Notas iniciais
Tentem não desejar minha morte! Esteve simplesmente impossível escrever... Bom, ai está. ME DESCULPEM QUALQUER ERRO. NÃO REVISEI!

– Eu estou apaixonado, cara! — foram as primeiras palavras de Gerry ao nos encontrar entre as pessoas, porque ele obviamente não podia iniciar um diálogo de forma normal. Ele havia vindo em nossa direção se esquivando precariamente das pessoas e acenado loucamente — E parece que não sou o único — acrescentou erguendo as sobrancelhas sugestivamente para nós.

Percy e eu não havíamos conversado sobre qual era exatamente nossa situação naquele momento, mas o braço dele estava sobre meus ombros e isso não me incomodava nem um pouco. Eu achava aquilo engraçado e nostalgico. Houve uma época em que eu era mais alta que ele e agora eu mal batia em seu ombro. Quando me abraçava, ele podia comodamente apoiar o queixo sobre minha cabeça. Não que eu estivesse reclamando, sua nova altura era deliciosa.

Mas decidindo ignorar o comentário do amigo sobre nós, Percy apenas perguntou-lhe quem era a sortuda e eu me desliguei da conversa quando Gerry começou a detalhar a "bunda maravilhosa" da garota em questão. Olhei para o moreno do meu lado, mas ele apenas ria do amigo sem parecer interessado sobre nas descrições do corpo da garota. Bom mesmo.

Fiquei olhando em volta distraída, atrás de Thalia, mas tudo que encontrei foi um milhão de olhares curiosos voltados para meu abraço com Percy.

Estávamos na quermesse da escola de Percy. Acontecia no pátio da própria instituição, que era bem arborizado e com as calçadas e bancos de concreto bastante desgastados pela ação do tempo. No fundo havia um barracão de azulejos verdes com uma placa de PISCINA pixada de vermelho. Havia barraquinhas de comida e jogos de prêmios e pessoas espalhadas por todos os lados, mas nada apinhado. A grande maioria era adolescente, mas havia uma criança ou outra por ai. Espaços muito cheios assim costumavam me deixar nervosa, devido a toda a experiência com monstros.

O lugar estava cheio de alunos e fiquei constrangida com os muitos, mas muitos mesmo, olhares para nós. Eu não tinha certeza se aquilo era porque Percy tinha conseguido a proeza de, sendo um meio-sangue, se tornar popular ou se ele ainda era um fracassado como a maioria dos semideuses no ensino médio e toda aquela curiosidade era por ele ter conseguido uma namorada. Minhas dúvidas foram claramente respondidas quando um grupo de garotas me encarou com ódio e me deram as costas jogar de cabelo tão dramático que deixaria Drew no chinelo. Como o universo não é nem um pouco original, obviamente elas estavam vestidas de líderes de torcida. Bleh!

Achei melhor prestar atenção em Gerry. Percy havia me contado que ele era filho de Apolo e tinha ido para aquela cidade acompanhar Percy. Gerry gostava de se autodenominar uma babá. O que era um termo bem engraçado aplicado a ele: magro, alto e forte, com uma pele chocolate e traços marcantes. Seus olhos eram tão negros e seus dentes tão brancos que era difícil não encará-lo.

– E, cara, ela tem uns olhos... assustadores — ele ainda narrava a perfeição da garota com gestos dramáticos — E não de uma forma boa, sabe? São realmente arrepiar, tipo... — ele olhou em volta buscando algo para comparar, e se voltou para mim — Tipo os dela — apontou para meu olhos — Exatamente como os dela, só que azuis. Esses olhos de bruxa. Ela não te assusta, não?

Percy olhou em meus olhos e eu ergui uma sobrancelha.

– Você não tem ideia, Gerry — respondeu me encarando e eu sorri. Ele devolveu o sorriso e Gerry estralou os dedos entre nossos rostos.

– Sério, casal, estou feliz por vocês e talz, mas sem sexo por olhar na minha frente.

– Menos drama — respondi desprendendo meu olhar do de Percy.

Olhei direito para Gerry pela primeira vez e tive que rir com sua camiseta vermelha. Estava escrito "As vezes me pergunto se ela ainda sonha comigo" o que seria muito gay se não houvesse um desenho do Freddy Krueger em uma pose pensativa em cima da frase.

– Adorei — disse apontando a estampa de sua blusa.

– Sensacional, né? Claro que o modelo ajuda — ele disse, flexionou os braços, beijou seus bíceps e depois começou a fazer uma dancinha, rebolando mais do que deveria.

Assisti rindo e Percy me puxou, enterrando meu rosto em seu peito, em um abraço apertado.

– Para com isso, Gerry, ela não precisa ver isso — disse me mantendo em seus braços.

– Com medo da concorrência, né Peixão? Sabe que se ela olhar muito pra isso aqui você já era... Mas fica tranquilo, cara, que sou todo da minha deusa dos olhos azuis.

Tive que rir novamente e Percy me soltou, mas ainda mantendo o braço em meu ombro, enquanto eu circulava sua cintura com o meu.

