Quinn Fabray não sabia se podia confiar no rapaz, apesar do falatório contínuo de Rachel sobre os milhões de motivos pelos quais ela devia dar uma chance a ele. Genevieve permanecia calada, mas Quinn podia sentir sua cabeça calculando os pros e contras de se envolver com o boca de caçapa.

—_Quinn? – Finn Hudson apareceu de sopetão atrás delas enquanto as três lanchavam no pátio em frente a Torre de Astronomia.

—_Estou indo a cabana do Hagrid, pensei que ele gostaria de ver o jogo que haverá na sexta contra a Grifinória, quer ir comigo?

Finn estava com seus dois melhores amigos, Marley Rose e Ryder Lynn, ambos da Lufa-Lufa. Ele parecia tão mais alto com aquelas vestes tão longas. Ele nunca a superou, sempre vinha e voltava querendo uma reaproximação dela. Era triste ela ter que desconversar porque ele tinha um sorriso bobo incrível sempre que se encontrava com ela, mas pior ainda era ver o rosto de Rachel, amargurada, sempre que ele se dirigia a Quinn e não a ela. Marley era ex namorada de Jake Puckerman, a coitada tinha recebido belíssimos chifres consecutivos do namorado com Bree. Havia sido uma fofoca e tanto pelos corredores de Hogwarts quando ela lançara um Oppugno com um grito tão estridente a ponto de reverberar nas masmorras da Sonserina. Jake ficara internado por um dia inteiro tentando tirar as bicadas da pele. Nada bonito. Madame Pomfrey teve bastante trabalho.

—_Não vou poder, Finn, tenho um compromisso agora com Genna...coisa de mulher, quem sabe Rachel não pode acompanha-lo?

Os olhos da amiga nariguda brilharam e ela olhou para Quinn com um sorriso iluminado.

—_Sim! Por sinal, preparei biscoitos incríveis para Canino! É realmente uma sorte que eu tenha trazido nos bolsos de minhas vestes. Na semana passada na qual fui lá ele... – Rachel já se adiantara na frente, puxando Finn pelo braço, enquanto Marley e Ryder continham seus risos. Era tão óbvia a adoração de Rachel por Finn, que até os hábitos dele foram absolvidos por ela. Ela frequentava a cabana de Hagrid, sempre marcava presença até nos treinos de quadribol da Lufa-Lufa e até pensava em participar do coral de canto da escola com aqueles sapos nojentos na mão só para te-lo mais perto. Mesmo nos dias em que usava roupa normal tratava de vestir peças douradas e pretas, o que era facilmente alvo de piadas e preconceito na orgulhosa Sonserina. Ela nunca desistia dele. Mas era meio triste que ele fosse tão cego a ponto de não perceber isso.

—_Foi uma boa jogada – ponderou Genevieve, olhando para Quinn e sorrindo pelo canto da boca, ela ficou observando-a até perguntar __Vai sair hoje a noite com o Sam Evans?

—_Provavelmente não. Não preciso de outro Puckerman na minha vida.

—_Não pode esperar que todos sejam igual ao Puck, você não sabe nada sobre Evans a não ser o que todo mundo já sabe. Tem 50% de chances de dar errado, 50% de dar certo. Eu arriscaria. Você não tem mais nada a perder. Chifres você já coleciona.

Quinn deu um tapinha no braço da amiga e ficou um tempo refletindo. Deu um profundo suspiro e olhou para a torre de astronomia.

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Já fazia quase 1 hora que Sam esperava por Quinn na Torre de Astronomia, ele mexeu o telescópio e mirou para o céu. Tinha um péssimo discernimento sobre todas aquelas estrelas e galáxias, mas adorava ver as constelações.

—_Vênus... o planeta do amor, por isso tão vermelho — disse ele a si mesmo, mostraria decididamente o planeta a Quinn, será que ela acharia romântico?

—_Na verdade é Marte – ele se virou e surpreendeu-se ao notar que Quinn estava no telescópio ao seu lado, sem tirar o olho da lente – as lendas gregas dizem que é vermelho por simbolizar a guerra, o que já entra em conexão com lendas romanas. Afrodite é a deusa grega do amor, na versão romana é simbolizada por Vênus... já Marte é Ares, deus grego da guerra. Foram amantes, aconteceu quando Afrodite traiu o marido, Hefesto, com o irmão dele. Da união dos dois nasceu Harmonia, ou Harmony, como quiser chamar. Acha que está tudo relacionado?

—_Você veio – ele sorriu, falando o óbvio.

Quinn prosseguiu séria quando se afastou do telescópio. Ela se abraçou, ajeitando o pesado agasalho negro em que se envolvia e tirou a varinha das vestes. Era maleável e fina, longilínea.

—_Lumos— sussurrou ela e imediatamente a ponta do objeto se encheu de luz e ela apontou para o rosto de Sam.

—_Olha, ficamos só uma vez, está claro que não precisa de mim. Também não preciso de você. Vim para esclarecer as coisas. Talvez fosse melhor se não continuássemos com isso. Você parece um bom rapaz e a verdade é que eu não sei o que acontece para eu sempre voltar para o Puck, mas, é verdade, sempre acontece. Jones não mentiu.

Sam sentou no banco do telescópio e ficou olhando para ela.

—_Sou um ano mais novo que você, isso te incomoda?

Quinn o olhou com uma visível interrogação na cabeça.

—_Não estou entendendo.

Sam se levantou e foi até ela, olhando fixamente naqueles olhos mágicos.

—_Se firmar compromisso comigo eu te garanto que não vai voltar com o Puck, nem ter um recaída.

Ela levantou a sobrancelha em um sorriso mal contido de surpresa, Sam reparou que ela costumava a fazer aquilo. Ele adorava o olhar selvagem, como os olhos dela observavam as coisas a sua volta, sabia que ela ficava atenta a qualquer detalhe, mesmo que fingisse não estar. Ele chegou perto dela e baixou a varinha, assim a luz apenas refletiu nos rostos deles.

—_Está ciente do risco que está correndo?

Não acreditava que tinha deixado tantos anos se passarem sem ele ter tentado algo. Ele a puxou para o banco e contara tudo que viera a sua mente. Sam lembrava de seus 11 anos, quando chegou a Hogwarts no mesmo dia que os gêmeos do famoso Harry Potter. Com os célebres filhos do menino-que-sobreviveu no mesmo ano e na mesma casa que ele era difícil ser notado. Até sua seleção para a Grifinória fora abafada porque os dois tinham sido selecionados antes dele. Para piorar sua situação, não só o pai era famoso, como a mãe era muito conhecida pela inteligência, já lançara vários livros e era chefa do Departamento para a Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. Vez ou outra o casal Potter aparecia pela escola, empenhados em dar palestras, visitar os filhos e reviver os tempos de escola, era comum encontra-los correndo para a cabana de Rúbeo Hagrid ou até mesmo a Floresta Proibida. Quinn sempre parecia estar de olhos vidrados em tudo ligado a eles, mas adorava fazer aquela cara de indiferença para quaisquer coisa relacionada.

—_Namore comigo, Fabray – insistiu ele.

Eles ficaram se observando por um tempo e ela encostou a testa na dele.

—_Com uma condição – impôs ela.

Sam sustentou o olhar dela, em menção para que ela prosseguisse.

—_Me chame de Quinn.

Ele sorriu e eles se beijaram. A luz da varinha de Quinn apagou sem que ela proferisse Nox.