Marcas Da Morte

28 Atos de Vingança


Notas iniciais
Olá Leitores.

Infelizmente, acho que o próximo irá demorar mais do que esse, que até foi bem rápido, em comparação aos outros. Meus compromissos logo irão retornar, e isso reduzirá bem meu tempo de escrita. Mas vou tentar fazer o possível para estar sempre postando algo aqui.

Boa Leitura

18 de Agosto


Bem... o dia de ontem foi muito tenso.

O clima estava perfeito, até que um “certo alguém” resolveu aparecer! OK... até eu teria ficado nervoso e tal! O cara já estava nos irritando há décadas! Mas... o que surpreendeu foi longe do Jimmy.

A reação do Kevin foi... inesperada! E, ao mesmo tempo, assustadora. Nunca vimos ele assim... principalmente depois que tivemos que o arrastar pra fora dali. O cara estava com a mente dominada por um sentimento forte... não foi fácil acalma-lo. Ontem eu tive que dormir com ele, de olho naquele meu velho amigo.

Tá... não foi a melhor situação. Mas melhor do que deixar o Kevin a vontade. E NÃO QUEIRA deixa-lo a vontade nessa situação.

Dividimos um quarto com mais vários jovens Assassinos na base. Nós tínhamos sido... dispensados de qualquer atividade. Por isso, quando acordei, me deparei com um quarto, cheio de colchões no chão vazios e bem arrumados. Só o do meu lado estava ocupado.

–Tá acordado, Kevin?

–Não, estou dormindo ainda.

–Oh... desculpa!

–Tá tudo bem, Felipe... que horas são?

–Devem ser umas 8 da manhã.

–OK... vá indo, eu te sigo depois...

Kevin é sempre meio gelado, com ocasionais cenas alegres e felizes... mas deu pra notar que hoje estava diferente. Parecia mais gelado... e mais pensativo do que nunca, e até sem emoções afora. Devia ser por causa de ontem... conheço esse Kevin; ele não esquece coisas assim fácil.

Me levantei, ainda com o pijama, e fui para o banheiro. Antes pude ver apenas Kevin se sentando no colchão, olhando sem nexo para a parede. Peguei minhas roupas, e fui.



~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~



–Errado...

Ele encarava a aprendiz com um olhar pensativo e calmo. Era meio difícil concentrar A Energia nas primeiras semanas... se bem que aquela estava indo bem.

Enquanto ele estava em pé, ela estava sentada de pernas cruzadas e olhos fechados, respirando fundo. Os exercícios iniciais eram, basicamente, a percepção e a liberação da energia interior. Para um Negro iniciante, não se demorava tanto.

Mas, por enquanto, ele não via tanto progresso na aprendiz.

–O que estou fazendo de errado...?

–Tem que se concentrar mais. Sua mente ainda está lotada de sentimentos e pensamentos fora do contexto. Está pensando demais, e sentindo menos.

–É difícil, senhor...

Ele encarou a aprendiz em sua frente.

–Eu sei, irmã. Mas tem que se concentrar mais! Esvazie sua mente cheia... se concentre... sinta... e libere!

–OK... vou tentar!

Ele a observa respirar profundamente, enquanto unia as mãos. Por um momento, puderam ouvir apenas pássaros e outros sons naturais invadindo o pátio, cercado por grossas paredes e edifícios. Nada parecia se alterar, nem para a mente perceptiva dele.

Mas logo, algo começa a tomar conta de seu espírito. Ele logo dá uns passos para trás.

–Sinto algo... algo... diferente em tu...

Mas, antes mesmo que pudesse terminar a conclusão, acontece.

Um círculo de fogo negro se forma de repente em volta dela. Chamas negras altas crepitavam sobre o piso rachado, sem nenhum combustível iminente. E, ilesa dentro do círculo, a garota continuava concentrada.

A poucos passos dali, os olhos dele estavam brilhando, e um sorriso se forma em seus lábios.

–Isso vai ser... interessante...



~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


–Senhores... vamos ver o andamento de suas recentes atividades.

Aveline, Marco e mais alguns Assassinos se reuniam em torno da mesa, juntamente com Kevin, Felipe, Heloísa e Luca. Ambos estavam com atenção a Aveline, se segurava alguns papéis em mãos. Logo, ela também começa a falar.