Gerry pegou minha mão livre entre as dele e me olhou nos olhos com uma expressão séria.

– Desculpa, loirinha, nunca quis te magoar, mas você terá que se contentar com o Peixão mesmo... Eu já tenho dona. Tente não chorar, sim? — ele disse aquilo de forma tão séria que quase chorei de tanto rir. Percy revirou os olhos do meu lado, mas também sorria.

– Vou tentar superar, Gerry... Mas sei que será impossível te esquecer depois dessa cena de extrema sensualidade — respondi ainda rindo. Senti Percy me encarando, provavelmente surpreso com meu bom humor.

Gerry me deu tapinhas consoladores na mão e ainda mantendo o semblante sério. De repente soltou minha mão e voltou a falar empolgadamente de sua "deusa".

– Ela é tão linda, cara... Com aquele cabelo preto! Vai ser o cabelo preto dos nossos filhos, pode anotar!

Um anúncio soou pelos altos-falantes mandando todos os competidores irem para a piscina se aprontar, então começamos a andar em direção ao complexo verde.

– Onde vocês se conheceram? — perguntei a Gerry, já que Percy não parecia mais tão interessado na história e sim nervoso com a competição. O que era bem ridículo, sendo ele filho de Poseidon.

– Não nos conhecemos. Vi ela andando por aqui. Mas foi amor a primeira vista! Deu pra ver que ela também me curtiu, cara, eu entendo dessas coisas... — ele disse e eu estava rindo novamente — Sabe quando o olhar de vocês se encontra na multidão e seu primeiro pensamento é tirar a roupa?

– Hã... não.

Ele era realmente uma pessoa perturbada. Até para um filho de Apolo.

– Vai dizer que com vocês dois não foi amor à primeira vista? — Ele fez um gesto para Percy e eu.

– Está mais pra ódio à primeira vista — respondeu Percy, sem olhar para nós dois, num tom distraído.

Gerry riu, parecendo conhecer minha história com Percy. Eu apenas olhei para Percy, subitamente quieto e sério, estranhando.

– Tudo bem? — perguntei cutucando sua costela e admirando sua linha do maxilar daquele ponto de vista.

Ele desceu os olhos verdes pra mim.

– Sim — sorriu minimamente — É só que minha vaga pra faculdade depende dessa competição. O olheiro de Columbia estará aqui.

Fiquei um pouco contrariada quando ele disse isso. Eu nem mesmo sabia que Percy queria ir para Columbia, mas deixei isso para depois, disposta a apenas acalmá-lo. Por ora.

Gerry, num surpreendente surto de racionalidade, se adiantou para a piscina, nos dando alguma privacidade.

Me coloquei na frente de Percy e seu braços se envolveram em minha cintura instintivamente. Ele olhou para mim, mas seus olhos estavam indecifráveis.

– É natação, Percy, não tem como você não se sair bem — eu disse suavemente, quase emocionada de estar fazendo o papel de namorada, acariciando seu peito — A água te deixa mais forte e ninguém aqui poderia ter mais fôlego ou nadar melhor que você.

– Mas e se, mesmo eu ganhando, o cara não se impressionar? — sua voz não era insegura, apenas preocupada.

– Então ele seria um idiota e na pior da hipóteses você irá para uma universidade no acampamento romano. Você ainda é o pretor, não? — ele acentiu — Então! Relaxe, vai ficar tudo bem. Esse cara não é nenhum monstro de sete cabeças. E mesmo que fosse, você já lidou com um, saberia o que fazer.

Ele riu parecendo mais relaxado.

– Não corte a cabeça — ele disse e eu ri com ele.

– Sim, por favor, não corte a cabeça dele.

Ele me puxou um pouco contra si e seus olhos não vacilaram nos meus, fazendo meu estômago revirar.

– Obrigado — ele disse sério.

Seu tom maduro me deixou estranhamente — mas nem um pouco surpreendentemente — excitada.

Eu gostava na forma como o sol deixava seus olhos, e como a linha do seu maxilar era forte e marcada um uma suave barba por fazer. Gostava muito da sua camiseta branca evidenciando o bronzeado. Eu gostava dele todo e aquele momento estava me deixando mais do que um pouco desorientada.

– Não há de que — sorri e ele se abaixou pra me beijar.

Foi suave e curto demais, pois antes que pudessemos aprofundar de verdade, Gerry apareceu gritando.

– Vamos lá, casal, deixem isso pra mais tarde! Percy tem uma competição pra ganhar! — ele apontava enfaticamente um relógio imaginário em seu pulso.

Nós rimos e nos separamos, mas ele me puxou pela mão para o complexo.

Dentro daquilo era húmido e cheirava tão forte a cloro que meus olhos arderam. O azulejo verde dava lugar a um branco úmido nas paredes e no chão. Não havia janelas, só uma porta larga que não era suficiente para a ventilação do ambiente. A piscina porém parecia impecável e ficava bem no centro, com arquibancadas em volta, três trampolins e as raias demarcadas.

