Notas iniciais
Sorry a demora. Não tenho desculpas dessa vez, simplesmente não conseguia escrever...
Então... Ta ai o cap.

Pulei sobre ela, quase nos derrubando com o impacto.

–Thalia! Sua caçadora psicótica, que saudades! — disse contra seu cabelo negro cujas pontas desfiadas espetavam meu rosto e davam vontade de espirrar.

Ela sorriu e se fastou de mim. Me olhou dos pés a cabeça, procurando sinais de magreza com toda certeza.

Felizmente eu me comportara por esses dias, principalmente depois que Percy ficou sabendo de tudo, e ela não encontrou nada. – Brinquedinho novo? — perguntou, apontando minha bodice dagger, depois de não ter encontrado nenhum aspecto fisico para encrencar.

– Presente de natal do Prof. Chase — respondi voltando a me sentar, enquanto ela ocupava a antiga cadeira de Gerry.

– Como se seus seios já não fossem perigosos o suficiente — gracejou e eu revirei os olhos para ela — Qualquer um que olhe para eles ganha a garantia de um soco grátis. Fora seus poderes de sedução...

Sério, qual era a possibilidade da Caçada estar deixando Thalia, que basicamente estava fadada a virgindade eterna, mais pornográfica e maliciosa? Pensar nisso me fez inconscientemente lembrar de todas as caricias que troquei com Percy e principalmente em nossa transa.

Consegui sentir mais pena de Thalia do que sentia de mim mesma por não poder sentir tudo isso. Deuses, tenho certeza que nem a eternidade seria capaz de compensar ficar sem sexo para sempre. Ta legal, eu só fizera uma vez, mas fora de longe a coisa mais incrível que já me acontecera.

Percebi pela expressão de Thalia que eu demorara para responder, perdida em meus devaneios.

– Nem sou tão violenta assim, para socar alguém que olhe meus seios. E me fale um pouco mais sobre esses poderes de sedução, porque eu os desconheço. — disse depois de alguns segundo, mentindo sobre a parte de não ser tão violenta.

Thalia riu, mesmo eu não vendo graça.

– Quem foi que disse que seria você a socar quem os olhasse? Eu falava de Percy — disse ainda rindo.

Eu corei furiosamente, sabendo que não deixava de ser verdade. Talvez agora isso tenha mudado devido a (Eca) Zia, mas ele já fizera coisas assim. Mesmo sendo um garoto pacifico, voou sobre o filho de Ares que inventou de me dar um tapa na bunda. Nem lutando contra Cronos (n/a: nessa história, imaginem que Cronos não se apossou de Luke, mas de qualquer outro meio-sangue, porque eu adoro usar o Luke de vilão) vi Percy com ira semelhante a quando espancou aquele garoto por mim. Isso, é claro, sem contar seu ciumes menos declarado.

– Acho que as coisas mudaram um pouco... — disse a contragosto, olhando para a mesa onde estavam Percy e Zia.

Seguindo a filosofia de que o copo está meio cheio (otimismo), eles não se beijavam mais. Seguindo a filosofia que o copo está meio vazio (pessimismo), ela estava no colo dele, inclinada perto de seu rosto enquanto seu cabelo ondulava feito chocolate derretido sobre seus ombros.

Não é segredo nenhum que sou do tipo pessimista, para quem o copo na metade estava subcapacitado e cuja metade vazia estava cheia de frustrações em sua falta de conteúdo. Por isso, para mim, havia uma garota no colo de Percy. E não era eu.

Deuses! Até eu, a esta distância e com esse pouco tempo de convivência, poderia enumerar qualidades a ela: Linda, parecia a Megan Fox com aqueles olhos azuis brilhantes, cabelo radiante, corpo perfeito, altura e rosto digno de uma filha de Afrodite; Divertida, eles conversavam calmamente enquanto ela sorria e até jogou a cabeça para trás rindo adoravelmente; Espontânea, ela saltou o balcão e pulou nos braços de Percy em um bar cheio; Sexy, motivos óbvios... Desisti disso, pois a cada novo item adicionado a sua lista, eu me sentia perder mais chances.