–O rendimento dos grupos de vocês é formidável. Além do progresso com as habilidades, o humor e animação das tropas só aumenta!

–Nunca esperei que eles fossem aprender... rápido assim! – observa Felipe – nós demoramos mais que isso!

–É bem notável isso, Felipe – continua Aveline – por isso nós, e até alguns Mestres, desejam-lhe dar parabéns pelo progresso com as tropas! E por ressuscitarem “O Fogo”!

Todos ali presentes soltaram sorrisos otimistas e até meio tímidos... exceto por uma pessoa.

–Algo de errado, Kevin?

Kevin lentamente subiu a cabeça até os olhos de Aveline. O que ela pode ver não foi alegre, sentimental, ou tímido. Mas foi algo... gelado, frio, medonho.

–Nada... só estou cansado.

Aveline definitivamente não caiu nessa. Mas... logo ia cuidar disso.

–OK... mesmo com o progresso de vocês, isso ainda não nos garante a vitória.

Todos deixam suas expressões alegres, para algo mais sério.

–Como sabem... – prossegue Marco – os Negros são dotados de uma força maior que a nossa, no requisito do Fogo. Nem nossas mais modernas armas poderão combater tais habilidades.

–Nem mesmo se reforçarmos o treinamento? – questiona Luca.

–Não sei... mas precisamos fazer o possível. Isso será travado em batalhas barulhentas, bem como silenciosas... precisamos de tudo o que conseguirmos construir até esse momento chegar.

–E quando chegará? – pergunta Heloísa.

Marco e Aveline se entreolharam, nervosos.

–Cedo ou tarde, algum dos lados vai explodir o grande conflito. Mas... não tem como sabermos.

Felipe segura o queixo com os dedos, pensativo.

–Notaram que... assim que vocês chegaram, eles sumiram do mapa?

–Sabe que é verdade... – Heloísa o apoiou.

Não podiam ignorar um fato daqueles. Realmente eles notaram que, quem quer que fosse esses Negros, haviam resolvido se esconder nas sombras. Ou... talvez... se desfarçarem.

–Eles não são idiotas – conclui Aveline – e estão muito distantes disso. Eles devem ter fontes de informação por aqui, e descobriram nossa presença.

–Devemos fazer algo em relação a isso?

–Não, Luca. Vamos aguardar, e nos preparar. Gastar tempo, energia e pessoas tentando caçar eles só vai nos atrasar, e nos enfraquecer. Claro... estamos realizando algumas patrulhas de observação, e vocês também estão fazendo sua parte. Mas nada de grande porte.

–Não querendo interromper a “importante” reunião de agora... – a voz de Kevin estava nervosa, fria – mas que horas são?

Um dos Assassinos ali presentes encara Kevin de um modo analista, mas logo responde.

–16 horas.

–Tenho que sair.

A surpresa ali foi imediata. Mas, antes que qualquer um pudesse segura-lo, ele já se virou, e estava de saída.

–Para onde vai? – pergunta Heloísa.

–Não é importante. Quero tomar um ar – ele disse rispidamente, e logo sai da sala.

E, assim que ele sai, Aveline se vira para um dos Assassinos ali presentes.

–Siga-o.

–Porque?

–Ele não me parece nada bem... conheço-o a pouco tempo, mas nunca o vi assim.

–Deixa que eu vou! – Heloísa interfere do nada – eu conheço esse garoto, sei de locais onde ele pode ir. Além do mais... eu sou Arqueira; sei fazer bem o trabalho.

Aveline não gostou da ideia. Mas logo suspirou.

–Tudo bem... Mas vá com cautela.

–Também vou – Felipe também foi rápido, mas não convenceu Aveline.

–Não, você fique aqui, junto com Luca. Não quero os por em risco desnecessário.

–E eu sei me cuidar, Felipe – Heloísa diz, calmamente – senão não estaríamos aqui.

–Ah... tem razão... – ele concorda, mesmo que desanimado.

Felipe abaixa um pouco a cabeça. Mas se surpreende um pouco, ao sentir a mão de Luca tocar-lhe o ombro.

–Tudo bem, Felipe. Haverá outras chances.

–Sim... tem razão.

–Heloísa – retorna Aveline – pegue o que achar necessário e vá.

–Quer que eu o traga para cá?