Segui Percy e Gerry até uma das pontas da piscina, onde a maioria dos outros competidores já se aprontavam. Ele chutou os tênis, tirou a camiseta e abriu a calça jeans, enquanto eu tentava não corar ao lembrar que só fazia algumas horas que estávamos no sofá de seu apartamento usando muito menos roupa. Gerry saiu rapidamente e voltou com um isotônico, a touca e os óculos de natação e uma toalha grande branca.

Quando Gerry olhou as costas de Percy, começou a rir compulsivamente e eu, sabendo que ele estava todo arranhado, corei furiosamente. Ele se dobrou segurando a barriga de tanto rir e Percy lhe deu um tapa na cabeça, puxou a toalha de suas mãos e jogou sobre seus ombros para esconder as marcas. Olhei em volta e vi que dois competidores e um pequeno grupo garotas haviam visto aquilo e meu rosto pegou fogo ainda mais fortemente.

Percy se aproximou rindo suavemente de minha reação e beijou minha testa.

– Relaxe, vão sumir assim que eu entrar na piscina — disse segurando meu rosto. Eu assenti encarando seu peito constrangida.

– E eu que pensava que as filhas de Atena fossem frias e comportadas — disse Gerry limpando lágrimas dos olhos — Me enganou direitinho, loirinha...

Percy lhe direcionou outro tapa, ao qual Gerry se esquivou.

– Cale a boca, Gerry!

Eu me afastei de Percy, resolvendo esquecer essa história. Eu tinha uma enorme facilidade em transformar qualquer sentimento em raiva, então resolvi ignorar meus constrangimento antes que começasse a me irritar de verdade. Gerry era realmente desnecessário as vezes, mas eu gostava dele.

Tentando desviar os olhos de Percy, que agora descia a calça, fitei os outros competidores. Todos pareciam bem mais tensos, já prontos, alguns até com roupões, se alongando, conversando com treinadores e fazendo exercícios de respiração. Eram mais competidores do que achei que pudesse haver numa cidade tão pequena, até eu notar que aquela era um competição estadual.

– Como foi que uma cidade tão pequena foi abrigar uma competição estadual? — perguntei para Gerry, enquanto Percy colocava a touca de natação.

– O Peixão não pode sair daqui, lembra? Acho que foi influência de Quíron.

– Annabeth? — Percy chamou.

Me virei para ele, tentando focar em seu rosto e não no corpo, agora só com uma sunga preta mais reveladora do que eu gostaria. Juro que senti um impulso de pegar uma toalha e amarrar em seu quadril, para esconder o que era meu.

– Sim?

– Esqueci de te avisar... — começou e eu soube imediatamente que era mentira — Luke vem pra cá hoje. Agora.

Fiquei meio confusa e bastante surpresa, mas não demonstrei nenhuma emoção, porque não queria que Percy achasse algo para implicar.

– Fazer o que?

– Pelo o que Quíron disse, te buscar — minha cara de supresa foi tão nítida que ele continuou sem eu ter que fazer qualquer pergunta — Ele quer te convencer a voltar com ele para o acampamento, para não se arriscar nessa missão.

Ele deixou a frase no ar, me olhando apreensivo enquanto eu absorvia a informação.

Eu sabia muito bem que Percy não havia esquecido de me avisar merda nenhuma. Ele apenas estava inseguro em saber o que eu preferiria, ou melhor, a quem eu preferiria. Não tinha certeza se aquela atitude dele me irritava ou não.

Cruzei os braços e Percy enrijeceu imediatamente os ombros, ficando tenso.

– Desde quando você está evitando me falar disso? — perguntei duramente. Estreitei os olhos e, só pela forma como ele me olhou, soube que deviam estar apavorando-o naquele momento.

Gerry teve o bom senso de se manter em silêncio, notando o rumo da conversa. Ele até mesmo deu um passo para longe de mim.

– Ontem à noite, enquanto se arrumava, falei com Quíron — Percy respondeu sem negar que estava me escondendo propositalmente.

Ele escondeu por mais de doze horas. Doze horas que passamos praticamente grudados. Inclusive, ele sabia disso enquanto estávamos no bar de Zia. Ele fora ver a porra da namorada dele e nem assim fora capaz de abrir o jogo comigo e me falar que Luke estava vindo atrás de mim.

Aquilo era muito irritante, mas eu não estava brava com ele. Não realmente. Um pouco irritada com sua atitude, mas não queria brigar, principalmente naquele momento, por isso relevei por ora. Mas ele merecia certa punição por tentar ser controlador, então mantive minha postura impassível.

– E então? O que acha disso? — Percy estava visivelmente tenso, e pareceu ficar mais com minha pergunta.

– Não sou exatamente contra a você ficar em segurança e longe dessa missão — suas palavras eram calculadas e seus olhos estavam suplicantes. E ele deu um passo em minha direção, como se quisesse me tocar. Reprimi um sorriso

– Mas é contra a eu ficar perto de Luke — não foi um pergunta.

– Sou — admitiu e sua postura ficou mais rígida, mostrando o quanto aquilo realmente o incomodava — Annabeth...

Ergui a mão calando-o.

