Notas iniciais
Tentem não desejar minha morte pela "pequena" demora. Obrigada a TODOS o comentários, recomendações e mensagens privadas que me incentivaram a continuar. Mesmo! Vcs são demais, galera! Aproveitem o cap

Fui a primeira a despertar, mas tive preguiça de abrir os olhos.

Estava completamente confortável. Deitada de bruços com as mãos sob o peito e envolta em maciez e calor. Suspirei e me encolhi, pronta para voltar ao sono perfeito e sem sonhos que estava tendo.
Um movimento muito suave abaixo de mim me fez abrir os olhos em sobressalto.
Mesmo de olhos abertos não pude ver nada com os cabelos cobrindo meus olhos, mas isso não era necessário. Eu não precisava ver, pois imediatamente fui tomada pela compreensão. O porque de estar tão confortável. Mas é claro: Percy.

O calor e a maciez vinha de seu corpo logo a baixo do meu, o conforto de seus braços me envolvendo em abraço terno porém firme.

Resistindo ao impulso de me aconchegar mais a ele e continuar dormindo, puxei minhas mãos de seu peito nu e as levei as costas, para soltar seus braços de mim. Ele resistiu um pouco em me soltar e eu quase ronronei de lisonjeio quando ele apertou ainda mais o abraço, se recusando a me deixar ir tão fácil.

Assim que me soltei, ergui o tronco parando sentada sobre seu quadril. Estava levantando uma das pernas para sair de cima dele quando tive o descuido de olhá-lo.

Como ele conseguia, assim sem qualquer esforço, ser tão lindo?

Seus olhos verdes — que era, de longe, minha característica preferida — estavam fechados, os cabelos negros mais bagunçados que o usual, havia marcas vermelhas em sua pele provenientes de eu ter ficado a noite toda sobre ele e seu rosto estava livre de qualquer expressão. Ainda assim, com toda essa simplicidade, ele estava perfeito.

Seu rosto sereno conseguia ser ao mesmo tempo sexy, com suas sobrancelhas sarcásticas e maxilar forte, e angelical, com seus lábios levemente cheios, grossos cílios e pontinhos de barba por fazer, e isso me deixava sem fôlego. Mais pra baixo a visão não perdia em nada. A pele morena e quente se esticava sobre ondulações e gomos de músculos trabalhados. Seus ombros largos desciam em braços levemente grossos mas muito definidos e seu peito e abdome fortemente entalhado de músculos formados.

Minha respiração aumentou e se tornou pesada. Me vi contraindo os dedos com força, em busca de controle.

Eu poderia perder horas contando cada uma das sardinhas que se espalhavam por seus ombros. Poderia perder dias memorizando com os dedos cada linha de seus braços. Poderia perder mais dias ainda somente beijando seu peio. Sinceramente, eu poderia perder toda minha vida me perdendo em Percy.

Estendi os dedos em direção a seu peito, ávida em sentir sua pele quente. Me contive no ultimo segundo, quando ele suspirou me assustando. Num pique de susto, passei minha perna sobre ele, saindo de seu colo e parando de pé ao lado do sofá.

Achei que pudesse estar acordando, mas ele simplesmente se remexeu parecendo desconfortável de repente e moveu as mãos, como se buscasse algo. Notei que eu era esse algo. Ele finalmente pareceu encontrar a posição, parando deitado de lado, virado para mim.

Me sentei na beirinha do sofá e me inclinei sobre ele, tocando sua bochecha. Antes que criasse forças para me impedir, beijei o canto de sua boca. Afastei-me logo após isso, me pondo novamente de pé e obrigando meus pés a levar-me para longe dali.

Eu tinha certeza que acabaria ficando louca se tivesse que lidar com mais de seus "surtos de antigo Percy", como os de ontem a noite. Resistir ao Percy que eu conhecia, que me abraçava forte e sorria sempre que me olhava nos olhos era algo infinitamente mais difícil do que resistir ao Percy que não me tocava e desviava os olhos de mim a todo tempo.

Alcancei o banheiro e joguei água no rosto. Escovei os dentes e arrumei o cabelo com os dedos, tentando manter a mente cheia. Não funcionou.

– Não enlouqueça — disse para meu próprio reflexo. Eu ainda estava atordoada ao ponto de não me surpreender se ele respondesse.

Tudo bem, sendo prática: eu precisava decidir o que fazer a partir daquele momento. Eu tinha resolvido voltar para o acampamento nesta manhã, mas eu não havia como prever o que aconteceria (tipo descobrir que não posso sair de perto de Percy) e agora eu não sabia o que fazer. Já estava claro que eu não podia suportar vê-lo com outra ou resistir a ele. Acredito em parte que isso de deve ao fato de que eu jamais quis resistir a ele.

