Maremoto
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Notas iniciais
E quatro comentários lindos me convenceram também! Os da Naty Silva, Uma Anônima, Mandy N e Thay. Valeu, meninas!
Senti um forte impacto na costela e todo ar saiu de meus pulmões. Meus pés não tocavam o chão, mas o tornozelo ainda doía absurdamente. Eu não senti o frio que imaginava, somente aquele aperto forte em minha cintura.
Senti meu corpo se deslocando, os membros estavam soltos. Eu não sentia a água. Sinceramente, não sentia nada. Não devia ser assim, havia algo errado, mas eu estava tonta de novo e não conseguia raciocinar.
Então a dor me despertou, quando meu peso foi novamente apoiado sobre meu tornozelo ruim. Sem abrir os olhos tentei me equilibrar sobre meu pé, a mente ainda rodando. Eu não entendia o que estava acontecendo realmente, mas tinha certeza que não era a hora para um desmaio. Eu ainda podia senti algo segurando minha cintura, embora com menos força, como se me desse apoio.
As mãos rodaram em minha cintura, me virando. Quando deixaram meu corpo, percebi que elas me sustentavam mais do que imaginava. Meu tornozelo fraquejou e eu afundei no chão em direção a inconsciência.
–Annabeth! Annabeth! – chamou.
Eu escutava, mas não conseguia assimilar que era comigo.
Minha cabeça latejava e algo me sacudia. Aos poucos pude sentir o calor voltar ao meu corpo e a by CouponDropDown\">consciência da situação voltou.
Oh, santa Atena! Luke, Cetus, Percy!
Suguei ar com força e abri meus olhos.
Encontrei o rosto de Percy muito próximo e superventilei. Seus olhos verdes pareciam aflitos e a testa estava enrugada de preocupação. Percebi que ele me segurava, sustentando todo o meu peso com um braço em volta de minha cintura e o outro segurando meu rosto.
–Percy – murmurei feito uma idiota.
–Oh, graças aos deuses! – ele suspirou aliviado – Nunca mais me assuste assim – ele acrescentou soando como uma ameaça.
Meus olhos estavam arregalados com a proximidade dele, era assustadoramente inacreditável. Eu não movi um músculo e nem fiz menção de sustentar a mim mesma, não querendo provocar seu afastamento. Contive até mesmo minha respiração.
Os olhos de Percy mudaram, ficando mais calmos e escuros, o rosto relaxou aos poucos e ele me manteve em seus braços. Tinha algo diferente em sua expressão.
Nada lentamente, Percy se moveu, puxando meu rosto para o seu. No momento em que nossas bocas se encontraram, eu tive certeza que estava morta e fora para o Elísio.
Seus lábios se moveram lentamente contra os meus. Entreabri meus lábios e me deliciei ao sentir sua língua entrando em minha boca. Minhas mãos voaram para seu cabelo o puxando para mais perto. Percy está me beijando!, anjos cantavam em minha mente.
Ele apertou mais minha cintura e aprofundou o beijo, explorando minha boca com ferocidade enquanto eu tentava, na medida do possível, não desfalecer em seus braços. Correspondi com igual entusiasmo, me espremendo mais contra ele. Como eu sentira sua falta.
Suas mãos se moveram em meu corpo, como se quisesse se certificar que eu estava mesmo ali. Não contive um gemido quando ele envolveu novamente minha cintura e me puxou contra si em um tranco de tirar o fôlego. Meus pulmões já queimavam por falta de ar, mas não queria de forma alguma interromper aquilo.
Quando finalmente nos afastamos, mantivemos as testas encostadas, fitando profundamente os olhos um do outro e ofegando.
Ele me abaixou lentamente para o chão, e percebi o quão mais alto que eu ele estava. Provavelmente uns vinte centímetros. Meus devaneios sobre como ele era ainda melhor mais alto se foram quando a dor mais uma vez fez questão de me acordar.
Eu vacilei quando toquei o chão e arfei de dor. Ele pareceu despertar também com minha reação e olhou para meu pé. Uma compreensão atravessou seu rosto, junto com uma sombra.
Percy se agachou a minha frente e tocou levemente meu tornozelo, doeu e eu não contive o gemido de dor que saiu de meus lábios. Ele olhos para mim e percebi seus olhos muito mais duros que segundos antes e não entendi o que acontecera. Por favor, que ele não tenha se lembrado de todos os motivos que tem pra me odiar.