Ele estava tão malditamente fofo todo nervoso e com ciumes que ignorei de vez a sua atitude babaca de me esconder algo e fechei a distância entre nós, o abraçando. Ele literalmente suspirou de alívio, envolvendo-me em com seus braços forte o bastante para apertar meus ombros.

– Luke vai perder seu tempo. Eu não vou a lugar algum. — murmurei com o rosto enterrado em seu peito.

Ele me apertou bastante.

– Tem certeza? Falei sério quando disse que gostaria que você ficasse em segurança. Me deixaria mais tranquilo.

Eu ri.

– Te deixaria mais tranquilo se Luke fosse com você pra missão, para ter certeza de que ele está bem longe de mim.

– Tem razão — ele riu também.

Eu me afastei um pouco e lhe apontei um dedo.

– Mas, me esconda algo de novo...

– Eu não vou — ele disse antes que eu pudesse terminar a ameaça.

– É, cara, esses olhos dela são realmente assustadores — disse Gerry. Olhei para ele ferozmente, apenas para comprovar e ele ergueu as mãos em rendição.

Percy riu do amigo.

– Droga. Treinador na área, Percy — disse Gerry vendo um cara gordo em roupa de ginástica se aproximar — É melhor você ir pra arquibancada, loirinha, ele deve estão nervoso pra caralho, não vai falar coisas bonitas.

Me afastei de Percy.

– Boa sorte, Cabeça de Alga.

– Torça por mim, Sabidinha.

– Vou pensar no seu caso.

Gerry passou o braço pelo meu ombro me puxando de volta antes que eu pudesse sair.

– Mas que isso, loirinha? Nada de beijo de boa sorte? — perguntou com um sorriso malicioso olhando de mim para Percy sugestivamente.

– Tradição, não? — desafiou Percy sorrindo também.

– Conhece a tradição. Vença e depois conversamos — disse e sai bem a tempo do Treinador alcançá-los e começar a gritar sobre o porque de Percy ainda não ter se alongado e tomado a porra de seu isotônico.

Passei por entre os alunos recebendo um ou outro olhar curioso e procurei um lugar na arquibancada. Sentei num pedaço relativamente vazio e fiquei olhando em volta, atrás de Thalia e torcendo para Luke não aparecer antes que ela. Eu não estava na clima par ficar sozinha com ele, ainda mais sabendo que Percy estaria observando antentamente. Quase revirei os olhos com o pensamento.

Três garotas se aproximaram e ocuparam o lugar a minha frente. Uma delas, uma loira com um rabo-de-cavalo, olhou para mim e sorriu enquanto se virava para sentar.

– Blusa bonita — ela disse.

Olhei para baixo. Eu vestia uma bata cinza de renda. Era simples mas bonita e obviamente era uma das coisas que as filhas de Afrodite haviam eenfiado na minha mala. Retribuí o sorriso agradecendo e ela se instalou entre as amigas.

Eram duas morenas e a loira, bonitas e deviam ser da minha idade. Não dei muita atenção à elas inicialmente, mas podia ouvir sua conversa. Uma das morenas reclamava dramaticamente sobre um garoto chamado Noah que aparentemente havia sido um completo idiota em seu encontro. Sua voz era um pouco irritante.

– Ai. Meu. Deus! Desculpe interromper, Mia — disse a outra morena — Mas esquece o Noah e olha pro Percy. Ele está simplesmente uma delícia hoje!

Foi nesse momento que elas atraíram minha atenção.

– Hoje?! Foi por causa dele que me inscrevi na natação! — disse a loira fingindo se abanar. Seu tom era sonhador, mas ela parecia simpática e espontânea demais para sua declaração me irritar — Tenho muita inveja de você, Mia. Mesmo que só tenham ficado aquela vez... podia ser eu.

Mia riu pretensiosamente. Meu sangue ferveu. Ele ficou com ela?!

– Percy tem cara de ter pegada.

– Oh, ele tem! — ela concordou e as três olharam para ele.

Olhei para Percy também. Ele estava de frente para cá, mas falava com seu treinador, ouvindo atentamente as instruções. Daquele ângulo dava para ver todo seu corpo e o rosto compenetrado era absurdamente sexy.

Mia, a reclamona de Noah, revirou os olhos para as amigas e jogou o cabelo sobre o ombro simulando indiferença. Ela tinha aquele tipo de atitude blasé que me irritava bastante. Um tédio religiosamente ensaiado para demonstrar sua suposta superioridade. Eu tinha certa experiência com pessoas assim na minha escola particular. Fingem que nada é interessante ou surpreendente o bastante para elas, para que as pessoas se exforcem para ter sua aprovação.

– Vocês não sabem — disse calmamente analisando as pontas do cabelo, claramente buscando despertar o interesse das amigas. E conseguindo, já que ambas se enclinaram perguntando 'o que?' — Amanda me disse que viu Percy com uma garota hoje. A outra morena pareceu decepcionada e bufou.

– Grande coisa! Todo mundo sabe que ele tá com a Zia — disse entediada — Inveja eterna.

– Mas não era Zia — continuou Mia friamente, e novamente conseguindo prender a atenção das amigas.