Eu tentei resistir, desde o primeiro instante que notei que corria o risco de acabar me apaixonando, mas sinceramente eu nunca quis. Porque Percy era fácil. Sempre foi. A sua maneira, ele sempre foi gentil, corajoso e forte. E, querendo ou não, cuidávamos um do outros nas missões. Ele me dava segurança. E enquanto eu tinha aquela paixonite ridícula por Luke, que na época me olhava como se fosse sua irmã, Percy estava sempre lá. Eu implicava com ele como uma forma de negar a mim mesma o que estava começando a sentir, porque eu me forçava a acreditar que ele era só um idiota irritante e lerdo. Mas ele sempre foi bem mais que isso. E acabei percebendo quando já era tarde demais.

Infelizmente, eu não tinha como adivinhar que o garoto bobo ia crescer e mudar tanto. Sem ser pretensiosa, mas antes eu era demais pra ele. Era a campista experiente e arrogante, enquanto ele era um novato confuso. Acontece que o novato confuso era filho de um dos Três Grandes, poderoso, acabou deixando de ser um novato, salvou o mundo várias vezes, cresceu e ficou a cada dia mais lindo e irresistível. Então, de repente, eu era a melhor amiga apaixonada enquanto cada vez mais garotas caiam aos seus pés. E apesar de sempre ter certeza de que ele tinha uma quedinha por mim, parece que fui perdendo a confiança conforme crescíamos, surgiam mais e mais garotas e ele não manifestava qualquer sentimento por mim. Não quero ser estúpida, mas eu me apaixonei por ele bem antes de virar modinha.

Claro que eu não era corajosa o bastante para me declarar, então o chamava de covarde, lerdo, idiota ou soltava declarações e crises de ciúmes cifradas que ele nunca entendia e só o deixava mais e mais confuso. Nosso primeiro beijo foi uma iniciativa minha. O segundo também. E ainda não entendem como posso ser insegura. Como podia ser insegura (realmente preciso entender que não estamos mais juntos).

Talvez seja carma. Eu era apaixonada por Luke e ele só gostava de mim fraternalmente, enquanto Percy era incrível comigo. Então me apaixonei por Percy e ele não parecia ter interesse. Ao mesmo tempo, Luke começou a me ver diferente e gostar de mim. Oh, como isso é confuso! Talvez eu deva voltar a gostar de Luke para que Percy queira voltar comigo... Afinal a gente só quer o que não tem.

Me olhei no espelho novamente tentando entender porque estava me martirizando. Eu não tinha assumido ontem a noite que Percy ainda era apaixonado por mim?

Mas ser apaixonado não quer dizer que ele vai querer voltar com você!, disse meu subconsciente.

Como eu odeio ser racional! Eu simplesmente não conseguia conter os pensamentos de que vinham pra me detonar. Porque não deixava de ser verdade. Percy me vira beijando outro cara enquanto estávamos namorando e, como se não bastasse, acreditava que eu tinha transado com ele também.

Me assustei de repente com o espelho. Ele começou a embaçar pelas bordas e foi ficando fosco até cobrir meu reflexo. Não havia qualquer torneira ligada para que isso acontecesse então só pude pensar que era obra de algo mágico. Um pânico me tomou pensando que por ter a ver com água isso podia ser obra do meu ex-sogro-pseudo-estuprador. Estava pronta para correr para perto de Percy quando uma mensagem foi sendo escrita no vidro.

Por que você complica tanto?

A letra feminina me fez bufar de raiva. Provavelmente era Afrodite mais uma vez se metendo onde não foi chamada. Provavelmente estava lendo meus pensamentos nesse momento. Vadia.

Mas, pensando bem, por que mesmo complicamos tanto?, perguntou meu subconsciente. Realmente acho que não é um bom sinal quando você começa a conversar com alguém dentro da sua cabeça... Mas havia razão nisso. Essa devia ser a décima vez que eu estava pensado sobre Percy e eu nos últimos quatro dias. O tempo todo eu arranjava novos problemas e lamentações.

Estava me tornando insuportavelmente volúvel.

Afinal o que mais eu quero? Eu beijei outro cara por desconfiar dele, ficamos um ano separados e ele acredita que transei com Luke. E apesar de tudo isso ele continua me protegendo e louco por mim como se eu fosse a garota por quem se apaixonou aos 12 anos.

Percy me ama, é apaixonado por mim e está a apenas alguns metros de distância!

Eu quero ele. Quero estar com ele. Quero ser dele.

Olhei no espelho, fitando meus olhos cinzas e turbulentos. Eu era filha da Deusa das Estratégias de Guerra.

– Eu quero Percy. E vou conseguir — disse em voz alta, num surto de confiança.

Eu estava falando para mim mesma, mas no espelho surgiu outra mensagem me respondendo.

Até que enfim!

Nem Afrodite foi o suficiente para me irritar naquele momento.

Andei decidida até a sala e me sentei novamente na beira do sofá, Percy continuava na mesma posição.

Toquei seu ombro e me inclinei para beijá-lo, sem me importar em ser sutil desta vez. Ele ficou rígido ao acordar, mas logo tomou consciência e senti seus lábios relaxando contra os meus em um selinho demorado.

Me afastei só um pouquinho e sorri, os nossos narizes ainda se tocando. Ele sorriu também e num movimento rápido envolveu minha cintura e me puxou para o sofá, me deitando sobre si.

