Marte e Vênus

13 Quebra-cabeças


Sim, Santana tinha razão. Era um tanto humilhante pedir ajuda de uma garota de 11 anos, mas Helena tinha sido responsável por grande parcela da resolução de toda aquela confusão, então pedir ajuda a mãe dela não seria tão ruim assim. Ela estava na sala da diretoria, lá tinham passado também Sam e todos seus amigos da Grifinória, alguns sonserinos e Brittany S. Pierce.

Desde a manhã com todo o reboliço sobre as tramoias de Noah Puckerman, McGonagall resolvera reunir todos os envolvidos citados involuntariamente pelo garoto, dando a eles carta branca para faltar as aulas daquele período. Hermione Granger-Potter fora convocada às pressas para reverter o feitiço de cada um dos alunos, alguns demoravam mais que outros para surtir efeito, era algo perturbador ter que reverter memórias tão dolorosas.

Mercedes saíra da sessão. Ela encarou Quinn por um instante e sentou ao lado dela, ela parecia querer falar algo mas estava tão vermelha que Quinn achou melhor não falar nada. A loira pousou as mãos sobre a da outra e as apertou. Tudo que falou foi um audível e doce “Vai ficar tudo bem”, que foi correspondido com outro apertão da parte da garota negra. Quando ela saiu, só restavam Sam e Quinn na sala, cada um em um extremo, tão distantes que pareciam dois estranhos. Ela não tinha ideia de como seria lembrar-se de tudo, a verdade doía tanto que a garota pensou duas vezes se não seria melhor ficar como está. Ela espiou pelo canto da sua visão periférica quando Sam se remexeu inquieto em seu lugar.

__Samuel Evans – Hermione o chamou, levando-o para um canto mais obscuro da sala da diretoria enquanto Quinn fingia contemplar os vários retratos dos diretores de Hogwarts, que acenavam e mandavam beijinhos para ela.

Santana e Rachel surgiram quando a estátua giratória parou em frente a amiga. Elas não hesitaram ao chegar e puxar a amiga para um abraço.

__Brittany se lembrou de tudo. Foi Puck quem forçou o término deles...com o Imperius. Ela me pediu um tempo – Santana se afastou um pouco dela, apertando os dedos nervosamente.

Quinn passou os dedos pelos da amiga, acariciando devagar.

__Eu tenho que agradecer a vocês, meninas, sei que passamos por muito, que eu fui difícil, chata e somos tão diferentes... – Quinn sorriu para elas, mas dessa vez não tinha vontade de chorar, ela sorria, de alegria, de agradecimento — __Eu sinto que eu tenho as melhores amigas do mundo e você Rachel.. – Quinn fez algo inesperado, passou os dedos pelo rosto da amiga nariguda e beijou os lábios dela brevemente, que a observou com os olhos arregalados -__Não precisa ter vergonha de quem você é, você é igualmente linda por dentro e por fora, você acha que é menor por não ter sido notada por Finn, mas o grande bobo é ele. Sobre Puck, eu sinto muito, tenho uma parcela enorme de culpa nisso, pois queria me defender, algo que eu não pude ver só e nem com o alerta de você me deu, nunca poderei lhe devolver isso... não deve ter sido a noite dos seus sonhos mas as vezes primeiras vezes não são como queremos. Eu amo você, não precisa de Finn, Puck ou qualquer outro garoto para ser notada. Você tem brilho e estrela própria, não tenho dúvidas que o cara certo vai notar isso em algum momento.

Santana observava a cena boquiaberta, mas com um leve sorriso nos lábios.

__Não me beije – a latina espalmou a mão a frente do rosto dela – estou namorando... de alguma forma. Quinn agarrou as mãos dela e apertou, sorria a observando.

__Não tem nada de errado em amar, Santana, não importa se ela é uma garota, se é manca, gorda, se tem problema de hemorroidas, se veste calça saruel... se vocês duas se amam, se se amam e se aceitam juntas, isso é o suficiente pra mim e não importa quem for contra, eu estarei incondicionalmente do seu lado. Eu te amo, e também beijaria você se Brittana não estivesse tão on.

