Margem Distante

14 Vermelho escarlate


Notas iniciais
Gomen! Eu prometi que ia postar ontem mas nem postei. Mas houveram uns imprevistos e eu fiquei fora de casa o dia inteiro, quando cheguei, estava tão cansada que fui dormir. Mas, trouxe esse daqui para não ficar sem postar. Boa leitura Mako-chibis!

Margem Distante

"Aceito o desafio."

14. Vermelho escarlate

Não sei com que maneira estava pulando tão alto. Somente sei que a nossa situação não era nada normal.

Eu, Yuuki e Yamato estávamos indo até a casa de uma tal de Kofuku. Não sei muita coisa sobre ela, mas Yama disse que era uma espécie de tia, e que conhecia o nosso pai. Não perguntei ao Yamato se já havia visto o nosso pai, pois tinha medo dele dizer sim... Ou de dizer não.

Meus pés estavam tão quentes dentro dos sapatos.

Meu coração estava frio de preocupação e medo.

Parecia que iria parar a qualquer momento.

Estava tão preocupada com ela, com tanto medo da minha visão chegar a se tornar realidade... Não, tenho que me manter firme, minha mãe é forte, não perderia para aquela Nora...

Cada vez mais me distanciava dos dois. Não sei se era porque eles eram rápidos ou eu que era muito lenta, mas tenho que evitar ficar muito longe. Não sei o que pode acontecer-

Uma dor invadiu meu corpo muito rápido para captar de onde tinha vindo.

Minha... Minha perna!

Vou cair.

Fechei os olhos com força, sentindo meu corpo bater no telhado de uma casa qualquer.

A dor de ter seu corpo arranhado por pedaços de telhado nem se comparava a mordida daquilo. E não soltava.

Isso... Queima!

– Dá para soltar a minha perna?! – Tentei sacudir a perna, mas a dor aumentava cada vez mais, então parei.

Ainda não notaram que eu não estava lá?!

Tch. Devem estar brigando um com o outro...

Então vou arrumar um jeito de me salvar. Cansei de ser salva pelos outros.

Ah! A espada!

Tirei-a da bainha e não pensei duas vezes, cravei no cachorro que estava mordendo a minha perna, que desapareceu em forma de sombras.

– O que era aquilo? – Apertei a bainha, que estava em minha outra mão.

Será que estou com medo?

Não. Tenho que parar de depender dos outros.

Sacudi a cabeça para os lados para espantar tais pensamentos e olhei em volta, para ver se mais alguma coisa iria me atacar.

E atacou.

Outro cachorro, idêntico ao anterior.

– O que é isso?! – Assustei-me. O cachorro tentou morder meu braço, mas coloquei a espada no meio, fazendo as duas partes cortadas do seu corpo desaparecerem.

Eu... Matei aquela criatura.

Meus olhos estavam carregados de medo.

“O ódio levará você a fazer coisas horríveis.”

Não...

Saia da minha cabeça!

Mais cachorros daquele me cercaram. Cada um olhando para mim com seus olhos vazios... Sombrios.

Vou... Ter que matar cada um?

Minha cauda já não balançava mais, eles se aproximavam tanto que dava para ver como iria ficar se não fizesse algo. O silêncio predominava no local, o suor escorria pela minha testa gelada. Meus pés ficaram um de frente para o outro, como uma posição de ataque.

Se for para ser assim...

Não devo ter medo.

Uma energia estranha fluía de mim. Aos poucos fui perdendo qualquer rastro da minha sanidade. Todas as lembranças boas foram queimando junto com o meu juízo. Transformava-me em um animal selvagem. Como um felino.

Minha cabeça dói...

Yuuki...

Yamato...

Mamãe...

Sentia-me revigorada, já não importava mais se eu iria matar ou morrer. Apenas tenho que fazer o que é certo.

Um grito grosso e sombrio saiu da minha garganta.

Tenho que ser forte. Mas não vou deixar o ódio me domar...

Eu irei domá-lo.

Se me perder no caminho, só tenho que seguir em frente. Mesmo que não haja volta.

Meu corpo tombou para frente e meus movimentos ficaram cada vez mais rápidos. A espada dançava no ar, cortando cada monstro. Eles olhavam para todos os lados, tentando ver onde eu estava, mas estava em todos os lados. Não havia escapatória para eles.

Um sorriso desafiador brotava em meus lábios.

“Deixe o ódio te domin-“

Cale-se...

– Cale-se seu bastardo inútil! – Gritei, dividindo o último cachorro ao meio.

...

Missão cumprida.

Deixei seus corpos sumirem e olhei em volta. Meus joelhos cederam e eu caí.

Minha perna... Dói.

– Bravo... Boa menina. – Palmas eram batidas bem atrás de mim.

Meus sentidos continuam apurados.

A espada tentou cortar qualquer coisa que estivesse atrás.

– Oh... Então agora você não hesita em matar seus inimigos? Parece que aprendeu a lição. – Aos poucos seu rosto ia aparecendo diante dos meus olhos, que iam se abrindo pela surpresa.

Levantei rapidamente e fui me distanciando lentamente.

Ele...

– Você... – Minha voz era tremida. Seus olhos visualizavam o meu estado atentamente, cada parte do meu corpo.

