Marés do Tempo

9 Batalha pelo passado


Notas iniciais
A continuação da aventura do capitão U-U acharam mesmo que iria acabar assim? nunca se esqueçam de que o capitão acabou de sorrir de lado... :3

Eu estava na cela do The unforgiven, preso, ferido e levemente humilhado, nada que eu não já tivesse passado antes.

Dois dos homens de James entraram e me prenderam a uma cadeira, colocaram correntes e instrumentos de tortura em minha frente. Eu olhei para eles, nos meus olhos eu tinha fome. Eles podiam me torturar, me matar, e me reviver para matar novamente. Mas não podiam deixar um cozinheiro com fome.

James Jess entrou na pequena cela com um pedaço de pão.

–E então, velho amigo. Fome?- Eu acenei afirmativamente com a cabeça.

Ele me estendeu o pão até a boca, debruçando-se sobre a mesa. Eu mordi o pão, mastiguei com felicidade e o engoli.

–Rola uma manteiga não?- James riu, eu também, Nos encaramos com sorrisos. O meu, de lado. O dele, completo, mostrando todos os dentes, para lembrar a forma de um demônio risonho.

–Bem, agora vamos tratar de assuntos menos agradáveis do que pão com manteiga, Smith.-

–Capitão Smith.- Ele me encarou.- Não tire meu titulo, eu nem o tenho de verdade!-

–Ok, capitão Smith. Receio que temos assuntos a tratar. Desde que você roubou o galeão espanhol e levou mais da metade de minha tripulação, eu preciso te encarar pessoalmente.-

–Ao contrario de todas as outras vezes, como no mar do norte. Sabia que deu trabalho para fazer Lionel parar de me odiar desde aquele dia?- Encarei-o após a alfinetada.

–Este Lionel que não terei pudor em matar por traição a mim.- Eu estremeci, ele não iria me torturar com instrumentos, mas com meus amigos. Minha visão ganhou foco, fixei nos olhos demoníacos de James.

–Se fizer isso, tenho um aviso para você.- Inclinei-me para frente, o tanto quanto permitiam as correntes, encarei-o.- Mate-me antes, ou terá como sua ultima visão o ódio em meus olhos.-

–Bem, você ainda me é útil, sua mente contem milhares de informações que me tornariam quase um deus. Mas você tem a mente difícil de ler, Capitão Smith.- Eu senti-me levemente lisonjeado.

–Você amoleceu durante esses tempos, não foi? Desde que roubou o Fade to Black, e retirou o tapa olho. Acho que você se tornou vulnerável... Sentimentos não são coisas fáceis... eles abrem brechas em nossas almas...-

–Você não vai fazer isso.- Disse eu, abaixando a cabeça, deixando que o cabelo cobrisse meus olhos.- Sentimentos não abrem brechas, criam rios, rios que deságuam nos mares das marés do tempo.

Levantei e encarei-o, rapidamente, minhas pupilas estavam dilatadas, fixei os olhos dele, e sorri de lado.

–E você não domina as marés do tempo, como eu. Vejamos como se sai neste duelo de mentes.

Em nossas mentes, estava tudo enevoado, e opaco, como se visto por lentes sujas e velhas. O duelo ali começaria, eu flutuava, possuía meu sabre, e ele se encontrava a minha frente.

–Olá meu rival, veremos agora quem tem a melhor mente.- Disse eu.

–Eu estava ansioso por este momento, Smith, você não sabe como...- Ele sacou um sabre também.

Avançamos como se voássemos pela nevoa e cruzamos as espadas, o eco metálico reverberou em nossas mentes.

–Eu viajei por todos os tempos de todos os lugares, James, eu fui ao planeta do tesouro e voltei, intacto, descobri o segredo dos maias e criei um espírito temporal em uma dimensão vazia, matei e deixei viver... poderia simplesmente visitar o seu tumulo, e o de todos mais...- Disse eu, encarando-o firmemente, e forçando a espada.

