Notas iniciais
Desculpa a demooooora, mas ai está!
Sem mais delongas...

–Por favor, me diga que você não vai assim – eu pulei em sobressalto com a voz feminina, eu estava sozinha no banheiro.

É, estava. Sentada de pernas cruzadas sobre a bancada da pia havia uma mulher extremamente bela com ondas negras e olhos verdes.

–Sério, Afrodite? – revirei os olhos, por que ela estava aqui afinal? – Qual é a necessidade de você ficar aparecendo pra mim?

–Bem grande, considerando a roupa que está vestindo – ela me olhou dos pés a cabeça com desdém. Afrodite estava perfeita em um vestido simples de linho que marcava seu corpo voluptuoso, embora o tecido verde fosse um pouco mais transparente do que o necessário – Vai mesmo conhecer a namorada de Percy assim?

Revirei os olhos novamente e a ignorei, me virando para o espelho para terminar de trançar o cabelo.

–Calça jeans e uma bata? Não vai seduzir nem um nerd virgem vestida dessa forma.

Respirei fundo para conter a raiva que ela me proporcionava.

–Maquiagem não cairia mal também – continuou.

–Nunca precisei disso antes – lembrei-a. Percy já havia me visto em todos os momentos mais horríveis durante as missões, e ainda assim se apaixonou por mim.

–Percy não tinha uma namorada gostosa antes – ela respondeu sorrateiramente. Afrodite sabia o que dizer para me despertar.

Zia era bonita? Eu não havia pensado sobre isso antes. Ela também era loira? Talvez fosse ruiva como Rachel... Olhei para a deusa que arqueou uma sobrancelha para mim.

–O que você sugere? – perguntei e tive a insatisfação de ver um sorriso vencedor se espalhar por seus lábios.

–Posso dar um jeito em você – me olhou outra vez dos pés a cabeça.

Eu havia pego a primeira roupa que achei na mala quando Percy perguntou se eu queria sair hoje, já que ele iria ver Zia no bar da família dela. Não quis dar o braço a torcer e disse que ia, mesmo que significasse passar a noite toda sentada num bar assistindo de longe Percy com a namorada.

–Como Zia é? – perguntei enquanto Afrodite fuçava em minha mala aberta no chão do banheiro.

–Bastante bonita e costuma estar sempre arrumada. Também é mais engraçada e divertida que você e muito menos irritante – respondeu sem olhar para mim. Me senti um lixo e ao mesmo tempo completamente irada.

–Se ela é tão boa, por que não a ajuda a ficar com Percy? – não me contive.

Afrodite se levantou com algumas peças de roupa na mão (nenhuma delas era realmente minha, a não ser uma blusa azul que Jenna me dera, mas que ainda tinha as etiquetas). A deusa me olhou e sorriu, provavelmente por perceber que conseguira me irritar.

–Porque eu gosto do seu jeito. Briguenta, determinada, orgulhosa... – respondeu e devo admitir que me surpreendi, mas logo ela acrescentou: – Embora ultimamente não ande muito assim. Está um tédio desde que terminou com Percy. Você nunca cansa de chorar?

Minha raiva aumentou ao notar que mais uma vez ela estava certa sobre mim. Eu costumava ser forte, orgulhosa e nenhum um pouco dependente de ninguém. Mas havia me perdido no caminho, no mesmo momento em que o perdi.

–Pode voltar a ser daquele jeito – ela disse ao notar que eu pensara no assunto. Me entregou uma saia florida e eu desabotoei a calça para experimentar – Eu agradeceria muito se voltasse a ser! Era tão mais interessante e além disso foi por ela que Percy se apaixonou e não essa garota extrassensível e chorona.

Não respondi nada e subi a saia pelas minhas pernas. Era era levemente rodada, preta com flores coloridas, e mais curta do que eu normalmente usaria, mas resolvi acatar a vontade de Afrodite. Ela me entregou uma blusa preta, que eu também vesti sem fazer objeções, feliz por não ser tão decotada quanto o vestido dela. A deusa se aproximou de mim e colocou a blusa dentro da saia. Minhas sapatilhas de camurça preta acabaram combinando e eu não tive que trocar (confesso que fiquei com medo de ter que usar salto).