Colocando a mão em minha nuca, me puxou para um beijo leve. Até mesmo de manhã seus lábios eram salgados e deliciosos. Correspondi na hora, movendo meus lábios sobre os dele.

Nos afastamos rindo.

– Hummm...

– Bom dia — disse rindo de seu muxoxo.

– Bom dia — respondeu.

– Bom dia! — uma terceira voz animada e sarcástica soou pela sala.

Percy e eu pulamos fora do sofá em sobressalto.

Havia um homem vestindo couro preto e tachas na cozinha. Devia ter quase dois metros de altura e todos os músculos do corpo exageradamente desenvolvidos. Seu rosto era irônico e marcado por pequenas cicatrizes. Usava uma jaqueta de motoqueiro, jeans detonados, uma camiseta com uma foto de Hitler em preto e branco, além, é claro, de seus óculos escuros de armação vermelha. Não pude ver mais do pouco abaixo da cintura, que estava escondido pelo balcão, mas eu tinha certeza que ele tinha uma faca de caça presa a coxa e usava coturnos desamarrados.

Ares estava do outro lado do balcão da cozinha, inclinado sobre ele com os cotovelos apoiados no mármore. Ele comia uma maçã tão naturalmente que parecia ter estado ali o tempo todo.

– O que está fazendo aqui? — Percy praticamente rosnou, se pondo a minha frente. Aproveitei pra baixar o shorts do pijama, que estava mostrando demais.

– Ora, ora se não é meu semideus preferido! Estava pensando agora: por que mesmo eu ainda não te transformei num ornitorrinco?

– Ares, por que você não vai se f....? — interrompi Percy antes que ele pronunciasse o palavrão. Os olhos de Ares queimavam sob os óculos, prontos para usar desacato como motivo para fazer de Percy um mamífero com bico.

– A que devemos sua presença, lord Ares? — perguntei tentando parecer solicita. Sai de trás de Percy e tomei sua mão numa tentativa de acalmá-lo, que surtiu certo efeito.

Ares terminou sua maçã calmamente e jogou-a sobre o ombro. Apesar da fruta se desmaterializar antes mesmo de chegar ao chão, achei o gesto asqueroso.

– Pra começar, eu adoraria um café — disse, sentando-se na banqueta do balcão totalmente folgado.

– Vá a um Starbucks — vociferou Percy.

Apertei sua mão para tentar transmitir um "Pare de agir assim, pois não quero namorar um mamífero peludo!". Eu não podia julga-lo, pois eu agia exatamente como eu quando falava com Afrodite, mas tenho certeza que pela falta de interesse de Ares em nossa vida amorosa, ele seria bem menos indulgente.

– Eu faço café — disse dando um passo a frente, mas Percy segurou minha mão como se não quisesse eu perto do Deus da Guerra.

– Vão se trocar antes — disse Ares, olhando meu pijama sem qualquer malícia — Sou repugnante, mas não sou pedófilo como certos outros deuses... Não acha isso mais repugnante que eu, querida Annabeth? — provocou o deus.

Olhei para Percy imediatamente e ele me perguntava com os olhos o que diabos Ares queria dizer com aquilo.

– O-o que? — gaguejei.

– Não acha deuses pedófilos conseguem ser ainda mais repugnantes que eu? Principalmente os estupradores...

Eu não tinha como responder aquilo. Podia sentir os olhos de Percy queimando sobre mim enquanto o deus sorria convencido.

– O senhor não é repugnante — respondi simplesmente, soltei a mão de Percy e direcionei para o quarto me trocar.

– Que garota adorável! — exclamou Ares rindo — Não concorda, Percy? Ela não é simplesmente adorável?! — o sarcasmo provocativo em sua voz foi tão forte que temi que isso fosse mais do que Percy poderia aguentar.

Olhei para trás e o maxilar do filho de Poseidon estava trincado, as mãos em punhos ao lado do corpo.

Assim que ele abriu a boca, eu agarrei sua mão novamente e o puxei para o corredor.

– Vem — pedi quase suplicante, temendo o que quer que sairia de sua boca. Ele sempre teve um talento especial para desrespeitar os deuses.

Ele me seguiu, mas deixou o cômodo ainda encarando Ares. O deus sorria.

Entramos no quarto e eu fui direto para o banheiro, atrás de minhas roupas. Peguei o shorts jeans mais comprido que eu tinha, um sutiã preto, uma blusa branca de alcinhas e um moletom verde-piscina da Aeropostale (que não era meu). Assim que fui em direção ao quarto para me vestir, me deparei com Percy parado na porta do banheiro.

– O que ele estava querendo dizer com aquelas insinuações, Annabeth? — perguntou tão sério que eu engoli em seco.

– Nada.

– Tá me achando com cara de idiota?!

– Um pouquinho — respondi tentando fazer uma provocaçãozinha pra aliviar o clima, mas ele não caiu — Olha, depois conversamos, ok?

– Annabeth...

– Por favor, só se vista! Vemos o que Ares quer e depois eu te explico tudo. Prometo.