– Como Amanda sabe? A mãe dela nunca deixou ela ir ao Demoníaco, para ela saber como Zia é — perguntou a loira parecendo genuinamente curiosa.

– Ela me disse que a garota é loira.

As duas garotas encararam Mia parecendo surpresas. A garota então sorriu convensida.

– Nossa, santa rotatividade que esse menino tem!

– Mas Percy não fica com loiras — disse a própria loira pensativamente depois de um momento, passando a mão nos cabelos inconscientemente e parecendo muito decepcionada.

Eu quase sorri com isso, olhando para meu cabelo por reflexo.

– Você bem sabe, não é, Sam? — provocou a outra morena, empurrando-a suavemente com o ombro. Elas riram e Sam fingiu limpar lágrimas dos olhos.

– Lembra quando fiquei com Gerry no aniversário da Sarah? — perguntou Sam, num tom de quem se lembrava de algo importante.

Eu quase ri com a mensão a Gerry.

– Claro que lembro. Mia vomitou em mim aquele dia — disse a morena que eu não sabia o nome.

– Já pedi desculpas!

– Que seja! — continuou Sam — Gerry estava muito bêbado aquele dia. Ele deixou escapar que Percy não pega loiras por causa de uma ex que o traiu. Não consegue ficar com garotas que lembrem a ela.

Senti algo muito forte rasgando meu peito e não consegui definir aquele sentimento como bom ou ruim.

– Que triste. Será que ele voltou com ela? Se Amanda disse que ela é loira... — perguntou a morena.

– Eu sei lá, mas que vadia! Olha aquelas coxas — disse Mia apontando na direção Percy — quem em sã consciência trairia um cara com aquelas coxas?

– Pare de ser tarada, Mia! — disse Sam, puxando o braço dela para baixo — Ele estava olhando para cá.

Eu tive certeza que ele olhava pra mim e, ainda com aquele sentimento esquisito me sufocando, ergui o rosto para ele. Ele já estava virando, mas sentiu-me olhando e voltou seus magníficos olhos para mim de novo. Lançando-me um sorriso torto de tirar o fôlego, ele tirou momentamente aquela sensação estranha de mim. Sorri de volta sem nem pensar.

– Annabeth!

Virei o rosto para onde veio o grito e encontrei Luke sorrindo para mim. Ele acenava nada sutilmente entre a multidão. Meu sorriso morreu e olhei para Percy novamente. Ele estava tão sério quanto eu, olhando para o loiro também. Cu de vida.

Fiz um gesto meio contrariado para que Luke se aproximasse. Ele veio quase correndo em minha direção e pulou o primeiro degrau da arquibancada com uma agilidade atlética. As três garotas na minha frente o seguiram com os olhos muito pouco discretamente e Mia, inclusive, empinou os peitos para ele. Infelizmente — para ela e pra mim — Luke nem mesmo as notou, concentrado em mim.

Eu sei que era maldoso, mas me irritava o fato dele ser tão afim de mim. Eu não podia negar que ele era atraente. Alto, forte, com aquele ar de surfista rebelde e seu cabelo loiro claro. Era valente, corajoso e um líder nato. Havia muitas outras garotas atrás dele, então por que eu? Sério, por que? Aquilo só complicava minha vida. Eu ainda estava bem irritada com a possibilidade dele ter dito a Percy que eu transei com ele. Precisava esclarecer essa história o quanto antes.

Ele chegou desconfortavelmente perto para me cumprimentar e eu forcei um sorriso, tentando não me esquivar quando ele beijou minha bochecha. Juro que ele teria beijado o canto de minha boca se eu não tivesse virado o rosto.

– Oi... Como vai? — tentei ser educada, mas me senti formal demais.

– Ótimo — ele sorriu — E você?

Fiz força para não olhar para Percy ao dizer:

– Ótima também.

– E então? Percy lhe disse que eu vinha? — perguntou num tom desafiador.

Eu sabia que Luke estava com a razão, afinal Percy realmente havia me escondido aquilo (entre outras coisas), mas não gostei do tom arrogante dele e fui tomada por um desejo inconpreensível — ou nem tanto — de proteger Percy.

– Ele disse sim — respondi olhando para a piscina. Os competidores agora estavam recebendo instruções gerais em uma roda. Não pude achar Percy entre a muvuca e fiquei apreensiva.

– Que surpresa! — continuou Luke num tom envenenado. Senti seus olhos em mim, mas não retribuí o olhar, ele estava próximo demais — Achei que fosse te esconder isso. Também.

Mantive minha cabeça erguida e meus olhos longe dele. Mas senti o impacto de suas palavras.

Ele estava certo novamente. Percy vinha me escondendo muitas coisas e aquilo já estava me irritando a outro nível. Ele não me contou nada sobre como foi seu ano na escola, essa coisa de natação, sobre seu relacionamento com Zia (e outras garotas), sobre o que mais sabe da nossa atual profecia, se ele saiu daqui e lutou com algum monstro esse ano. Eu sabia muito pouco sobre ele agora. E ainda por cima, tudo começara com sua relutância em me contar sobre a missão de matar Medusa e petrificar Cetus, que foi o motivo orginal de nossos problemas. Mas isso não era o pior. Percy não me contou sobre Columbia.

