Marcas Da Morte
22 Um encontro desagradável
Notas iniciais
OBRIGADO!
Boa Leitura
No dia seguinte...
Na boa... se eu fosse descrever o dia de ontem...
Diria que foi exaustivo.
Logo depois da “confusão”, estava totalmente cansado. Já passei por treinamento bem mais árduo do que eu passei naquela hora, mas eu fiquei três vezes mais cansado. Acho que cochilei pelo resto da tarde em um galho de uma árvore. Tava meio incomodo, mas foi bem relaxante. Nem uma mosca foi valente o suficiente pra me incomodar no meu sono.
Juro que nem vi o Felipe e a Heloísa pelo resto do dia. Eles comentaram algo sobre ir treinar uma nova coisa no Monte Diablo. Nem quando fui dormir vi eles. Provavelmente chegaram depois, e dormiram.
Mas, assim que levantei da cama na bela manhã de Domingo, Felipe já estava acordado.
–Deu um belo de um show ontem
–Sério?
–Quase. Kevin, você quase matou o Jimmy!
–E daí?
–E ainda pergunta! Cara, você tem que ser um pouco menos sanguinário.
–Eu sou um Assassino. É impossível eu não ser sanguinário.
–Seja MENOS sanguinário, então. Isso quase veio com problemas para o seu lado.
–Tá bem... e vocês? Foram mesmo no Diablo?
–Aham – o tom de Felipe muda um pouco – depois temos que mostrar pra você. É muito show!
–É mais ou menos o quê?
–Oh! Seria algo mais ou menos assi...
Uma única batida na porta do quarto interrompe a conversa. Quem poderia ser a uma hora dessas?
Assim que eu abri a porta, fiquei com tédio. Denovo esse pessoal com piadinhas? Não tinha absolutamente nem uma única folha de papel naquele corredor.
Bem... eu pensava assim. Até que olhei pra baixo.
Três cartas. Brancas, um pouquinho sujas. Não tinha nada nelas, nada além do nome de cada um de nós escrito, de um modo que eu achei que fosse com penas e tintas, pois possuía muitas curvas. Quando peguei elas, notei que estavam lacradas com uma cera vermelha, e haviam carimbado alguma coisa nelas...
A Marca da Irmandade.
–Pessoal! Mandaram cartas pra gente!
Fechei a porta com o pé. Quando entrei no quarto, Felipe já estava em pé ao meu lado, com seu pijama azul claro.
Eu estava prestes a mostrar as cartas, quando um vulto de rosa salta da janela, pra dentro do quarto.
–AAHH!!!
Claro! Tinha que ser a Heloísa. A Mestre dos Sustos estava parada na nossa frente, de pijama rosa ainda.
–Ok... foi tão ruim a ponto de fazerem vocês caírem?
Só agora notei: Eu e Felipe tínhamos caído para trás, de tanto susto. Enquanto Heloísa caia na gargalhada, eu e Felipe nos levantávamos.
Cara... sério: Ela precisa parar de fazer isso. E logo!
–Foram rápidos hoje! – comentou Heloísa, ao ver as cartas – no corredor do dormitório de um colégio!
–Pois é. Peguem aqui. Vamos ler!
Não dava pra saber de cara de quem era a caligrafia. O Mestre dos Correios é que colocava nossos nomes na carta. Normalmente só precisa do nome completo pra fazer uma carta atravessar o globo por aqui.
Kevin Stival Altair
Quando abri, reconheci na hora a letra. Era da minha mãe.
Querido Kevin,
Espero que esteja aproveitando a América! Por aqui você faz uma falta que dói! Não sei mais para quem eu devo fazer minhas batatas recheadas que tanto gosta!
Assim que O Mestre nos deu a oportunidade de escrever para vocês, fui correndo para casa! A mãe da Heloísa deve ter escrito umas 3 folhas! Imagina só!
Quem diria poder estar em São Francisco com você. Ouvi dizer que é um lugar muito contagiante! Meu filho, aproveite este momento o quanto puder! Não são todos os Membros da Irmandade que tem chances assim todos os dias!