– Ah, — continuou Thalia, completamente alheia as minhas viagens mentais — você conheceu Zia. Ela não é tão má, Annie, na verdade é um doce.

Adorável você ouvir da sua melhor amiga que a namorada do cara que você gosta é um doce. Até Thalia!

– Na verdade ela não parece nem um pouco má. E essa é a parte ruim.

– Não vou negar que ela é ótima. Bonita, simpática, divertida... Mas, Annie, acredite: a forma como Percy olha para ela não é nem remotamente tão intensa quanto a forma que ele olha pra você.

Eu conseguia me lembrar de como ele me olhava, e Thalia estava certa. Apesar de ele claramente ele achar Zia bonita e ter algum sentimento por ela, era diferente da forma como ele costumava me olhar. Eu frequentemente perdia o fôlego quando ele me encarava daquela forma com seus incríveis olhos verdes.

Ainda assim, eu precisava ouvir isso. Então me fiz de tonta.

– Como assim "a forma que ele olha para mim"? — perguntei em falsa ignorância.

– Deuses, Annabeth! Ele sempre te olhou como se você fosse a coisa mais importante do mundo, como se não existisse qualquer outra mulher aos olhos dele. Tão... Apaixonado, amoroso, terno, fixo... — ela parou como se não soubesse mais como por em palavras, mas então prosseguiu — De longe dava para ver o quanto ele é apaixonado, o quanto te ama. Da mesma forma como você olha para ele, como se Percy fosse seu ponto de gravidade. É um pouco costrangedor de olhar de fora. Pois, de alguma forma, só o modo como sempre procuram os olhos um do outro em momentos de perigo, medo ou diversão é como se quem os fitasse estivesse invadindo a privacidade astral de vocês.

Eu fiquei um pouco estática, não imaginando que esse discurso pudesse um dia vir de Thalia. E não imaginando também que isso entre nós era tão aparente.

– O que exatamente está fazendo aqui? — perguntei mudando de assunto.

– A Caçada está fazendo vigia em volta da cidade. Sabe que Artemis gosta de Percy desde aquela missão pra salvar você e ela. Além disso, com o cheiro que sua mãe passou para ele praticamente fez todos os monstros que devemos caçar se concentrarem ao redor daqui. E como lady Artemis teve uns problemas com uma das Caçadoras, nos liberou até resolver.

Fiquei um pouco irritada por Thalia saber de todas essas coisas e jamais ter me dito.

– Que tipo de problema? — perguntei ignorando minha irritação.

Thalia riu antes de responder, depois se inclinou para mais perto de mim falando baixo.

– Saíram uns boatos de que Lenna estava transando com Apolo — disse em tom conspirador. Minha boca se abriu — Relaxa, não é algo tão incomum assim. Muitas das garotas já deram uma escapada, se é que você me entende.

Meu conceito sobre a Caçada mudou de repente?

– Você...? — arregalei os olhos.

– Eu não. Sou uma boa Caçadora — respondeu. Assenti concordando, Thalia realmente era comportada.

Ela de repente me olhou estreitando os olhos.

– E quanto a você, Annabeth? Nunca falou sobre isso.

– O que? — corei.

– Você e Percy tinham um fogo... Quão longe foram?

Eu não me sentia muita vontade de falar sobre isso.

– Não precisa saber.

– Fala logo, sou sua melhor amiga!

– Fomos longe — respondi simplesmente.

– Longe? Tipo o meu longe ou o seu longe?

Espiei Percy e Zia e ela continuava no colo dele. Voltei aos olhos eletricos de Thalia e suas perguntas constrangedoras.

– Eu devia saber qual é o "longe" de cada uma de nós?

– Pare de enrolar. Me conte!

Joguei as mãos para o alto rendida.

– Nós transamos. Satisfeita?!

A boca de Thalia se abriu em um O e seus olhos pareceram ficar ainda maiores.

– Ta legal... Isso é mais longe do que imaginei — murmurou um pouco chocada. — Continue.

– Quer saber todos os detalhes sórdidos por acaso? — perguntei em tom de reclamação.

– Sim!

– Foi uma pergunta retórica!

– Tarde demais. Comece: Onde? Quando? Como foi?

