Marry The Night
3 Problemas
Notas iniciais
Boa leitura.
GaGa andava á passos curtos e rápidos para fora da elegante mansão no centro de Gotham. O vestido e os sapados de salto alto não á deixavam andar com mais segurança, e em poucos metros ela já quase tinha se estabanado no chão duas vezes. A noite extremamente fria para o verão fez seus braços se arrepiarem, ela havia saído pela cozinha, que dava para uma área cheia de lixeiras mal cheirosas. Uma van de aspecto sinistro estava parada perto da esquina, tinha os vidros sujos esfumaçados, GaGa não podia ver se havia alguém dentro dela, e por um momento se arrependeu de ter saído assim sozinha da própria festa. A Haus of GaGa inteira já deveria estar louca atrás dela.
GaGa podia ouvir ao longe os gritos dos fãs, e rapidamente começou á segui-los, aquela parte deserta da rua era de dar medo. Assim que virou a esquina viu um gato preto parado, empoleirado em uma janela alta, vigiando-a com seus olhos estranhos. Por algum motivo que fugia ao seu entendimento, GaGa se esticou tentando alcançar o bichano. Tinha alergia á gatos, mas aquele era realmente bonito, e ondulava a cauda lentamente, em um convite mudo. Porém, antes que pudesse tocá-lo ele pulou da janela para uma lixeira ao lado, ela se assustou e esbarrou em uma máquina muito antiga de jornais, causando um barulho alto e estrondoso. Nervosa, com o coração acelerado tentou se acalmar. Não sabia por que, mas todo aquele lugar e situação lhe davam um sentimento extremamente ruim.
_Não seja paranóica – Disse á si mesma. – Nada vai acontecer...
Sua voz foi abafada por um pano molhado em éter pressionado ao seu nariz, antes que pudesse evitar aspirou o cheiro forte, e apagou.
***
Bruce não sabia por que estava ali. Não tinha certeza do por que, às vezes, ficava ali, parado, contemplando a roupa especial do Batman, mergulhado em lembranças.
Era o dia seguinte á festa de lançamento do perfume da Lady GaGa, e Bruce não conseguia pensar em outra coisa senão na tão polemica performance e nas palavras dela sobre ele. A consciência de que havia alguém, e provavelmente mais pessoas além dela, dentro ou fora de Gotham, que acreditavam na inocência de Batman lhe dava uma sensação de extrema nostalgia, misturada com algo que ele não conseguia decifrar, talvez, esperança. Acontece que durante aqueles anos de exílio Bruce tinha praticamente perdido toda e quaisquer esperanças de um dia voltar á ser o Batman. Era uma idéia que tinha sido simplesmente arrancada de sua mente, que ele jamais poderia imputar de volta.
Mas tinha aquilo. Aquela sensação agridoce, de que muito estava perdido, mas não tudo. Como quando você espera que algo realmente ruim aconteça, mas quando acontece você percebe que não foi tão ruim, e não sabe se se sente feliz ou triste. Aquela vontade, aquela esperança, que coçavam e incomodavam seu espírito, mas o deixavam mais leve.
_Pensei que estivesse aqui, Patrão Bruce. – o mordomo Alfred já estava parado, silencioso, observando Bruce admirar a armadura do Batman há vários minutos, pensativo. Alfred sabia que no fundo, no fundo, todas aquelas coisas sobre Batman o machucavam. As criticas, a desesperança, o fato de que nunca mais voltaria á ser quem era. Tentava ao máximo ajudá-lo com isso, mas nem sempre conseguia, e as vezes o encontrava ali, contemplando o passado, com o olhar vago e expressão séria. Era difícil admitir, mas tinha medo de perde-lo, tinha medo que Bruce se perdesse como Batman havia feito. Daria tudo, tudo para que Bruce pudesse ter uma vida normal e feliz, completa, mas já não sabia mais ao que recorrer. Tinha até mesmo o convencido á sair e se divertir um pouco em uma das milhares de festas para as quais era convidado todos os dias. De inicio, na noite do dia anterior, quando Bruce chegou na mansão com um olhar distante e um sorriso no rosto, pensou que havia sido bem sucedido. Mas encontrá-lo contemplando a armadura não era um bom sinal, aquilo prendia-o ao passado. E o passado de Bruce era sombrio.