–Muito melhor – ela disse ao me olhar. Guardou as roupas restantes na mala organizadamente e a fechou, deixando somente um casaquinho fino de lã vermelha para fora.

Me recusei severamente a usar qualquer coisa além de gloss e rímel no rosto, e Afrodite não insistiu. Ela desfez a trança do meu cabelo e o colocou de lado, ajeitando os cachos suavemente com os dedos. Quando terminou, se afastou e me fitou

–Feliz agora? – perguntei um tanto grosseira.

–Até mais, Annabeth – ela disse benevolente e desapareceu em névoa colorida.

Somente quando a deusa foi embora lembre-me de perguntar mais sobre Zia. Eu ainda estava pensando sobre sua aparência.

Quando Percy estava chegando no apartamento para buscar os óculos de natação que havia esquecido, o cabelo e os olhos de Afrodite assumiram a cor dos meus. Mas agora, depois dela insinuar sobre a beleza de Zia, eu percebi que a nova namorada de Percy podia ser parecida comigo.

Dois toques sutis na porta do banheiro indicaram que eu descobriria logo.

–Está pronta? – perguntou Percy.

Vesti o casaquinho sobre a blusa justa e espirrei um pouco do meu perfume no pescoço e nos pulsos.

–Estou – respondi abrindo a porta.

Ele estava de tirar o fôlego de calça jeans negra, uma camisa verde escura com as mangas dobradas e o cabelo deliciosamente molhado e despenteado.

Confesso que fiquei um pouco decepcionada pelo fato de Percy sequer olhar para mim. Qual é? Eu havia me arrumado. E quase uma obrigação da parte dele notar que eu não estava na habitual aparência desastrosa, não?

Fui até a comoda, peguei a bodice dagger e puxei o decote para baixo na intenção de guardá-la, mas num surto de orgulho ferido, me virei para Percy antes de encaixá-la entre meus seios. Vi seu olhar descendo para meus seios e contive um sorriso vitorioso.

–Procurando alguma coisa? – perguntei petulantemente.

–Nada que já não tenha encontrado antes – respondeu sarcasticamente com um sorriso frio.

Nada que ele já não tenha visto. A revolta e decepção subiu por meu peito, provocando uma ira tão forte... Tão assustadoramente forte...

Encaixei a adaga entre meus seios, quase cortando minha própria pele e soltei o decote. Dei um passo em sua direção, minhas mãos se fecharam em punhos antes que pudesse prosseguir. Meu ego falou mais alto que o coração destroçado e avancei contra ele, parando a centímetros de seu peito. Meu rosto estava baixo, mas o encarava através dos cílios obliquamente.

Arqueei meu corpo, praticamente jogando meus seios contra ele. Seus olhos desceram para o vale do decote inconscientemente. Levei minha boca até muito perto da sua. Seu olhar pareceu vacilar, mas ele se manteve impassível e não moveu um músculo.

–Espero, – sussurrei soprando contra seu rosto, enquanto acariciava seu peito suavemente com a ponta dos dedos – que você lembre bem do que viu… – levei meus dedos até a parte exposta de meus seios e acariciei a pele macia provocativamente. Seus músculos tencionaram e ele parecia querer avançar – , pois não verá outra vez. – disse, a voz suave, porém ferina.

Bati minhas mãos contra seu peito o empurrando para longe. Percebi a raiva tomando conta dele também e sorri. Não feliz, mas satisfeita.

Lhe dei as costas, pretendendo sair do quarto num tiro de dignidade, mas fui interrompida. Percy agarrou meu braço e me puxou contra si. Perdi meu ar.

Ele me encarou duramente, segurando meu braço com força.

–Vai fazer o que? – perguntei desafiadora, eu não ia recuar.

Só me olhou por mais alguns segundos e me soltou, quase empurrando. Cambaleei para trás e segurei meu braço dolorido onde ele apertara.

–Vamos – ele disse friamente.

Me obriguei a não ter um surto e me recusar a ir. Eu precisava conhecer Zia.

Já estávamos quase saindo quando me lembrei de algo. Disse que estava esquecendo algo e voltei correndo. Vasculhei minha mala rapidamente e peguei o boné da invisibilidade. Dobrei a aba e o enfiei na parte de trás da blusa, sob o casaco.