–Mas não o faz, e sabe por que? Por que você é um medroso! Tem simplesmente medo da solidão que o rodeia, tem medo dos seus amigos, que nunca confiaram completamente em você, tem medo de voltar a sentir, e tem medo de não sentir mais... sua existência é o medo!- Ele gritou, os olhos vermelhos pareceram arder em chamas, ele forçou a espada, eu desviei a lamina e tentei goltpea-lo novamente, ele bloqueou.

–Eu sei que fui um ser desalmado, sem sentimentos, ser que hoje eu combateria com todas as forças! Fui o único pirata a sua altura, desafiei-te varias vezes, até entrarmos em um duelo de mentes! Você roubou meu navio, mas eu levei sua tripulação, seu tesouro e sua dignidade. Eu e meus companheiros não perderemos para você!- Gritei, girando e estocando todos os pontos vitais, enquanto ele desviava.

–Mas não é bem assim!- Gritou ele, aparando minha lamina e jogando meu braço para a direita, tive que me esforçar para bloquear. –Eu precisava de uma tripulação melhor, eu precisava de um navio melhor, eu lucrei em cima de você o tempo inteiro, inclusive quando roubei seu tesouro roubado!- Disse ele, tentando perfurar minha costela, eu virei de lado, a lamina rasgou minha camisa branca.

–Eu fiz o que fiz para corrigir meus erros, eu deveria estar com minha tripulação desde que sai, e nunca deveria ter usado o tapa-olho.- Eu desviei mais um golpe e girei para cortar-lhe o peito.

–Errado!-Ele gritou, abaixou e subiu novamente, perfurando-me. –Tirar o tapa olho o fez fraco, Smith, Os sentimentos te limitam, você era melhor do que isso. Agora, não é oponente para o demônio dos mares!- o sangue escorreu quente de mim e jorrou pela ferida, molhando James e fazendo sua face ficar idêntica a de um demônio vermelho-sangue. Ele sorria com a vitoria, saímos de minha mente.

Eu cai da cadeira, estupefato, com os olhos vidrados e as pupilas dilatadas, James gargalhava.

–Consegui todas as informações! Você perdeu, Smith! Eu sou o melhor pirata!- Ele voltou sua face a mim, brilhantemente, mas logo parou e olhou ao redor. Quatro pistolas estavam apontadas para sua cabeça.

Eu me levantei, minha cabeça parecia um barril de pólvora ambulante, Eu havia simplesmente morrido em um duelo mental, isso deveria me tornar um demente.

Eu tentei me manter em pé, as cordas haviam sido cortadas. Eu me apoiei na mesa. Consegui equilíbrio. Peguei a espada do cinto de James e guardei no meu.

Ghost, Juliana, Jasminy e Elizabeth apontavam as pistolas, com o dedo no gatilho. Um movimento errado de James e quatro balas explodiriam ser cérebro.

–James- Comecei eu, cambaleando ainda.- Eu não sou imortal, muito menos invencível... Mas eu sou, no mínimo, O melhor rival que você poderia ter.- Sorri de lado.

–Eu sou o fantasma dos mares. O capitão das marés do tempo. E o cozinheiro do Fade To Black. Eu tomei este navio, tempos atrás.- Encarei o ódio em seus olhos. – Você não acha que eu, no mínimo, mereço um fim que preste? Eu não vou morrer para sua mente, amigo, não hoje.-

Subi ao convés, os homens de James me olharam e sacaram suas pistolas, laminas e adagas, vieram correndo para cima de mim, com olhares homicidas distribuídos pelos seus olhos, eu gritei: -Atirem!

E grande parte da tripulação caiu no chão, sagrando e gritando, eu saquei a espada e corri para o caos que se seguiu. Lutei ao lado de meus companheiros infiltrados.