Mas não se esqueça de sua missão, claro! Tanto o Mestre quanto todos nós contamos e confiamos em vocês três. Até seu primo Richard, que está em estágio na Grécia, desejou boa sorte a vocês três!
Todos sentimos muitas saudades, e esperamos que voltem seguros! Que nosso Santo Espírito Assassino esteja sempre contigo, e que São Filipe te guie pelo seu caminho!
Com carinho,
Mamãe.
–Kevin?! Você tá chorando?
Quê??
–Estou?
–Claro! – tinha que ser o Felipe.
–Você sabe... saudades.
–Ah... disso você tem razão... – Heloísa estava com um sorriso avermelhado no rosto – sinto falta dos gritos da minha mãe da cozinha...
–O meu pai me mandou um golpe de karatê! Por essa eu não esperava! – Felipe dava risada da própria carta.
–Ta aí, gostei. Não sabia que podiam fazer isso quando se tem que atravessar o atlântico. Animou as coisas!
–Pois é!
Acho que era a primeira vez que todo mundo sorria em semanas. Tanto as aulas quanto os acontecimentos recentes não tem sido muito felizes. Mas hoje, em pleo Domingo, já sinto que será um dia bom.
–Bem... Felipe me falou que vocês aprenderam algo novo!
Se eu achava que o povo já tava feliz, ficaram ainda mais.
–Kevin! Você TEM QUE VER! – Heloísa quase pulava de emoção. O que era, afinal?
–Uau! É tão incrível assim?
Heloísa respondeu com um olhar energeticamente contagiante nos meus olhos.
–Não dá pra explicar! Você tem que ver!
–OK, já estou ansioso! Vão trocar esses pijamas, vamos agora mesmo!
–UHU!!!
Não sei quem estava mais na animado. Heloísa já pulou janela abaixo com um enorme sorriso no rosto. Felipe correu pro banheiro se trocar.
Bem... e eu fiquei no quarto sozinho. Mas só pensava em uma coisa: Pros dois estarem assim tão animados, tinha que ser muito bom MESMO.
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–ARGH!
Nem o dia azulado, quente e feliz alegrava o elemento de negro, no meio do pátio de pedras cinzentas. O pátio dava para um belo e enorme castelo negro. Mas não era nisso que o elemento expressava sua raiva.
Havia neste pátio um bloco de pedra, mais ou menos do formato de um humano. Mas já estava negro, e com pequenas chamas negras crepitando nas pontas.
– Niger Ignis!
Uma enorme rajada de fogo negro explode das mãos do elemento. A rajada segue direto para a pedra, cobrindo-a completamente com uma gigantesca bola de fogo. Porém, quando a bola desaparece, o elemento quase explode.
–DROGA! Não tá perfeito!
Mas, quando o elemento se preparava para outra rajada, uma voz atravessa o pátio.
–Senhor.
–Espero que tenha um BOM motivo pra me interromper durante meu treinamento.
–São “eles” denovo, senhor...
O elemento de negro parou na hora o que estava fazendo, e se vira para o colega, que vestia exatamente a mesma coisa.
–O que é agora? Algo que eu já não saiba?
–Confirmamos que dois deles descobriram o Exxencia, senhor...
O elemento principal da cena quase engasga com a saliva.
–O QUÊ???
–Foi isso que Vetra e Solivus confirmaram.
–MERDA! – uma bola flamejantemente negra atinge a pedra do pátio.
–Senhor... se continuarem assim... eles já vão poder sentir nossa presença...
–Acha que eu não sei??!!
–Mil perdões, Mestre...
–Não pode continuar assim... lacaios, vocês falharam.
–Nos tranque nas masmorras, Mestre. Assim não vamos interromper seu caminho de glória.
–Depois. Mas, agora... acho que eu mesmo tenho que cuidar desses Pirralhos Brancos...
–Certeza, senhor? Nosso último encontro com um deles não foi... gratificante.
–Isso é porque vocês são um bando de incompetentes. Se não conseguem lidar com 3, nem consigo imaginar com todos o bando.
