Margem Distante

13 O começo de uma nova geração


Notas iniciais
Yay! A Mako fez uma nova fic! ~Pulinhos~ Mas não se preocupem, eu só começarei a postar pra valer, depois que essa chegar á uns 21 capítulos por aí. Link da fic: http://fanfiction.com.br/historia/503409/Secrets_and_Photos/ Bem, vou deixar de perturbar vcs e vou ao capítulo. Boa leitura minna-san!

Margem Distante

"Pela primeira vez deixei meu ódio me dominar"

13. O começo de uma nova geração

Estavam todos reunidos na enorme sala de jantar. Mamãe estava em pé junto com Yukine. Sentei na cadeira do meio, ao lado de Yamato, junto do Yuu, que sentou do meu lado. Ou seja, fiquei no meio de dois tigres prontos para matarem um ao outro. Belíssima ideia Iki Sayo.

Podia sentir os raios atravessarem por cima da minha cabeça. De perto, como estava, dava para escutar seus rosnados baixos, e com seus caninos a mostra, deixa ainda mais claro quem eles eram no zodíaco japonês.

– Tá frio aqui não? – Tentei quebrar o gelo, mas foi pior. Yamato me abraçou com força e disse “Eu te aqueço, Nee-chan”. Logo depois Yuu deu uma tapa de leve na sua cabeça e me tomou para si “Eu que a vi primeiro... Yamato-sama”.

– Já chega vocês dois! Como dois irmãos podem brigar pela própria irmã?! – Mamãe deu um soco na mesa, fazendo todos ficarmos eretos e calados, olhando com medo para o seu rosto. Nunca desobedeça Iki Hiyori, ela pode te bater sem encostar-se a você.

– Ele que começou! – Yamato gritou apontando para o outro moreno.

– Não me lembro de nenhuma irmã... – Cerrei os punhos. Não deve culpa-lo por algo que ele não fez. – Por isso, essa regra não se aplica a mim. – Ah... Esquece, é só um idiota mesmo.

Yuu cruzou os braços e Yama... Olha, achei um apelido para você Yamato. Yama também cruzou os braços, ficando um oposto do outro, com euzinha no meio, olhando para a minha mãe.

É melhor eles não ignorarem ela...

Já tem até uma aura negra saindo.

Ela, literalmente, subiu em cima da mesa e avançou em nós três, mas só pegou os dois pelos pescoços.

– Façam as pazes, agora! – Não vai adiantar mãe, vai por mim.

Lógico que disseram não... Mas disseram não para a pessoa errada, agora vão ver o poder do não no ego da própria mãe.

Ela puxou o pescoço dos dois.

– Beijinho da paz. – Sua voz era travessa. Empurrou seus rostos um contra o outro, fazendo os lábios dos dois se encostarem...

Dá para imaginar a cara de todos, menos a dela, na cena... Nada bonita não é?

– Prontinho. Trabalho feito. – Bateu as mãos e pulou a cima da mesa. Quando passou por mim, piscou sapeca. – Agora eles receberam um beijo seu indiretamente.

C-como ela sabe que eu tinha beijado o Yamato?!

Ela viu... E não fez nada?!

Estou vermelha. De raiva, vergonha, e um pouco de alegria. Pois estávamos agindo como uma família de verdade. Unidos e brincando... Faltava somente... Ele.

Meus dois irmãos estavam ajoelhados no chão, com a mesma aura negra cobrindo. Eles cuspiam toda saliva que tinham na boca, depois foram ambos para o banheiro correndo. Escutamos seus gritos.

– Me deixa passar primeiro – Segurei o riso. Não acredito que eles ficaram presos na porta. Isso era muito Anime – Yamato, eu vou fazer você lamber esse chão se não me deixar passar!

– Se fizer isso eu mando você para uma purificação com o tio Daikoku, ele me ensinou a educar Shinkis com as próprias mãos, quer ver? – Depois um som de cascudo e um grito “Itai!” – Sou seu mestre, tem que me deixar passar primeiro!

Nunca aprendem.

– Já estão de bem um com o outro, filhinhos? – Mamãe tinha a voz sombria e assustadora de novo. – Querem outro beijinho da paz?

Silêncio.

Hã?

Nossa mãe consegue domar leões.

– Maninho, sabia que você é o melhor irmão do mundo? – Yuu.

– Que isso Onii, você que é... hehehehe... – Yama.

Tá...

Essa eu não aguentei. Ri junto de Yukine, mas minha mãe olhou para nós mortalmente, então paramos.

Não quero fazer aquilo com um garotinho.

Já basta ter que beijar meus próprios irmãos. Um tio de 14 anos de idade ia ser demais.

Mas... Mudando de assunto...

– Porque nos chamou aqui, mãe? – Coloquei os braços ao lado do corpo e deixei a coluna ereta. Sempre reclamava quando eu sentava que nem um garoto. Tipo, jogada como uma boneca de pano. Mas não tenho culpa, quem não gosta de sentar daquele jeito?

Os dois chegaram se olhando mortalmente. Mas quando viram a cara da mãe, logo colocaram os braços por cima dos respectivos ombros, como camaradas.

Se bem... Que eles podiam se dar bem.

Deixar toda essa rivalidade de lado.

Afinal... Sou irmã dos dois.

Imagens da minha infância passaram rapidamente. Escutei um barulho de algo caindo.

– Sayo! – Essa voz era do Yuuki.

– O que foi? – Olhei para trás, ele estava segurando meu corpo, enquanto eu estava sentada na cadeira, em minha forma fantasma.

