Marcas Da Morte
29 Consequências
Notas iniciais
Bem... acho que estão ansiosos para o next one, estou certo?
Até que esse saiu em uma boa velocidade, e espero permanecer com ela. Não dá para se escrever diretamente, claro.
Sem mais delongas, eis lo capítulo.
Boa Leitura!
Dois dias depois...
20 de Agosto
Pelos corredores da base subterrânea, podia-se ver uma cena um tanto... incomum.
Dois Assassinos, vestindo o novo uniforme branco e seus capuzes, arrastavam pelo corredor um vulto um pouco menor que eles. Cada um agarrava um braço, e o arrastavam pela base sem se importar com dor ou desconforto do outro. Mas o vulto nem parecia se importar.
Chegaram perto de uma porta de ferro, e pararam. Depois de um deles dar duas batidas na porta, ela se abre, revelando-nos outro aposento.
Os dois levantam o vulto, e o empurram bruscamente até dentro do aposento.
–Sente-se ali! Vá logo!
Logo o empurram para uma única cadeira na sala, feita de um tipo de aço especial. Assim que o vulto se senta, forçadamente, os dois Assassinos pegam uma tira de couro, e dão duas voltas sobre o tronco do vulto, antes de fixa-la.
Não tinha jeito; estava preso. Assim que o prenderam, a porta de ferro é fechada, e as luzes da sala se ascendem.
O aposento estava cheio de vários outros encapuzados brancos. Mesmo cobrindo as faces, nosso culto conhecia bem todos eles, inclusive dois em especial, que estavam bem em sua frente.
Todos ali encaravam Kevin com diversas expressões diferentes. O garoto estava vestindo uma camiseta branca, cortada e manchada de sangue, e uma calça, da mesma cor e estado da camiseta. Os pés descalços estavam tão pretos e sujos que pareciam que não eram lavados a eras.
A face do garoto não estava melhor. A cabeça um pouco baixa revelava os cabelos sujos e bagunçados. Porém, os olhos ainda encaravam maleficamente os que o cercavam. Havia diversos cortes no rosto sujo de Kevin, o que o deixava com uma aparência um pouco assustadora.
Um dos ali presentes se aproxima. Mesmo encapuzada, Kevin sabia de quem se tratava.
–Você sabe porque está aqui? – dizia Aveline.
–Sei...
–E porque está aqui?
–Se sabe que eu sei, porque preciso responder, hein?
Apesar do argumento de Kevin não ser ruim, foi devolvido com um violento tapa no rosto do jovem.
–O que fez é inaceitável!
–Cruel!
–Insensato!
–Irracional!
Kevin ouvia os vários insultos em um silêncio colossal.
–Tirar a vida de um inocente desse modo?? Está louco, garoto?!
–Sabe como foi mortal tentar limpar sua sujeira?!
Está certo que todos ali eram Assassinos com “A” maiúsculo... porém o ato de Kevin era incontestável. A vítima era puramente inocente. E, tirar a vida dela apenas por atos de vingança... digamos que isso tornava a situação de Kevin de mal para pior. Um Assassino assim estava, geralmente, fora de si. E, o pior...
–Kevin... você quebrou os princípios da Irmandade.
Apesar do silêncio do garoto, alguns notaram que ele engoliu em seco. Todos ali foram criados seguindo os princípios. E, quando eram quebrados de tal modo... sabiam qual era a punição.
–Não... eu não quebrei.
Todos ficaram ainda mais espantados. Aquele garoto insano já abusou demais... e agora isso?
–Porque, Kevin?! – questiona Marco.
–Porque não fui eu que fiz aquilo.
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Se gerou alvoroço? “Alvoroço” foi pouco para descrever.
Não sei exatamente porque nos colocaram dentro do “Julgamento” do Kevin. Não tinha muitos motivos... E outra: Nem eu nem Felipe queríamos estar ali.
Foi muito... aquela noite foi... não, não tem palavras para descrever. Sério... eu não consegui nem me mexer por longos minutos, enquanto Felipe contatava a Irmandade. Foi muito... traumático. Eu nunca pensei que...
