Marcas Da Morte

27 Um Velho Conhecido


Notas iniciais
Hello Pessoas

Trago hoje mais um capítulo. Talvez eu consiga produzir outro, antes que esse querido mês acabe. Mas só o tempo responderá isso.

Boa Leitura!

Baía de São Francisco

Começo de Agosto


Aquele dia estava especialmente quente.

O verão do hemisfério norte atingia em cheio a Califórnia, onde o típico calor ficava mais intenso. Um céu com um intenso azul, poucas nuvens, e um sol escaldante, esquentavam as verdejantes gramas das fazendas, que cercavam toda a zona metropolitana da Baía.

E, no meio disso, podia-se ver certa movimentação.

–Eu ainda penso que NÃO deveríamos fazer isso aqui, Kevin...

–Porque não? Aqui estamos longe da estrada e de qualquer possível visitante. E os impossíveis serão barrados pelos nossos vigias.

–Mas... aqui?

Kevin até parou de caminhar, para encara-lo.

–Está um calor. Lá embaixo é mais abafado que aqui em cima para fazer isso. E, alias: Deixe o povo curtir o ar livre!

Um dos superiores encarava Kevin com um olhar crítico. Claro que já tinha pego uma boa amizade com Marco, senão não estaria falando com ele a tais tons, apesar de que, ainda sendo amigos, o tom não era apropriado. Mas até mesmo Marco sabia que Kevin tinha toda sua razão.

–OK... só estou te deixando fazer isso porque acordei de bom humor. Senão... céus... Aveline vai é me matar...

Kevin dá um pequeno sorriso, satisfeito, enquanto vê Marco se afastando. Nem sonhando iria fazer aquilo “lá”...

Rapidamente, ele volta para o grupo principal.

Várias fileiras de Assassinos (Brancos) estavam passando o tempo no centro de um campo, cercado de árvores. Heloísa sugerira o lugar, que na verdade era um parque ambiental, o mesmo em que haviam treinado anteriormente. Por causa das altas temperaturas dos últimos dias, sugeriram treinar a arte naquele local.

E, pelos olhares de Kevin, a multidão agradecia.

Conforme ele ia passando, as pessoas iam acenando para ele, logo em seguida ficando em pé, em um tipo de posição se sentido.E isso foi até que chegou na frente de todo o grupo, que ficou na posição.

Kevin ficou por um momento sem dizer nada. Não era nada bom com multidões... principalmente uma daquele tipo. Mas respirou confiante, e começou.

–Bem, Assassinos... estamos aqui para aprender alguns exercícios e habilidades novas. Antes de começarmos, alguma dúvida?

Kevin logo nota que nenhum deles levantou a mão, ou falou qualquer coisa. Aquela plateia era difícil, pensou ele.

–Podem falar, senão não vamos sair do lugar. É com as dúvidas que vamos nos construindo!

–Uma pergunta curiosa... – diz um dos Assassinos – porque estamos sem camisa?

Era verdade. Todos ali vestiam uma calça branca, e uma longa faixa vermelha, amarrada na lateral da cintura. Estavam descalços, e os homens de peito a mostra. As mulheres vestiam algo branco para cobrir as partes de cima.

Kevin pensou um pouco. Ele mesmo vestia isso, o que deixava a mostra músculos bem desenvolvidos e atléticos. O que não deixava de causar comentários entre algumas Assassinas mais velhas.

–O corpo precisa respirar – enfim responde – isso acaba aumentando a capacidade nossa, e facilita treinarmos. Mais perguntas?

O silencio volta a correr pelo grupo. Kevin sabia que insistir agora não ia adiantar mais, então decidiu começar logo.

–Bem... começaremos com o básico...


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Mal fazia tanto tempo que haviam começado... e Kevin já começara a notar certas modificações e casos únicos, até.

Enquanto uns já estavam lançando faíscas, outros nem sequer tinham sentido algo de diferente em sua “Energia Interior”. Kevin ficava no topo da colina, observando Felipe e Heloísa ensinando dois grupos, separadamente. O grupo de Kevin estava de folga no momento, o que deu a ele um tempo de ver como tudo estava caminhando.

E, relaxando sentado em um pequeno tronco, Kevin nota alguns detalhes.

Viu que alguns dos dois grupos estavam aprendendo a coisa rápido, e tinham um potencial. Não se sabia ainda se todos poderiam “re-ativar” essa força, já que tinham dois polos no desenvolvimento da durma. Mas, aqueles que conseguiram, estavam indo bem.