Ele passou o braço em volta de meus joelhos e me derrubou sobre seu ombro.
–Percy! Me coloque no chão! – gritei quando ele me ergueu e começou a caminhar de volta para cima.
Finalmente entendi o que acontecera. Ele me segurara pela cintura antes que eu pudesse alcançar a água. Como eu pude não perceber que estávamos na beira de um penhasco quando acordei? Ah, é claro, ele me beijou.
–Quietinha – ele disse rudemente, enquanto eu me debatia tentando sair de seu ombro.
–Eu posso andar! – gritei, ficando enjoada de ver o chão ficando mais e mais distante a cada degrau que subia.
–Claro que pode – debochou.
Bati com os punhos em suas costas, mas ele pareceu não se importar nem um pouco.
–Me coloque no chão! – gritei repetidamente, mas ele somente me ignorou completamente. Subiu de volta a floresta e continuou andando – Ótimo, já estamos na floresta! Meu plano falhou, agora pode, por favor, me colocar no chão?!
–Claro – ele disse, depois de andar por mais alguns metros dentro da floresta. Ele passou o braço por minha cintura e me tirou de seu ombro, me jogando de bunda no chão sem qualquer cerimonia, dei um grito involuntário e ele somente virou de costa, tirou a mochila do ombro e a abriu.
Não ousei falar nada, só me inclinei para perto de meu pé.
Quando toquei o tornozelo, me encolhi de dor e travei os dentes quando tentei mexer o pé, para ver se estava quebrado. Consegui mexer minimamente, mas doeu demais para tentar de novo. Desamarrei o cadarço e lágrimas brotaram nos meus olhos quando tive que fazer força pra arrancar o tênis apertado. Percy ainda estava mexendo dentro da mochila.
Tentei massagear meu tornozelo, mas parei quando vi um pouco de sangue nele. Olhei para a palma da minha mão. O corte que fizera na árvore estava aberto e sangrando, percebi que fora mais fundo do que tinha imaginado. Lembrei do arranhão na perna, então.
Droga! Eu não podia ter me machucado menos? Estava fundo também, e parecia a beira de uma infecção grave, meio esverdeado na borda e com pus. Chequei os bolsos procurando algo para limpar os machucados, mas não achei nada.
Eu nunca fiquei enjoada com sangue, mas talvez o cansaço, a falta de comida no estomago e toda essa pressão psicológica de estar perto assim de Percy de novo, tenha embrulhado meu estomago e me deixado meio zonza. Fechei os olhos, respirei fundo e senti o enjoo passando.
Abri meus olhos me sentindo melhor, mas a sensação ruim voltou assim que olhei de novo para o sangue. Sem ponderar muito minha decisão, tirei a blusa do acampamento e fiquei só com o sutiã azul. Felizmente ele era um tomara-que-caia azul* largo na frente, o bastante para esconder a bodice dagger. Além disso, tirando o fato que o meus seios haviam passado do 44 para o 46 esse ano, não era nada que Percy já não tivesse visto.
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Limpei o sangue da mão e o pus de minha coxa com a manga da camiseta, depois fiz um pequeno corte na metade da blusa com minha adaga e rasguei, criando duas fitas de malha. Amarrei-as firmemente em meu tornozelo, para imobilizá-lo. Fiz uma outra fita, mais fina, e amarrei na mão para conter o sangramento.
Quando terminei me senti observada e olhei para cima. Percy me encarava numa expressão indecifrável. Estranhamente, não corei sob seu olhar, só encarei de volta. Ele se abaixou ao meu lado e me entregou uma garrafa de néctar e um saquinho cheio de quadradinhos de ambrosia. Comi alguns e tomei um grande gole de néctar.
Imediatamente senti o calor se espalhando pelo meu corpo. Minha coxa ardeu um pouco, provavelmente quando começou a desinfeccionar. A dor latejante em meu tornozelo diminuiu um pouco e minha mente se clareou com a ingestão de glicose que eu estava precisando.
–Como conseguiu se machucar tanto, em tão pouco tempo? – perguntou Percy, rompendo o silencio e se sentando ao meu lado.