Felizmente, hoje já estou melhor. Passaram-se dois dias depois do... do que aconteceu lá. Nesse meio tempo... ficamos no quarto. Confesso que até me deram calmante... mas, enfim, a coisa passou... Um pouco. Porque eu ainda sinto arrepios só de olhar a cara do Kevin...
Mas, confesso que até eu me impressionei quando ele disse aquilo.
Era meio... impossível. Tanto nós quanto todo mundo VIU o que ele tinha feito plenamente. Logo após isso, só se escutaram gritos e discuções pela sala. Até deram um soco no rosto do Kevin... Mas, logo depois, o levaram embora. E nos enfiaram em outra sala...
Sinceramente, ás vezes eu acho a Irmandade meio cruel. Kevin fez uma coisa indiscutível, eu sei... mas ele continua sendo um garoto. Um garoto de apenas 15 anos, com sentimentos confusos e a flor da pele.
E, além disso... eu tinha minhas próprias dúvidas
–Silêncio!
O grito de Aveline se espalhou pelo aposento maior, para onde tínhamos ido. Ele estava pipocando de conversas e gritaria por aí. Pude ouvir de tudo... desde deixar o Kevin descansar na “cela” pelo resto do dia até mata-lo agora mesmo.
Já eu... estava falando com o Felipe. E ele me pareceu preocupado.
–Sei o que ele fez... mas... Heloísa, eu estou com medo do que podem fazer com ele.
–Sim, eu sei. Ele ainda é nosso amigo, apesar de tudo.
Ah... Felipe me olhava com uma preocupação que eu nunca vi em seus olhos. Bem... claro que eu também estava!
–Todos vocês... – continua Aveline – saiam e voltem daqui a uma hora. Heloísa e Felipe, vocês ficam.
E, de novo, me sinto uma estranha ali. Já haviam nos interrogado no dia posterior a isso tudo... o que mais poderia extrair de nós?
Aveline puxa o capuz para trás, e pede para nós fazermos o mesmo. Depois que eu e Felipe tiramos nossos capuzes, Aveline começou a falar.
–Como sabem... a última afirmação dele nos deixou... atônitos. É muito impossível que seja verdade o que ele diz... mas... não custa-nos nada investigar isso mais afundo agora.
–E o que quer de nós dois agora, Aveline? – perguntei.
–Vocês o conhecem bem, e foram os primeiros a verem isso. Me digam... tem alguma possibilidade do que ele disse ser verdade?
Eu e Felipe nos entreolhamos por um segundo.
–O Kevin... bem... – começou Felipe – ele tem uma mente meio difícil. Não teve lá boas experiências, e tem sentimentos agitados. Coloque uma faca e anos de treinamento nas mãos de um adolescentes com os sentimentos explodindo... e o resultado seria o Kevin.
–Ele tem isso sim... – continuei – e estava bem revoltado com o Jimmy. Sinceramente, eu até acho que ele poderia ter prejudicado o Jimmy... ou até mesmo matado... Mas o Kevin não é burro, e nem teatral. Ele faria isso do modo mais discreto possível, de forma que ficasse pessoal. E não... tudo... aquilo que... vimos quando chegamos lá.
Aveline pareceu respirar fundo, enquanto afundava em seus próprios pensamentos.
–Ele estava sujo de sangue e com uma faca na mão... Como poderia então não ter sido ele?
–Bem... de onde ele tirou aquela faca? – questionei – Kevin tem um arsenal completo aqui, ele não iria sair pegando qualquer coisa.
–A lâmina era de qualidade altíssima... mas não notamos registro da ausência de uma de nossas facas e adagas aqui – ela argumentou — ele bem que poderia ter pego de um outro lugar.
–Houve registro de furto por aí?
–Não. Mas Kevin é um Assassino, Heloísa. Ele sabe como fazer isso sem ninguém perceber.
–Bem como sabe que fazer algo dramático em uma quadra de basquete é burrice total.
Aveline encarou-me com um olhar repreensivo... mas estávamos em um tipo de batalha de argumentos. Era difícil... mas eu realmente acreditava que Kevin não teria feito algo assim, por mais que o ódio dele pelo Jimmy fosse grande.
Aveline suspira.
–Sabem que não há muitos modos de provarem isso, certo?
E, como se por milagre, Felipe arregala os olhos.
–A escola tinha câmeras?