–Nos perdoe, Mestre.
–Tudo bem... tudo bem... Prepare minhas vestes de batalha.
–Claro! Agora mesmo, senhor.
–Vamos mostrar pra esses “Assassinos” um gosto do Lado Negro da Irmandade...
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Kevin estava quase babando.
–É ISSO??
–Gostou?
–Se eu gostei?! Isso é fantástico!
–Quer ver de novo?
–Claro!
Felipe estava tão animado quanto Kevin e Heloísa. Enquanto Felipe e Heloísa estavam em pé na campina, Kevin assistia tudo, sentado no toco de uma antiga árvore. Kevin mal podia se conter sentado no banco, de tão animado que estava.
–Vamos lá, Heloísa! Já!
Os dois se alinharam em uma posição que lembrava de lutadores de sumo, mas não era essa a intenção. Os dois juntaram as palmas das duas mãos em uma sincronia anormal.
E, como se fossem feitos de nuvens, os dois simplesmente se dissiparam em um tipo de gás branco.
E, do nada, duas esferas de gás saíram voando pela floresta, arrastando mais fumaça por trás, como se fosse dois cometas brancos em plena Califórnia. Kevin olha animado os dois “cometas” subirem até os altos, e despencarem no chão. Os dois se chocam contra o chão na frente de Kevin. Mas, ao invés de fazer uma cratera, os dois formam duas densas nuvens brancas, de mais ou menos 2 metros de altura.
Assim que as duas nuvens se dissipam, eis que surgem Heloísa e Felipe.
–Cara... QUE DEZ!!! – Kevin enfim não consegue conter a animação, e com um pulo se levanta do toco.
–Que bom que gostou! – disse Heloísa, dando um alegre sorriso.
–Mas como vocês descobriram isso??
–Não sei exatamente – diz Felipe – a gente tava treinando arremesso de facas, e do nada essa ideia veio na mente!
–A ideia de virar fumaça veio completa??
–Mais ou menos.
–Estranho...
–Mas o importante: Olha o que sabemos fazer agora!
–Incrível! – a animação de Kevin não parava de subir – vocês tem que me ensinar como se faz!
–Claro! Achou que não iríamos? – questiona Heloísa, como se aquilo fosse uma pergunta meio impossível.
–Não! Só foi pra ter certeza mesmo!
–Bom! Porque eu...
Os três ficaram mais parados que pedra exatamente no mesmo momento.
–V-Vocês... estão... sentindo o mesmo... que eu... estou? – gaguejava Heloísa, nervosa.
–Sim... – murmura Kevin – é negro... totalmente sem cor ou luz... me dá calafrio...
–E tá vindo... rápido... muito rápido... – Felipe quase tremia no lugar.
Os três entraram e formação em menos de 5 segundos. Formaram um círculo, cada um olhando pra um lado da clareira, alerta como nunca.
–De onde, Felipe?
–Do Noroeste, Kevin.
–Será que é ele de novo?
O temor de Heloísa nem pode ser compartilhado por muito tempo. Logo uma explosão negra atinge a clareira.
–AH!
O trio é arremessado para longe pela força da explosão, que abre uma cratera no meio da clareira. Os três capotam pelo chão, e param a cerca de 3 metros da explosão.
–Esses Brancos... são tão sujos e insignificantes quanto baratas prestes a morrer pelo veneno.
Assim que ouviram a voz rouca, os três se levantaram com um pulo, e entraram em formação logo em seguida.
–Onde está você?! APAREÇA! – grita Kevin.
–Além de insignificantes, são cegos. O tempo corrompeu o sangue de vocês, não foi mesmo?
Assim que a nuvem de fumaça negra, que se formou da cratera, se dissipou... uma figura aparece.
Um ser, vestido totalmente com vestes, capuz e um par de botas negras. Uma veste que ia do pescoço até o joelho, como se fosse uma batina antiga. Em seu pescoço, pendia uma longa corrente de prata, com um + de prata e com uma joia vermelha no centro.
E, é claro, os Assassinos conheciam bem essa figura.
–Você! – grita Felipe – você estava na ponte!
