Marcas Da Morte
23 Abandonados...?
Notas iniciais
Sem atrasos ou enrolações, o capítulo:
–Kevin?
Imediatamente Kevin abre os olhos. E quase se levanta com um pulo.
–Cadê ele??!!
–Calma... calma... – Heloísa o forçou a sentar – já foi. Estamos no meu quarto.
Kevin arfava, porém tentou se acalmar. Logo viu que ele, Heloísa e Felipe estavam mesmo no quarto de Heloísa, deitados em duas camas com cobertores rosa claro, e apenas os três estavam lá. E era de noite, pelo que Kevin notou.
–Ai!
–Não se mova, bobão! Senão vai abrir!
Foi aí que Kevin notou que suas pernas e braços estavam cobertos de faixas, bem como muitas partes de seu tronco. Kevin estava sem camisa, revelando os dolorosos e feridos músculos, que tanto se deu trabalho para deixa-los em boa forma.
Heloísa também não estava muito melhor. Vestia seu pijama rosa se sempre, mas possuía várias faixas nos braços e uma na cabeça. Ela parecia cansada.
–E o Felipe?
Ela olhou para Kevin, preocupada.
–Não sei... Ele parece estar com as costelas quebradas. Estava quase gritando de dor até agora.
Kevin encara o colega ao lado com certa preocupação. Felipe estava deitado na outra cama, ainda dormindo. Porém, estava com todo o tronco enfaixado, e tinha uma atadura no braço direito. Os cabelos loiros bagunçados sempre davam um toque energético nele. Mas agora parecia deixa-lo ainda mais assustador.
–E você?
–Ah... eu estou bem, acho. Alguém tinha que cuidar dos manes que vocês dois são.
–E eu?
–Você não tá tão bem. Levou cortes feios pelo corpo todo, e acho que deve ter quebrado um dos ossos pequenos do braço.
–Por isso tá doendo tanto?
–É... acho que é!
Apesar do sorriso de Heloísa, ela sabia que as coisas não estavam nada bem. Já fora difícil ter que leva-los pro quarto, muito mais trabalho fazer os gritos de dor não chamar a atenção. Na verdade, duas garotas já haviam batido na porta, perguntando o que raios estava acontecendo. Sorte que Heloísa já sabia lidar com essas garotas.
–Kevin... a coisa tá feia...
–Ah... eu sei.
–Não sabemos exatamente o que foi, como foi e nem como pode ser!
Os dois nem precisaram falar mais nada. Sabiam exatamente do que a situação se tratava.
–Temos que avisar o Mestre. – disse enfim Kevin.
–Mas... Kevin...
–Mas o que, Heloísa? Se continuarmos aqui sem reforços e sem mais nem menos, vamos acabar morrendo! Já ficamos apertados na ponte naquele mês... e hoje quase morremos!
Heloísa queria discordar das palavras de Kevin, mas sabia que eram verdadeiras. Era arriscado demais ficar ali...
Pelo menos sozinhos, eram.
–E cadê o Luca, afinal? – pergunta Heloísa – ele já não devia ter voltado?
Foi aí que Kevin parou para pensar.
–Sabe que é verdade... Sei que as bases aqui ficam longe. Mas também não deve ser tanto.
–Sim... tem algo errado...
–Mas temos problemas mais urgentes a tratar... como vamos pra escola amanhã com isso?
Heloísa fica pensativa quando Kevin aponta para as faixas em todo corpo. Os cortes haviam sido profundos, e dois deles quebraram ossos. Não tinham condições nem de andar direito.
–Amanhã vou ir falar com o diretor – sugere Heloísa – vou falar que sofremos algum acidente... não sei, vou inventar. Precisamos de repouso, não podemos frequentar as aulas.
–Boa ideia. E, nesse tempo de repouso, temos que esclarecer umas coisas...
–Tipo...?
–Vamos usar o notebook e ligar para a tal Base de Nevada. Precisamos do Luca aqui e agora. E depois vamos contatar o Mestre, lá na Europa. Ele PRECISA saber do que rolou aqui.