–Tinha... mas estavam desligadas. Eles estão de férias, não iam ligar isso.
Eu já teria perdido o ânimo... mas Felipe estava meio distante disso.
–Tinha vários edifícios envolta. Bem que poderia ter uma câmera que pudesse ter captado o que aconteceu naquela quadra.
De repente, Aveline parou para pensar bem e seriamente. Aparentemente, ela não havia pensado nessa possibilidade.
–Vou contatar o grupo de Invasão Digital imediatamente. Vamos ir mais afundo nisso...
–E... estamos dispensados?
Ela parecia tão envolta em novas possibilidades que nem notou bem a observação de Felipe.
–Claro, podem ir. Qualquer coisa, mando-os chamar.
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E não demorou muito para eu receber um chamado de Aveline.
Não tinha se passado nem duas horas, para falar a verdade. Lá estava eu tranquila na minha cama... tentando ler um livro que eu tinha comprado em uma livraria, semana passada. Foi aí que uma mulher encapuzada se aproximou.
–Heloísa?
–Sim, sou eu – abaixei o livro da linha dos olhos.
–Aveline quer te ver.
–Aconteceu algo?
–Ela não me disse. Apenas alegou ser... particular.
Na hora já fechei meu livro, e acompanhei a mulher.
Saímos pelos corredores, e não avistei Felipe. Deduzi que talvez não fosse sobre o Kevin... se fosse, acho que teriam o chamado... seja lá onde ele estivesse. Não vi ele indo para um lugar especifico... provavelmente estava no quarto dele também.
Os corredores pareciam mais movimentados. Graças as novas “possibilidades”, várias equipes deveriam estar vasculhando todo o sistema de câmeras daquela parte da cidade. Pessoas corriam de lá para cá com folhas de papel em suas mãos, ou simplesmente pararam a porta e gritavam coisas.
–A RUA DA ESQUERDA! DA ESQUERDA!
–CAMERA NÚMERO 02! VEJA!
Acho que logo íamos ter algum resultado. O que, claro... era bom!
Logo chegamos a sala. Parecia ser um tipo de... centro de operações. Havia vários computadores espelhados por escrivaninhas pela sala. E vários Assassinos especializados estavam os ocupando. No começo me senti até estranha... eu não era muito de informática, preferia fazer a prática.
Fui encontrar Aveline junto a um telefone. Tentei analisar sua expressão... mas não obtive muita coisa. Parecia algo neutro, nem bom nem ruim. O que será que poderia ser...?
Logo a Assassina que me trouxe faz uma reverência a Aveline, e se retira.
–Senhora Aveline – também fiz reverência – aconteceu algo?
–Sim... é para você.
Fiz uma total cara de confusa quando ela me entregou o telefone sem fio. Quem iria me ligar? E, outra... porque? Encarei Aveline com a expressão confusa.
–Não sei quem e porque. Apenas atenda.
Suspirei um pouco de nervosismo... e peguei o telefone.
–A-Alô?
–Heloísa! Tudo bem?
–Tudo... quem fala?
–Já esqueceu? É o Maurício!
Ah... claro... tinha me esquecido já do sujeito.
–Ah! – tentei parecer surpresa e feliz – claro, como pude esquecer! Tudo bem contigo?
–Claro! Sempre bem!
–Bom... eu estou meio ocupada agora, mas... porque me ligou? – também tentei parecer natural. Como aquele garoto sabia ESSE número... bem... aí é outra história.
–É que... eu estava aqui vendo com um pessoal, para tomar sorvete no Golden Gate Park. E... estava a fim de convida-la!
–Oh! Isso é bom!
–E aí? Quer ir?
Coloquei o telefone ao peito, e encarei Aveline. Claro que ela estava ouvindo tudo, a partir de um pequeno fone em seus ouvidos. Apesar disso... eu não sabia se podia ou não ir a esse... ah... “passeio”. Talvez eles pudessem precisar de mim por aqui.
–Vai, pode aceitar – diz ela, em voz baixa – se recusar pode levantar suspeitas.
–Oh... sim, claro.
Voltei o telefone aos lábios, e finalmente dei a resposta.
–Posso sim! Quando?
Ele pareceu feliz.