Eu tenho que admitir que foi uma ideia terrível brigar com ele minutos antes de sair. Além de termos uns dez quarteirões para andar juntos, estávamos indo encontrar Zia. Eu devia tratá-lo bem se queria concorrer com ela.

Já estávamos no segundo quarteirão quando o silencio se tornou incomodo demais para mim e eu engoli meu orgulho e puxei assunto.

–Por que está morando aqui? – perguntei conseguindo, não sei como, controlar meu tom para não se tornar desagradável.

Ele desviou o olhar da rua mal iluminada e me fitou, parecendo ponderar sobre se eu merecia ou não uma resposta.

–Nenhum monstro chega perto dessa cidade – ele respondeu finalmente – A cachoeira que deu nome a cidade é uma entrada para o tártaro, isso os mantém longe.

Pensei imediatamente em uma forma de continuar a conversa, já que ele estava aberto.

–Monstros demais esse ano? – perguntei me sentindo um tanto quanto patética. Esse não era o tipo de pergunta para uma filha de Atena, e Percy sabia disso. Ainda assim, não me importei que ele pudesse notar minha necessidade de manter um diálogo para ouvir sua voz.

Ele soltou um riso irônico.

–Cortesia da sua mãe – respondeu ríspido, felizmente não parecia estar irritado comigo diretamente.

–O que quer dizer?

O que, por Hades, minha mãe poderia ter haver com isso? Era óbvio que, se Poseidon me queria morta, minha mãe não deveria sentir algo muito diferente por Percy, mas eu não parara para pensar direito sobre isso.

–Diga-me, algum monstro foi atrás de você esse ano? – perguntou.

–Na verdade não. Nenhum. Por que?

Ele chutou distraidamente uma pedra da calçada e sorriu um pouco antes de me olhar novamente para responder.

–Sua mãe meio que passou todo o seu cheiro de semideusa para mim. Basicamente isso te protegeu de ataques e dobrou minhas chances de ser encontrado por um monstro. Dois coelhos com uma só cajadada, afinal ela é a deusa da sabedoria, não? – ele explicou calmamente.

Eu parei de andar, estática.

Eu passara o ano como uma humana, enquanto ele recebia toda a carga de perigo. Não conseguia acreditar que minha mãe jogara tão baixo! Ela sabia o que eu sentia por Percy, como pode fazer isso comigo? Como pode fazer isso com ele?

Um bolo subiu por minha garganta e trinquei meus dentes. Uma nova onda de raiva e decepção passou por mim.

–Annabeth? – Percy chamou, parando de andar também – O que aconteceu?

Ele andou para perto de mim, como se esperasse um desmaio.

–Eu não acredito que ela fez isso – murmurei balançando a cabeça – Como ela pôde?!

Percy pareceu um pouco confuso com minha reação.

–Está tudo bem, Annabeth – me acalmou suavemente – Não é nada demais.

–Como não? Ela está tentando te matar! – explodi, irritada com o pouco caso que ele fazia sobre sua vida.

Ele franziu a testa, não parecendo achar problema no que eu reclamava

–Assim como meu pai, Annabeth. Poseidon colocou Cetus atrás de você! Sua mãe foi até mais sutil.

Qual era o problema dele? Ele não podia estar defendendo o ponto de minha mãe.

–Estou me fodendo para a sutileza dela! – esbravejei – Ela não podia ter feito isso!

Percy deu mais um passo em minha direção e manteve o tom sereno, tentando me acalmar.

–Está tudo bem, Annabeth. Eu não me importo, foi até melhor...

–Melhor?! – interrompi.

–Sim. Eu me sentia mais calmo em saber que não havia monstros atrás de você. Além disso Cetus não poderia chegar a São Francisco, já que está no Atlântico.

Eu encarei seus olhos muito claros e sinceros. A forma como ele me olhava fazia meu estômago se revirar. Percy se importava mais com minha segurança do que com a própria.

–Se importa mais comigo do que com você – deixei escapar.

Seu rosto não demonstrou nenhuma emoção.

–Você acabou de ter um surto com sua mãe por ela ameaçar minha vida – ele disse simplesmente. Jogando categoricamente minhas próprias palavras contra mim.

Pensando bem ele estava certo. Eu também me importava mais com ele do que comigo mesma. Mas eu tinha um bazilhão de motivos para isso e certamente não tinha uma namorada.