Ele me encarou com por um tempo com os olhos verdes queimando, como sempre fazia quando queria provar que estava falando sério.

– Tudo bem.

Ele voltou para o quarto e foi em direção a cômoda. Eu quase suspirei de alívio. Tinha que pensar num jeito de fugir desse assunto, ou pelo menos amenizar. A questão era como. Como se ameniza o fato do pai dele ter quase me estuprado?

Deixei isso pra mais tarde e tratei de me trocar. Coloquei as peças sobre a cama e virei de costas para Percy para tirar a blusa e o shorts.

Cobri meus seios quando me inclinei pegar o sutiã notei que Percy me fitava. Ele estava de cueca, subindo a calça jeans sem qualquer vergonha. Peguei a lingerie rápido e lhe dei as costas de novo para vesti-la. Deuses, como isso era constrangedor!

Meus dedos trêmulos foram incapaz de prender o fecho nas costas. Deixei para depois e só segurei o sutiã no lugar para por o shorts. Eu havia sido idiota o bastante para arrancar as duas peças do pijama de uma vez e ficar de calcinha somente, ao invés de tirar uma por vez e já vestir a outra. Fechei o shorts e tive a infelicidade de notar ele fora cortado e agora era tão curto quanto o mais indecente de meus jeans. Malditas filhas de Afrodite!

Voltei a tentar fechar o sutiã, mas a tarefa que eu sempre fiz incrivelmente rápido parecia impossível para minhas mãos nervosas. Eu estava quase tirando a peça para prendê-la e depois vestir pela cabeça, quando senti algo tocando minhas mãos nas costas. Eu pulei de susto e olhei pra trás. Percy já estava completamente vestido e tomou o fecho de minhas mãos, prendendo-o. Senti minhas bochechas pegando fogo. Na verdade meu corpo todo pegou fogo quando sua mão tocou acidentalmente minha pele.

– Obrigada — disse e minha voz saiu estupidamente rouca.

– Sem problemas — ele disse e foi para o banheiro escovar os dentes.

Engoli em seco e alcancei minha blusa evitando olhá-lo. Vesti a peça o mais rápido possível e joguei o moletom em cima fechando parte do zíper.

Passei os dedos no cabelo aleatoriamente enquanto esperava ele terminar.

– Pronta? — perguntou, quando saiu do banheiro. Pensamento nada próprios surgiram em minha mente ao sentir o cheiro de pasta.

– Pronta — murmurei e limpei a garganta — Humm, Percy, pode tentar não voar no pescoço de Ares?

– Ele me tira do sério!

– Eu sei — disse me aproximando dele e tocando seu braço — Mas se acalme, por favor — pedi de maneira afável.

– Pedir calma perto de Ares é um pouco demais pra mim — respondeu claramente cheio de raiva só de pronunciar o nome do deus.

– Tente — pedi e, antes que pensasse demais, fiquei na ponta dos pés para lhe dar um selinho. O cheiro de menta invadiu meu corpo e eu tive que me contar para não beijá-lo mais.

Percy pareceu se surpreender com o gesto espontâneo, mas ainda assim surtiu efeito: ele relaxou visivelmente.

– Só fique calmo, ok? — disse e me virei pra porta.

Antes que eu pudesse prever o movimento, ele agarrou minha cintura e me virou num gesto meio bruto que me tirou o ar. Só tive tempo de colocar as mãos na frente, apoiando-as em seu peito quando bati contra seu corpo. Ofeguei audivelmente quando ele agarrou minha nuca e me puxou um beijo sôfrego. Correspondi de imediato movendo meus lábios tão intensamente quanto ele. Eu derreti em seus braços, prendendo meus dedos em sua camiseta inconscientemente. Ele pôs uma mão na base da minha coluna, provocando um arrepio. Seu beijo era faminto, doce e familiar.

Pareceu tão intenso, mas em segundos, antes sequer que pudéssemos aprofundar o beijo, ele nos separou. Sorte que ele tinha controle, pois se dependesse de mim acabaríamos na cama. Tentei me lembrar desde quando eu era tão devassa, mas eu não conseguia pensar direito ainda.

– Agora eu estou calmo — disse e me passou, indo para a porta. Eu continuei ofegando no lugar por mais alguns segundos.

Quem não estava mais calma era eu. Minhas pernas estavam meio bambas, mas palmas suadas e meus dedos tremiam mais do que nunca. Seu gosto de mar e pasta de dente permanecia em minha boca. Sequei minhas mãos no shorts, enfie-as nos bolsos do casaco e respirei fundo antes de ir atrás dele.

Voltamos para a cozinha, onde Ares continuava no mesmo lugar, completamente relaxado.

– Tenho uma missão pra vocês — disse assim que nos avistou.

Olhei para Percy desconfiada e ele devolveu o olhar no mesmo tom.

– Não queremos sua missão estúpida — disse Percy.

– Queremos dizer que estamos meio, hã, ocupados com um outro problema já.

– Queremos? — perguntou Percy ironicamente. Lhe lancei meu olhar mais ameaçador de "você não está ajudando" e ele recuou — É, é exatamente o que queremos dizer.

