Margem Distante

15 Púrpura escarlate


Notas iniciais
Desculpem, sério mesmo! Eu achei que iria postar, mas vieram uma tonelada de coisas para fazer na escola e os meus cursos também não deram trégua. Desculpem, desculpem, desculpem... Espero que possam me perdoar T^T Boa leitura *--*

Margem Distante

"Agora, eu que irei controlar"

15. Púrpura escarlate

Nada se ouvia no recinto, mas era um silêncio suportável.

As palavras de Yama ainda faziam ecos em meus ouvidos. Então é verdade, ela conhece mesmo a minha mãe... No futuro pode ser provável que todo mundo a conheça. Menos eu.

– Nossa! É muito parecida com a Hiyorin... Não, melhor dizendo, ela tem algo que a Hiyorin não tem... – Sua feição foi ficando mais séria, fazendo um arrepio subir em meu pescoço.

Seus olhos azuis perfuravam os meus como se soubessem o que eu estava pensando, me observando atentamente, tateando a minha vida, cada grão de memória.

– Ei, garota! – O homem da máfia japonesa, ou pelo menos era parecido, chamou o meu nome de uma forma rude. – Sua perna, você foi mordida não foi? – Todos olharam para mim quando ouviram a palavra mordida, principalmente os meus dois “seguranças”. Agora que falou, minha perna ainda está um pouco ardida, mesmo que eu seja um fantasma... Ou seja, aquele cachorro era um fantasma também.

Estou ficando boa nessas coisas de fantasmas, mesmo que seja óbvio demais.

– Foi uma espécie de cachorro, posso até chutar, mas acho que pertencia aquela Nora. Afinal, é a única interessada em me machucar. – Olhei para a minha perna, onde somente dois furos eram visíveis, e tinham algo como uma mancha saindo deles.

Meus olhos foram de encontro aos da Kofuku, que apenas chegou perto de mim e agarrou meu braço esquerdo. Ela é bem extrovertida para uma deusa.

– Vamos! Sua mãe mandou vocês aqui, podem entrar! E a propósito – Visualizei seus olhos, eles não tinham pupila, somente um traço mais escuro no meio. – Você e o seu irmão podem me chamar de tia!

Hesitei um pouco, afinal, acabei de conhecer essas pessoas. Sempre sou um pouco desconfiada quando trato de desconhecidos, mas eles passam uma aura calma e alegre... Uma aura confiável.

Yuuki parecia não se importar com tudo aquilo. Nossos olhares se encontraram. Seu olhar parecia tentar me entender, depois de unir as sobrancelhas em sinal de confusão. Está preocupado. Acenei com a cabeça. Não quero preocupá-lo, a partir de agora, vou cuidar de mim, seguir em frente e proteger meus amigos. Não importa se tenho que fazer isso com a minha própria vida.

Mostraram-nos um quarto que ficava no primeiro andar. Estava todo arrumado e tinha um cheiro familiar.

Era o cheiro do Yamato.

– Podem ficar no quarto do Yamato, este quarto era do Yukine e do... Colega de quarto dele. – Daikoku fez uma pausa enquanto seu rosto se fechava. Kofuku baixou a sua cabeça e apertou um pouco o meu braço, fazendo-me olhar diretamente para ela.

– Algum problema, Kofuku-san?

– H-hã? Nenhum... Qual o seu nome mesmo? – Fez uma expressão alegre e brilhante. Era energética demais.

– Sayo. Iki Sayo.

– Oh... Sayan! – SayAN? Ri baixinho com o apelido, minha mãe também o usava... Estou novamente preocupada com ela. Por favor, esteja bem. – Vem! Temos que limpar essa mancha da sua perna antes que se espalhe. – Então essa mancha é como um veneno... Será que é letal?

Fomos até um banheiro, ela me deu uma toalha e uma muda de roupas.

– Acho que serve. A água desse chuveiro vem do jardim, está purificada. Ah! Somente água pura pode curar a ferrugem, sempre tome cuidado com fantasmas, eles podem espalhar ferrugem. Você não iria querer que ela se espalhasse. – Então isso é letal. Que bom que aos poucos estou conhecendo sobre esse mundo. – Acho que essas roupas servem em você Sayan...

Será que ela está bem? Quem ela foi procurar? Por que não consigo me acalmar? Por que estou com tanta vontade de ir procurá-la? Por que tenho a sensação que não devia ter deixado-a sozinha? Mas, ela está com o Yukine... E quem deve ser ele afinal?

Calma... Tenho que manter a calma... Vai ficar tudo bem...

– O- obrigada.

Sorriu alegremente como uma criança. Ainda existem pessoas que conseguem sorrir assim...

Retirou-se do banheiro, assim fiquei mais a vontade para tomar banho em paz. Despi-me e liguei o chuveiro. A água era gelada e fazia a minha perna queimar muito, muito mesmo. Era como ser estivessem arrancando-a aos poucos, era uma experiência horrível, vou tomar cuidado da próxima vez que enfrentar um fantasma.

A porta rangeu, fazendo-me agarrar a toalha rapidamente e enrolar o meu corpo.

Mas o que?! Quem será?! Kofuku?!

– Quem está ai?!

Fiquei olhando da brecha da parede que levava a um curto corredor. Cabelos negros e olhos azuis olhavam profundamente para mim, fazendo meu rosto esquentar quase que automaticamente. O que ele faz aqui? Não viu que tinha gente?!

– Y- Yamato, o- o que faz aqui? – Lembrei-me do que ele havia feito mais cedo e mais um arrepio subiu na minha espinha. Estava um pouco assustada.

Seu rosto estava triplamente mais vermelho que o meu, e não parecia querer fazer mal nenhum a mim... Creio eu.