Uma risada assustadora saí dos lábios do encapuzado.
–Não me confunda com aquele lacaio estúpido. Ele realmente foi muito irracional ao não matar vocês naquele dia.
Os três ficaram ainda mais estáticos. Não era só pelo fato de que aquele que viam agora não foi o “cara da ponte”. Mas esse também chamou o da ponte de “lacaio estúpido”... se esse lacaio já tinha sido bem ruim...
–Q-Quem é você então? – pergunta Heloísa
Não conseguiam ver, mas sabiam que haviam dois olhos encarando-os com um olhar mortal.
– Eu sou a Morte.
E atacou.
O que já era ruim ficou ainda pior devido à velocidade do atacante, no tempo de uma batida de coração, o homem acertou Felipe com um soco, fazendo o cruzar a clareira de um lado ao outro.
– Fácil demais! – Ele sussurrou.
Em seguida avançou em direção a Kevin, com um movimento rápido direcionou o seu pulso em direção a ele, dessa vez mirando a cabeça do jovem. Porém Kevin estava atendo e bloqueou o ataque com o seu antebraço direto, ganhando espaço e tempo suficiente para revidar com o braço esquerdo. Kevin mirou as costelas do agressor, sabia do dano que era capaz de causar, e por mais poderosos que o seu inimigo pudesse ser dificilmente sairia imune de um golpe direto como aquele.
Porém assim que o punho de Kevin tocou no seu inimigo, ele o sentiu desaparecer em uma nuvem de fumaça, era como se estivesse tentando socar o vento. A fumaça era negra e evaporou no ar com mesma rapidez com que havia aparecido.
Kevin levou alguns segundos para compreender o que havia acontecido. E ficou estático procurando no ar que já não estava mais ali.
–Droga, aquele filho da mãe! – Ele disse olhando ao seu redor, esperando que o homem ressurgisse das sombras a qualquer momento. – Ele é muito rápido!
– Para onde você acha que ele foi? – Quem falou foi a Heloísa, que se aproximava de Kevin na tentativa de manter uma formação. – Nós temos que ver como está o Felipe!
Antes mesmo que Kevin pudesse responder, uma nuvem negra e densa surgiu, serpenteando entre os dois amigos, os ombros largos do homem reapareceram em meio a fumaça, como um gênio do mal.
– Eu esperava mais de vocês! – Ele sibilou.
Desta vez foi à vez de Heloísa de agir. Ela girou o corpo, apoiou a mão esquerda no chão e cruzou o pé em velocidade, ela mirou alto visando à cabeça do homem. Porém a cena se repetiu, assim como aconteceu com Kevin, com o contato o homem virou fumaça e desapareceu no ar.
– Droga! – Ela murmurou endireitando o corpo.
Kevin senta-se um tanto fora de foco, a voz do homem parecia latejar em sua cabeça, como se de alguma forma fosse familiar, mas não era só isso. Ela parecia machucá-lo, como se cada vez que ele o ouvisse, espetassem uma agulha em sua testa. Uma agulha bem afiada e pontuda.
O som de galhos quebrando atravessa toda a clareira, fazendo ambos os jovens se virarem com velocidade. Porém o que eles viram foi Felipe que caminhava devagar, com a mão sobre o estomago, e olhos atentos como um gavião.
– Ele não é só rápido. É forte também. – Disse Felipe, esfregando a barriga para reforçar o seu ponto. Ele acelerou o passo e se juntou ao grupo, de maneira que a formação voltou a ficar completa. Um de costas para os outro, formando um triangulo sem pontos cegos.
Eles ficaram alguns segundos em silêncio, ouvindo somente o arfar das folhas. Kevin começava a imaginar que o homem havia ido embora. Até que eles ouviram uma risada fria e sinistra preencher o local. Kevin sentiu aquela estranha sensação novamente.
E ele não gostava nada daquilo.
Então o vento se agitou e o inesperado aconteceu. Heloísa subiu quase um metro do chão, Kevin chegou a pensar que ela estava voando, porém ao olhar a expressão da garota, sentiu um medo que a tempos não sentia.