– Estou me lixando para se estão ocupados ou não. Ares não faz pedidos. Eu dou ordens. E pra começar: ainda estou esperando meu café.

Atravessei a cozinha, enquanto Percy sentava-se a frente de Ares no balcão. Peguei uma xícara e apertei o botão da cafeteira.

O deus só voltou a falar quando coloquei um xícara fumegante na frente dele. Ele deu um grande gole e suspirou satisfeito.

– Ótimo.

Sentei-me ao lado de Percy.

– Então...? — comecei.

– A missão que tenho para vocês é algo que vai lhes ajudar.

– O que quer dizer? — perguntei.

Ares deu mais um gole antes de responder.

– Ouvi dizer da intriga entre seus pais. Por um motivo bem tolo, acho. Uma guerra assim por uma simples mortal... — ele parou no momento que viu minha expressão de curiosidade, provavelmente notando que não devia ter dito isso — Que seja. Poseidon quer matar a loirinha ai e Atena quer se livrar do filhote de peixe. Devo dizer que não estou exatamente contra Atena nesse sentido e não estaria nem ai se essa frescura de seus pais não estivesse me afetando.

Ele parou provavelmente esperando-nos fazer alguma pergunta. Felizmente, Percy e eu havíamos aprendido que controlar a língua é a melhor forma de tirar mais informações de um deus.

Ares olhou diretamente para mim.

– É uma garota inteligente e já deduziu que isso é culpa de Afrodite, embora não saiba exatamente como ela fez isso. Pelo menos ainda. A questão é que ela anda irritantemente ocupada e isso está me dando nos nervos.

Tive que reprimir uma ânsia de vomito em pensar o motivo de a ocupação de Afrodite irritar Ares. Eca!

– E é ai que entra vocês. Só acabando com essa guerrinha ridícula vou conseguir o que quero. Então vocês acabarão com ela.

– Simples assim? Se pudéssemos fazer isso não acha que já teríamos feito? — provocou Percy.

Tive que me conter para não revirar os olhos dizendo "Homens". Precisam mesmo ficar com essa competição de testosterona?

– É por isso que estou aqui, projeto de peixe. Para ajudar.

– Ajudar? — perguntei desconfiada.

– Vamos simplificar, tenho muita violência pra cometer ao invés de gastar meu tempo com conversa fiada com vocês. A única forma de matar Cetus sem que ele volte tão cedo é o petrificando, então precisam de Medusa. Então basicamente devem encontra-la e usar a cabeça. Infelizmente ela está se escondendo com ajuda das irmãs, não podem localizá-la especificamente, então devem ir atrás de três destinos diferentes e torcer para que seja ela e não uma das irmãs em cada um desses lugares. Se não for no primeiro, matem a górgona e passem para o segundo e assim por diante. Simples o bastante para você, peixonauta?

Antes que Percy pudesse xingar Ares pelo apelido criativo, dei um jeito agilizar as coisas.

– Como encontraremos as górgonas?

– Sua amiguinha Caçadora vai ajudar nisso. Ela vai procura-los hoje, Ártemis já informou a localização de cada uma. Por algum motivo esquisito, a adorável deusa da Lua gosta desse ai — ele apontou Percy, depois sorriu pra mim — Bom, com certeza você entende bem como é.

Corei sob o comentário de Ares, mas não demonstrei o constrangimento.

– Isso é tudo? — tentei ser prática.

– Felizmente. — Ares se levantou e eu engoli um suspiro de alívio — Só mais uma dica: não matem a Medusa de imediato, ela pode ser mais útil viva.

Não entendi o que ele quis dizer com isso, mas não querendo estender mais sua estadia, assenti concordando. Ele se desfez em uma coluna de fogo que esquentou meu rosto.

– Babaca — murmurou Percy.

– Temos que encontrar Thalia — disse me levantando, tentando fugir da conversa.

– Não tão rápido — ele disse segurando meu braço antes que eu pudesse chegar ao corredor.

– Tenho que marcar com Thalia...

– Já temos algo marcado. Minha competição de natação é hoje, vai ter uma quermesse na escola e ela vai.

– Ah — disse e não pude esconder a decepção na voz.

Soltei meu braço e andei até o sofá, derrotada. Ele me seguiu e se sentou ao meu lado.

– Pode começar.

Suspirei e desviei os olhos dele. Eu ainda não tinha tido tempo de pensar em como falar isso de uma forma amena. Não que houvesse uma. Puxei as pernas para cima do sofá, de repente com uma necessidade de me encolher. Só o pensamento ainda revirava meu estomago.

– Annabeth, está começando a me assustar.

Eu não tinha ideia de como falar aquilo, muito menos se Percy acreditaria. Mas se ele queria tanto saber, que ouvisse minha suspeita quase certa do que seu pai havia feito ontem comigo. Ou tentado fazer.

E então eu comecei a falar, nervosamente rápida. A historia transbordou de meus lábios em uma torrente de palavras confusas. Percy não ousou me interromper, escutando as justificativas e amenizações falhas que eu dava com uma mascara calma. Meu cabeça estava baixa e eu brincava com meus dedos nervosamente.

