Maremoto
7 Trocada
Notas iniciais
Sem mais delongas, porque sei que 2% vai realmente ler isso ao invés de pular direto para o cap que demorou a vir, aqui está sua continuação.
Ele se importa. Comigo. Ele ainda se importa.
Só consegui encará-lo um pouco chocada.
Eu quis dizer a ele exatamente o que aconteceu esse ano e o motivo. Quis explicar exatamente o porque de toda aquela merda no verão passado. Eu poderia falar tudo, cada pequena coisa que estava entalado e que ficava me torturando psicologicamente. Talvez se explicasse o porque de ter beijado Luke... talvez ele me perdoasse. E no fim, depois de desabafar tudo isso, eu imploraria para que ele me aceitasse de volta.
Percy somente me encarou, sem dizer mais nada. Eu tinha que falar, era agora ou nunca. Sabe-se lá quando eu teria a oportunidade novamente de dizer. Que outro momento nós não estaríamos brigando?
Respirei fundo, eu precisava falar. Eu ia falar.
–Percy... tem uma coisa que tenho que te falar. Na verdade, tem várias coisas que tenho que te falar – eu disse com a voz frágil.
–Pode dizer – respondeu calmamente me olhando nos olhos.
–Você se lembra daquele dia, no verão passado? Quando eu... quando eu beijei Luke. – comecei mal.
Seus olhos endureceram.
–É meio difícil de esquecer – respondeu friamente.
Ótimo começo, Annabeth. Fale mais besteira, não remexeu na merda o suficiente ainda.
–Bom, eu queria explicar o porque... – fui interrompida por um toque de celular. Eu tinha certeza de que o meu estava desligado no fundo da minha mala, enrolado no carregador e nos fones de ouvido.
Percy e moveu um pouco e pegou o próprio celular no bolso de trás da calça. Ele olhou o visor, e depois ergueu os olhos para mim. Eu não podia acreditar na minha falta de sorte. Por que tinha que tocar justo agora? Eu estava quase... finalmente criara coragem de dizer. Droga, droga, droga!
Ele me encarou como se dissesse que precisa atender, mas não quisesse.
–Atende – eu disse.
Ele suspirou e apertou o botão, levando o aparelho à orelha.
–Oi, Zia – falou me encarando.
Zia. Só podia ser brincadeira.
–Tudo bem... Eu sei, já falei com o treinador George – conversou sem se mover ou tirar os olhos de mim – Vou hoje a tarde... Eu sei que prometi... Tudo bem, Zia, pode ser de noite?... Ok, no Demoníaco...
Eles estavam marcando um encontro. Percy estava marcando um encontro na porra da minha frente. Meu sangue ferveu de raiva e desapontamento. Me levantei da cama num pulo e segui em direção a porta do banheiro sabendo que poderia me trancar lá, meus olhos ardiam.
–Annabeth, espera! – olhei para trás. Percy estava de pé olhando aflito para mim. Parecia que ele queria que eu ficasse, realmente parecia. Mas ao olhar para sua mão cobrindo o celular para que Zia não o ouvisse me chamando, um soluço alto escapou de meus lábios e eu entrei dentro do banheiro trancando a porta.
Parei em frente ao espelho arfando com as mãos em punhos contra a pia de mármore. Eu sentia tanta raiva. Meus dentes doíam pela forma que eu os trincava. Eu tinha que forçar minha respiração para suprir todo o ar que eu precisava naquele surto de adrenalina. Numa ânsia de tirar todo aquele sentimento abominável e sufocante de dentro de mim, soquei os azulejos imaculadamente brancos da parede com toda minha força.
Eu tinha consciência da dor se espalhando por minhas mãos, mas ao mesmo tempo não conseguia sentir com a enxurrada de sentimentos ainda piores que me sufocaram quando a raiva passou.
Meu peito vibrava entre os soluços, me deixando sem fôlego. As lágrimas desciam queimando por minhas bochechas. A dor era horrível, mil vezes pior que qualquer surto que eu pudesse ter. Meu coração estava apertado, minhas mãos tremiam compulsivamente e eu não conseguia respirar.
Encostei-me contra a porta, finalmente consciente da verdade. Até aquele momento parecia que não caíra a ficha. Só quando ouvi Percy ao telefone marcando um encontro eu pude entender completamente que ele tinha uma namorada. Alguém com quem se encontra, beija, conversa, passa o tempo e qualquer outra coisa do gênero. Era ela. Não eu. Zia.
