Margem Distante

16 Descontrole


Notas iniciais
Um capítulo no finalzinho da noite!!! Pode ser que fique meio bestinha, mas contém pontos fortes para o próximo. Boa leitura Mako-chibis!

Margem Distante

"Ás vezes, esforços são em vão."

16. Descontrole

Perguntas e mais perguntas se juntavam de uma vez na minha cabeça. Meu corpo simplesmente se moveu sozinho, com a minha vontade de controle, por um momento minha sanidade havia indo embora. Então, fiz aquilo. Meus olhos observavam as estrelas bem acima, tentando entender o que se passava na minha cabeça...

E agora?

Meus braços estavam paralisados, não se moveriam nem se eu quisesse. Sentia mil e uma borboletas em meu estômago, minha cabeça rodava e os dedos formigavam... E por incrível que pareça, aquilo não me incomodava... Chegava a ser bom.

Yuu olhava para os meus olhos, com aquelas duas pedras púrpuras que brilhavam a noite, observando cada traço do mar vermelho cor de sangue. Logo depois parou de me beijar e ficou observando o meu rosto.

Seu sorriso estava bem ao canto da sua boca, deixando-o ainda mais misterioso e fazendo minha cabeça viajar novamente. Por que eu havia feito aquilo?! Por que ele não está surpreso?!...

Por que fiquei triste quando ele parou?!

– Não fique nervosa Sayo... Não vou te machucar. – Sua testa encontrou-se com a minha, juntando nossas respirações, quentes e arfantes. – Desculpe pelo beijo de mais cedo, estava fora de mim...

Seus lábios... Por que estava olhando somente para eles?!

O que está havendo comigo? Por que estou tão envergonhada que quero chorar?

– Yuu... Eu... Desculpe por isso! Não sei o que deu em mim e... – Senti seu dedo indicador pousar em meus lábios, fazendo mais um arrepio subir em meu corpo.

Tudo com o Yuu foi diferente. Somos irmãos desde sempre, mas de um tempo para cá, ele tem estado diferente comigo, mesmo antes de se transformar... Deve ser essa coisa da adolescência, é- é isso!

A quem eu quero enganar...

– Shh... Não fale nada, senão vai confundir ainda mais a sua cabeça. Apenas esqueça o nosso passado, assim como eu...

...

Como pode dizer aquilo tão calmamente?!

Acha que quero esquecer tudo?! Todas as vezes que precisei dele, ele estava lá! Como um irmão! Protegendo-me! E agora...

Sinto as lágrimas saírem dos meus olhos.

Idiota...

Agora quer que eu esqueça?

Minhas lágrimas foram sendo limpas por seus dedos. Cerrava o meu punho fortemente, tentando conter a dor que eu sentia agora.

– Idiota... Não peça para esquecer tudo... Machuca! – Seus dedos pararam. Seus olhos também. Depois segurou meu queixo delicadamente, fazendo meus olhos encontrarem os seus fixadamente.

Meu peito já não dói mais. Mas ainda não consigo colocar tanta coisa na cabeça de uma só vez... Por enquanto, como disse antes, vou viver o presente. Mesmo que o meu passado tenha que influenciá-lo. Sinceramente... Tenho medo. Medo de que toda essa coisa atrapalhe o que vivemos juntos, afinal somos irmãos! Isso não é normal! E também tem o Yamato...

– Não esqueça os momentos bons... Apenas esqueça que somos irmãos, pois não vejo você como tal. Meu passado foi limpo da minha cabeça, para mim você é uma garota com quem quero estar... Mas não quero ser seu irmão... Quero ser seu.

Desta vez ele me beijou. Seus lábios eram macios e tinham um gosto parecido com o seu cheiro... Mesmo sabendo que isso é errado, não consigo parar. Ele sempre sabia me manipular, era como se pertencesse a ele.

Aquilo é muito errado, chega a ser loucura.

Um grito masculino ecoou pela casa, fazendo minha cabeça voltar à realidade e minhas mãos empurraram seu corpo devagar. Já havia escutado esse grito em algum lugar...