Era difícil falar aquilo de uma forma tranquila, mas não imaginei que eu fosse me descontrolar a esse ponto. Estava quase terminando quando percebi que estava tremendo, todo o pavor do momento tinha voltado. Limpei a garganta e terminei de contar. Me encolhi e evitei os olhos dele, tentando me controlar.

Percy levantou abruptamente, andou em círculos pela sala mexendo nervosamente no cabelo. Todo seu corpo demonstrava fúria. Quando ele parou e me olhou, desviei de seu olhar novamente.

Ele andou rapidamente até mim, tão determinado que quase tive a impressão de que bateria em mim. Poderia ele não ter acreditado em nada do que eu disse? Ele sempre venerou Poseidon...

Me encolhi mais ainda quando ele se aproximou. Ele travou no lugar, notando meu movimento.

– Está com medo de mim? — perguntou com uma confusão dolorida na voz.

Ergui os olhos e vi agonia em seu rosto. Engoli em seco, brava por sequer pensar que ele pudesse me fazer mal.

– Nunca.

No segundo seguinte ele tinha me tomado nos braços, me puxando para seu colo. Chorei em seu peito, deixando minhas lagrimas e minha dignidade escorrer pelo meu rosto. Ele me segurou mais forte e beijou me cabelo.

As lagrimas desciam queimando por minhas bochechas, mas contive os soluços. Os braços dele me acalmaram mais rápido do que qualquer palavra de conforto poderia. Antes que eu percebesse, o choro havia parado, e eu só estava encolhida em seu colo, desfrutando.

Me afastei um pouco para ver seu rosto. Indecifrável.

– Tudo bem? — perguntei.

– Não importa. Como você está? — ele tocou meu rosto com ternura.

– Melhor — sorri.

Ele sorriu de volta, mas havia tristeza em seu olhar. Segurei seu rosto e encostei a testa na sua.

– Não fica assim, por favor.

– Não consigo parar de pensar que sou parte do motivo de você estar chorando.

– Percy! Não foi culpa sua, você não podia saber que eu sairia sozinha...

– Não é só por isso que estava chorando — ele me interrompeu — Eu sou parte do motivo.

Ele estava certo, não era só por Poseidon que eu chorava.

– Você é — admiti — Mas não da forma como pensa.

– Como então?

Me afastei um pouco e desviei os olhos. Quase soltei as mãos de seu rosto, mas ele as cobriu com as dele.

– Só dói muito te ver com Zia. Te ver com qualquer outra. Eu te amo, você sabe disso. E fico tão confusa com tudo isso...

Fui incapaz de terminar, pois ele já estava me beijando.

Segurou minha nuca e cintura e me puxou sem cerimonias. Meu choque passou mais rápido do que eu gostaria de admitir e eu estava retribuindo os beijos. Me apertei contra seu peito, enterrando as mãos em seu cabelo.

Nossos lábios se moviam urgentes. Mordisquei seu lábio inferior e ouvi-o gemendo. Nosso olhos se abriram, ambos turvos e no próximo segundo já estavam fechados de novo, nosso beijo ainda mais sôfrego. Sua língua entrou em minha boca dançando com a minha. Suas mãos se moviam por todos os lugares, ao mesmo tempo que cada toque não era o bastante. Eu precisava de mais e mais dele.

Ajeitei as pernas, parando com uma de cada lado de seu corpo e ele alcançou minha coxa com uma mão.

Seus lábios me escaparam, e eu tomei uma golfada de ar enquanto sentia o caminho fervente que ele seguia pela minha mandíbula. Tombei a cabeça pra trás, dando acesso livre ao meu pescoço. Senti todo o meu corpo se arrepiar com seus beijos e chupões.

De repente eu estava com muito calor. Eu mesma abri o zíper do casaco e ele ajudou-me a empurrar a peça para o chão pelos meus braços. Assim que estava liberta, nossas mãos voltaram por vontade própria a explorar o corpo um do outro. Puxei a barra de sua camiseta, procurando mais de sua pele quente. Suas mãos estavam espalmadas por minhas costas, sob a blusa.

Ele me ajudou a tirar sua camiseta e bebi-o com os olhos só pelo tempo dele segurar meu corpo e derrubar-me no sofá, caindo sobre mim. Meu cabelo se espalhou pela almofada e ele enterrou o rosto entre as mechas loiras por alguns segundos antes de retomar os beijos em meu pescoço.

Eu então só podia sentir o cheiro de maresia de exalava dele. Embriagada de luxúria, nem tentei conter os suspiros e gemidos que escapavam por meus lábios.

Ele puxou minha blusa pra cima e tudo que pude fazer foi ajuda-lo a se livrar o mais rápido possível da peça. Ele se afastou para que eu pudesse passar pela cabeça. Ele parou por alguns segundos, me fitando. Ambos arfantes, as pupilas dilatadas. Corei sobre seu olhar e ele sorriu.

Quando se inclinava novamente para mim, pronto para retomar os beijos, fui invadida pela razão. Mas que porra estou fazendo?