–Ótimo! Hoje à tarde, naquele carrinho de sorvete, lá no Parque. Sabe onde é?
–Sei sim. Estarei lá!
–Até!
–Até!
Finalmente, a linha sai. Ouvi e senti Aveline se aproximar de mim. Entreguei o telefone a ela, que pegou-o com a maior delicadeza.
–Tem certeza que tá tudo bem se eu for? Podem precisar de mim aqui... e eu...
–Heloísa, olhe para mim.
Eu estava meio... indecisa, incerta. Mas, mesmo assim, encarei a face daquela Assassina que, em pouco tempo, eu havia passado a gostar.
–Fique tranquila, não é nada demais – ela disse, calmamente – vai lá, e passe um bom dia.
–Mas... a pista... câmeras...
Ela suspirou.
–Tudo bem. Então vá lá e descubra se sabem algo a mais do tal do... do...
–Jimmy?
–Sim, acho que esse mesmo. Se está aflita em ir para descontrair... considere uma missão.
Por mais incrível que possa me parecer... aquilo me tranquilizou totalmente. Bem... parecia que eu me contentava mais com uma missão do que com um evento social. Tá, eu até gosto muito dos eventos sociais, mas eu fico meio... nervosa. Diferente do Felipe, que é do tipo que se dá bem com todo mundo. Quando eu consigo... também consigo ser amigável, e bastante!
Mas... eu não tinha escapatória.
–E... eu vou a pé?
Aveline pensa um pouco.
–Vem cá. Vamos dar uma voltinha...
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Já tinha gente lá quando eu cheguei.
Aveline me deixara ainda na ponta do parque, longe do grupo que estava perto de um carrinho de sorvete, rodeado de árvores e até pássaros felizes.
–Vai, Heloísa. Eu não gastei meu combustível para te trazer aqui a toa!
Realmente não... nem eu acreditava que Aveline tinha um carro... daquele estilo! Não sabia exatamente o modelo ou a marca... mas se tratava de um carro antigo, mais ou menos dos anos 1930. Uma pintura vermelha viva, combinado com rodas e detalhes elegantes em prata, faziam dele uma figura muito chamativa pelas ruas. O interior não deixava de ser confortável, e o motor também não era nada lento!
Enquanto entravamos pela cidade, Aveline me explicara que ela tinha arranjado aquilo com um imenso esforço próprio, com seus próprios recursos. Desde então, leva-o para qualquer lugar que possa ser útil. Até mesmo... aqui?
Bem... de qualquer maneira, eu desci. Aveline acena com a cabeça, e logo seu lustroso carro vermelho some ao dobrar a esquina.
Suspirei, e fui em direção ao grupo.
Contei 4 pessoas, comigo iam dar 5. Formavam um grupo de 3 garotos e 1 garota. Estavam conversando sobre algo, enquanto tomavam sorvete. Pareciam alegres, divertidos, curtindo uma tarde de férias gostosa, sem se importar com a vida.
Doce e calma vidas eles tinham.
Estava em um ritmo calmo até o grupo, até que um deles me viu e... bem...
–HELOÍSA!
Nem eu esperava que o Maurício ia vir correndo e me abraçando. Fiquei até um pouco constrangida!
–Você veio!
–Sim, eu vim sim! – tentei demonstrar alegria.
–Vem! Vem! Vou te apresentar ao povo!
Assim que notei ele correndo em minha direção eu notei que ele estava... diferente? O garoto tinha pintado o cabelo de loiro... mas... por qual motivos algum garoto faz isso?
Americanos e seus costumes estranhos...
–Pessoal! Essa aqui é a Heloísa! Uma amiga minha.
–Ah! É aquela dinamarquesa? – pergunta um garoto.
–Sou eu mesma.
–Prazer em conhecer, madame!
Apertei a mão daquele sujeito novo para mim. De acordo com que Maurício me explicara, se tratava de Patrick, um garoto que tinha vindo de um tal de “Estado de Washington” faz cinco meses. Era alto, com um corpo pálido e bem... definido! Possuía lisos cabelos loiros (De um tom um pouco mais escuro do que o que Maurício tinha arranjado) e delicados olhos verdes. Ele... também transmitia um estranho calor quando eu estava perto dele. Uau!
