendido, e Lionel tinha sido preso, com uma faca ameaçando seu pescoço, quem a empunhava? Peter. Eu deveria ter matado aquele imbecil, eu disse, ele gastou sua ultima chance de viver. Mas eu não estava em posição de fazer ameaças.
Ao redor, companheiros brutalmente feridos, alguns realmente eu sabia que estavam mortos, não havia chance. Não vi Jasminy, Juliana, Elizabeth ou Ghost entre os mortos, deviam ter sido presas também.
–O meu caro Peter aqui apareceu, em Londres. E o primeiro que fez foi em avisar de onde vocês estavam. Para que ir até o planeta do tesouro, me diga, se eu poderia usar vocês para trazê-lo até nós?- James sorria de maneira maliciosamente triunfante.
_peguem todo o tesouro, e cacem a caixa! Ela é essencial.-
Ele se voltou para mim.
–E você, Smith, vai para a masmorra, vou cuidar de você pessoalmente, depois de extrair algumas informações. –
Eu sorri de lado.
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