– Ah... E- er... Eu... Só vim entregar isso a você. – Estava com vergonha. Ri um pouco da situação, fazendo-o ficar ainda mais vermelho.

– Ah, desculpe. Mas não podia esperar até eu sair do banho? – Olhei-o curiosa.

– Aquele felino iria ficar no meu pé. – Felino? Ele fala do Yuu? Que bom que já arrumaram apelidos fraternais. – Bem, é especial para mim então... Espero que aceite. – Colocou algo no chão e saiu do banheiro rapidamente. Muito rapidamente.

Olhei o objeto brilhante e sorri comigo mesma.

– Ele não tem jeito... – Peguei o colar e envolvi em meu pescoço, segurando a pequena pedra azul na palma da mão. – Mesmo assim... Obrigada... Yamato.

Terminei meu banho e coloquei as roupas que a Kofuku tinha separado para mim. Depois de deixar o banheiro organizado, fui até o quarto do Yamato, onde nós três iríamos dormir. Sei que vai ser uma missão impossível dormir com aqueles dois, mas estou tão cansada, esse dia passou tão devagar e montes de coisas aconteceram de uma vez só. O encontro com Yamato, a morte do Yuuki, o Castiel, a volta do Yuu, essa bagunça com a Nora... Enfim, acho que se dormir agora, só acordarei daqui a três dias.

Entrei no quarto, já esperando para ver o que os dois aprontaram. Tinham três fuutons, dois nos cantos do quarto e um no meio. Yamato estava deitado com o corpo virado para a parede. O que deu nesses dois? Essa disputa já está me irritando...

Hã? Mas... Onde está o Yuuki?

– Yamato...? – Ele não respondeu. Deve estar cansado... Fui até o seu lado e coloquei o cobertor sobre o seu corpo, dando um beijo na sua testa em seguida...

Espero que tudo isso acabe logo.

Fechei a porta atrás de mim e desci as escadas, indo até a entrada, onde ficava uma mesa. Yuuki estava sentado entre a porta e a área externa, olhando para algum lugar...

Nunca sei o que está pensando... Agora não é diferente.

Fui silenciosamente e sentei do outro lado, tentando acompanhar o seu olhar, mas ele estava distante... Brilhante...

– Por que não foi dormir? – Sua voz era como antes, fria e um pouco preocupada. – Vai ficar reclamando amanhã. – Um baque. A mesma frase sempre que estava preocupado. Parece que o jeito dele não mudou muito, essa transformação afetou somente as suas memórias.

– Você também, então é empate. – Pigarreou. – Yuu... Se por acaso eu... Fizesse algo errado... – Tenho que perguntar. Não consigo esconder para sempre. – Você me perdoaria?

Olhou sério para mim e abriu a boca, sussurrando as palavras que eu jamais pensei em ouvir na minha vida.

– Não... – Cerrei os punhos lentamente, meus batimentos estavam ficando cada vez mais rápidos, minha garganta estava se contorcendo novamente. – O que você faria se eu respondesse isso?

Fechei os olhos e soltei um grande suspiro, aliviando meu corpo. Ele ainda consegue me tirar do sério como antes... Somente ele tem essa habilidade... Flashes dos nossos momentos passavam diante dos meus olhos. O festival, a escola, as brincadeiras, as brigas... Não sei mais o que sinto, estou confusa novamente. Por que me deixava assim? É como uma incógnita, desde sempre.

Sempre pensei que fosse próxima dele, conhecia-o com a palma da mão, mas estava errada. Ainda tinha coisas nele que nem imaginava, sempre foi misterioso e nunca me disse nada sobre si mesmo a não ser o que já sei. Seus sentimentos eram um segredo para mim... Mas ...

Sempre me observa, sabia tudo sobre mim, mesmo não contando, consegue adivinhar tudo. Essa era uma das coisas que eu odiava nele, todo esse segredo.

Tum! Tum! Tum!

Meu coração estava batendo forte novamente, sinto-me nervosa na sua presença... Meu rosto estava quente e as mãos tremiam. Devo mesmo ir dormir, estou começando a agir contra a minha vontade.

Um silêncio insuportável estabeleceu-se entre nós dois.

Não ouso abrir a boca, nem tenho forças para isso.

Balançava minhas pernas freneticamente, mexendo minhas mãos, tocando os dedos uns nos outros...

Por que estava tão nervosa?!

Olhei para o lado novamente–

Seu rosto estava perto.

O- o que?!

– Yuu, o- o que você está fazendo?

Se continuar assim, vou explodir. Meu rosto estava cada vez mais quente, meus braços me apoiaram e fui afastando meu corpo lentamente.

– Por que seu rosto está vermelho Sayo? Não sou somente o seu irmão? Não tem motivo para nervosismo...

Perto... Demais...

– Y- Yuu...

Não consigo falar nada... Não quero falar nada...

– Posso te pedir uma coisa Sayo? – Não sei por que, mas acenei com a cabeça. – Responda...

Agora ele quer mandar em mim?

– Sim...

Está me fazendo dizer coisas confusas novamente.

Foi se aproximando, enquanto me distanciava, fazendo o seu corpo ficar sobre o meu, seu rosto estava cada vez mais perto, e o meu cada vez mais vermelho. Sua mão atrás da minha cabeça...

Nada mais se passava na minha cabeça, era um branco.

– Dessa vez... Posso te beijar?

Agora quem vai controlar o jogo sou eu.

Envolvi meus braços em volta do seu pescoço e o puxei...

– Não precisa me pedir.

Juntando meus lábios com os seus.

Notas finais
Bem, YaSa's irão me odiar, mas não se preocupem, a fic ainda irá continuar e muitas coisas ainda aguardam! Até o próximo!!!!!