Yamato! Seu idiota , o que está acontecendo?!

Levantei em um pulo, subindo as escadas e tropeçando em todos os degraus. Minha respiração já estava descontrolada de novo, pensar na probabilidade do Yama ter se machucado jamais se passou na minha cabeça... Ou... Se aquela velha fez algo ao Yamato, a mato trinta mil vezes.

Abri a porta do quarto (com um chute, mas abri) e o encontrei se contorcendo do chão, com as mãos agarradas a nuca, apertando-a compulsivamente.

O medo invadiu o meu corpo novamente e meus ossos começaram a tremer, meus olhos estavam transbordando de desespero e agonia. Parecia que a dor que ele sentia estava sendo levada para mim.

– Yamato! O que houve?! Onde está doendo?! – Agarrei seu corpo e coloquei-o em meu colo, sentindo algo queimar em meu braço, quando o mesmo tocou a sua nuca. – Você está fervendo! Sua nuca que está machucando? – Tentei toca-la, mas a sua mão segurou meu pulso.

– Tudo... Bem... Foi somente uma ferrugenzinha, vai sair com alguns banhos. Não toque, pode passar para você! Deixe comigo, afinal, um deus nunca pode ser derrota-

– Já chega! Pare com isso! – Gritei, abraçando seu corpo contra mim. Nunca vi alguém sentir tanta dor de perto, geralmente somente eu sentia dor, e as pessoas me consolavam. Mas ele... – Você ainda sente dor, não guarde tudo para si mesmo lembra? Você me disse isso! Então me deixe te ajudar, eu quero!

Tirei seus cabelos negros e suados de cima da nunca e pude ver... Meu deus! Quanta ferrugem!

Ela se estendia pelo seu pescoço e um pouco no rosto, descendo nos braços e um pouco nas costas... Como isso dói, posso até sentir. Nunca cuidei de ninguém doente, mas já vi minha mãe fazendo isso.

– O que está havendo com ele, Sayo?! – A voz de Yuuki estava atrás de mim e parecia com a minha. Desesperada.

– No momento não dá para explicar! Chama a Kofuku e o Daikoku! Ele precisa de um médico! – Escutei seus passos pesados e apressados deixarem o quarto.

Apoiei seu braço sob o meu ombro e o levantei, sentindo a ferrugem entrar na minha pele, queimando-a. Estava aguentando isso por todo esse tempo? Teimoso...

Entraram rapidamente.

– Ajudem o Yamato, por favor! – Gritei, sentindo a ferrugem subindo em meu rosto. Kofuku arregalou os olhos e Daikoku fez um símbolo com as mãos, gritando em seguida:

– Limite!

Uma barreira azul e brilhante surgiu a nossa frente, jogando-me na parede, mas pude proteger o corpo do Yamato, ficando atrás. A dor nas minhas costas era significativa e as minhas pernas tremiam.

– O que está havendo?! Por que não ajudam o Yamato?! Estão negando ajuda?! Como podem fazer isso tão facilmente?!

Estava fora de mim. Minha visão começou a se distanciar, e a minha cabeça começou a girar. Todos no lugar olhavam para mim assustados.

“Deixe o ódio ser o seu amigo Sayo. Desespero, dor, agonia, tristeza... Tudo faz o seu ódio crescer, use-o para ficar mais forte...”.

“Monstro! Monstro! Por que você não morre?!”

Calem-se!

“Você me dá nojo.”

...

Que se dane.

Nesse momento eu não pude mais controlar. Meus sentidos foram se esvaindo. A dor na minha cabeça aumentava a cada segundo. Podia se ouvir todos chamarem meu nome, mas não respondia. Via somente sangue, minhas mãos batendo naquela barreira...

E todos olhando para mim assustados.

Você conseguiu Edgar.

Notas finais
AIII o que vai acontecer com a Sayo?! E com o Yama-Yama?! Ah xésus!!! Pergunta- Acham que eu devo dar uma pausa para continuar Secrets and Photos? Ou vocês querem que eu continue até o 21?