Ah... acorda, Heloísa! Missão! Missão!
Depois de pegar um sorvetinho bem refrescante, pus minha estratégia em ação.
Eu e Maurício acabamos nos afastando do resto do povo, que brincava de Poker em um banco, ou coisa parecida. Já eu e Maurício estávamos às sombras de uma árvore, pouco distante do banco. Eu apenas disse que queria conversar com ele, e fomos para lá.
Tentei começar com um óbvio.
–Ei... o que aconteceu com o Jimmy? Ouvi umas coisas, mas não sei ao certo...
–O que você ouviu?
–Que ele tinha... sumido?
Ele pareceu se refletir, como se estivesse lembrando da coisa.
–É, ouviu certo. O Jimmy simplesmente sumiu! Disseram no noticiário que ele tinha ido comer em uma lanchonete com uns amigos... e depois não voltou para casa. Não o encontraram até agora!
Tentei parecer surpresa, e deu certo. Porque era meio... ah... me arrepiava só de lembrar a cena. Mesmo uma pessoa como eu.
–Nossa... nenhuma outra notícia?
–Não, aparentemente. Ouvi dizer que a mãe dele está desesperada. O que poderia ter rolado?
Imediatamente, senti um peso na consciência. Essa era uma das partes mais... desagradáveis. Geralmente ignorávamos... mas... nunca deu para tirar totalmente da cabeça.
Como será que Kevin deveria estar se sentindo em relação a isso?
–Não sei... não sei... ouvi dizer que teve um movimento “suspeito” lá naquele “Colégio West Point”.
Logo vi que Maurício não possuía a mesma informação. Alias... eu nem sabia se já tinha sido divulgado por aí.
–Como...?
–Você não ouviu?
–Não... o que é?
–Ouvi dizer que tinham ouvido barulhos estranhos naquele colégio... será que poderia ser algo...?
Ele pareceu bem motivado.
–Claro! Eu sabia que não deveria ter sumido assim sem mais nem menos!
–Você sabia?
–Sim! Bem... desconfiava!
–E... o que vai fazer? – até Felipe notaria que ele não parecia disposto a sentar e esperar.
–Vou investigar, óbvio!
–Você vai o que?!
Encarei meio séria o garoto... ele faria mesmo isso?
–Vou ir lá e ver o que encontro! Talvez ache pistas!
–Não acharia meio... ruim brincar de Sherlock Holmes agora? Você nunca sabe o que pode encontrar...
–Esse é o melhor!
E, do nada, o garoto me encara com um olhar desafiador.
–Você viria comigo nessa busca pela verdade?
–Não... obrigada... tenho umas coisas para fazer em casa...
–Ah! Vamos! Aí você chama o Felipe também!
Rapidamente notei que ele não fez menção à palavra “Kevin” nisso.
–Só o Felipe?
–Aham! Ele... o cara sabe bem fazer as coisas.
Okay... até o próprio Felipe saberia que isso era mentira. E eu sabia que tinha algo por trás daquele tom.
–Está escondendo algo, Maurício?
Na hora ele ficou sem palavras.
–O-Oque? Não!
–Fala.
–Tá... sabe... eu acho o Felipe tão... bonito!
...Meu Deus. Foi minha vez de calar-me, e arregalar os olhos. Eu até cheguei a suspeitar... mas...
–Você é... gay?! – indaguei na hora.
E, na mesma hora, ele me olha com os olhos arregalados, como se eu tivesse falado Tabu.
–Que preconceito! “Gay” é muito forte! Prefiro Homossexual.
...Meu Deus! Não que eu considere isso errado, claro... mas eu me surpreendi com ele falando isso com uma total liberdade e segurança. Não são todos que fazem isso... e mais! Pelo Felipe? O cara mal fala muito com ele.
–Então tá... mas... você sabe que o Felipe não é...
–Bem... saber eu sei... Mas não me anula em nada os pensamentos.
–Fiquei surpresa, mas... legal você falar isso de boas!
Ele deu um enorme sorriso para mim.
–Que bom que você aceita e respeita! Mas... ei! O Patrick tá indo a algum lugar! Vamos ver!
Segui Maurício, com uma mente cheia de coisas. Realmente esse mundo tem muitas surpresas a nos oferecer.
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