– Então se lembra de mim? Sinto-me honrado. – Seus cabelos loiros estavam longos e amarrados em um rabo de cavalo, seus olhos eram castanhos, mas pareciam negros. Eram como olhos de cobra, somente uma linha cortando um branco. Olhos quase tão monstruosos quanto os meus. – Vejo que agora, está começando a levar o que disse, a sério.

O corpo alto e desenvolvido estava coberto por um terno negro. Seus pés caminhavam em minha direção, então, se curvou para ficar na minha altura.

– Lembra-se, quando você era criança? – Aquele tom de voz fez um arrepio subir em minha nuca.

Sim... Aquele dia... Como esquecer?

Tinha acabado de voltar da escola.

Pela primeira vez estava voltando sozinha.

Enquanto andava de cabeça baixa, impedindo as pessoas de olharam para mim, senti uma mão gelada me puxar.

Seus olhos eram assustadores e olhavam para mim como se fossem me matar e ao mesmo tempo me tomar para si.

– O ódio leva as pessoas a fazerem coisas que elas não querem Sayo. Domine o ódio e fique mais forte. Seu pai continua a te observar garota tola, deixe de encarar o mundo como se ele fosse um lugar feliz.

Depois disso, senti outra mão me puxar.

Era Yuuki, tinha vindo para me buscar.

Quando olhei novamente para o homem, o mesmo já não estava lá.

Lembro perfeitamente.

Todas as mentiras que aquele homem disse.

– Suas palavras nunca irão me afetar seu... – Suas mãos, cobertas por luvas brancas, seguraram meu rosto com força, interrompendo que eu terminasse a frase.

– Não seja tão rebelde, criança. Você tem que fazer algo com aquela mulher, antes que ela acabe fazendo algo a você.

Como ele sabe?

– E porque se importa? – Estapeei sua mão. – Você não é diferente dela, só é mais um inimigo.

– Não, não... Não me veja como um inimigo, apenas estou aqui como espectador.

Não confio nele.

Aqueles olhos são suspeitos demais para se confiar.

– Então... Busque a verdade sobre esse mundo Sayo, ou aquela mulher vai acabar tirando você dele. Deixe seus olhos te guiarem...

– Sayo! – Segui o som da voz, virando minha cabeça rapidamente. Yamato estava correndo em minha direção, seguido de Yuuki, que estava logo atrás.

Quando virei, ele não estava lá novamente.

Desgraçado.

Os dois quase pularam em cima de mim.

– Porque se distanciou tanto?! Ficamos preocupados! – Yuu falou abraçando meu corpo com força. – Claro que eu fiquei mais que o Yamato, mas não import-

Yama me puxou dos braços do outro e fez a mesma coisa.

– Não dê ouvidos a ele, claro que eu fiquei mais preocupado, Nee-chan!

Haha... Com esses dois, Edgar... Suas palavras nunca me afetarão.

Agora, é hora de terminar o que começamos.

– Tudo bem gente, já entendi! – Os dois agora me abraçavam, fazendo um pequeno cabo de guerra com o meu corpo.

Ah... Esses idiotas... Podiam pelo menos parar com isso...

Depois de dar seus devidos socos, pulei em cima do telhado onde havia caído.

– Vamos, temos que procurar a verdade.

Mas em certos pontos... Até que o Edgar está certo.

Eles me acompanharam.

Podíamos ver a loja onde o Yamato tinha dito que ela morava.

Chegando lá, Yamato já foi invadindo tudo como se já morasse lá.

– Tia Kofuku! Temos visitas!

Depois de um bom tempo, foi jogado de lá com um chute, batendo a cara na máquina de refrigerantes.

– Seu idiota! Já falei para não chegar gritando nos lugares! – Era um homem, com cara de agente da máfia japonesa. Atrás dele, uma garota de cabelos rosa sorria alegremente.

Como ela poderia ficar feliz depois de ver um cara levar um chute?

– Isso parece um dejavú, Yama-chan! Já falei que o Daikoku não gosta quando as pessoas entram sem avisar.

– G- gomen... – Seu corpo estava jogado, mas o “Daikoku” o pegou pelo lenço em seu pescoço e sacudiu.

– Porque está usando as roupas do seu pai?! Aquele infeliz tem uma coleção dessas bizarrices, mas não significa que você tem que acompanhar a moda!

– Tio... Temos visitas... – Aguente firme irmão!

O cara olhou para nós dois mortalmente. Vou ficar quieta aqui, não quero levar o mesmo fim que o Yamato.

– Quem são vocês?!

Recuei para trás do Yuu, que apenas recuou um pouco.

– Oh... É a Hiyorin! – A garota, que até estão só observava, pulou em meu pescoço e começou a me girar como uma criança.

Ela... Parece uma colegial.

– Não Kofuku, não é a Hiyori. É a filha dela. – Yamato levantou, depois de uma seção de espancamento.

Notas finais
A Kofuku apareceu (Kofuku lover) O Daikoku apareceu (Daikoku lover) Então a voz na cabeça da Sayo era o Edgar? Gente... Que revelação... Mas ele é lindo *--* Até o próximo e desculpem a demora!