Afundei no chão, encostada na porta. Levei minhas mãos trêmulas para o peito, me encolhendo. Eu não conseguia respirar. Muito além de pelos soluços cortantes que eu não podia conter, eu não conseguia respirar pela falta dele. Eu sentia mais falta dele do que nunca, mais falta do que senti a milhares de quilômetros de distancia.
A porta vibrou me assustando.
–Annabeth, abra – disse Percy.
Me encolhi mais, incapaz de responder.
–Annabeth, por favor... – ele bateu mais uma vez – Abra. Annabeth!
–Não! Fique longe de mim! – gritei soluçando, a voz saiu esganiçada e vacilante.
–Por favor, Annabeth...
Eu não disse mais nada, não consegui. Fiquei chorando nem um pouco silenciosa, enquanto Percy me chamava e batia na porta periodicamente. Ele parou insistir depois de mais dez minutos, mas eu sabia, de alguma forma, que ele estava sentado encostado na porta do outro lado.
Minhas lágrimas foram secando aos poucos, mas os soluços pareciam mais sufocantes a cada segundo. Eles trancavam minha garganta e faziam meu peito se contrair furiosa e dolorosamente.
Eu já não aguentava mais. Tentei me concentrar em respirar e conter aquele surto. Demorou mais alguns horrorosos minutos até que pudesse mudar aquilo para um arfar pesado.
Minha cabeça estava doendo, latejando um pouco nas têmporas com o choro. Empurrei meu corpo para cima, me segurando na beirada do balcão. Parei novamente frente ao espelho, mas não olhei para ele, sabendo o quão ruim estaria minha imagem. Abaixei o rosto para a pia e joguei água nele várias vezes. Finalmente, sem mais paciência, fechei o ralo com a tampa e enchi a pia o suficiente para afundar meu rosto.
Meu cabelo caiu na água, mas eu não me importei. Já estavam molhados mesmo, e pior eu não podia ficar. Prendi minha respiração e afundei o rosto na água. Era refrescante e mais sufocante ainda, mas eu não me importei. Eu quis deixar meu rosto lá para sempre. Afogada na pia, que forma linda de se morrer.
Estava frio, meu pulmão começou a incomodar. Eu não queria deixar a água, mas finalmente não consegui mais conter a respiração. Tirei o rosto da submersão e ofeguei com a falta de ar.
Percy deve ter me ouvido ofegando, pois bateu na porta de novo.
–Annabeth?
Ignorei-o e me voltei para o espelho. Eu não estava tão vermelha, provavelmente por causa da água. Meus olhos estava um pouco arregalados e minha pele parecia mais frágil, como fica quando choramos. Guardei a bodice dagger que esquecera sobre a pia no sutiã. Sequei meu meu rosto na toalha no gancho ao lado do espelho e respirei fundo antes de me virar para a porta.
Coloquei a mão sobre a tranca, estava um pouco dolorida, mas não me importei.
Abri a porta e vi Percy inclinado sobre cômoda escrevendo em algo. Ele olhou para mim e largou imediatamente a caneta e andou em minha direção.
–Annabeth, eu...
Fiz que não com a cabeça, ele se calou mais continuou andando em minha direção. Chegou muito perto, segurando meu rosto e me forçando a olhar para ele. Seus olhos estavam torturados, mas o pensamento sobre Zia me fez puxar suas mãos e dar uma passo a trás, me afastando dele.
–Annabeth, por favor...
–Não – interrompi. Eu não queria ouvir. Não queria saber. Ele não tinha obrigação de dizer nada. Só disse não, mas ele entendeu.
Ele não se aproximou mais, só me encarou por alguns segundos.
–Tenho treino e não posso faltar. Chego as quatro – disse simplesmente depois de mais tempo do que eu imaginei que poderia aguentar sem perder o controle.
–Treino de que? – não me contive em perguntar, embora não fosse muito saudável para o meu ego.
–Natação. Tenho um campeonato semana que vem.
–Um filho de Poseidon num campeonato de natação? Não parece muito justo – alfinetei, sensível demais para me conter.
–Eu tinha que fazer algum esporte de educação física e meu técnico me inscreveu sem eu saber – ele disse num tom de defesa.
–Não estou julgando – disse tentando soar desinteressada. Percy nadava profissionalmente agora. Quantas outras coisas eu não sabia sobre ele?
