Margem Distante
11 Última vez
Notas iniciais
Margem Distante
"Mudanças acontecem na vida."
11. Última vez
O Yuu... Lembrava de mim?
Mas, Yamato disse que ele perderia exatamente TODAS as memórias relacionada aos seus laços de sua vida passada. Então, como?
Parte de mim tem vontade de sorrir e abraçá-lo, mas a outra parte está triste do mesmo lembrar somente de mim. Poderia ter se lembrado da mamãe, ou até mesmo dos seus amigos do colégio... Mas porquê somente eu?
Minha mãe parecia entender o meu estado atual. Estava totalmente confusa. Olhavam para mim como se esperassem minha palavra...
Não entendo.
Não sei o que fazer, ou o que dizer...
Minha garganta estava apertando novamente. Era tanta pressão em cima de mim, não consigo colocar as coisas no lugar. Não consigo distinguir o que eu estou sentindo agora... Quando vi o olhar do Yamato...
Estava querendo somente me proteger.
Tudo deixou de fazer sentido.
Estou...
Droga!
– E- eu... V- vocês... Vou entrar. – Quero chorar. Muito. Não aguento toda essa confusão em minha cabeça. Era como desenrolar um novelo de lã. Só que no lugar da lã, eram meus sentimentos que mantinham-se embaralhados. – V- vocês decidem o que querem! Quero ficar sozinha.
Sentia meus ossos tremerem novamente.
Porque aquele dia não sai da minha cabeça?! Logo com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, minha cabeça somente transbordava. Queria esquecer tudo, queria estar no lugar do Yuuki, esquecer-me de tudo, ser invisível pelas pessoas... Aqueles humanos.
Corri para dentro de casa. Escutei minha mãe chamar meu nome, mas decidi não escutar, ou somente queria...
Um tempo para pensar.
Abri a porta de um dos quartos e entrei. Não sei em que quarto estou, mas não importa. Fui caminhando lentamente até o banheiro e me tranquei dentro.
Nunca funcionava, mas era o único jeito de não preocupar os outros.
Liguei a torneira da banheira e deixei a água escorrendo, para pensarem que estou tomando banho.
Mas não estava... Queria apenas chorar.
Ajoelhei no canto mais estreito do lugar e agarrei meus joelhos. Ali sentia que ninguém poderia me achar. Que poderia continuar pensando, que ninguém jamais saberia.
Bem ali no canto mais estreito, podia derramar minhas lágrimas.
Pensei no meu passado... No meu presente... E quem sabe, poderia até pensar no futuro.
Não...
Realmente já suportei muitas coisas, mas isso já era demais. Hoje foi um dia realmente estranho, muitas coisas acontecendo de repente, de uma só vez. Assim, não vou aguentar muito tempo calma...
“Você não deve se segurar Sayo... O mundo é cruel. Todos sentem ódio e rancor. Você não tem que ser uma exceção”.
– Apenas saia da minha cabeça seu idiota... Já não basta ter me atormentado todo esse tempo... Me deixe em paz somente hoje! – Agarrei meus cabelos e balancei a cabeça freneticamente. Por que ele sempre tinha que se intrometer em momentos assim. Desgraçado. Maldito... Maldito Edgar.
Lembranças começaram a invadir minha cabeça novamente. Não quero me lembrar dele... Foi somente uma pessoa qualquer... Uma pessoa que encontrei na rua... Não tem que ser levado a sério.
“Ódio é um sentimento horrível filha, ele leva as pessoas a dizerem e fazerem coisas que não querem. Mesmo que às vezes chegue de repente, deve vencê-lo e manter a calma”.
“Nunca fique só Sayo. Você tem muitas pessoas á sua volta, não deixe elas irem embora.”
Sei disso mamãe, mas é tão difícil. Sempre que tento me aproximar, elas se distanciam.
Primeiro a senhora. Toquei em tantos assuntos delicados e remoí seu passado. Minha própria mãe...
Segundo, o Yuu. Menti tanto para ele, dizendo que estava tudo indo bem, mas não estava. Fui uma das responsáveis pela sua morte, e agora, ele está aí, sem poder levar uma vida normal...
Por último, o Yamato. O conheço há pouco tempo, mas sei que ele é uma boa pessoa. Disse coisas rudes e o fiz ficar bravo várias vezes. E parece... Que agora ele está sendo machucado por minha causa.
No final, tudo gira ao meu redor. Todos os problemas giram ao meu redor...