_Você sempre sabe onde eu estou Alfred. – ele sorriu, se virando para o mordomo que trazia uma bandeja com chá e bolachas. – Já desisti á séculos de tentar esconder qualquer coisa de você, inclusive meu paradeiro.
_Não fale assim, Senhor Wayne, qualquer um que escutasse pensaria que eu sou uma espécie de adivinho, quando na verdade é o Sr. que é previsível. – Bruce riu, ele tinha a expressão leve, parecia feliz, depois de tanto tempo. – Como foi a festa de ontem á noite? – perguntou em um tom descontraído, tentando parecer sutil, enquanto depositava a bandeja em uma mesinha próxima á eles.
_Foi... Interessante. Devo admitir que aquela cantora... Lady GaGa, tem uma voz muito bonita, e é realmente criativa para performances. – Ele sorriu, lembrando-se – Eu cheguei até a conversar com ela depois da apresentação, ela estava fugindo dos seguranças. Parece que ela é a primeira pessoa que eu encontro, além de Gordon, que acredita na inocência do Batman.
Ele voltou á contemplar silenciosamente a armadura. Alfred franziu a testa, tinha escolhido a festa quase que aleatoriamente, tentando apenas evitar aquelas mais fúteis, mas parece que tinha feito uma boa escolha.
_Bom saber disso, Patrão Bruce. Espero que tenha se divertido.
_Como eu disse, foi uma noite interessante. Ah, por falar nisso, eles devem estar comentando a festa uma hora dessas no noticiário. – Bruce pegou um controle remoto pousado em cima da mesma mesa com a bandeja de chá, ligou a TV.
_Imagino que sim, Patrão Bruce. – Alfred havia assistido a apresentação na noite anterior, pela TV. Tinha sido algo no mínimo... Provocante. Ainda falariam bastante sobre aquilo em Gotham, e ele tinha finalmente entendido por completo a relação da noite anterior com o humor do Bruce.
Fizeram silencio, assistindo a Televisão. O noticiário estava de fato noticiando a festa da noite anterior e Lady GaGa, mas não do modo que esperavam. A apresentadora do noticiário dizia:
_ Na madrugada da noite anterior, dia 10, a famosa cantora Lady GaGa, que estava em Gotham para o lançamento do seu novo perfume Fame e para trazer os shows de sua nova tour, desapareceu durante a festa de lançamento. As autoridades locais já trabalham buscando a possível localização da cantora, mas fontes afirmam tê-la visto saindo pela cozinha da Mansão de Bruce Wayne, que havia sido alugada para a festa, por volta da meia-noite. Seus assistentes dizem que ela provavelmente quis sair para encontrar seus fãs, que esperavam do lado de fora da Mansão, com quem a cantora é sempre muito atenciosa, e tenha então sido possivelmente seqüestrada. Os possíveis seqüestradores ainda não fizeram contato, então não sabemos quais serão suas exigências. Em breve voltaremos com mais noticias sobre o caso...
***
_Argh – GaGa gemeu tentando colocar a mão sobre a cabeça dolorida, mas algo prendeu seu pulso. A ultima coisa que ela se lembrava era do olhar do gato preto, e depois o barulho do tropeço contra a caixa de jornais. Então, tinha apagado.
A pior enxaqueca da sua vida á fazia manter os olhos fechados. Pelas pálpebras cerradas ela podia perceber que o ambiente onde se encontrava era muito escuro, e sentia o concreto rústico sob seu corpo. Seus pulsos estavam presos por correntes pesadas, fincadas na parede, e ela não vestia mais o vestido de gala que usava antes de apagar, nem os saltos, nem a peruca. Estava totalmente limpa, sentia que até a maquiagem havia sido tirada, e o tecido que sentia sobre seu corpo era extremamente leve, a cobria até a metade das coxas, poderia ser uma camiseta grande ou um vestido, ela não sabia dizer.