Dentre eles, Kevin nota Luca.

O americano estava aprendendo bem rápido, pelo que Kevin notara. Parecia ser o melhor do grupo de Felipe, aprendia rápido e aparentemente era bem fácil para ele.

Isso fez Kevin pensar... será que Luca não tinha descoberto que tinha tais habilidades no mesmo período que eles? Talvez isso explique porque ele se afastou... ou talvez não. Não era TÃO estranho que Luca estivesse aprendendo rápido... mas isso ainda fazia crescer algumas dúvidas na cabeça de Kevin.

Mas a voz de Marco o fez voltar à Terra.

–Kevin, venha cá. Preciso de você para ver se podemos fazer esse treinamento compensar mais!

Kevin revirou os olhos. “Coisas do Marco”, pensa ele. Mas logo ele se levanta, e vai até Marco.

Aquele mês de Julho ia ser bem cansativo para os Assassinos Brancos...


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Ela estava um pouco nervosa.

–Porque estás assim, Irmã?

Ela fica estática, ao ouvir a voz dele. Mas ele tenta a tranquilizar.

–Muitos ficam assim logo nos primeiros meses. É normal.

Ela levanta a cabeça enfim, para poder encarar os olhos dele. Os dois estavam em uma sala pequena, feita de pedras negras. Possuía uma grossa porta de madeira, quatro carteiras, e uma lousa, e um pequeno lustre no teto. Dúvida e um pouco de tensão dominavam a mente dela. Aquilo tudo era... novidade ainda para ela.

–Então me responda... – ele dava voltas na sala – o que fazemos e porque?

–Ah... nós... eliminamos... o mal da Terra...? Porque... ele nos prejudica?

–E quem é o mal da Terra?

–Assassinos... Brancos?

–Sim! Está certa.

–Mas... porque eles? E eu nunca os vi em pessoa... como pode isso ser possível.

Ele suspira um pouco, mas logo a encara.

–Os Brancos corromperam esse planeta. Seu Credo, na época que éramos um só, era corrompido, sádico, cruel. E, mesmo depois de nos separarmos, isso continuou. Eles matam inocentes em quantidade, ameaçam a vida humana, e querem tomar conta de todo o controle da sociedade, querem ser o “Olho que Tudo Vê”.

–E... foi por isso que nos separamos?

–Exato. Os Assassinos Negros foram criados com o intuito de inovar, restaurar o que São Filipe proclamou originalmente. Os Brancos corromperam, e nós estamos limpando. Por décadas tentamos acabar com a influência dos Brancos no mundo... mas não obtemos tanto sucesso quanto gostaríamos. Eles dominaram o Velho Mundo... e avançam para o Novo desde 1600.

–Mas... porque simplesmente não atacamos? Começamos uma grande guerra?

Ele encara o quadro negro vazio.

–Já começou, Irmã. E por isso estás aqui, por isso estamos todos aqui. Serás treinada, e instruída no “Fogo”. E, enfim, poderá encontrar os Assassinos Sádicos.

Ela engolhe em seco. Não sabia se estava preparada para isso... ela tinha acabado de chegar por lá...

–Sabe... – ele continuou – porque os chamamos de Assassinos apenas?

–Não...

–É porque são isso mesmo. Sua crueldade corrompeu-os, que os fez esquecer da Essência da alma, e se concentrarem apenas em ceifar a vida de camponeses e civis comuns. Nós... nós nos focamos nela, na essência! Desenvolvemos nosso espírito, e as virtudes dele. Não fazemos mal a ninguém... apenas queremos o fim dos que realmente fazem mal.

Ela fica pensativa, enquanto olhava-o. E ele logo se volta para ela também.

–Venha, Sororem, vamos começar seu treinamento especial.


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–Ah... Senhorita Wesley...

–Sim, Querido Diretor?

O diretor olha repreensivamente para a garota em sua frente. Já não o alegrava ter que trabalhar ali nas férias do Colégio Interno... e ainda surge-lhe problemas infantis como aqueles.

–Senhorita Ashley... sabe porque está aqui, não sabe?

O caloroso sorriso da garota logo desapareceu. Mesmo que a alegria pulsava na garota, ela sabia do que se tratava, e ainda: Sabia que tinha feito coisa errada.

–Sei... Senhor...

Ele suspira.

–Porque, Ashley?

Ela também pareceu se refletir consigo mesma, antes de responder.

–Eu estava... descontrolada, senhor...

–A ponto de invadir quartos e vasculhar coisas? Isso além de ficar saindo por aí depois do toque de retirada?