Ele me olhou por mais poucos segundos, se virou de volta a cômoda e começou a mexer nas gavetas, o vi pegando uma troca de roupa para depois do treino provavelmente.
Me sentindo estúpida em ficar parada olhando, resolvi procurar meu celular para ligar para meu pai avisando que estava tudo bem e já criando uma desculpa para não ter que falar mais nada com Percy. Eu não sabia se poderia continuar fingindo que estava tudo bem e que não acabara de chorar o Pacífico.
Achei o celular no fundo da mala enrolado no carregador e nos fones como eu me lembrava. Liguei o aparelho e coloquei para chamar, andando para a sala.
–Alo? – disse a voz da minha madrasta.
–Oi, meu pai tá ai? – disse sem me importar com a parte de “Tudo bem e você?”. Tentei manter minha voz calma
–Não, Annie. Ele só chega mais tarde hoje, vai substituir um professor doente. Mas você já chegou ao acampamento?
Eu estava me dando bem melhor com ela esse ano, principalmente pelo fato de nenhum monstro ter aparecido e posto a vida de meus irmãozinhos em risco.
–Não, na verdade não vou poder ir pra lá por enquanto. Tô numa cidadezinha com Percy, mas meu pai não precisa saber disso, por favor – respondi sinceramente.
–Tudo bem. Estão em missão ou é só romance? – perguntou com certa malícia e eu quis chorar. Romance? Era tudo o que eu queria.
Eu provavelmente contaria tudo para ela se Percy não pudesse me ouvir, por isso só me sentei no sofá e pensei em como enrolar mais a conversa para não desligar antes dele sair. Ela era realmente boa com conselhos, pelo menos quando não se perdia em relatos de sua juventude de filme de sessão da tarde.
–Nenhum dos dois. Tem uma profecia nova que basicamente diz que eu vou morrer se Percy não matar um monstro marinho milenar, ou algo assim. Tenho que me manter longe da costa e do acampamento então. Mas como está ai?
–Normal – disse não parecendo estranhar nem um pouco meu resumo desta situação surreal – Fomos na formatura do fundamental do seu irmão ontem a noite, uma pena você ter perdido a sua desse ano. Não vai ter outra.
–Talvez a da faculdade, se eu for aceita em alguma. Mas fico feliz de ter saído do ensino médio – respondi sinceramente. Eu não fazia questão alguma em ter uma formatura, não havia amigos para me despedir. Talvez desse mais sorte na faculdade. Eu fora aceita em Columbia, a que eu queria, mas não tinha contado para ninguém.
–Formatura costuma ser importante para garotas da sua idade. Eu lembro da minha formatura... – Percy veio pelo corredor, pegou uma maçã na geladeira e acenou para mim antes de sair pela porta. Acenei de volta, contente em poder conversar melhor com minha madrasta agora – Perdi minha virgindade nela... – continuou ela e eu corei com seu comentário – É um marco de passagem, você devia ter participado e feito o mesmo. Ah, pensando bem Percy provavelmente não estaria aqui para você fazer como eu...
–Hey! Que tipo de assunto é esse? – esganicei completamente constrangida com seus comentários. Eu estava um ano adiantada nesse assunto de virgindade.
–Um importante. Bom, agora que você está ai com ele de novo podem tirar o atraso.
–Meus deuses! Fica quieta, por favor – disse com uma risada nervosa – Quantas vezes vou ter que dizer que ele não é mais meu namorado?
–Claro que é, são apaixonados um pelo outro! Só estão sendo orgulhosos. Se vocês conversarem, ele vai entender tudo tenho certeza. Além disso, ele provavelmente seria capaz de perdoar se realmente tivesse algo entre você o seu amigo loiro, Percy é louco por você, lembro quando ele veio aqui quando você estava sumida... – ela tagarelou muito rápido, me deixando meio perdida.
–Ele está namorando! – interrompi quase gritando.
–Oh! – arquejou.
–Isso é trágico – disse uma voz bem ao meu lado. Pulei no sofá sacando a bodice dagger.
Quando olhei havia uma mulher sentada casualmente na outra extremidade do sofá, analisando as próprias unhas perfeitas. Seu cabelo era absolutamente negro e caia em ondas perfeitas sobre os ombros, a pele levemente morena, lábios cheios e olhos verde-mar. Ela era absolutamente linda, sem estar muito arrumada: calça jeans justas, uma blusa tomara-que-caia branca acinturava e sapatilhas.