Ela suspirava sem fôlego, com as mãos em volta do pescoço, como se lutasse contra um par de mãos invisíveis, que a sufocava. Kevin e Felipe desfizeram a formação e correram em direção oposta, na tentativa de encontrar o inimigo. Na teoria se ele fosse derrotado, Heloísa estaria a salvo.
Kevin sentia-se particularmente estúpido, fora treinado para esse tipo de situação, mas a sua mente gritava de que o inimigo dessa vez era demais para qualquer um deles.
– É só isso que vocês são capazes de fazer? – A voz falou novamente, porém era impossível descobrir a sua localização. Era como se viesse de todos os lugares, e ao mesmo tempo de lugar algum.
A mente de Kevin despertou como se procurasse uma palavra que estava na ponta da língua. Deixando-se levar pelos seus instintos mais profundos, ele retirou um par de adagas da cintura e as lançou em direção as sombras do bosque a sua esquerda.
Primeiro eles ouviram um som oco, depois detrás dos troncos das arvores, uma grande nuvem de fumaça se dissipou, flutuando como uma onda para o centro da clareira, ele se materializou aos pés de Heloísa, que a cada segundo ficava mais longe do chão.
Kevin e Felipe voltaram os olhos para o centro da clareira, quando seus olhares se encontraram eles já sabiam o que fazer. O homem continuava para no meio da clareira, com a cabeça abaixada, como se estivesse ali de passagem. Sua mão pedia em volta da sua cintura, com o dedo indicador esticado, que fazia Heloísa flutuar lentamente no céu.
– Parabéns, você conseguiu me encontrar! – Ele disse secamente, mas a sua voz carregava uma dose de divertimento. – Mas ainda muito abaixo das minhas expectativas.
Porém nem Kevin, nem Felipe estavam prestando a atenção. Com somente uma troca olhar eles pareciam saber que fazer.
Estava na hora de assumir o controle da situação.
Ambos começaram a correr em direção centro da clareira. O homem continuou estático, como se nem ao menos houvesse tivesse notado os dois moleques insolentes. Felipe, habilmente retirou uma adaga da bota, sem perder velocidade. E atirou em direção ao inimigo, o homem desviou para o lado com somente um passo.
Porém acertar, nunca foi uma opção.
Eles queriam o homem bem posicionado, no centro da clareira. Foi o próprio Felipe que atacou primeiro, se atirou deslizando no chão, mirando as pernas do inimigo. Como ele esperava o homem saltou no ar, na tentativa de desviar do ataque.
– Vocês nunca aprendem? – Ele falou, sua voz voltou para o usual tom inflexível.
Felipe soltou uma pequena risada, por que pela primeira vez desde que a batalha havia começado, eles estavam no controle.
Do outro lado, Kevin soltava no ar, seus olhos estavam fixos no seu inimigo. Ele virou no ar, em uma meia pirueta, e chutou na altura da cabeça do inimigo.
Era impossível saber se a distração funcionaria, porém parecia que a sorte estava do lado dos Assassinos, e que o excesso de confiança havia sido o erro do inimigo. O chute acertou em cheio, e no mesmo momento a concentração do homem se perdeu. No alto, Heloísa despencou em direção ao chão, mas Felipe a agarrou logo em seguida, impedindo que ela caísse no chão.
O homem tropeçou alguns passos para frente. Kevin não perdeu tempo, retirou uma das adagas da bota, empunhando-a como uma faca tentou um ataque direto no rosto do homem. Porém os segundos de distração do inimigo já haviam acabado. Rapidamente ele deslizou a adaga, transferindo o ataque para o seu próprio ombro ao invés do rosto. Se ele sentiu alguma dor, ele não demonstrou.
O homem ainda esticou o braço, e Kevin sentiu como se um pé invisível tivesse socado o seu estomago, ele voou alguns metros no ar antes de encontrar o chão e capotar por mais alguns centímetros. Com Kevin fora de ação, o homem utilizou a mão livre e retirou a adaga do seu ombro. E voltou-se para Felipe.