Coloquei ambas as mãos em seu peito, o empurrando para longe.

– Pare!

Ele me olhou completamente confuso, com aquela expressão de lerdo que só ele sabe fazer.

– O que foi, Annabeth?

– Você não pode fazer isso! Pelos deuses, onde eu estava com a cabeça? Você é um cretino!

– Ficou louca?!

– Não! Você ficou louco se acha que pode fazer isso comigo! Só porque me declarei pra você não quer dizer que vou ceder, sabendo que tem namorada! Zia é uma ótima garota. Cretino! Posso ter alguns problemas nesse assunto, mas se engana se acha que não tenho forças pra te negar e...

Ele começou a rir. Isso mesmo. Enquanto em vomitava aquele discursinho moralista, ele simplesmente começou a rir.

– Não vejo a menor graça! Saia de cima de mim!

– Sinto muito, mas não tenho planos de fazer isso — ele disse, contendo a risada.

Tentei empurrá-lo mas ele não cedeu. Estapeei seu peito, descontrolada.

Saia de cima de mim!

Ele segurou minhas mãos.

– Não, você vai me ouvir.

– Não estou interessada em nada que tenha pra falar. Seu cretino! Canalha e...

– Annabeth! Eu terminei com Zia.

Parei em choque.

– O que? Quando? — eu não escondi em nada a confusão.

– Isso mesmo. Ontem a noite, subi conversar com ela e terminei.

Eu sabia que devia estar feliz, mas no momento só podia sentir o choque.

– Por que?

– Porque havia uma garota bonita no meu colo, que era minha namorada, mas tudo que eu conseguia pensar era em você sentada sozinha naquele bar. Em como estava linda e eu não podia falar nada, apavorado com a ideia de um cara se aproximar e eu não poder fazer nada.

Olhei em seus olhos verdes. Eles queimavam de sinceridade.

A fúria me escapou.

– Mas Zia é ótima...

– Zia não é você.

Achei que aquele era um péssimo momento para um AAAAAAWN, então somente parei de tentar lutar contra ele.

Ele ainda segurava meus pulsos, mas seu aperto cedeu e consegui soltá-los. Ele não se moveu. Se eu tentasse empurrá-lo de novo, sabia que ele sairia. Eu ainda estava confusa com aquela revelação surpresa.

Antes que pudesse perceber, eu o havia puxado novamente pra mim. Lagrimas de felicidade queimavam eu meus olhos. O beijo era mais calmo e doce, igualmente familiar, mas dotado de saudade e alivio.

Suas mãos pareciam estranhamente experientes enquanto desvendavam meu corpo com muito pouco recato. Eu não podia falar muito, pois agarrava qualquer parte de pele como se minha vida dependesse disso. Mal percebera que ele havia aberto meu sutiã até que ele estava deslizando pelos meus braços em direção ao resto das roupas.

Seus lábios pareciam estar em todo o meu corpo, lábios, pescoço, clavícula, seios e de volta aos lábios. Seus dedos se enterravam em meu cabelo puxando minha boca pra sua, enquanto a outra mão agarrava qualquer parte macia que pudesse encontrar.

Botões foram abertos e zíperes baixados mais rápido do que eu podia acompanhar, e ainda assim não me parecia o suficiente. Esquecendo qualquer constrangimento, eu puxei minhas mãos por suas coxas e costas arranhando-o, deliciada com a sensação de sua pele sob meus dedos.

Os beijos se tornavam mais apaixonados e insaciáveis a cada segundo. Para um filho de Poseidon que não podia se afogar, sua respiração estava igualmente ofegante em relação a minha. Qualquer ar que puxássemos era transformado em suspiro ou gemido e completamente insuficiente.

Meu ventre se revirava e queimava no que eu só podia julgar como necessidade de ser preenchido, cada milímetro de pele parecia saltar pra vida, queimar e se arrepiar quando ele tocava. Eu mal entendia como nosso corpo podia agir tão instintivamente.

Eu podia sentir sua pele se arrepiar sob meus dedos enquanto arranhava suas costas, ele enterrava suas mãos em meus seios e gemíamos juntos contra a boca um do outro. Dominada pela crescente urgência em meu ventre, guiei minhas mãos por suas costas até o cós da boxer verde escura que usava.

Abri os olhos enquanto ele beijava meu pescoço, encontrando seu ombro cheio de sardas ao alcance dos meus lábios e beijei-o.

Suas mãos também encontraram o caminho até minha ultima peça de roupa e um dedo adentrou o cós, pedindo permissão. Puxei sua boxer com os dedos meio desesperados e ele tomou como permissão para fazer o mesmo com minha calcinha.

Quando as peças já jaziam no chão, ele se afastou o suficiente para me fitar nos olhos. O encarei com a visão meio turva, seus olhos verdes nunca pareceram tão escuros. Estávamos corados e arfantes, completamente nus e com minhas pernas envolvidas em seu quadril e ele achou que aquele era um bom momento para dúvidas.

– Você tem certeza que quer? — perguntou para minha completa frustação.