A bodice dagger sumiu da minha mão e eu a vi brincando casualmente com a arma.
–Adoro essas coisas, são tão feministas e sexys...
–Mais tarde eu ligo – disse a minha madrasta numa voz fria e desliguei sem esperar resposta – Quem é você?
A mulher ergueu os olhos lindos para mim e me olhou sarcasticamente através dos cílios espessos e longos, depois abaixou os olhos para o próprio cabelo. Puxou uma mecha e sorriu maliciosamente enrolando-a nos dedos.
–Nem imagina? – perguntou numa voz aveludada e dissimulada, me desafiando com os olhos. Eu não respondi e seu sorriso sarcástico aumentou, eu sentia como se pudesse voar sobre ela a qualquer minuto – Sou Afrodite, querida.
–Pensei que Afrodite não tomasse forma – disse estranhando o fato de seu cabelo e olhos terem cores, diferente do que todos diziam. Para falar a verdade nunca reparei muito nela quando visitei o olimpo para saber.
–Eu tomo quando estou próxima a alguém que vive um grande amor. Fico da forma considerada mais atrativa para esse alguém. Interessante meu aspecto físico neste momento não? – ela disse de uma forma provocativa olhando diretamente para mim com os olhos de Percy.
–Nem um pouco inesperado – retruquei – O que você quer?
Eu sabia que não era bom ser grosseira com um deus, principalmente se esse deus fosse especialmente irritadiço como Afrodite. Mas a verdade era que eu sentia uma raiva obscura dela, não por raciocinar que o desastre na minha vida amorosa provavelmente é culpa dela, mas uma ira desmotivada como se visse nela Melody e suas vadias de estimação. Lembrei-me que esta era a forma que Percy costumava reagir a Ares e não me senti tão estranha.
–Seja mais educada, garotinha, não está falando com seu namoradinho para me tratar feito um saco de pancadas. Ah, esqueça! Percy não é mais seu namorado, não é? Talvez se tivesse sido menos grossa... – ela provocou irritada.
–Talvez se não tivesse se metido na nossa vida – respondi, de repente com uma certeza enorme de que ela havia algum dedo nessa história do nosso término.
–Não coloque a culpa em mim! – quase gritou irritada – Não entendo o que há com vocês mortais que acham que qualquer contratempo em suas vidas amorosa é culpa minha. Não é culpa minha que não sabe tratar direito seu namorado, não é culpa minha que seja insegura demais para aceitar que ele era apaixonado por você e não é culpa minha que tenha beijado seu amiguinho filho de Hermes.
Eu não me sinto orgulhosa em admitir que ela me deixou sem resposta, mas o que disse era verdade. Além disso, o fato dela usar o verbo no passado para falar sobre a paixão de Percy por mim me fez sentir enjoo.
–Mas de qualquer forma, filhinha de Atena, tem algo sobre o que temos que falar – ela fez um gesto para que eu sentasse. Eu obedeci ainda estalecida – Você é uma garota inteligente, já entendeu que há uma nova rixa entre Poseidon e sua mãe. E, é claro, como não podem resolver seus problemas entre si, colocaram Percy e você no meio da história. O único problema é que nesses últimos anos eu ando entediada. Completamente entediada! Mas você e Percy tem sido uma fonte de diversão bastante gratificante nos últimos tempos, e eles querem estragar isso.
Eu me sentia um pouco confusa ainda, mas ouvi atentamente sem interromper. Tinha uma sensação de que ela não estava certa em me contar tudo e achei melhor não lhe dar motivos para não fazê-lo.
–Devo dizer que, em parte, é sorte de vocês todo esse drama dos seus pais. Ainda estava decidindo se ia ou não matar um de vocês no final dessa história, mas agora já tem drama mais do que suficiente. Então tenho uma proposta para você.
–Que tipo de proposta? – perguntei um pouco reclusa.
–Já leu romances antigos? São tão bobos, o homem sempre toma a iniciativa. Corre atrás da mocinha... Tão blasé! Não, não, não! – ela se levantou do sofá e começou a andar em círculos pela sala gesticulando com grandiosidade – Está na hora de mudar isso! De ter heroínas fortes, inteligentes, que tomam a iniciativa e conquistam o cara por si mesmas, não seria adorável? – ela bateu palminhas animadas e me olhou esperando um comentário.
–Por que está me dizendo isso?