–Me arranhei saindo de um tronco em que estava escondida – disse indicando a coxa. Ergui a mão com o curativo improvisado – Cortei numa árvore tentando me apoiar. E torci o tornozelo correndo de você.
–E esse foi eu – ele acrescentou indicando minha costela. Olhei e percebi um hematoma escuro, no formato da mão e do pulso de Percy atravessando meu abdome. Parecia bem feio e escuro, em comparação com minha pele muito clara, mas sabia que não era assim tão ruim: eu ficava marcada com uma facilidade tremenda.
Percy detestava quando deixava marcas no meu corpo. Ficou uma semana sem tocar em mim no verão passado, quando deixou minha cintura e meu quadril cheio de marcas roxas, depois de uma sessão um pouco, hã, tensa de agarração sobre uma manta na praia. Mesmo depois que consegui fazer Grover contrabandear algum néctar da enfermaria e eu já estivesse sem nenhuma sombra escura no meu corpo pra contar história, demorou mais três dais pra conseguir fazer Percy voltar a me tocar.
Foi uma semana bem divertida, apesar de frustrante. Eu passava a maior parte do meu tempo provocando Percy, e ele parecia não dar a mínima. Eu sentava em seu colo o tempo todo, até mesmo na frente de filhas de Afrodite (Coisa que nunca fiz, com medo de que elas ficassem em inveja. Nunca é bom provocar filhas de Afrodite). Sem exageros, juro, apesar de todo meu esforço, ele não colocou a mão uma vez em mim. Literalmente, quando eu o tocava ele não fazia objeção e nem se afastava, beijos só se eu avançasse e ainda assim eram no máximo selinhos, mas ele não ergueu a mão para me tocar sequer uma vez nessa semana.
Por mais asqueroso que fosse aquele filho de Ares que entrara uma semana antes no acampamento, eu fiquei eternamente grata a ele por sua atitude grosseira e estúpida. Eu estava no colo de Percy na arquibancada da arena, com os braços em volta de seu pescoço. Ele estava irritantemente com as mãos pousadas sobre o banco e quando puxei uma de suas mãos, a colocando em minhas costas, ele a deixou lá parada por poucos segundos e depois voltou ao banco. Então eu surtei.
–Olha, Percy, paciência tem limite! Se não me quer, tem quem queira! – gritei saindo de seu colo num pulo e descendo a arquibancada rapidamente. Percebi que ele estava me seguindo, mas meu orgulho não me deixou olhar para trás.
–E tem mesmo quem queira – ouvi assim que pisei na arena, em seguida senti um forte tapa na minha bunda.
Me virei meio perdida, bem a tempo de ver Percy voando pra cima o filho de Ares. O garoto não era tão alto, mas bem forte e grande. Ainda assim não houve chance pra ele, no segundo seguinte Percy estava sobre ele, socando com uma fúria assombrosa, enquanto o filho de Ares tentava precariamente se proteger com os antebraços na frente do rosto.
Demorei alguns segundos para acordar e tomar uma atitude.
–Percy! – gritei correndo até eles e puxando um de seus braços – Percy, pare! Olha pra mim, não vale a pena! Percy!
Ele conseguiu acertar mais cinco socos no garoto mesmo comigo segurando um de seus braços. Eu sabia que ele se meteria numa encrenca sem tamanho e que todos estavam olhando, assim, mesmo sabendo do risco que tinha de me machucar, avancei sobre Percy abraçando seus ombros e me colocando na frente do garoto. Ele parou imediatamente.
–Calma – disse numa voz apaziguadora, ajoelhei ao lado dele e segurei seu rosto com as mãos, olhando em seus olhos – Hey, tá tudo bem.
Ele olhou pra mim ofegando e percebi seus músculos relaxando.
Me levantei puxando Percy comigo e consegui tirá-lo de cima do filho de Ares.
Eu sabia que tinha muita gente pra acudir o garoto então somente agarrei o braço de Percy e o puxei para fora da arena, o levando até a praia. Eu já tinha estado com os braços dele em volta de mim muito tempo, mas nunca tinha percebido o quão forte ele é até aquele dia.
Assim que chegamos a praia eu parei na areia e olhei pra ele. Seus olhos estavam muito claros aquele dia e parecia ainda mais com o sol refletindo neles. Percy não disse nada, mas me puxou para seu peito num abraço forte e aconchegante. Abracei sua cintura, muito feliz dele estar me tocando de novo. Foi naquele momento que percebi que queria transar com ele.