A batalha para tomar novamente o The Unforgiven havia começado, e o inimigo fora pego de surpresa, eles realmente não notaram que asa baixas foram muito poucas de seu lado da batalha. Meus soldados tomaram as roupas e aparências dos inimigos, pularam no casco e entraram em barris, revelaram-se todos ao mesmo tempo.

Sangue agora manchava o casco de meu antigo navio, inimigos eram mortos e subjugados a todas as direções. As cenas eram terrivelmente satisfatórias.

A tomada do convés não demorou muito, eu apenas feri dois, um no braço e perna e outro no peito. Logo estes foram amarrados ao mastro central.

Logo, os infiltrados do porão trouxeram os prisioneiros que estavam lá embaixo. O imperdoável era novamente meu, e de meus companheiros. Todos tínhamos lembranças naquele navio. Eu suspirei quando parte de minha historia veio, como um deja-vu em minha mente, quando respirei o cheiro de madeira e água salgada daquela embarcação.

–Espere!- Gritou uma voz conhecida. Meu rosto de felicidade tranformou-se em raiva, rangi os dentes.

–O que é, James!? Você perdeu! Cale a boca e haja como um bom perdedor!- gritei, já cheio dele.

–Eu te desafio... a um duelo... só nós dois.- Ele abriu um sorriso todo dentes.

–O que eu tenho a ganhar com isso?- Disse ao virar-me.

–Apenas honra... Vingança... E a localização do fade to Black.- O sorriso dele alargou-se estonteantemente. –E, se eu ganhar eu... Ganho sua vida, meu navio... E... Estas quatro lindas garotas.- A maldade parecia rodear seu corpo como uma nevoa toxica.-

–Eu não vou Duelar pelos meus companheiros! Você está maluco?- Gritei.

–Acho que você tem algo bem precioso no Fade to Black... Algo como... uma caixa?- Estremeci quando ele disse estas palavras. A mão de Ghost tremeu na pistola. –ops! Você a perdeu mesmo! Mas eu sei aonde está... tenho a localização... vença-me e você a terá.-

–Soltem ele! Abram espaço! Dêem a ele uma pistola carregada e um sabre!- Gritei eu. A raiva fazia minha tempora querer explodir, as palavras que saiam de minha boca me enojavam.

James pegou a pistola, guardou-a no cinto, assim como a espada. Posicionou-se no centro do navio e estalou os dedos.

Eu me posicionei logo atrás, armado com minha pistola e uma espada. Nós dois estávamos costas com costas, demos, cada um, três passos a frente.

Nos viramos ao mesmo tempo. Nos encaramos.

A escuridão de meus olhos incolores encontrou o inferno de seus olhos vermelhos, que clamavam por sangue, por vitoria, acima de tudo.

Puxamos as espadas, lentamente, ouvindo o ruído da lamina ao ser desembainhada. Respirei fundo o cheiro marítimo, meus batimentos cardíacos aceleravam.

Pulei para frente com um movimento de estocada, ele desviou habilmente, eu girei, para cortar, ele bloqueou, a partir do bloqueio, ele tentou uma etocada na contela, eu virei o corpo e desviei o sabre, batemos as espadas enquanto mirávamos no rosto e pescoço, ele pulou quando quase cortei seu calcanhar, tive de virar-me para desviar de um corte no ombro, girei para defender uma estocada, bloqueei três avanços e tentei estocar, ele pulou para trás, eu aproveitei o avanço e acuei-o, atacando varias vezes, rapidamente em diversos pontos. Ele se esforçou para desviar. Bloqueou um de meus cortes com força, e afastou-me.

Ele sacou a pistola, eu também, apontamos um na testa do outro. –Quero a localização!- falei. –Quero meu navio e minha tripulação!- ele respondeu. Eu encarei novamente aqueles olhos. Uma chama de ódio intensa ardia quando ele olhava para mim. Limparia minha honra agora. Eu ia puxar o gatilho quando eu ouvi o ruído.