Nós tínhamos um plano. Não era nada oficial, mas já havíamos divagado sobre várias vezes, muito antes. Pretendíamos fazer faculdade no acampamento romano. Morando juntos em lugar onde semideuses podiam viver e não apenas sobreviver. Era o nosso plano. Sim, eu também pleiteei uma vaga para Columbia, mas porque ele me deixou. Porque não fazia sentido ir para o acampamento romano sem ele.

Eu não disse nada e Luke se agarrou a esse sinal de relutância minha, tomando minha mudez como incentivo.

– Afinal tem muitas coisas que ele não vem te contando. Confiança é uma via de mão dupla é o caralho, hein...

– Você tem algo a dizer? — perguntei sentindo a fúria borbulhar em minha garganta. Olhei para ele, involuntariamente lançando-lhe meu olhar mais intimidador — Deixe de rodeios, Luke.

Ele pareceu intimidado, mas não recuou.

– Eu preciso dizer, Annabeth? Ele se escondeu de você o ano todo, sabendo que você estava sofrendo. Agora você volta e cai de amores por ele de novo! E o que você sabe sobre ele agora? O que ele te contou? Ele está se aproveitando da sua culpa. Ele nem mesmo te respeita caralho! Te faz ficar fora do acampamento, onde é menos seguro, apenas para te manter longe de mim. E você está tão culpada por ter me beijado que nem mesmo percebe que se ele tivesse sido sincero e confiasse em você, nada disso teria chegado a esse ponto.

Aquilo me atingiu como um soco no estômago. Sim, sua visão era distorcida em algumas partes, mas até onde ele estava errado? Até onde eu estava me submetendo a Percy por culpa? E eu também não queria voltar para o acampamento agora, mas até que ponto para Percy minha segurança era mais importante que eu estar perto ou não de Luke?

Mas eu não podia assumir isso. Não ali. Não naquele momento. Não pra Luke.

Engoli todo o sentimento ruim que me invadiu e vesti minha armadura de sempre. A melhor defesa sempre era o ataque.

– Você falando de confiança, Luke?! — perguntei num tom ressentido e enojado — Justo você? O meu amigo de infância que achou por bem dizer ao meu namorado que transamos só pra tomar o lugar dele?

Eu pude ver claramente quando aquilo o atingiu. Sua expressão ativa sumiu e ele recuou.

– Percy te contou?

– Ele não precisou — respondi friamente — E você ainda quer falar dele. Quer falar de mim.

Ele pareceu ponderar uma resposta por alguns segundos. Voltei a procurar Percy entre a multidão, agora com o coração em pedaços e não esperançoso. Pude perceber que as três garotas na minha frente ouviam toda a conversa.

– Quer saber de uma coisa, Annabeth? — Luke disse por fim, ele não estava mais submisso. Eu olhei pra ele — Percy não acreditou quando eu lhe disse aquilo. Ele confiava em você. Ele nem mesmo se abalou. Eu esperava pelo menos um soco, mas não. Ele só viu aquilo como realmente era: uma tentativa desesperada minha de acabar com vocês. Só que ele não te contou, não é? E é claro que aquilo ficou na mente dele, mas não seriamente até você acabar com tudo. Você não confiou nele. Foi só te induzir a ouvir um trecho de conversa e você destruiu tudo por si. Ele viu o beijo, só então acreditou em mim. O que eu fiz foi errado, sim, não me orgulho, mas vocês se acabaram sozinhos. Com falta de confiança de ambos os lados. Se ele falasse com você antes. Se você não tirasse conclusões tão rápido. Não tente por a culpa toda em mim. Vocês são todo errados. Vocês não funcionam como casal.

– Você distorce tudo para ficar como o santo da história. Nós tínhamos, sim, nossos problemas, mas você viu e se aproveitou disso. Falou aquilo para ele e me levou a tirar as conclusões erradas. Tudo calculado. É de uma frieza nojenta, Luke. Ele não é perfeito, eu muito menos. Mas eu amo ele. Posso estar sendo ridícula por ficar atrás dele agora, mas quão melhor você é depois disso tudo que me disse?

Eu sabia que ele continuava certo em muito do que disse, mas não abaixaria a cabeça. Principalmente depois do que contou.

Levantei-me de supetão precisando desesperadamente sair dali. Ele estava me fazendo mal, eu estava tremendo e o ar úmido e pesado do lugar me deixava tonta. Desci a arquibancada e o senti atrás de mim. Ele segurou meu pulso enquanto passava bem em frente as garotas. Senti os olhos delas em nós, parecendo fascinadas por todo aquele drama.

– Annie... me desculpe... eu... — ele tentou balbuciar.

– Não, Luke, você está certo em grande parte do que disse. Mas me solta, preciso ficar longe de você — disse puxando meu braço.

– Annie...

– Me larga!! — puxei meu braço com mais força e ele soltou — Fique longe de mim!