Quando sentiu o latejar na sua cabeça diminuir lentamente se arriscou á abrir os olhos, e como esperava encontrou o breu mais que completo. Mal poderia enxergar um palmo á sua frente. Cuidadosamente tateou á sua volta o máximo que as correntes permitiam, mas não encontrou nada que informasse qualquer coisa sobre onde ela poderia estar. Á não ser por uma coisa, ela percebeu, um barulho ínfimo, bem ao fundo, que quase não se podia ouvir com seus ouvidos acostumados á sons autos, um gotejar constante em algum lugar á sua direita. Nada além disso.
E estava frio. Um tipo de frio sinistro, frio de abandono, solidão, medo, desconhecido. Frio que a fez se encolher ao máximo contra a parede, abraçando as próprias pernas, tudo que ela poderia fazer era esperar.
***
O comissário Jim Gordon ouvia atentamente a mulher loira chorosa. A noite anterior havia sido uma loucura. Primeiro, o Dr. Crane, mais conhecido como Espantalho, havia conseguido, sabe-se lá como, sair de Arkham. O pior, não como fugitivo, mas como um homem livre, e Gordon tinha passado a ultima semana tentando descobrir como aquilo havia acontecido, quem havia sido o louco que o deu liberdade condicional. O juiz que havia concedido isso parecia bem confiável, tinha a ficha limpa e tinha falado pessoalmente com Gordon, defendendo a sanidade do Dr. Crane. Por mais que Gordon soubesse que Crane era um louco, não poderia convencer o Juiz Eleanor sobre isso, e ele parecia ter absoluta certeza de que Crane gozava de saúde completa, por isso o libertou. Então, na noite anterior, a super star Nova-iorquina Lady GaGa decide fugir da própria festa e desaparecer.
Como se já não bastasse o problema com Crane, que estava proibido de sair de Gotham por algum tempo, ainda tinha o desaparecimento da tal mulher, e todos pareciam cobrar, pressionar, e atacar o Comissário de todos os lados. A mídia não parava de bater nas mesmas teclas, a população parecia revoltada com os acontecimentos, isso sem falar em uma nova quadrilha que andava roubando as famílias mais ricas e poderosas de Gotham bem embaixo do nariz de todo mundo. Gordon sentia como se fosse explodir, mesmo seu corpo já não suportava mais as 48 horas em que se manteve acordado sem descanso.
E ainda estava lá, ouvindo pela enésima vez o depoimento gravado da maquiadora e melhor amiga da tal Lady GaGa, que não parava um instante de chorar convulsivamente e assoar o nariz em um paninho cor de rosa que tinha em uma das mãos, enquanto carregava um cachorrinho poddle no outro braço, ela havia se recusado á deixá-lo para poder dar o depoimento, então eles tiveram que aceitar. Suspirou; sua cabeça, que dificilmente doía o estava matando, e não podia tomar remédios pois sabia que se o fizesse iria cair dormindo ali mesmo.
_Comissário Gordon. Comissário Gordon – Foi chamado por um dos secretários da delegacia. Gente da burocracia, ficavam nervosos por nada, nem sabiam lidar com os presos direito e aquele ali segurava um telefone sem fio com uma expressão de terror no rosto.
_Sim? – Perguntou entediado.
_Que-querem falar com você... É sobre o seqüestro daquela cantora... Lady GaGa. – Gaguejou.
Em um segundo Gordon esta em pé arrancando o telefone da mão do secretário. Se resolvesse o problema com a cantora um peso enorme sairia das suas costas, mas é claro que o comissário ia com sede demais ao pote, e sabia disso, podia ser um idiota qualquer que achava ter visto uma mulher parecida na rua e fazia alarde sobre isso.
Mas não era.
_Comissário Gordon. – Pausou o vídeo do depoimento e saiu da sala, andando apreensivo entre as várias mesas do departamento.
_Olá Comissário. Só queria avisar que estamos com a querida visitante de Gotham, e que hoje mais tarde vocês terão uma surpresa não tão agradável assim. – E desligaram. Todas as ligações recebidas no departamento de policia eram gravadas, mas Gordon sabia que não ganhariam nada analisando a voz da ligação, era óbvio que era alterada, robótica, e se a ligação tivesse menos de sessenta segundos de duração, nada de rastreamento. Se sentindo frustrado e impotente ele tentou mexer os pauzinhos, quem sabe não dava sorte e encontrava algum modo de entender e desvendar o que acontecia. Mas sua intuição policial não enganava, ele sentia que vinha bomba por ai, aquilo não cheirava nada, nada bem.