Eu corei e olhei novamente para o lado de Percy. Zia estava brincando com a gola da camisa dele e depois se inclinou para mais perto e o beijou na bochecha. Percy sorriu completamente alheio ao assunto de minha conversa com Thalia.

– Chalé de Posseidon. Verão passado. Foi perfeito — respondi suas perguntas em ordem — Feliz?

– Aaah! Detalhes, por favor! Vou ser virgem por toda a eternidade, você tem que ser solidária!

– Quer que eu descreva em detalhes o pênis de Percy e nossa transa? — perguntei irritada, tentando constrangê-la para que parasse com esse interrogatório vergonhoso.

– Quero.

Tenho certeza que seria colhida e vendida como um pimentão se alguém além de minha amiga visse o tom que minha pele assumiu.

Olhei assustada para Thalia. Era estranho eu parecer mais velha que ela, congelada em seus dezesseis anos, estilo punk e trajes prateados. Talvez o fato dela parecer mais jovem do que era me fez parecer ainda mais estranho falar sobre essas coisas com ela.

– Posso ter perdido o monopólio sobre isso — disse indicando sutilmente Percy e Zia — mas ainda prefiro guardar essas coisas para mim, Thalia.

Ela olhou para onde indiquei e se voltou para mim.

– Já peguei ele olhando umas três vezes para você, se quer saber — disse Thalia.

Pela sua expressão notei que ela queria acrescentar que também me pegou olhando umas trés vezes. Felizmente, ela se conteve. Ela riu de minha expressão confusa.

– Todo mundo sabe que ele é louco por você, até Zia. Ela já me falou...

– Já conversou com Zia?!

– Sim, eu venho bastante visitar Percy para avisar sobre a Medusa quando a Caçada consegue alguma informação. Conversei com Zia umas duas vezes, e ela mesma me disse que Percy ainda é apaixonado por você.

Eu me senti confusa e feliz ao mesmo tempo. Grande parte de mim quis se concentrar estritamente no que Thalia disse sobre Percy ainda gostar de mim. Infelizmente, a outra parte (pequena) era o cérebro ativo de uma semideusa de Atena, pronto para racionalizar informações novas.

Percy tivera uma missão para matar Medusa no verão passado. Partiu para ela quando nós brigamos e não voltou mais. E pela forma como Thalia falou, estava claro que a gárgula estava se escondendo... Foi então que tudo se ligou em minha cabeça. Percy precisava matar Medusa pois pela história de Andrômeda a unica forma de matar Cetus, usada por Perseus no mito, é petrificando a monstra.. O que basicamente queria dizer que Percy ainda saiu em missão e passou o ano todo correndo atrás de uma monstra perigosa por ai somente para me salvar e depois de tudo que o fiz passar.

Senti uma lança se cravando em meu peito ao constatar isso.

– Eu já volto — murmurei com um bolo na garganta segui correndo para onde achava que era o banheiro.

Felizmente eu estava certa, e no fim de um corredor mal ilumidado havia duas portas. Uma delas tinha uma plaquinha com uma silhueta feminina cheia de curvas.

Empurrei a madeira com força, sem me importar com os olhares que recebi devido ao barulho.

Parei frente a pia, me encarando no espelho. Olhei em volta reconhecendo o lugar. Azulejos brancos, portas de aluminio nas divisões... Era o banheiro em que Percy estava quando Luke mandou a Menssagem de Íris. Bom, provavelmente ele estava no masculino, considerando que esse era um pouco mais limpo e a parede com as pias era do oposto.

Pelos deuses! Ele provavelmente deixara Zia no meio de um encontro para ir me socorrer. Pensando bem ela o merecia bem mais que eu.

Não conseguia entender como Thalia ainda não fora atrás de mim, mas fiquei grata.

Me encarei no espelho, vendo meus olhos enormes e ardentes pela vontade de chorar. Engoli o bolo em minha garganta e segurei as lágrimas com uma força hercúlea.

A porta de um dos reservados se abriu e uma das ruivas que estavam sentadas no pub saiu de lá. Ela olhou para mim sem disfarçar, fitando minhas mãos apertando fortemente o mármore escuro da pia.