Ele se afastou com minhas palavras rudes e eu estava prestes a correr para fora daquele lugar asfixiante quando ouvi o barulho d'água e todos começaram a gritar e se agitar a minha volta. Olhei atordoada apara a piscina, percebendo que perdi a largada pela briga.

Busquei Percy com os olhos nas raias. O encontrei na 7, surpreendentemente em último. O nado era crau e ele estava muito atrás dos outros. O cara da raia 3 ganhava disparado.

– Por que ele está em último? — perguntei retoricamente olhando em choque para a disputa. Ele era filho de Poseidon, simplesmente não podia perder. Não podia!

– Ele se atrasou na largada. Pulou depois, porque estava olhando para sua briga — disse alguém.

Olhei para trás e vi Sam forcendo-me aquilo em tom de piedade. Ela parecia sentir muito mesmo. Nem olhei para as outras, sabendo que o sentimento não se repetiria nelas. Voltei-me para a piscina.

A água se agitava com as braçacas e pernas batendo furiosamente. Todos deixavam um rastro de espuma atrás de si, avançando tão rápido que era difífil acompanhar.

– Vai, Percy!! — gritei. Ele avançava mais rápido, se aproximando dos outros. Olhou-me durante uma respiração e eu gritei novamente.

Ele tomou um gás de repente. Passou os últimos colocados quase no fim da primeira piscina. Eles fizeram a virada olímpica e o nado mudou para peito. Ele estava em terceiro, se aproximando do segundo. Gritei seu nome novamente tão nervosa e culpada que quase chorava.

Eu gritava incentivos desesperadamente, mas sentia minha voz se perdendo entre tantas outras. Quase todos das arquibancadas estavam de pé agora, ocupando as beiras da piscina. Era tudo tão rápido mas eu sentia como fosse em câmera lenta. Na metade da piscina Percy tomou o segundo lugar, mas estava quase um metro atrás do primeiro.

Ele se aproximou mais, ambos tão rápidos que era perturbador. Eles se distanciaram dos outros competidores e nos ultimos metros eu não conseguia mais saber quem etava na frente. A disputa era ferrenha, parecendo que alternavam a liderança cada vez que se impulsionavam para fora da água.

E então acabou. Ambos bateram a mão na margem e uma líder de torcida ergueu uma bandeira fluorescente. Eu não sabia quem tinha vencido. O silêncio caiu no ambiente, ninguém se importando mais em torcer por aqueles que terminavam.

Um homem bateu a mão no microfone testando.

– Que disputa tivemos hoje! Pedimos a todos que aguardem um momento enquanto olhamos as imagens para apurar o vencedor — disse e o silêncio caiu de novo.

Olhei para a raia de Percy, ele tirava a touca e os óculos parecendo atordoado. O garoto da raia 3 não estava muito diferente.

Um burburinho nervoso se espalhou pelo local. Eu já não sabia onde estava Luke, Sam, Mia ou qualquer pessoa. Tentei mover-me em direção a Percy mas a multidão me barrava em muitos pontos. Senti o nervosismo trancando-me a gargante. Se não fosse por mim ele teria saltado no momento certo e ganhado disparado. Por favor, por favor...

Me espremi entre aquelas pessoas, ficando tonta de agitação e pelo ar abafado, mas não pude ligar. Alcancei a a ponta da piscina aos empurrões e tropeços, mas parecia que a raia 7 estava a quilômetros enquanto eu me espremia tentando chegar nele.

Percy saia da piscina auxilado por Gerry, que lhe deu uma toalha e disse algo, claramente tentando acalmá-lo. Mas ele olhava em volta, pricipalmente onde eu estava antes, procurando-me. Perguntou a Gerry algo, que apenas balançou a cabeça e começou a procurar também. Chamei seu nome mas ele não ouviu. Novamente ouvi o homem tocando o microfone para testar. Continuei tentando chegar a Percy, mas era como tentar nada contra a corrente.

– É com muita honra que apresento o vencedor dessa expetecular competição — começou o homem. Percy me viu finalmente e tentou vir em minha direção. Eu correria se tivesse espaço, mas só podia me enfiar entre as pessoas tentando chegar nele também — Em toda minha vida nunca vi nada assim! Mas sem mais delongas: numa virada inacreditável, o vencedor é Perseu Jackson da escola St. George High School!

Naquele momento eu fui praticamente jogada na piscina. Todos começaram a gritar de e se mover. Fui empurrada para todos os lados, em quanto tentava em vão chegar até Percy. Ele, que se movia em minha direção, foi pego entre abraços e contratulações, levado pela massa até o pódio. Ele gritou meu nome e eu o dele, mas não conseguíamos nos aproximar. Percy foi erguido nos ombros de várias pessoas e levado para pegar seu prêmio, seus olhos verdes estavam estupidamente claros e fixos em mim. Vi então Gerry vindo em minha direção com dificuldade.

Em algum momento eu tive que simplesmente parar, já sendo impossível me mover em direção ao pódio. Esperei impaciente o homem anunciar o segundo e terceiro lugar, sem nem mesmo registrar suas palavras. Percy me procurava novamente entre a multidão.