–Eu... o senhor sabe... tenho problemas de hiperatividade.

Apesar de estar quieta e tímida diante da autoridade, aquele era um fato intenso. A energética garota havia começado a dar vários problemas assim nos Dormitórios da Escola. Nas férias, os alunos que vivem na escola podem sair para o exterior, mas sempre há um grupo que fica, por escolha própria, ou falta delas. E, dentre elas, Ashley estava se destacando. Negativamente.

–Ashley... você foi colocada aqui para resolver seus problemas. Mas parecem que eles estão piorando!

–Situações novas, senhor – ela retruca, rapidamente – não faz nem dois meses que cheguei.

O diretor encara a garota. Não engoliu aquela, mas sabia que as desculpas dela só iriam ser maiores e mais absurdas.

–OK, Senhorita Wesley... Vou libera-la, mas tente se controlar. Não vou ser tão feliz assim se a vir por aqui denovo.

Apesar da ameaça, Ashley abre um sorriso.

–Obrigada, Diretor!

E, aos pulos de felicidade, a garota sai da sala do diretor, o deixando sozinho. Depois de vários segundos, ele suspira, aliviado. Porém, ao mesmo tempo, pensativo.

Aquela garota parecia não ter contado tudo o que poderia ao Diretor.


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–Kevin! Dá para sorrir, pelo menos só um pouco?

–Eu já te disse, Heloísa... não gostei daqui...

–Mas viemos aqui faz duas semanas!

–Eu não queria estar aqui HOJE... sinto um mal pressentimento...

Heloísa nem acreditava que Kevin estava com aquele clima recaindo sobre ele. Decidira leva-los para dar um passeio agradável para relaxar, e não para estressar!

Os três colegas estavam em um dos vários píeres de São Francisco. Virado para o mar*, possuía uma boa extensão, onde haviam vários restaurantes e parapeitos, onde haviam pessoas pescando e observando. E porque não iriam até ali? A vista era espetacular, e parecia que acalmava até mesmo a mais tensa alma...

Menos a de Kevin.

Kevin estava inquieto, com as mãos em seus bolsos das bermudas, encarando o piso de madeira. Nem a temperatura agradável, a vista e a sua companhia pareciam anima-lo.

Até que Felipe decide fazer algo.

–Heloísa, vá comprar um sorvetinho para nós. Vou falar com o Kevin.

–OK. Quer de quê?

–Chocolate, claro. Pegue um para o Kevin também.

Assim que ela foi, Felipe se aproxima de Kevin.

–Porque tá assim, cara? A vista é a melhor, tá quente e bom... e o frescor do Pacifico te atinge! DO PACÍFICO! Já parou e notou onde está, Kevin?

Kevin lança um olhar gelado para Felipe. Mas logo, ele se transforma em um olhar mais calmo.

–Ah... desculpe, Felipe. É que... não sei... não estou com um bom pressentimento.

Felipe iria protestar, mas assentiu, pensativo. Ele conhecia bem Kevin... e digamos que Assassinos geralmente possuíam um tipo de 6 Sentido... sabiam pressentir o inimigo chegando. Porém, Felipe não via nada de estranho no píer.

Pelo menos, por enquanto...

–Aqui está!

Heloísa chega ao trio, levando consigo dois sorvetes de casquinha de chocolate, e um de morango. Ela oferece as massas geladas marrons para os dois.

–Pegue, Kevin. Vai se sentir melhor.

Kevin encara o sorvete, como se ele pudesse simplesmente pegar uma mini adaga e pular em sua cara. Mas, depois de ver que era seguro, ele pega a casquinha.

–Obrigado... preciso mesmo me acalmar... vamos andando por aí?

Esquecendo os pensamentos, Kevin se deixou levar pela paisagem, e pelo sabor do sorvete. E seus amigos tinham razão... aquela era a melhor das vistas! Nada parecia estragar, nada.

–EI! Os esquisitos gostam de mar!

Os três ficaram estáticos. Nem precisaram se virar para saber quem era.

–Posso matar ele de uma vez? – Kevin diz aos colegas, a raiva era presente na voz.

–A não ser que queira ir para Alcatraz, melhor aguentar isso – observa Felipe – ele é irritante, eu sei. Mas nós podemos...

Felipe nem terminou a frase, quando Jimmy deu um tapa na cabeça dos dois amigos, por trás.

–Qual é a boa, fracotes?

Os três se viram, entediados e com raiva.

–O que quer agora, Jimmy...? – Kevin começou.

–Olha lá!