– Está tudo bem? — perguntou enquanto lavava as mãos.

Sorri falso.

– Está sim, obrigada — menti.

Ela assentiu sorrindo complacente e parecendo não ter acreditado, mas secou as mãos e foi em direção a porta.

– Oh, me desculpe — disse a ruiva ao esbarrar em alguém que estava entrando. Não me dei ao trabalho de olhar quem era.

– Tudo bem — a pessoa respondeu com um sorriso na voz.

Percebi que a pessoa veio pro meu lado. Retesei o corpo, imediatamente pensando se tratar de um monstro, mesmo sabendo que não havia monstros na cidade e eu já não cheirava como uma semideusa. Instinto puro.

Me virei para encontrar calorosos olhos azuis.

– Você é Annabeth, certo? Sou Zia — disse me estendendo a mão. Não contive a onde se hoslidade que passou por mim.

– Sei quem você é — respondi pegando a mão dela.

Ela sorriu, parecendo divertida com minha raiva sub-reprimida.

– Imagino que tenha motivos para não simpatizar comigo. Mas acredite: realmente gosto de Percy e só quero o melhor para ele. — ela disse suavemente.

Fiquei irritada por não achar nada nela que pudesse implicar. Zia era realmente um doce, até para falar com a ex de seu namorado.

– Eu também gosto dele. Mas disso você já sabe. O que quer?

Ela sorriu novamente.

– Tem razão, já sei que ainda gosta dele. Você o ama na verdade. Desviei dos olhos azuis dela por orgulho, mas Zia somente continuou. — Eu realmente gosto dele, como disse, mas não sou idiota. Percy pode estar comigo, mas ele gosta mesmo é de você — havia uma certa dor em em sua voz — E agora que está de volta, bom, é questão de tempo até que ele volte pra você.

Me virei de volta para ela, chocada com o que disse.

– Só quero o melhor para ele. E sei que Percy é mais feliz contigo. De qualquer forma, o que vim dizer é: não o machuque de novo. Ele não merece e você sabe disso.

Eu não fui capaz de responder. Ela simplesmente foi em direção a porta. Se virou uma ultima vez e pediu:

– Pode não dizer a ele que vim até você?

Pelo seu tom, ele ficaria irritado se soubesse. E tudo que eu queria instantes antes era que ele a deixasse, mas depois disso fui incapaz de pensar assim. Assenti simplesmente e ela saiu.

Senti vontade de socar a parede sufocada com um bolo de sentimentos de culpa, raiva, inveja e, principalmente, impotência. Infelizmente, não acho que minhas mãos irritantemente delicadas e femininas fossem aguentar mais uma rodada de socos contra o concreto.

Quando sai do banheiro, dei de cara com Thalia, que parecia finalmente ter perdido a paciência em me esperar.

– Ah, ai está você! Achei melhor vir verificar se não tinha tentado cortar os pulsos no banheiro.

– Exagerada.

– Dramática.

– Psicótica.

– Rejeitada.

– Virgem!

Nos entreolhamos após o festival de xingamentos. Um sorriso foi surgindo em nossos rostos, antes de explodirmos em uma gargalhada cumplicie. Rejeitada. Estranhamente, aquilo não me fez mal vindo de Thalia. Mas era isso que eu era, não?

– Pegou pesado — ela disse levando as costas da mão a testa em um gesto de drama fingido — Oh, como dói minha triste condição virgem e intocável!

Ri ainda mais, enquanto voltávamos para o nosso lugar.

– Tocante. Me sinto fodida por dentro por seu sofrimento — coloquei um enorme duplo sentido em minhas palavras, o que nos fez gargalhar mais.

Nos sentamos novamente. Eu entendia que esse surto de felicidade era só uma ilusão passageira, mas me agarrei a ele. Thalia sempre teve um talento especial pra me fazer sorrir.

Enrolei todos os meus grilos e problemas em papel celofani e os guardei em uma gaveta para mais tarde.

– Virgem — repeti.

– Vadia.

Arqueei uma sobrancelha.

– Vadia de um homem só? Parece antagônico.

– Um homem só, sei... — ela ironizou. Thalia não estaria por acaso pensando que eu transei com mais alguem, não é?