– Hã? Você... É um fantasm-

– Meio fantasma, Yuu – Corrigiu Hiyori.

A minha cauda está de volta. Mas algo estava estranho. Me sentia diferente. Algo em mim era novo. Olhei para todos assustada.

Não sabia por quê.

Somente sentia medo.

Eles sentaram na grande mesa, acho que não notaram.

– A Nora sabe da nossa localização. – Yukine pronunciou-se de vez.

Senti a perna de Yuuki cutucar a minha. Estava com um rosto confuso, então sussurrei “Depois eu te conto tudo.”

Voltei meu olhar para os outros.

– Mesmo com a proteção do templo do Tenjin, não conseguimos esconder por muito tempo.

Quem era Tenjin?

– Mãe... Quem é-

– Aquele ruivo lá, seu amigo. Ele é a reencarnação do antigo Tenjin, deus da sabedoria.

...

NANI?!

O Castiel é um Deus?!

– O Castiel?! Mas como?! Porq-

Me interrompeu.

– Depois esclarecemos tudo, temos que cuidar da Nora primeiramente, se não, poderá ferir mais alguém. Provavelmente será a sua mãe.

Um baque.

Minha mãe... Morta?

Vários pensamentos assustadores começaram a passar diante dos meus olhos. Minha mãe sendo morta por aquela mulher milhares de vezes na minha frente. A espada perfurando seu peito. Sua boca se mexendo, repetindo que tudo era minha culpa, enquanto seu rosto era sério.

Cerrei os punhos. Tudo começou a girar.

Escutei um eco “Sayo, você está bem?”. Era Yamato, mas estava tão longe...

Sinto que vou desmaiar.

A realidade volta a mim como um estilingue esticado, bem nos olhos.

Todos olhavam para mim.

Esses pensamentos foram muito estranhos. Nunca pensei em nada tão apavorante e medonho na minha vida. Será que...

“Uma hora você cederá ao ódio, uma hora começara a ver e ouvir coisas que não queria...”

Não...

Saia da minha cabeça!

Cerrei ainda mais os punhos, sentindo minha carne ser perfurada e o sangue invadir minha visão...

Ele era...

Tão lindo...

Meus lábios se curvaram, formando um sorriso macabro.

Mas dois pares de olhos me puxam de volta ao controle. Um azul e outro violeta. Olhavam para mim confusos.

Isso já havia acontecido comigo antes. Essa coisa estranha, medonha, quero manter distancia disso.

Me faz querer agir contra a minha vontade.

– Não foi nada, somente me senti um pouco tonta por conta da transformação em meio-ayakashi.

Já os preocupei muito com isso.

Esse assunto é entre mim e aquele homem.

Aquele que tinha os olhos quase tão pavorosos quanto os meus.

Encontrei-o por acaso. Começou a falar comigo como se me conhecesse, falou coisas assustadoras sobre monstros e sangue. Falou que ódio existe em todo lugar e era impossível escapar dele. Mas prometi a mim mesma que nunca vou ser entregue as palavras dele.

Depois de tudo... Ainda consigo manter a calma.

Acho que se não tivesse todas essas pessoas ao meu lado, cuidando de mim e se preocupando comigo, já teria me entregado á tempos.

Fechei os olhos por um instante, depois os abri, junto com um sorriso nos lábios.

Pessoal...

A partir de agora...

Vou tentar andar junto de vocês.

– Que foi gente? Estou bem, não se preocupem... – Era isso que sempre quis dizer de verdade. Não se preocupem. Deixem eu me preocupar com vocês. Cansei de ser a mocinha em apuros. Quero ser a heroína.

Começaram a explicar tudo o que devíamos fazer.

Primeiro, nós três devemos ir para a casa da Kofuku (Acho que já escutei o Yamato falar dela) era uma velha amiga da nossa família, assim como Yukine. Depois, nossa mãe e Yukine vão atrás de alguém, que eles não nos disseram o nome.

– Yamato, você deve usar bem seu Shinki, não esqueça quem ele é. Filha, cuide bem para que não briguem. – Minha mãe estendeu algo enrolado em um manto branco, peguei-o e desenrolei, era uma espécie de katana antiga – Isso era de um amigo, na época em que ainda não tinha nos encontrado. Agora é seu, ele pediu que fosse entregue a você.

Nunca vi uma espada na minha vida, somente em filmes. De fato era interessante e curioso. Aceitei o presente.

Seja quem você for.

Obrigada pelo presente.

Agora... Devemos dar um jeito nisso.

Nossa mãe nos abraçou e sussurrou algo no ouvido do Yamato, que se surpreendeu e depois concordou.

– Cuidado... Vemos-nos em breve.

Yamato iria nos levar para essa Kofuku.

A partir de agora, Nora... Nosso joguinho começa.

***

Em algum lugar, uma morena ria da situação em que os três humanos se encontravam. Seus cabelos longos e negros, seus olhos tão negros quanto os cabelos. Vários cachorros flutuavam ao redor dela, pareciam fantasmas também.

– Vão... E tragam a garota. – E lá foram em direção aos filhos de um deus e uma meio-ayakashi. – Yato, Yato, você deveria ter ficado ao meu lado... Agora... Vou trazer a sua aberraçãozinha rubra como prêmio.

Um homem com cabelos loiros observava tudo com um sorriso no rosto e seus olhos quase tão apavorantes quanto os da Sayo.

Notas finais
Ai está! Esse capítulo foi o fim do primeiro arco, que consistia mais em um prólogo, contando como tudo aconteceu. Margem Distante contará a história da nova geração de Noragami. A história começará agora. Até o próximo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!