Eu podia sentir e ver como seu corpo não parecia nem um pouco inseguro com aquilo, com sua enorme ereção tocando-me onde eu mais precisava. Mas não tocando o suficiente.

– Eu preciso — respondi arfante — Cabeça de Alga, por favor

Seus olhos brilharam com o apelido e ele acatou minha suplica.

Ele envolveu minhas coxas em suas mãos e abaixou seu corpo lentamente entre elas. Senti-lo entrando foi mais difícil do que eu imaginava, uma dor aguda me tomou pelo seu tamanho.

Apertei os olhos e respirei fundo tentando me acostumar com sua presença. Percy se abaixou, depositando beijos suaves sobre meus lábios.

– Relaxe — ele pediu ao pé do ouvido, notando com certeza meu desconforto.

Soltei um pouco os dedos que notei estarem cravados em seus ombros, abri os olhos para encontrar meu mar particular me fitando.

Meu corpo realmente relaxou e assenti, encorajando-o a continuar. Ele ergue-se lentamente e caiu sobre mim novamente, e não pareceu mais tão difícil comporta-lo.

A cada vez que me penetrava ficava mais fácil e menos desconfortável. Aos poucos aquela sensação de prazer foi voltando e me consumindo ainda mais completamente e, antes que percebesse, já não conseguia assimilar nada que não fosse os olhos de Percy nos meus e seus movimentos.

Eu estava perdida como se cada movimento dele fosse uma onda, jogando-me de um lado para o outro e quebrando sobre mim. Agarrava-me a ele como se estivesse me salvando do afogamento e então outra onda quebrava forte sobre mim e eu nada podia fazer além de cravar minhas unhas nele para manter-me acima da superfície.

Aquela sensação parecia me engolir, cada um de seus movimentos mais forte e urgente, as ondas crescendo mais a cada momento e quebrando mais forte sobre meu corpo. Puxava seus ombros desesperada, enquanto ele segurava meu quadril, ambos gemendo.

Eu já não conseguir distinguir a metáfora da realidade e sentia-me no mar, oscilando na água revolta até uma nova onda engolir-me. Já não respirava direito, sem tempo de tomar folego antes da próxima pancada.

As ondas cada vez maiores, cresceram em um maremoto que estourou direto contra mim, como se meu corpo não passasse de um castelo de areia. Tudo explodiu a minha volta e eu estava abaixo da superfície com bolhas de ar e fachos de luz flutuando fora do tempo. Eu ainda me agarrava a ele, perdida no mar e em meu orgasmo.

Abri os olhos então e encontrei o rosto de Percy, e por um momento eu não conseguia entender se estava sonhando ou realmente havia me afogado em seus olhos.

Ele estava caído sobre mim, após ter encontrado seu clímax junto comigo.

Nossos corpos estavam lustrosos de suor e eu arfava como se nunca mais pudesse encontrar meu fôlego novamente.

Quando já me sentia mais calma, abri os olhos novamente e olhei sobre seu ombro. Quis me espancar naquele momento ao ver as linhas vermelhas que cruzavam a pele dele em todas as direções, algumas mais escuras pareciam muito perto de sangrar de verdade.

– Pelos deuses! — gemi culpada.

Ele ergueu o rosto e me fitou com a testa franzida. Parecia tão confuso e inocente que me senti ainda mais mal por tê-lo machucado.

– Qual o problema? — ele parecia um pouco nervoso, como se esperasse arrependimento de minha parte.

– Suas costas — disse segurando seu rosto.

– Está ardendo um pouco — ele murmurou confuso.

– Um pouco!? Deve estar ardendo muito! Oh, eu sinto tanto, Percy!

Ele franziu a sobrancelha.

– Está ruim? — perguntou tentando olhar sobre o ombro.

– Horrível — lamentei.

Notando como eu me sentia, ele revirou os olhos.

– Estou bem, Annabeth.

– Sou tão idiota!

– Shiiu, — ele disse — Eu estou ótimo. Maravilhoso, na verdade.

Ele abraçou minha cintura com força e enterrou o rosto em meu pescoço e eu procurei algum lugar que não estivesse machucado para abraça-lo também.

– Sabe, você é meio pesado — murmurei pouco depois.

Ele riu e nos virou. Fiquei deitada novamente sobre seu peito e apoiei meu rosto nas mãos.

– Ainda temos que encontrar Thalia — ele disse com um suspiro.

Eu não sabia se nós dois estávamos bem novamente, mas como ele, não queria me levantar tão cedo.

– Precisa ser agora? — perguntei fazendo manha.

– Não — ele riu — Acho que ainda temos umas três horas.

Me aconcheguei novamente e ele puxou a colcha do sofá sobre nós. Fechei os olhos aproveitando a sensação e tentando lutar contra o cansaço. Ele me apertou um pouco, mas também parecia exausto.

– Perfeito — murmuramos juntos, antes de cairmos no sono novamente.

Notas finais
Desculpe qualquer eventual erre ortográfico, mas fiz uma revisão bastante superficial. Estava ansiosa pra postar. Mereço comentários, né? UAHSUAHS BJS