Meu bom humor se diluiu um pouco, mas mantive o tom.

– O que quer dizer?

Thalia deu de ombros e tomou um gole d'água.

– Fiquei sabendo... — começou como quem não quer nada. Eu conhecia esse tom, ela queria arrancar algo de mim — que você e Percy terminaram por culpa de Luke... — continuou no mesmo tom dissimulado — E fiquei pensando se você e nosso amiguinho de infância, você sabe... Não tiveram uma aproximação mais, hã, intima.

Puff! E lá se foi meu humor.

Explicar como me senti ao ouvir isso vindo de Thalia é complicado. Dizer que fiquei chocada/chateada/ultrajada seria um eufemismo violento. Não conhecia, em todos meus anos de leitura e estudos, um adjetivo que pudesse englobar meus sentimentos ou expressar sua intensidade.

– Primeiro, Thalia, Percy e eu não terminamos. Ele terminou comigo porque cometi um erro terrível e injustificável. Segundo: Luke foi parte do motivo sim, mas não porque tive algum tipo de aproximação intima com ele. Terceiro: se eu disse que Percy foi o único, então ele foi o único. E por ultimo: eu nunca esperei isso de você, Thalia. Me conhece melhor que ninguém! Foi se informar onde? No chalé de Afrodite?

Seus ombros caíram e ela assumiu uma expressão de culpa.

– Annabeth...

Aguentei, friamente, mais de dez minutos de suas desculpas.

Depois das justificativas, apelações fraternais e perdões implorados, eu a desculpei sinceramente. Entretanto, guardei isso pra mim, por orgulho e para torturá-la um pouco mais.

Disse:

– Tá tudo bem, Thalia — não coloquei emoções na voz.

Ela não pareceu achar que estava perdoada, mas aceitou aquilo, sabendo que era o máximo que me arrancaria.

Ficamos um pouco em silêncio depois disso. Eu me sentia confortável em ouvir os barulhos do bar, mas sabia me a Caçadora ao meu lado estava se corroendo para puxar papo temendo a rejeição.

Olhei em volta para disfarçar um pouco, antes de olhar para Percy diretamente.

Gerry havia faturado uma das ruivas e eles se beijavam escandalosamente, enquanto a outra mexia no celular parecendo brava e entediada.

Quando fixei a mesa do filho de Poseidon, fiquei surpresa por a encontrar vazia. Vasculhei o pub com os olhos ansiosamente. O encontrei de mãos dadas com Zia, seguindo um atrás do outro entre as mesas até o lado oposto do lugar.

– Vissh... — Thalia agora também notara isso.

Os dois subiram por uma escada em espiral de aço fundido até o segundo andar. Eu nem notara que havia um segundo andar, muito menos aquela escada.

Thalia de repente me olhava ansiosa, parecendo ter esquecido nossa discussão.

– Onde eles estão indo? — perguntei.

Ela desviou os olhos. Sua reação me fez desconfiar que eles não estavam indo atrás de uma mesa de sinuca ou pinball.

– Thalia, onde eles estão indo? — perguntei mais séria.

– Os pais de Zia são os donos do lugar... Lá em cima fica o quarto dela.

Senti o impacto no peito.

Me virei para o bar, me forçando a não pensar em como me sentia. Mas a dor era real demais.

– Moço, por favor — fiz sinal para o barmen.

– Sim? — perguntou cordialmente. Pela aparência, ele era irmão de Zia. Ignorei o fato.

– Eu quero, por favor, a bebida mais forte e vagabunda que vocês tiverem.

– Sim, senhora — respondeu com bom humor.

– Annie...

Interrompi Thalia rapidamente com um gesto.

O cara pousou uma garrafa de vidro com um liquido alaranjado sobre o balcão. O nome, ironicamente, era Boazinha.

Virei um copo. Aquilo desceu rasgando minha garganta. Meus olhos lacrimejaram e fiz uma careta.

– Está bom, senhorita? — perguntou ele sorrindo com minha reação.

– Pode deixar a garrafa. Acho que é forte o bastante.

Notas finais
MUUUUITOS COMENTÁRIOS PRA MIM! PLEEEASE