– Não sei o que fazer... – Chorando. Estava chorando como uma fraca... Como uma criança. – Porque eu estou chorando? Porque dói tanto?
Dói.
Meu peito dói tanto.
– Faça essa dor parar... Porque só acontece comigo? Porque eu simplesmente não me torno uma humana vazia e sem sentimentos?
Isso...
Sentir significa se machucar...
Felicidade?
Essa coisa é inalcançável.
O rangido da porta do quarto ecoou.
Meus olhos arregalaram e tampei minha boca com as mãos, mas meus soluços eram altos demais.
Por favor, não me achem, não me achem.
– Tem alguém ai? – Yamato?! – Sayo, s- sou eu, sua- nossa mãe disse para eu ficar aqui por um tempo, até tudo se acertar... E... E também, eu queria me desculpar com você... Por antes...
Não... Não se desculpe!
Não me faça sentir mais dor!
– Sayo? Você está bem? – Sua mão bateu duas vezes na porta... – Está tudo bem?! Se você não responder, vou abrir essa porta! – Agora bateu com força, fazendo meu corpo se distanciar da porta.
Suspirei e enxuguei minhas lágrimas, mas sentia minha voz ainda embargada pelo choro.
– Está... Está tudo bem... E- eu estava com os fones... – Minha voz era rouca, somente um burro não notaria que eu estava chorando. Que burrice da minha parte.
O barulho cessou.
– Sayo... Você estava chorando não estava? – Arregalei os olhos lentamente. Ele descobriu. – Sei que não é da minha conta, mas... A Hiyori me explicou tudo e disse às coisas que aconteceram com você. Seu irmão foi muito importante e ajudou você a superar, mas agora, não se lembra de coisa alguma... Apenas – Sua voz estava falhada no final – quero deixar claro que eu também sou seu irmão... E não vou entregar você para ele de mãos beijadas... Você pode achar que esse tipo de sentimento é errado, mas...
Silêncio.
Enfim tinha ido.
Levantei rapidamente e desliguei a torneira da banheira. Olhei meu reflexo no espelho e joguei um pouco de água no rosto.
Paralisei quando escutei sua voz novamente.
– É hora de mudar. Não pense que tudo que esta acontecendo machuca somente a você. Também estou me acostumando com tudo... Principalmente aceitando o fato que você é a minha irmã. – Sua voz se distanciava, como se estivesse indo embora. Não... Não quero deixá-lo ir. – Enfim, temos muitas coisas para ver, agora que fazemos parte dessa realidade. Devemos proteger as pessoas e que amamos. Muitas coisas ainda aguardam e essa não vai ser a única vez que você vai chorar... – Minha mãos tremem e vacilam. – Mas... Essa vai ser a última vez que vai chorar sozinha.
Surpresa.
Dúvida.
Alívio.
Sorri feito uma boba.
Yamato...
Obrigado.
Apoiei a mão sobre a maçaneta e girei-a. Seu corpo estava sentado na cama. E sorria enquanto olhava meu rosto.
Seus olhos azuis... Seus cabelos negros azulados...
Realmente se parecia com o garoto do meu sonho.
Corri até ele e o abracei. As lágrimas pularam dos meus olhos e começaram a molhar seu ombro, que estava coberto pelo tecido negro do seu moletom.
Machuca menos...
Quando outra pessoa está com você.
– Desculpe... Desculpe por tudo Yamato! Eu... Eu... Não quero mais sentir tanta dor! Quero proteger as pessoas que gosto e... Quero deixar de ser tão boba e começar a ver as coisas! – Já chega... Já chega.
– Tudo bem... Já disse... Eu estou sempre aqui. Todas as vezes que você precisar, conte comigo... Afinal, sou um Deus. – Suas mãos envolveram-se na minha cintura.
Porque eu não consigo parar de chorar?
Seria felicidade?
Não...
Acho que ela não se daria a honra.
– Vamos... Não precisa chorar mais...
Preciso...
Mesmo depois de tudo...
O passado não pode ser apagado.
Seu suspiro bateu em meu rosto. Estava sentada em seu colo, de frente para o seu rosto.
– Se não parar... – Foi bem perto da minha orelha – Vou ser obrigado a te beijar.
Um arrepio subiu-me a espinha. Assustei-me e sai rapidamente de cima dele, mas sua mão me puxou de volta, fazendo-me cair sobre seu corpo.
Seus braços me prenderam...
– Não fique com medo... Nee-chan.
E selou nossos lábios. Tão rápido que nem cogitei a ideia de pará-lo.
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