–Annabeth? – voltei a realidade na floresta. Percy me olhava curioso, provavelmente com a demora para responder.
–Ah, desculpe. Não dormi muito – respondi corando. Ele não podia advinha sobre o que eu estava pensando, podia?
Ele me olhou por um segundo e mexeu na bolsa, puxando algo azul escuro. Ele me entregou e percebi ser um saco de dormir.
–Durma. De manha viajamos.
–Pra onde?
Ele não respondeu, só se recostou numa árvore e cruzou os braços no peito largo.
–Não devíamos procurar Luke? Ele ia me levar ao acampamento – ele me encarou, parecendo irritado com a pergunta.
–Acho que o pânico de ficar te procurando é um bom castigo por te deixar fugir – respondeu friamente – E não vai voltar para o acampamento, ficou claro que ele não consegue te manter segura.
Eu não achei resposta, então só entrei no saco de dormir e me encolhi. Consegui suprimir uma lembrança de mim e Percy dormindo juntos em um saco de dormir. Tivemos que ficar muito próximos pra dormir juntos lá dentro, não foi assim tão ruim...
Apesar de estar cansada, não conseguia dormir. Não só pelo fato de saber que Percy estava ali ao meu lado, como sonhei o ano todo, mas estava apavorada com a ideia de dormir. Eu sabia que não tinha motivos para temer pesadelos estando perto de Percy, já que todos eram sobre ele correndo perigo.
–Vi você batendo em Luke – comentei como quem não quer nada.
Percy me olhou não parecendo nem um pouco surpreso, como se não se importasse nem um pouco de eu saber disso.
–Ele mereceu – respondeu com frieza. Eu já estava começando a estranhar, Percy não era frio. Na verdade era a pessoa mais calorosa do mundo.
–Só por me deixar fujir? – perguntei, tentando fazê-lo confessar quem era ela.
–Você sabe que não foi só por isso – ele respondeu olhando além das árvores, como se não estivesse falando nada de mais.
–Com quem Luke transou? – perguntei diretamente com um bolo na garganta.
Ele voltou a me fitar, parecendo incrédulo com a pergunta. Percy realmente me olhou como se fosse uma afronta eu perguntar isso.
–Quem você acha? – ele perguntou ironicamente.
Eu franzi o cenho, como eu poderia saber? Percy pareceu se irritar com minha reação e se levantou de supetão, eu me encolhi. Ele estava bravo por mim não saber quem era a garota?
Ah não ser que... Percy não tinha motivos pra pensar que eu transei com Luke, não é? A ideia era ridícula, mas explicaria sua reação e...
–Zia – ele respondeu interrompendo meus devaneios estúpidos – Minha namorada.
Senti todo o ar saindo de meus pulmões. Estava afogada em meu âmago. Zia. Namorada de Percy.
Girei o pé em baixo da coberta. Eu poderia correr. Passei a mão na coxa, pegando minha adaga. Sai de dentro do saco de dormi e me levantei rapidamente.
–Onde você pensa que vai? – ele perguntou.
Eu não respondi, somente brandi minha faca em sua direção, cortando o ar a sua frente quando ele desviou. Avancei, tentando um ataque por cima, mas ele travou meu pulso com o antebraço. Consegui puxar a mão antes que ele arrancasse a adaga de mim, guardei-a de volta na coxa e fui pra cima dele com os punhos. Eu sentia tanta raiva e ressentimento e ira e tantos outros sentimentos controversos que não controlava mais meus movimentos.
–O que você tá fazendo? – ele perguntou, quando segurou meu punho no meio de um soco. Eu só grunhi e puxei minha mão.
O que eu estava pensando? Que venceria numa luta com Percy? Não, eu simplesmente não pensava. Eu não conseguia.
Tentei chutar, mas ele aparou todos os golpes com facilidade.
–Annabeth, pare com essa palhaçada! – ele disse quando desviou um soco meu que chegou muito perto de seu rosto.
Ele não atacava, só me mantinha longe enquanto eu grunhia e tentava a todo custo machucá-lo. Descontar a forma como me sentia.
Dei um soco cruzado com a mão direita, que ele segurou, sem conseguir soltar o punho, soquei com o outro punho, ele segurou também. Quando tentei chutá-lo, Percy me empurrou contra uma árvore.