–Claro. Assim que pararmos de ir as aulas, faremos isso.
–Sim... e vamos ficar aqui no seu quarto mesmo?
Heloísa fica pensativa.
–Sabe que eu não sei. Só os trouxe aqui pra poder lidar com os ferimentos. Mas acho que vocês precisam ficar em outro lugar... Algum lugar com mais recursos médicos do que aqui...
–Não acho que devemos sair daqui... mas vamos ver. Vamos ver como as coisas vão se desenrolar...
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–Vocês o que, senhorita Curray??!!
Heloísa sabia que aquilo não ia ser fácil. O diretor já veio ao delírio quando viu o estado de Heloísa, ao entrar na sala da diretoria. E já devem ter imaginado como ele ficou ao saber dos outros dois.
–Senhor... eu...
–COMO isso foi acontecer?? COMO eu não soube de nada??
–Se o senhor ficar calmo, eu te explico.
O diretor a encara com nervosismo e raiva, mas sabia que era verdade. Logo se senta na poltrona, mas ainda não estava calmo.
–Explique-me por favor, senhorita Curray.
–Pois bem... Estávamos caminhando pela rua ontem... quando um caminhão tombou e atropelou as pessoas da calçada, inclusive nós. E... acho que o senhor já sabe o resultado.
–Que absurdo... como eu não ouvi desse acidente horrível na TV?
–Também estranhei, senhor. Geralmente eles teriam passado isso.
–É realmente muito estranho... Mas vocês deveriam estar em um hospital!
–Veja bem... não temos plano de saúde e nem nada aqui na América... Por isso só demos uma passada no Pronto-Socorro.
–Que coisa... – ele parecia mais preocupado do que nervoso agora – e o que pretendem?
–Acho que o senhor já tem consciência de que não estamos aptos a ir as aulas...
–Sim, claro. Vou providenciar uma licença agora mesmo...
Heloísa assistia a tudo com um pequeno sorriso na boca. Realmente suas aulas extras para lidar com esse tipo de coisa valeram todas as horas. Logo o diretor já estava entregando três papéis à Heloísa.
–Mantenha isso com você. Já vou avisar os professores.
–Sim senhor
–E vocês tem a liberdade de ficar fora o quanto quiserem. Eu ainda não sei porque não foram em um hospital ainda!
–Faremos o possível, senhor.
–Está dispensada. Quando estiverem em condições, é só me avisarem.
–Obrigada, senhor. Adeus.
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–ALELUIA!!! Graças a Deus eu não preciso mais acordar cedo!
Se Felipe não estivesse gravemente ferido, com certeza ele daria uns pulos de alegria. Assim que Heloísa conta as novidades aos dois, esse foi o motivo que manteve um sorriso no rosto. Pra Heloísa, isso era bom. Não via um sorriso daquele no rosto dos garotos já faz um tempo.
Ambos estavam novamente no quarto de Heloísa, já que era o único lugar onde podiam conversar com certa paz. Felipe já estava acordado e se sentindo melhor, porém ainda com muitas dores. O mesmo pra Heloísa e Kevin.
–Acha que podemos ampliar esse tempo que temos livres pra, depois que melhorarmos, tentarmos resolver tudo isso? – reflete Kevin.
–Talvez, Kevin... não podemos levantar suspeitas – responde Heloísa.
–Ela tem razão, cara – complementa Felipe – porém, não podemos deixar tudo o que rolou aqui passar em branco! Aquele filho da mãe vai me pagar pelas costelas!
–“Em branco...” – reflete Kevin – aquele cara falou isso muitas vezes pra gente.
–Agora que parei pra pensar... sabe que é verdade... – diz Heloísa.
–Mas o que isso realmente queria dizer? – pergunta Felipe.
–Se nem nós sabemos, acho que não é todo mundo que vai... – conclui Kevin.
–Heloísa, arrume o Notebook. A noite vamos falar com algumas pessoas...
–Isso mesmo, Felipe! – responde Heloísa.