Até parece que Kevin ia cair nessa. Mesmo assim... Jimmy dá um rápido tapa no sorvete de Kevin, fazendo-o cair, e sujar a camiseta branca e recém-lavada.

–OH! Desculpe! Acho que tropecei sem querer...

Kevin esteve aguentando aquele garoto pelo ano todo... e sempre mantendo a calma. Mas, dessa vez, Kevin explodiu.

–Tropeçou...? Claro... claro que tropeçou...

–Kevin?

Felipe nota rapidamente que os punhos de Kevin se fechavam fortemente. OK... aquilo não estava indo bem...

–O que foi, Frangote? Tá com medinho?

Kevin encara Jimmy com um olhar tão sanguinário que até as inocentes pombas dali alçaram voo, de medo.

–Eu já to cansado de suas besteiras, seu retardado! – Kevin estava gritando – porque você não pega esse seu rabo e o enfia no lugar de onde ele veio?!

O tom e o palavreado foram tais que não só deixou Heloísa, Felipe e Jimmy assustados, como todo o píer, que parou para olhar o estranho grupo.

–O que disse...?

–Você sabe BEM o que eu disse! E acho que você não é surdo, apesar de ter muitos problemas mentais!

–OK... sabia que você era fracote, covarde, e até gay. Mas nervosinho... por favor!

As últimas palavras fez Kevin respirar fundo... tensamente.

–Sai daqui.

–O que?

–SAI... DAQUI... Antes que eu não me contenha e corte sua garganta.

Todos do píer agora sussurraram entre si. Iam desde admiração até medo do garoto de cabelos negros.

–Até parece que você vai mesmo fazer isso... fracote!

–Só não fiz daquela vez porque estava de bom humor... Mas hoje...

–Pode vir, mané! Duvido que consiga me...

O soco na barriga foi tão forte e rápido que nem os expectadores notaram o que acabara de acontecer. Em uma hora, viam dois garotos nervosos. Menos de um segundo depois, um estava com o punho na barriga do outro.

Kevin dá um passo para trás, deixando um Jimmy agachado, agarrando o próprio estômago.

–Se ousar me irritar denovo... aposto que será mil vezes...

O que veio a seguir surpreendeu mais a Kevin do que a Heloísa e Felipe.

Jimmy, em uma súbita mudança, levanta-se e prepara um soco. Antes que Kevin pudesse reagir, ele atinge a face do Dinamarquês.

A força e o desaviso de Kevin foram tantos que este foi lançado ao chão. Assim que derrapou pela madeira, Jimmy se levanta, vitorioso.

–HÁ! Te peguei, idiota!

Felipe e Heloísa imediatamente correram para o vulto caído, que tentava se levantar lentamente. Um fio de sangue escorria do nariz de Kevin.

–Você tá legal?! – pergunta Heloísa, trêmula.

Kevin encara Jimmy com um olhar surpreso. Toca de leve o nariz, sujando seus dedos do sangue próprio. E assim que leva os dedos para a frente dos olhos, é tomado pela fúria.

–Me segurem!

Por pouco Kevin não salta encima de Jimmy. Os braços de Felipe e Heloísa seguravam um Kevin raivoso e com sede de vingança. Apesar de força exercida por Felipe e Heloísa, Kevin continuava a se debater e encarar Jimmy.

–Seu filho da puta! Não vai sair vivo dessa! NÃO VAI!

Jimmy estava ansioso para xinga-lo novamente, mas sabia que a coisa ali era tensa, e decidiu melhor não faze-lo. Um ato inteligente. Ele encara, vitorioso, os colegas arrastarem um sanguinário Kevin, para fora do píer.

A cenas recentes atraíram tantas pessoas que nem cabiam mais no píer. Os olhos curiosos e assustados acompanhavam tudo. Nem depois que o trio estrangeiro saiu dali, a multidão não se dissipou.

Mais ao longe, atrás de um prédio, os dois colegas fazem Kevin sentar em um pequeno banco de madeira.

–Endoidou de vez, garoto?? – Heloísa estava aflita

–Kevin, Graças ao Divino te agarramos a tempo! Você iria mata-lo!

Mas a única resposta que recebiam era um cabisbaixo Kevin, tomado por um desejo e pela raiva. Mas, depois de vários segundos, puderam ouvir apenas uma frase do amigo.

–Ele pensa que vai sair daqui ileso, vitorioso. Mas... está muito, muito enganado... Alias... que esteja mesmo... vai causar ainda mais surpresa depois...

Notas finais
Reviews?