Senti uma dor intensa e cai no chão. Eu fui atingido. Ouvi outro tiro, alguém gritou. Sangue cobriu o pedaço de céu e as velas que eu podia ver. Procurei sentir meu corpo. Alguém havia morrido, alem de mim.

Procurei sentir meu corpo, controlar a mente e estreitar a dor. Espere, doía. Eu estava vivo. E pior, doía a minha perna esquerda. Não fora James que me acertara.

Quem estava atrás de mim... a dor quase me impedia de pensar... Peter... Fora ele... O traidor viu a chance de me ver morto, e quis finalmente se livrar de meu peso em sua vida. ah cara, eu sempre ajudei ele. O segundo tiro eu sabia quem fora. Lionel cumpriu com a promessa de nossa tripulação, Peter não nos trairia mais vezes. Não neste mundo.

Tonto, eu abri os olhos, tudo estava escuro e avermelhado, eu tentei levantar-me, todas aquelas centenas de abdominais agora me serviriam de algo. Com dificuldade, levantei-me. A perna direita tremia e estava insensível, fora a área onde a bala dava ferroadas na carne tensa. Cara, isso doía muito.

Quando olhei para o lado, havia uma arma na minha cabeça.

Eu tirei-a lentamente com dois dedos.- Chega, James.- Encarei-o, ele chorava. Eu nunca o vi chorar, lagrimas não caiam, mas em seu interior ele chorava.

–Ninguém mais precisa morrer por hoje. Vamos nos arrumar. – Eu tentei subir num barril, não consegui, logo, apoiei-me e gritei com a voz de dor: -Todos arrumem suas cabines! Quero alguém para cozinhar por mim! Quero o navio em movimento para o norte!- E, tonto com o esforço para gritar, e com lágrimas de dor nos olhos, desmaiei.

Acordei em uma cabine bem ampla, numa cama macia, estava sem roupas da cintura para cima, mas tinha uma toalha na testa, e algumas ataduras e enfaixes pelo corpo. A maior de todas cobria a coxa, onde uma dor aguda ainda ardia, foi onde eu havia levado o tiro.

Haviam três pessoas na cabine, duas perto de mim, uma eu apenas sentira a presença...

Juliana retirou a toalha quando me viu acordado, e me olhou levemente, as vezes eu pensava que ela também lia mentes...

Sentada em minha cama, junto a mim, estava ghost, que por algum motivo mantinha uma arma na mão.

No fundo, sentado, encoberto pelo único canto de sombra da cabine, estava o capitão James.

Por que ele estava ali? Eu não ia me perguntar agora, no fundo eu sabia os porquês.

Olhei pela janela, onde a luz dançava com pequenas partículas de poeira, senti o balanço do mar, respirei fundo. Juliana me olhava, e ao mesmo tempo evitava me olhar, o que isso poderia querer dizer? Eu estava confuso. Ghost parecia distante... Parei de pensar, antes que minha cabeça desse voltas no mesmo lugar.

–Eu assumi o comando do navio até o seu retorno, Smith.- Disse James, levantando a cabeça levemente. –Um homem me mandou deixar o Fade To Black na republica pirata de Nassau, e me disse exatamente onde você estaria, isso depois que Peter me alertou do que havia acontecido.- Eu o encarei, serio.

–Ainda bem que o traidor do Peter está morto... – Eu ia dizendo, repousando novamente a cabeça no travesseiro.

–Se isto for motivo, poderia eu mesmo matar cada um de sua tripulação, Smith. – Disse James, com um sorriso amargo. Era verdade.

Notas finais
Não sei se devo continuar a postar esta historia, é uma das melhores que eu fiz, mas estou tendo dificuldades para me focar, e estou sem muita motivação, vocês acham que devo continuar postando a Marés do tempo? (por favor, opinem sobre o capitulo, preciso saber o que acham do rumo que a historia está tomando)