Felipe estava com Heloísa em seus braços, e olhava surpreso para a cena diante dos seus olhos, não conseguia acreditar como o plano havia dado errado tão rapidamente, ou melhor, não conseguia acreditar como havia achado que o plano poderia de alguma maneira ter funcionado.
E homem deu um passo em sua direção, e mesmo que fosse impossível ver o seu rosto, Felipe sabia que ele estava furioso. O homem atirou a adaga de Kevin em Felipe, que por sua vez jogou Heloísa, ainda inconsciente, para o lado e rolou para trás. A adaga cortou o ar e cravou no chão ao pés do jovem, quando ele se colocou de pé, o homem apontou o dedo para o jovem.
No inicio nada aconteceu, porém depois ele sentiu uma pressão em seu peito, como ele já havia sentido antes, e o resultado foi o mesmo, Felipe foi lançado a metros de distância, só parando quando encontrou uma arvore em seu caminho.
Subitamente o local ficou em silêncio. Heloísa estava inconsciente, e sabe-se lá os danos que a estranha habilidade do inimigo poderia ter causado a ela. Felipe estava com o corpo doendo, atirado aos pés de uma arvore, com a cabeça escorada em uma raiz que se sobressaia em cima do solo. Por ultimo, Kevin estava deitado, olhando para os céus, estava difícil de pensar e honestamente ele duvidava que conseguisse pensar em algo para fazer naquela situação, se houvesse alguma coisa a ser feita, ele já teria pensado nela.
O homem caminhou vários passos em volta da clareira, como se analisasse a situação, depois dirigiu-se ao pés de Heloísa onde se encontrava a adaga de Kevin, e com um movimento de seus dedos a fez flutuar até a palma de sua mão.
Kevin tentou ficar de pé, mas o máximo que conseguiu forçar o seu corpo a fazer foi ficar sentado. O homem trocou a adaga de mão, não uma, mas duas vezes, como se estudasse o seu peso.
– Morrer por uma adaga que você mesmo jogou, irônico, não? — Ele comentou. Kevin não respondeu, não encontrava fôlego algum em seus pulmões, era tudo muito diferente.
Não conseguia se lembrar alguma vez em que haviam sido derrotados tão rapidamente e de maneira tão fácil. O seu único acerto nasceu de uma desatenção do adversário, não de um mérito seu, e no fim não havia feito muita diferença.
“Quem era esse cara?”
Seus pensamentos foram interrompidos pelo som sibilante da adaga, que cortava o ar em sua direção. Ele tentou a única coisa que poderia fazer naquele momento, talvez não desse certo, mas era a sua ultima chance.
Ele ia tentar mover a adaga em movimento.
Ele esforçou a sua mente na adaga, e preencheu o seu cérebro com imagens da adaga desviando para o lado, porém ela ficava cada vez mais perto e nada parecia acontecer. Sua mente parecia perturbada demais para se concentrar
Quando ela estava a mais ou menos 30 cm do seu rosto, ela girou para o lado, raspando-lhe a sua bochecha e encontrando como alvo uma arvora ás suas costas. O som da adaga entrando no tronco datou o inicio de um silêncio mortal.
Kevin podia sentir um pequeno fio de sangue que corria por sua bochecha.
Essa realmente havia passado perto, muito perto!
O homem ficou encarando Kevin com seriedade.
– Nada mal! – Ele disse, e Kevin podia jurar que ouviu certa admiração em sua voz. – Talvez você ainda seja capaz de me surpreender...
Kevin queria responder, qualquer coisa servia, mas era impossível se forçar a falar, então tudo que conseguiu soltar foi um resmungo, algo como:
– Ah, Dah...
O homem sorriu, Kevin achou assustador, ele se dissipou em fumaça e deixou a clareira.
– Mas que droga acabou de acontecer? – Felipe gritou, ainda deitado do outro lado do parque.
– Não tenho a menor idéia! – Kevin resmungou, e foi tudo que conseguiu falar antes de se deixar cair no chão, domado pelo cansaço.
Sua cabeça parecia prestes a explodir.
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