–Não, só observe. E, se por acaso acontecer algo, tente o acalmar.

–Sim, senhora!

–Agora vá!


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


Ele tinha acabado de chegar na sala, e logo foi sentar-se em sua cadeira.

–Faça-me um favor... traga uma xícara de café.

Assim que os passos se afastando da sala sumiram, ele se ajeitou melhor na cadeira, e encarou a sala, tranquilizado.

Devido ao tamanho do lugar em geral, a sala não era lá muito grande. Mas era devidamente enfeitada, com vários tapetes antigos pendurado às paredes, e outros artefatos sobre mesinhas de madeira.

Não havia janelas no local... era realmente uma pena, porque a noite que estava chegando daria um toque melhor ainda naquela sala.

Mas logo, os passos surgem pelo corredor, e ela entra na sala.

–Do jeito que gosta! Café puro com uma gota de adoçante.

E, raramente visto em outras situações, ele dá um sorriso. Feliz, caloroso, de pura felicidade.

–Obrigado! Querida... você sempre sabe fazer do ponto que eu gosto, não?

A ruiva revira os olhos, vermelha.

–Você fica fofo quando quer café, sabia?

–Só não sou mais que você quando fica tímida.

Ela ficou ainda mais vermelha. E, para tentar selar o seu amor da vida de mais ataques de timidez, o beijou na boca.

Após alguns segundos, o beijo se cessa, com dois pares de olhares felizes, um sobre o outro.

Logo, ela se posiciona ao lado da cadeira dele, e este se ajeita nela.

–Novidades? – pergunta ele.

–Oh... sim! Me mandaram te entregar isso.

Ela rapidamente retira um pedaço de papel do manto negro, e entrega a ele. Inicialmente, ele encara a folha com um certo interesse, logo após pega-la. Mas logo uma pequena raiva nasce dentro dele.

–Ele teve certeza?

–Você sabe como ele é...

–Sim... realmente...

Ficaram assim por um tempo; silencio, apenas pensamentos borbulhavam na mente. Depois de dois minutos, ele deixa o papel sobre a mesa.

–Depois resolvemos isso... mas agora...

Ele rapidamente se levanta, apontando uma das portas da sala com a cabeça.

–Vamos nos divertir um pouquinho, querida...


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


Apesar de estar extremamente entediante, Heloísa ainda se mantinha atenta.

Pelo seus cálculos, a noite já tinha se transformado em Madrugada não fazia muito tempo. Estava vagando pela noite de São Francisco desde que anoiteceu, vestindo o Uniforme, e carregando o arco em suas costas, juntamente com a aljava, contendo meia dúzia de flechas. Saltava de prédio em prédio sob o olhar atento das estrelas, e sempre atenta ao que estava abaixo dela.

Porém, não encontrou Kevin.

Desde que tinha saído, não tinha encontrado um só vestígio do amigo de infância. De início Heloísa pensara que era só pura coincidência... mas quando batia onze na noite, já estava achando que, ou estava se esquecendo de algo, ou Kevin estava se esquivando de seus movimentos hábeis. O que era meio difícil... já que Heloísa tinha uma percepção mais bem treinada do que a de Kevin.

Depois de saltar por vários telhados, ela repousa sobre o telhado de um alto prédio, no meio da cidade. Se agacha na ponta dele, e encara o horizonte.

–Cadê você, Kevin...?

A noite só mostrava o som do mar e de carros, nada mais. Nada de interessante, nada de diferente, anormal. E, nessa tranquilidade, achar um garoto no meio de mais de 800 mil habitantes já era pedir demais para Heloísa.

Até que um som a alerta. Pareceu... passos?

Como um relâmpago, ela se vira para encarar o visitante, aflita e preparada para tudo. Mas, assim que vê quem é, a única cara que fez foi de surpresa e dúvida.

–Felipe?

–Sim... sou eu... – ele arfava um pouco.

–Mas... o que você está fazendo aqui?

Antes de responder, Felipe senta-se na borda do edifício, com as pernas voltadas para o abismo abaixo. Logo, Heloísa senta-se da mesma forma, do lado dele.

–Não ia ficar lá sem fazer nada, apesar do que Aveline disse. Então, quando todo mundo foi dormir... eu parti atrás de você. Você vai rápido demais! – ele reclama, com a respiração finalmente voltando ao normal.