–Mas agora... eu adoraria um chocolatinho quente!
A pequena alegria de Heloísa logo é atropelada por uma cara de desanimo.
–Eu tenho cara de enfermeira?
–Foi você que fez esses curativos na gente. Então acho que tem sim! – diz Felipe, aos risos.
Heloísa encara tanto Felipe quanto Kevin.
–Esses garotos são uns bobos mesmo... bem que as garotas daqui falam a verdade as vezes!
–Você vai ou não trazer o chocolate?
–Ah... to indo!
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–Porque essa coisa sempre demora tanto pra ligar...?
–Vai ver porque você já derrubou café nele, Felipe?
–Ah é! Mas esses trecos não são a prova d´água?
–Claro que não! Não seja bobo!
–Deveria ser... aí não demorariam horas pra abrir!
Aquelas pequenas discuções banais, na verdade, melhoravam o humor de Kevin. Mal tinham a ver, e Kevin dava um pequeno sorriso só de ver os dois. Não trocaria esses dois como equipe nem pelo melhor Assassino da Irmandade.
Assim que a imagem do Mestre apareceu, tanto os três quanto o Mestre abriram um sorriso. Mas, logo depois, o sorriso foi tomado por uma expressão de terror do Mestre.
–Pelos céus! O que aconteceu com vocês?!
–Ah... é uma longa história... – começou Felipe
–Precisamos muito que ouça atentamente, Mestre – diz Heloísa – nossas vidas e, talvez, a de toda a Irmandade depende disso.
O Mestre logo ficou espantado. Ficou aparente que seus velhos olhos, que tanto já haviam visto, ficaram nervosos e assustados com a situação. Porém pouco depois ele assumiu uma postura calma com uma suspeita beirando os olhos.
–O que é, afinal? É tão grave assim?
–Sim – diz Kevin – com certeza.
Assim que a última palavra saiu da boca de Kevin, o rosto do Mestre ficou mais pálido do que nunca. Durante a explicação, os olhos dele se arregalaram, e constantemente passava a mão pelos cabelos grisalhos, nem acreditando que era verdade.
–Nunca pensei que viveria para ver esse dia...
–Do que está falando, Mestre? – pergunta Heloísa.
–Meus jovens... estavam certos. A situação é critica, e põe em risco toda a Irmandade!
–Mas... como? O que é isso, exatamente? – Kevin fez a pergunta que todos os três queriam ter feito desde Fevereiro.
O Mestre, já suando e olhando para todos os lados, diz:
–Sei que isso é importante, mas não é o mais importante por agora. – o mestre fitou o vazio com um olhar mais vago que nunca – Tenho que desligar por agora crianças.
O sinal de rede desconectada fez Felipe soltar um grito de indignação.
–Eu não acredito nisso! Como assim não somos importantes o suficiente??
–Não foi isso que ele disse... – observou Heloísa.
–Mas é o que queria! Ele quer que a gente morra aqui, por acaso?
–OK... sei que a atitude do Mestre foi uma facada nas nossas costas – observa Kevin – mas ele já tem idade. Ele provavelmente sabe o que está fazendo.
–Sabe... claro que sabe... – diz Felipe, com um certo sarcasmo – deixar seus próprios Assassinos morrem do outro lado do mundo
–Vamos esperar – diz Kevin, depois de um minuto de silencio – conhecemos O Mestre. E não só ele, como todos, não são tolos o suficiente para tal ato.
–Eu realmente espero isso, Kevin – Felipe da um bocejo – Ah...! Que sono!
–Vamos deixar esses problemas para amanhã – Heloísa também bocejava — Não adianta nada ficarmos alertas a isso sem energia.
–Tem razão... vamos então, Felipe. Acho que a Heloísa vai querer privacidade!
–Vocês “acham”?? – exclama Heloísa – chispem daqui já!
Com um pouco de dificuldade, os dois seguem lentamente até o dormitório masculino. Precisavam muito recarregar as energias, afinal:
Dali pra frente, a coisa não iria ser fácil.
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