–Por que se importa tanto comigo? – a pergunta vazou pelos meus lábios antes que eu pudesse segurá-la.

Ele desviou os olhos por um segundo, ponderando.

–Me diga você – disse, me encarando novamente – Por que se importa tanto comigo?

Sua postura evasiva me deixava confusa. Ele parecia tão receoso quanto eu em dizer o que sentia.

Eu queria dizer a verdade. Mas estava apavorada com a ideia de rejeição. Ele esperou pacientemente enquanto eu pensava.

O que eu tinha a perder, afinal? Ele já tinha outra namorada.

–Porque eu te amo.

Meu coração estava apertado e trancava minha garganta. Sua mandibula travou visivelmente, mas seus olhos suavizaram.

Ele ficou alguns torturantes segundos me encarando, sem dizer nada. Eu tive medo de sua reação. Não conseguia prever o que esse novo Percy faria. O antigo faria uma piada boba que me irritaria, quando eu ficasse brava, ele me abraçaria e diria que também me ama.

Quando ele deu sinal de que ia responder, começando a abrir a boca, eu percebi que tinha mais medo de saber do que gostaria.

–Acho melhor continuarmos – eu disse antes que ele pudesse falar qualquer coisa.

Comecei a andar desviando de Percy.

Ele esperou um pouco, mas percebi que ele veio atrás de mim.

Joguei meu cabelo sobre o ombro entre nós e andei de cabeça baixa, escondendo o rosto. Já estávamos uns três quarteirões a frente quando ele rompeu o silêncio.

–Eu também te amo – ele disse calmamente.

Fechei meus olhos e sorri, ainda de cabeça baixa para ele não pudesse ver.

Passei a mão no cabelo durante todo o caminho, para mantê-lo entre a gente escondendo meu sorriso fixo. Eu podia sentir seu olhar em mim, mas não ousei levantar os olhos. Tinha uma horrível impressão de que se olhasse em seus olhos verdes não conseguiria me segurar para não me jogar em seus braços e eu estava feliz demais com o que ele dissera para correr o risco de ser repudiada.

Ele dobrou umas sete esquinas (que eu contei) e finalmente parou em frente a uma fachada de bar. Havia uma placa de neon vermelho piscando com o nome, que entendi por Demoníaco na quintagésima vez que li.

Por fora parecia um daqueles pubs vintage de filmes com louras de seios enormes, maria-chiquinha e grandes canecas de cerveja espumante. Uma imagem horrível de mim mesma de maria chiquinha, meias sete oitavo, e os seios pulando para fora de uma camisa xadrez enquanto carregava cerveja apareceu em minha mente. Balancei a cabeça afastando o pensamento perturbador.

Havia duas garotas morenas mais ou menos da nossa idade conversando animadamente na frente. Um cara um pouco mais velho fumava encostado na parede. Um garoto negro usando uma blusa amarela do Nirvana veio em nossa direção com uma garrafa de cerveja na mão.

–Percy, meu bonitão preferido! – ele gritou agitando o braço em nossa direção. As duas garotas olharam em nossa direção e se ajeitaram fitando Percy. Revirei os olhos, eu estava ao lado dele, qual é?!

–Gerry! – Percy andou em direção a ele e fiquei para trás, me sentindo de fora.

Eles se cumprimentaram de uma forma tipicamente masculina, que na minha opinião era mais pancadaria do que um cumprimento.

–Você sumiu, cara! Faz uns... o que? Mil dias que não te vejo? – disse o garoto gesticulando.

Percy riu.

–Faz três dias, não exagere.

–Vamos entrando, Peixão, minha cerveja tá acabando – Gerry começou a puxar Percy para dentro.

Eu não sai do lugar, esperando Percy se lembrar de mim. Ele se lembrou.

–Espera. Eu trouxe alguém – interrompeu Percy soltando-se de Gerry e vindo em minha direção.

Eu dei um passo a frente. Percy colocou uma mão em minhas costas e indicou a Gerry.

–Gerry, essa é Annabeth. Annabeth, esse é Gerry.

Gerry abriu a boca por uns segundos e estendeu a mão para mim. Eu estendi a minha esperando um cumprimento, mas ele a pegou e beijou. Eu ri.

–Gerry, seu humilde servo – ele disse fazendo uma mensura.

