Margem Distante
21 Atrasando o inevitável
Notas iniciais
Margem Distante
"Aos poucos vejo meus sentimentos estourando como bolhas."
Yamato.
21. Atrasando o inevitável
– Qual o seu problema Yato?! Aparecer assim do nada! Como se eu fosse esquecer todas as surras que você está me devendo! – Daikoku sacudia-o com força, fazendo mais lágrimas saírem do rosto do moreno. Seria uma visão engraçada, se eu mesma não estivesse com medo. Não entendo, eles parecem bem íntimos, mesmo que tenham se passado vários anos. – Agora que você vem tirar a cabeça do rabo?! Tive que ver minha mulher chorar-
Kufuku entrou no meio, empurrando o Shinki para longe, abraçando o Deus mais uma vez. M- mulher?! Então quer dizer que esses dois...? Isso foi um tanto repentino – Mas nem tanto. – Limpei minha garganta, descendo as escadas rapidamente, chegando perto dos meus dois irmãos. Yamato estava de braços cruzados e com o cenho unido, ou seja, o Daikoku não vai ser o único a dar uma surra em você pai... Aguente firme, pois parece que até o Yuuki vai ajudar.
– Você parece bem conformada com tudo que ele fez Sayo. Espero que esse merda não tenha feito milhões de promessas que não irá cumprir. – Depois de alguns segundos, Yama desviou o seu olhar do meu, como se tivesse se arrependido de falar alguma coisa, ou simplesmente não suportava olhar para o meu rosto depois daquilo, afinal, eu que o trouxe aqui dentro... Mesmo que o motivo tenha sido para salvar a nossa pele. – Tsc. Ei! Vocês ai! Não acham que é uma hora complicada para reencontros, tem um Nora’ querendo nos matar. E esse Nora não é comum, não é mesmo Yato? – Cuspiu aquelas palavras como se estivessem colocando um gosto ruim na sua boca.
– Yamato-chan! Que saudades de você! – Yato pulou do segundo andar, seu objetivo era cair em cima do Yama, mas este simplesmente desviou, fazendo o Deus cair com força no chão. Levei-me pelo momento e gargalhei com aquela cena, acho que este sentimento dentro de mim era uma coisa boa...
Era quente...
Aconchegante...
Sentia-me feliz, mesmo que por meros segundos.
– Maldito! Eu disse que não queria mais olhar para a sua cara, não disse? – Yama pisou na cabeça do pai diversas vezes, cruzando os braços de uma maneira superior. Uma pequena dor na minha barriga surgiu em meio as minhas risadas, Yuuki olhava para aquilo curioso e um pouco surpreso. – Está gostando seu merdinha? É claro que está, saiba que esperei anos para poder pisar nesse seu monte de merda que você chama de cara. Hehe, você está parecendo uma geisha com esse cabelinho, usou condicionador?
Era como uma briga de clones, se Yamato não tivesse o rosto mais jovial e o cabelo bem mais curto, juraria que eram a mesma pessoa, já que usavam o mesmo moletom escuro... Tudo bem, já chega. É melhor separar esses dois antes que o Yamato acabe o matando. Mas se bem que está chagando a hora de acabar com essa brincadeira, não estamos numa situação fictícia, alguém está realmente tentando nos matar...
Nora...
Maldita...
Uni o cenho, cerrando os punhos na tentativa de controlar o meu sentimento de ódio. Era como um calor, que perfurava meu corpo em uma lâmina de gelo, deixando-me impulsiva. Não era relativamente ruim, mas me levava a fazer e pensar em coisas horríveis. Mordi minha língua propositalmente, despertando dos meus próprios pensamentos, um dos motivos do meu descontrole.
– Chega de perder tempo. – Resaltei, avançando um passo para os dois, que olharam para mim de maneira idiota... Rs’... Idiotas. – Não sabemos qual será o próximo passo da Nora, temos que estar dois passos adiante. Não tenho tempo a perder com vocês dois. Não sei o que esse pai idiota disse para o filho idiota, mas vocês têm de lembrar que a vida da minha mãe e do Yukine podem estar em perigo, seja lá onde você os deixou, Yato.
Não hesitei em colocar todas essas palavras para fora, sinto que tudo o que aconteceu me deixou mais fria, menos fraca. Sinto que posso finalmente deixar de ser protegida por todos, mas ao contrário, protegerei todos a qualquer custo. Virei as costas para os dois e observei o sol brilhar em meus olhos rubros.
– Onde você os deixou, Yato?
– Você não vai lá sozinha. – Uma voz grossa fez cócegas nos meus ouvidos. Yuuki finalmente tinha se pronunciado depois de tanto tempo, fazendo-me virar em sua direção. Nossos olhares estavam conversando entre si, frios e teimosos. – Não vou deixar você fazer as coisas sozinha.
Cerrei os olhos, sentindo cada palavra espancar o meu peito. Ele não entendia, não estou fazendo isso somente por ele... Por mim também, ela obliterou a minha família, deixando todos separados uns dos outros. Lembro-me claramente das suas palavras: “Que os jogos comecem.”, ou algo assim. Ela me quer nesse jogo, então farei isto por ela. No final, eu quem irei acabar com aquele sorriso debochado.
– Ela tirou a vida de uma das pessoas que eram mais importantes para mim...
Seu corpo se aproximou do meu involuntariamente, fazendo Yato chamá-lo, como se ele fosse fazer algo imprudente. Fechei meus olhos, esperando uma tapa, mas não... Apenas senti um choque quando suas mãos encostaram-se ao meu rosto, levantando-o para encarar o seu. Seus olhos pareciam uma neblina violeta, deixando-me perdida em meus sentimentos. Acho que fiz algo errado...
– Acorde Sayo! – Senti seu hálito gelado bater contra o meu rosto, sua feição era dolorida e raivosa. – Eu estou aqui, não precisa se preocupar, eu me lembro de você, isso não basta? – Não... Não fale assim. Lembrar-se de mim era a última coisa que eu queria que você fizesse. E a minha mãe? E a nossa infância?
– Claro que não! – Rebati, segurando suas mãos com força. Meus sentimentos batiam com força nas minhas palavras, fazendo meu coração palpitar a cada palavra. – Você não quer colocar na cabeça que somos irmãos, temos uma mãe! Um pai e outro irmão! Nós vivemos juntos, compartilhamos momentos juntos... Você me ajudou todos esses anos, eu te admirei, seu jeito frio e cuidadoso de ser, seu sorriso... Tudo. – As lágrimas não queriam sair, acho que já perdi o privilégio das mesmas.
– Ok! Vamos parando por ai vocês dois, estou sentindo que se esta conversa continuar irei me ferrar seriamente, então paremos por agora. – Yamato entrou entre nós dois, mas ficou de frente para mim, segurando meus ombros. – Tente ser mais razoável com ele Sayo... E comigo também. – Sorriu, encostando seus lábios na minha testa. – Acalme-se, cuidaremos disso juntos, Nee-chan.
Fechei os olhos, sentindo algo confortável tomar conta do meu corpo, que me vez soltar um sorriso discreto. Não sinto a mesma coisa que sinto pelo Yamato, com o Yuuki era diferente... Era como se não fossemos... É complicado! Afastei-me normalmente de Yamato quando escutei uma risadinha maliciosa e idiota.
– Eu tenho pena de vocês dois... Hehe... Que situação! – Yato estava com a cara totalmente espancada, sua mão tapava seu sorriso. – Siscon-
– Você quer morrer? – Falaram os dois ao mesmo tempo, aproximando-se do mais velho, que suava frio.
Hã? Não entendi...
Fale com o autor