As três se abraçaram sorrindo, pela primeira vez não acreditavam o quão livre se sentiam. Sem segredos, sem peso na consciência, sem medos. Era ali que entendiam o que amizade, significava, no sentido mais literal da palavra. Mas antes que pudessem dar procedência a conversa, McGonagall apareceu com seu chapéu pontudo encurvado sobre a cabeça e os oclinhos meia lua, ela parecia séria quando chamou Quinn para a sala, barrando Rachel e Santana de a seguirem, mas pedindo que a esperassem do lado de fora.

Quando Quinn entrou viu a tela de Albus Dumbledore no centro dos demais quadros, ele parecia tranquilo na cadeira, lendo um livro do qual ela não podia ver o título, ele se interessou quando a garota entrou, fechando o livro com um dedo no meio. Sam estava deitado em uma maca improvisada pela Madame Pomfrey perto da varanda da sala, Hermione Granger-Potter observava o rapaz com rugas de desafio no rosto, sua filha tinha a mesmíssima expressão, era ridículo como elas se pareciam, nem mesmo os cabelos ruivos-alourados e os olhos verdes deixavam as semelhanças menos evidentes. Quinn era secretamente uma grande fã de Hermione, mas gostava de manter isso em segredo, desde que ela era uma sonserina. Hermione era o tipo de mulher que um dia ela queria ser: independente, forte, lembrada pelos grandes feitos ao lado de um herói, citada por muitos o motivo pelo engrandecimento dele frente ao Lorde das Trevas, sem ser a mulher-troféu. Mas aquela não era hora para ser fangirl.

__Ele vai ficar bem? – Quinn se aproximou por impulso dele, colocando as mãos no rosto do garoto.

__O caso dele é complicado, a mente dele foi muito torturada, francamente, não sei como ele não enlouqueceu, conheço casos que por menos já foram parar no St. Mungos... agora é como se eu fosse montar um quebra-cabeça.

Quinn virou para ela com os olhos atônicos. De repente toda a felicidade que emanava de dentro dela minutos atrás com Rachel e Santana se esvaiu.

__Você vai dar um jeito, não é? Ele vai voltar a ser o mesmo Sam de antes, não vai? – Quinn se aproximou de Hermione, puxando a mulher pelas vestes.

__Srta. Fabray, Hermione Potter é especialista nesse ramo, deixe-a fazer seu trabalho, seja paciente – começou Minerva, afastando Quinn de perto de Hermione.

__Sem ofensas, mas por que uma aluna do primeiro ano está aqui? No que ela pode ajudar? – perguntou Quinn, rabugenta, ela sabia que Helena era um gênio, mas um caso mental era avançado demais, até para ela. Ela tinha lido na biografia dos Potter que, durante a guerra, Hermione havia apagado a memória dos próprios pais, numa tentativa desesperada para ajudar o futuro marido sem o peso da vida de seus progenitores viver uma vida infeliz caso ela morresse. Ela não suportaria ser o motivo de tanta infelicidade.

__Oh, a Professora McGonagall tem seu palpite para alunas brilhantes... – Hermione respondeu, sorrindo para ela — __Ela sabe o que faz.

Quinn não se importava com a presença de Helena ali, só queria Sam, o Sam dela o mais depressa possível. Mas se ele nunca mais voltasse, se ele enlouquecesse? E se ele não lembrasse mais dela? A loira voltou seus olhos para ele novamente, ele parecia em um coma profundo, mas tinha um leve sorriso naqueles lábios imensos e tão beijáveis.

__Me prometa que se for para ele voltar vai deixar como estava, eu não me importo se ele se esqueceu de mim, eu só quero ele de volta... custe o que custar, de qualquer maneira – ela sentiu a amargura na própria voz.

__Farei tudo que estiver ao meu alcance – Hermione carregava bondade nos olhos, ela ainda era aquela estudante prodígio de Hogwarts, não era a toa que mantinha dois empregos em duas das instituições mais prestigiadas da Grã-Bretanha, St. Mungo’s, e o Ministério da Magia, sendo chefa do Setor de Trato das Criaturas Mágicas e também tinha um bom cargo no setor de Execução das Leis da Magia, conseguindo grande avanço para os nascidos trouxas. Harry ainda questionava no livro como ela conseguia tempo para tudo isso, desconfiava seriamente de McGonagall ter devolvido o vira-tempo para ela. Agora ela teria que prova seu valor a sua fã #1, ainda que não tivesse se dado conta disso.