–Annabeth – respondi ainda rindo. Percy tirou a mão de mim parecendo incomodado com a atitude do amigo.

Percy nos indicou para entrar. Eu passei a sua frente e entrei no pub. Era exatamente como eu pensava que seria. Bem legal, na verdade.

–Cara, não acredito que trouxe a ex para um encontro com sua namorada – disse Gerry para Percy. Eu imaginei que aquilo era para ser um comentário particular, mas ele disse alto e eu pude ouvir claramente.

–Quanta sutileza, Gerry – reclamou Percy e eu quase pude vê-lo revirando os olhos.

–Posso te ajudar com isso, Peixão. Você sabe, distraí-la enquanto fica com Zia.

Zia. Droga! Eu tinha praticamente me esquecido dela. Olhei em volta procurando. Tinha duas meninas sentadas juntas comendo batatas. Ambas eram ruivas e pareciam ser irmãs. Havia pelo menos uns dez homens mais velhos bebendo. Alguns garotos perto da nossa idade sentado juntos falando besteiras e rindo. A única outra garota era uma que estava de costas. E, meu coração gelou, era era loura.

Estava sentado no bar, mexendo no celular e girando o canudo numa lata de coca distraidamente. Usava jeans colados e uma blusa verde cintilante. Me virei para Percy e fiquei aliviada ao notar que ele não olhava para ela. Conversava calmamente com Gerry.

–Percy! – um grito feminino soou e eu me virei na direção da voz.

Seu cabelo era comprido e com ondas chocolates perfeitas, os olhos de um azul claríssimo. Ela usava calças jeans e uma blusa vermelha muito decotada e justa sob um avental preto com o nome do lugar. Ela estava atrás do balcão, o pulou com agilidade e correu em nossa direção.

Senti um golpe no peito ao ver a morena incrivelmente bonita pulando nos braços de Percy. Ela a abraçou e ela ergueu os pés do chão. E finalmente, para meu desespero total, eles se beijaram.

–Oi para você também, Zia – resmungou Gerry indo na minha direção. Ele colocou as mãos em meus ombros e me puxou para o bar – Vamos, Loirinha.

Eu agradeceria eternamente a Gerry por isso. Eu tinha certeza que continuaria lá, pateticamente encarando meu Percy beijando aquela estranha

–Você ainda tá na dele, né? Deu pra ver pela sua cara – perguntou Gerry enquanto nos sentávamos no bar – Tem uma espécie de tensão sexual entre vocês.

Eu ri de seu comentário.

Girei o banco, evitando a visão do casal.

Não puxei papo e respondi as duas perguntar de Gerry (De onde vocês se conhecem? Por que terminaram?) do jeito mais simples possível (Acampamento de verão. Por que sou uma idiota), o que o vez desistir de um diálogo. Ele ficou do meu lado batucando sobre o balcão e se remexendo inquieto no banco, enquanto eu encarava fixamente as prateleiras repletas de bebidas atrás do balcão. Tentei ler o nome das bebidas em um exercício mental para me distrair.

Dava para notar que Gerry não queria sair de perto de mim por educação, mas que na verdade estava além do tédio. Pela visão periférica, o peguei fitando a mesa das ruivas umas três vezes.

–Você pode ir lá – eu disse sem realmente desviar os olhos da garrafa de vodka que até agora só conseguira ler Asutbol – Sei que estou uma péssima companhia hoje.

Ele riu, parecendo aliviado.

–Tem certeza? Você ainda está melhor que quando saio de vela com Percy e Zia.

Eu não pude rir.

–Vai lá.

–Até mais, Loirinha – ele disse antes de sair.

Absolut, consegui ler.

Abaixei a cabeça e escondi o rosto nos braços apoiados no bar.

Eu só conseguia repetir a palavra bosta, bosta, bosta, bosta, bosta até que a palavra não se ligasse mais ao significado na minha cabeça.

Alguém cutucou minha cintura e eu pulei na cadeira com cócegas. Por total reflexo, saquei a bodice dagger, eu sabia que ela não teria efeito nos mortais do local. Me virei no banco para ver quem era segurando a adaga baixo.

Ouvi uma risada alegre e rara.

–Sempre preparada, hein?

–Thalia?!

Notas finais
Até o próximo.
MUUUITOS REVIEWS HEIN