–Mas... ninguém te viu MESMO? E o Luca?

–Ele sumiu, logo depois que você saiu. Falei para o Marco, mas ele disse que o Luca foi entregar uma mensagem urgente... sei lá, algo assim. Aí achei injusto, claro!

–Ah Felipe! Se descobrem que você saiu... te matam!

Ele fez um movimento com a mão direita, parecendo jogar algo para longe.

–Eu não ligo. Estava mesmo com vontade de colocar um capuz e sair por aí!

–É... eu também estava doida!

Os dois finalmente puderam relaxar, e encarar a bela paisagem.

–Achou o Kevin?

–Não... nem sinal... Faz alguma ideia?

–Nenhuma... apesar de...

–Do que?

Felipe ia dizer algo, quando banalmente nota algo, um pouco distante dali.

–O que é aquela movimentação?

Heloísa rapidamente segue o olhar se Felipe. Ele terminou em... parecia uma quadra de basquete, atrás de uma escola de Ensino Fundamental. Não dava para ver direito... mas pareciam ser dois indivíduos, ambos... brigando?

Por alguns segundos, os dois trocaram olhares preocupados.

–Será...? – pergunta Felipe.

–Vamos ir para o telhado daquele prédio ao lado, e observar. Se for ele mesmo... bem... veremos. Não podemos fazer qualquer coisa vestidos assim.

–Tem razão...

–Vamos pelo norte.

Rapidamente, os dois se levantaram, e pularam sobre a face norte do edifício. Não foram tão rapidamente para o ponto suspeito, por causa de certas... complicações pelo caminho.

–Escorreguei! Me ajuda!

–Sério? Um Assassino escorregou em coco de pombo em um telhado? Pelo amor do Divino, Felipe... – dizia ela, enquanto o puxava de volta.

Depois de poucos minutos, Felipe e Heloísa chegaram ao topo de um edifício de 4 andares, ao lado da tal quadra de basquete. Porém, antes de olharem para a quadra, param um pouco.

–Está ouvindo algo, Felipe?

–Não... não sei se são passos ou... acho que é melhor ver.

Heloísa assentiu, e se aproximou da base do prédio.

Um erro grave.

Tanto Heloísa quanto Felipe ficaram estáticos, horrorizados com o que viam.

O concreto da quadra estava repleto de sangue. As grades que o cercavam também continham o líquido vermelho, ainda escorrendo por dentre o metal, este retorcido, com várias aberturas pela grade. E, no centro da maior mancha de sangue, estava a origem dele todo.

O corpo não poderia ser dito mais como “humano”. Os braços estavam torcidos, e amarrados atrás das costas por arame farpado, de onde escorria mais sangue. Havia um enorme corte na barriga, de onde podia-se ver o intestino, empapado de sangue, escorrer para fora do corpo. Este estava de lado, e as costas possuíam diversos cortes. Bem no peito, havia um pequeno buraco, de onde saiam veias, pingando mais líquido vermelho. Tudo iluminado por quatro pequenos refletores, em torno da quadra.

Mas... não era isso o pior. O corpo estava sem cabeça.

Em uma das cestas, havia uma pequena estaca de ferro. Nela, estava enfincada uma cabeça pálida. Os olhos estavam quase saindo do crânio, sustentados apenas pelas veias e conexões. O coração do corpo se encontrava preso entre os dentes da cabeça. Apesar de tudo, eles reconheceram a cabeça e o corpo.

Era Jimmy.

Depois de um tempo observando a cena, a dupla desce para a quadra de basquete. Mas tanto o olhar quanto suas mentes estavam se ocupando apenas com uma criatura, que estava ao lado do corpo.

Com uma blusa branca, agora coberta de sangue, e segurando uma pequena faca suja da mesma coisa...

Estava Kevin. Ofegante, cansado, e nervoso.

Ele apenas encarava o corpo no chão. No olhar se misturavam muitas coisas... e nenhum sorriso de gosto na boca. Ao ouvir os passos dos colegas, ele se vira para eles.

Tudo o que pode ver foram as caras horrorizadas de Felipe e Heloísa sob o capuz. Mas... só depois de vê-los... Kevin pareceu se dar conta de onde e como estava. Bufou... e disse apenas uma coisa.

–Droga...

Notas finais
Reviews?