Bati as costas, mas não me importei. Consegui soltar um punho e levei a mão até minha coxa, buscando a faca. Ele conseguiu pegá-la e puxou ambos os meus pulsos, segurando-os contra a árvore acima de minha cabeça, com só uma mão.
Ele olhou nos meus olhos e eu me perdi por um momento. Estávamos tão próximos, ele podia me beijar... ele levou sua outra mão para minha coxa e a puxou, enroscando em seu quadril. Comecei a respirar rápido demais, esquecendo a fúria momentaneamente.
Ele apertou minha coxa, fitando tão profundamente em meus olhos que parei de tentar soltar meus pulsos. Subiu a mão lentamente, massageando a pele nua da minha perna até minha bunda. Ele a apertou por um momento e deu um sorriso sarcástico, provavelmente com minha postura completamente entregue a ele. Eu me irritaria, mas me sentia quente demais pra isso.
Percy desceu a mão para minha coxa novamente e antes que eu percebesse, arrancou minha adaga do suporte e a atirou para o lado. Virei o rosto a vi travando numa árvore do outro lado da clareira. Voltei meu rosto para ele novamente, me sentindo completamente estupida por deixar ele se aproveitar de mim assim. Ele só estava tentando me desarmar.
Puxei meus pulsos rapidamente, conseguindo soltá-los. Acertei o lado da mão com força contra o ombro dele e o empurrei com o tronco. Ele cambaleou pra trás e aproveitei para agarrar seu pulso e girá-lo derrubando-o. Eu sentia ainda mais raiva dele, e de mim mesma por ser tão estupida.
Me virei para correr na direção do penhasco, mas mal havia corrido dez metros quando ele me segurou por trás. Passou o braço em volta de meu pescoço e me puxou contra si. Arfei com a proximidade, e me odiei por reagir assim perto dele. Agarrei seu braço e girei o corpo, o jogando sobre o ombro e o derrubando de costas contra o chão.
Ao invés de correr, como devia, me deixei levar e montei sobre Percy e esqueci os golpes limpos, estapeando seu peito e rodando os punhos sem deixar que ele me segurasse.
–Eu te odeio! – gritei contra seu rosto.
Ele conseguiu segurar minhas mãos novamente e nos rodou no chão, ficando sobre mim. Meu cabelo se espalhou na relva e ele segurou meus punhos contra a grama.
–Não parece me odiar nem um pouco – ele disse me encarando. De repente, fiquei muito ciente que estava de sutiã. Comecei a arfar.
–O que sua namorada acha de você ficar beijando sua ex?
Ele franziu a testa e depois sorriu ironicamente.
–Está com ciumes, Annabeth Chase? – perguntou sarcástico.
Puxei meus punhos para baixo, levantei o quadril e girei o corpo, caindo novamente sobre Percy.
–Sonhe!
Coloquei a mão em meu sutiã e saquei a bodice dagger, erguendo-a no ar, pronta para desferir um golpe contra ele. Percy me olhou surpreso, não conhecendo a arma.
Respirei fundo, só um golpe. Isso iria pará-lo o suficiente para conseguir correr até o penhasco. Ele tinha néctar e ambrosia, se curaria rápido... Então eu poderia pular do penhasco e... morrer.
Percy não reagiu, somente esperou o minha próxima atitude. Eu estava arfando, eu não queria fazer. Não conseguiria machucá-lo. Pressionei meus lábios e podia sentir meus olhos lacrimejando, eu não queria, não queria!
Ergui um pouco mais a adaga no ar e... soltei. Ela caiu no chão, sem barulho algum.
–Eu não consigo – murmurei com um bolo na garganta.
Apoiei minhas mãos em seu peito e baixei o rosto, encarando seu abdome. Meus cabelos caíram cobrindo meu rosto.
–Tá tudo bem – ele disse calmamente. Não consegui diferir emoções em sua voz.
–Eu não quero morrer.
Ele colocou o dedo sobre meu queixo e ergueu meu rosto. Seus olhos tinham muitas emoções. Ele parecia prestes a dizer algo muito importante, esperei ansiosa.
–Vejo que encontrou ela – disse uma voz sarcástica. Olhei para o lado e vi um muito irritado Luke.
Notas finais
E dessa vez não vou ser tão boazinha!
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