Pela primeira vez em três anos, quis que Batman estivesse ali para ajudá-lo. Precisava que Batman estivesse ali.
***
As horas passaram-se lentamente. Trancada naquele lugar, sem nenhum tipo de som além do gotejar constante á sua direita ou nenhuma luz que indicasse dia ou noite, GaGa não tinha a menor noção do tempo. Permanecia encolhida contra a parede, murmurando composições e viajando em seu mundo particular. Para alguém tão criativo quanto ela não era um problema passar horas á fio sem fazer absolutamente nada, ela tinha o poder de manter sua mente entretida por períodos realmente longos, mas o gotejar que não cessava começava á incomodá-la profundamente.
Tateando a sua volta GaGa encontrou pequenas pedrinhas de basalto, e tentando criar alguma noção de espaço jogou-as á sua volta desvendando o barulho que faziam ao cair, e percebeu surpresa que todo o local ao seu redor parecia alagado. Nenhuma das pedrinhas alcançou qualquer parede.
Bufando exasperada desistiu de tentar fazer qualquer coisa, mas correntes que prendiam seus pulsos estavam muito enroladas apertando-a e forçando-a á permanecer na mesma posição, GaGa passou vários minutos tentando desenrolá-las, conseguindo por fim alcançar um espaço maior ao seu redor, mas assim que o fez ouviu uma porta ser aberta alguns metros á sua frente. Dela saia uma luz ofuscante, que fez seus olhos lacrimejarem. Em um esforço para obter qualquer informação sobre o que acontecia ela manteve os olhos abertos, mas tudo que conseguia enxergar era um vulto, com características masculinas que caminhava na sua direção.
Pode ouvir quando o estranho chegou perto e agachou-se, puxou-a pelo braço violentamente e segurou seu pescoço, forçando-o. Engasgada, GaGa não conseguia emitir nenhum som, mas se debatia freneticamente nas mãos do estranho, que parecendo irritado com a reação dela soltou seu pescoço e começou á puxá-la pelos cabelos.
_Quieta. – A voz grave e rouca ordenou, e ofegante GaGa parou de se debater.
_Quem é você? O que quer de mim? – o estranho riu das perguntas da mulher loira e continuou tentando puxá-la pra perto. Torceu seu braço em ângulo estranho, forçando-a á virar o corpo para tentar diminuir a dor e impedir uma possível fratura, quando já estava de bruços o estranho subiu em cima de suas pernas, e prendeu-a contra o chão com seu peso, a distancia deles em relação á parede tinha aumentado durante a curta disputa, e os pulsos de GaGa estavam extremamente doloridos e bem presos, sem mobilidade alguma. O homem então afastou a roupa que GaGa usava, deixando-a exposta.
_Seja lá o que você queira, não vai conseguir! – Gemeu contorcendo-se. A risada sombria do homem ecoou pelas paredes do lugar.
Com receio de um possível estupro ela começou á se debater mais ferozmente, sem se importar em se machucar, mas antes que pudesse causar danos á si mesma, ao estranho, ou pensar em um modo de fuga sentiu uma picada ardida em uma das nádegas, depois, lentamente, o mundo perdeu o foco.
***
Notas finais
Então? Gostaram? reviewss!!!
E ahh, eu tenho que avisar ás Joker Lovers, o Coringa só vai aparecer maaaaiiss pra frente, tipo, daqui uns 4 capítulos com foco exclusivo no Bruce e na GaGa, mas prometo quando ele aparecer, vai ser explosivo kkkkkkk xD
Comentem!!! Sou totalmente movida há reviwes!! Nem que sejam apenas um: ''gostei'' ou um smile, tipo assim>> :).
Se quiserem recomendar eu também ficaria muito feliz.(poderia até postar mais cedo, e dedicar o capitulo, é claro, á quem recomendou)
Bye
Fale com o autor