Ela perdeu o brilho, revirou os olhos e se sentou ao me lado bufando.
–Que falta de imaginação! Vou ser objetiva com você, Annabeth querida, as vezes me esqueço de como filhas de Atena são pouco sentimentais de tanto ver você se derretendo por Percy. Quero que o reconquiste. Que faça Percy voltar a ser louco com você – disse novamente animada, voltando a mover as mãos no ar de forma expansiva – Reacender a chama! É isso, ele ainda te ama e você sabe disso, mas você o magoou demais. Vai ter que se esforçar para conseguí-lo de volta e essa vai ser minha diversão.
A forma como ela falava fazia isso parecer realmente fácil.
–Por que eu faria isso?
–Porque eu quero, e vai ter que me deixar feliz se quiser entender tudo isso que está acontecendo. Além disso, nós duas sabemos que Percy de volta é tudo o que você quer. Então vai fazer isso, e direito, e quando eu estiver satisfeita, eu acabo com essa briguinha estúpida entre os pais de vocês. Acredite, eu posso.
Eu a encarei e ela piscou os olhos de Percy para mim. Percebi sua tentativa de me convencer usando seu aspecto físico que mexia comigo.
Não havia alternativa, e eu sabia disso. Se eu rejeitasse a proposta dela, Afrodite ferraria com minha vida de vez. E provavelmente iria além disso, me atingindo bem no ponto mais fraco. Ponto que ela conhecia: Percy. Se já não havia dedo dela nessa história de Percy e Zia, ela colocaria, piorando tudo de vez.
Outro fator era que, tirando a forte facada no meu orgulho, eu não perderia nada com isso. Ganharia, e muito, na verdade. Com apoio de Afrodite, ter Percy de volta seria infinitamente mais fácil. Eu conseguiria ele e de bônus entenderia tudo o que estava acontecendo e resolveria esse impasse entre minha mãe e Poseidon. Mas respostas e uma solução era somente isso: um bônus. Pois se conseguisse meu Cabeça-de-Alga de volta, eu poderia enfrentar tudo isso e mais um pouco sem qualquer problema.
–O que eu tenho que fazer? – perguntei, orgulhosa demais para dizer que aceitara.
Ela sorriu enormemente e vi o sorriso de Percy em seus lábios por um segundo.
–Vou ser boazinha e estabelecer metas. Não dá para se esperar muito de uma filha de Atena em questões românticas. Mas para inicio você tem uma tarefa de casa – ela disse e o brilho pervertido em seus olhos me fez ficar apreensiva – Como posso dizer isso...? Ah, é claro: quero que o leve para a cama.
–O que?! – perguntei assustada, quase me arrependendo de ter aceito.
–Não banque a ingênua, não é como se nunca tivessem feito e nem como se não quisesse isso. Vejamos, hoje é sexta... Você tem até o domingo, é um bom prazo.
Eu estava pronta para contestar, embora ela realmente estivesse certe sobre já termos feito e eu querer, quando sua aparência começou a mudar e perdi o fio da meada.
–O que está acontecendo? – perguntei vendo seu cabelo clareando. A raiz negra começou a ficar loura e a cor foi descendo pelos fios. As ondas definidas foram trocadas por um ondulado leve no comprimento até cachos largos nas pontas.
Afrodite pareceu não entender de inicio, mas quando abaixou os olhos para as pontas do próprio cabelo, que eu fitava assustada, a compreensão atravessou seu rosto. Ela disse que tomava a forma do amor de quem estivesse perto, mas só havia eu na sala. Imediatamente meus pensamentos voaram para Luke, mas não fazia sentido, pois eu não sentia nada além de certa amizade por ele.
–Percy está voltando – ela disse calmamente enrolando o dedo em um cacho loiro. Quando ergueu os olhos de volta para mim, o verde-mar havia ido embora. No lugar estavam dois grandes olhos cinzas tempestuosos.
Eu não entendia o porque de Percy estar voltando se havia minutos que saíra, mas imaginei que esquecera algo. Senti a palma da minha mão ser preenchida e vi a bodice dagger, eu já havia esquecido que Afrodite a pegara.
– Domingo – ela lembrou antes de desaparecer em névoa pink.
Notas finais
Ela é Peeta e Katniss, e acho que quem curte essa vai adorar Beautiful Dangerous. É bem sexy... Bom, quem se interessar e gostar da minha escrita leia, por favor.
130 comentários para o próximo, vocês conseguem, gente!
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