Gerry me alcançou enquanto o segundo lugar recebia sua medalha de prata. Nós nos abraçamos emocionados e eu quase chorei em seu ombro. Ele pegou minha mão e tentou abrir caminho para nós, sendo um pouco mais bem sucedido que eu por seu tamanho. Era bem mais fácil ignorar uma garota magra de 1,70m do que um negro forte de 1,80m.

Quando entregaram a medalha a Percy e ele ergueu o trofeu junto com seu treinador, todos se agitaram a nossa volta novamente, gritando seu nome. Ele era tão lindo. Todo ele, com o corpo exposto, o rosto alegre e ao mesmo termpo nervoso. Finalmente chegávamos a ele. Todos desciam do pódio e ele se moveu em direção a Gerry e eu. Eu estava transbordando alívio e felicidade, mas ainda totalmente atordoada com todos aqueles sentimentos (alguns bons, outros péssimos) em tão pouco tempo. Eu simplesmente precisava chegar a Percy. Precisava tocá-lo, abraçá-lo tão forte...

Então novamente fomos interrompidos. Um homem alto usando um paletó bege parou Percy no meio no caminho e eles trocaram um aperto de mão. Quase gritei de desespero quando começaram a conversar casualmente.

– É o olheiro de Columbia — disse-me Gerry e paramos estarrecidos.

A multidão havia cedido e não faltava muito para chegar em Percy. O sentimento de nervosismo se intensificou enquanto via-os conversando. Percy olhou duas vezes para mim durante o diálogo. Eu não podia deduzir nada pela sua expressão.

Eles finalmente apertaram as mãos de novo e o homem deu tapinhas no ombro de Percy, se afastando logo em seguida.

Gerry e eu olhamos para ele em expectativa. Avancei alguns passos. Não havia mais tanta gente entre nós. Só alguns metros... Parei encarando-o, perguntando com os olhos. Seu rosto sério não revelava nada. Então ele acentiu minimamente: SIM.

Corri o resto do caminho até ele, sem ver nada. Eu provavelmente sorria, mas não poderia dizer.

Quando o alcancei me joguei sobre ele, prendendo os braços em seu pescoço e as pernas enlaçando seu quadril. Seu corpo firme ainda estava úmido e fresco da água. Ele me abraçou com muita força e finalmente tudo que eu sentia transbordou, esvaziando-me. Ele me proporcionando um alívio que chegava a doer.

Não sei quanto tempo ficamos assim, nos apertando tanto que chegava a ser doloroso, mas incapazes de soltar. Meus olhos estavam fechados e queimavam pelo choro contido, mas eu sabia que todos nos olhavam. E não podia me importar menos. Sua respiração era profunda, como a minha. Eu sentia seu coração batendo forte.

– Parabéns! Oh, Percy! — disse com voz sufocada e finalmente desatamos o abraço, mas não chegamos nem perto de nos largar.

Olhei seu rosto deslumbrada e ele devolveu o mesmo olhar encantado. O verde mar estava turbulento.

Um de seus braços me soltou e sua mão foi até minha nuca, puxando-me para um beijo. Havia tanta coisa ali que era difícil descrever tudo. Medo, nervoso, alívio, felicidade, paixão. Amor. Nossas bocas moviam-se em sincronia, levando todo o meu corpo a um estado topor. Meus dedos se agarraram aos seus cabeços e sua outra mão segurou minha coxa, mantendo-me em seu colo. Eu queimava em necessidade dele e mal registrava que havia gente a nossa volta.

De repente, ele pareceu perder o equilíbrio. Pensei que fossêmos cair, mas abri os olhos a tempo de ver a risada de Gerry enquanto Percy e eu éramos empurrados na piscina. Prendi a respiração e senti o impacto.

Afundei na água gelada vendo as bolhas a minha volta, mas nem assim nos soltamos. A piscina era funda, mas Percy nos levou a superficie e sem a menos dificuldade, comigo ainda presa a ele como um filhote de macaco. Nós rimos e olhamos feio para Gerry. Quase todos riam também.

– Pra ver se apagava o fogo! — Gerry gritou acima de todos.

Percy e eu rimos novamente e eu sentia a água se mover em baixo de nós, nos mantendo na superfície. Era tudo tão fora da realidade e feérico que eu tinha dificulade de registrar.

– Eu te amo — ele disse de repente me olhando nos olhos. Paramos de rir.

Eu não podia entender como alguém podia ser tão perfeito pra mim. Abracei-o forte de novo. Tudo aquilo — os segredos, a desconfiança, Luke e nosso passado — podiam ficar para depois. Aquele momento eu só precisava de Percy.

– Eu também te amo. — sussurrei perto de seu ouvido.

Cometi então o erro de abrir os olhos. Da margem oposta, Luke nos olhava fixamente.

Notas finais
bjão pra Rebeca Woset, larii_risa, alicedesirre e todas as outras que me mandaram mensagens privadas pedindo esse cap. Desculpe a demora, novamente. Bjos MEREÇO COMENTÁRIOS, VAI!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.