Notas iniciais

...Seguindo...

Boa Leitura (A de sempre)

Pelo amor de Deus, que dor de cabeça!!!

Acordei com a cabeça latejando como se eu tivesse levado uma pancada forte com uma pedra. Na verdade, não acho que fora o despertador que havia me acordado, e sim aquela dor infernal de cabeça!!!

Me levantei lentamente e resmungando da cama. Ainda era escuro, mas podia-se ver os leves feixes de luz atravessando o quarto escuro. Mas só de pensar neles minha cabeça voltava a doer.

–O que foi?

Era Kevin. Ele parecia melhor que eu, mas também aparentava uma dor na cabeça. Mas não sei se a dele se igualava a minha!

–Dor de cabeça. Estou assim desde ontem...

–Ainda?

Pois é, até eu me surpreendi nessa. Desde que eu tinha saído daquele mar abaixo de zero, a dor não estava só na cabeça, mas estava acompanhada por um formigamento e uma dor pelo corpo, especialmente no meu antebraço esquerdo.

–Pois é. Até eu estranho...

Meu amigo pareceu se revirar na cama.

–Tudo bem, logo vai passar. A aula de hoje vai dar uma aliviada. Se piorar... bem, vamos ver o que podemos fazer.

–Tudo bem. Obrigado.

Mesmo assim, me ajeitei na cama dolorido e preocupado também. O que quer que fosse, não podia ser qualquer coisa simples...

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18 de Fevereiro

–Ainda?

Cara, até a Heloísa?

–Eu to dizendo que eu estou me sentindo... “estranho”!

–Certeza? Acho que aquela água gelada mexeu com sua cabeça.

A Heloísa, que sempre questionava e fazia as coisas, estava duvidando de mim?! Eu nunca estive tão sem confiança assim!

E era por isso que eu a encarava com um olhar sério, juntamente com meus amigos Kevin e Luca. Ás vezes é uma boa vantagem ninguém prestar atenção em só mais um grupo de amigos conversando em um corredor antes da aula.

–Não sei, Heloísa. Ele reclamou disso durante a noite toda. Não deve ser só a água gelada.

Isso aí Kevin! Pelo menos um que me apoia um pouco.

–Pois é – concordei.

–Bem, deixa eu tentar algo – diz Luca – como e o que exatamente você está sentindo?

Pensei bem. Eram muitas coisas ao mesmo tempo. E eu nem sabia se eram normais ou dores.

–Dor de cabeça, coceira na pele e, principalmente, um formigamento estranho no corpo todo!

–Hum... – Luca pareceu pensar bem antes de me responder – acho que aquela queda ontem da ponte te deixou com gripe.

Confesso que fiquei até um pouco surpreso.

–Gripe? Mas eu não estou espirrando!

–Tem espécies de gripes que não tem esse sintoma, Felipe – lembra Heloísa.

–É, ela tem razão – continua Luca – tome um remédio antes da aula. Tem um de emergência no meu armário, quer?

Como eu não podia recusar? Além de ser a explicação mais concreta que conseguimos, eu não tinha trazido esses tipos de remédios!

Assim que ele me deu aquela caixinha branca, prosseguiu:

–Tome um e vá pra aula, vai te distrair – dizia – se piorar, espere e tente tomar mais um.

–Tudo bem! Valeu, cara!



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Vamos dizer que funcionou um pouco.

Estavam certos quando me disseram da distração. Quem não se distrai com uma velha aula de química!

Tava certo que todas aquelas fórmulas chatas realmente enchiam o saco! Mas só o fato te termos uma aula prática hoje me deixou mais alegre!

–Hoje teremos uma aula prática de química, em que veremos como as reações químicas acontecem!

É claro que eu me empolguei com isso na hora. Mexer com ácidos não era lá minha cara, mas definitivamente me deixou com vontade de fazer isso!

E com isso acabei enfiado em um jaleco branco, junto com outros 20 alunos. Como não conhecia ninguém, e Heloísa, Kevin e Luca não estavam naquela aula, tentei ficar na minha. Não que eu gostava de sentar em uma grande mesa de madeira com um monte de frascos sozinho. Mas, na vida que eu levo, as coisas tem que ser do melhor jeito possível para a missão, e não para a quem faz.

–O.K. gente! Hoje faremos uma mistura que resultará em um dos primeiros ácidos usados em industrias na história! Mas muito cuidado! Qualquer passo em falso poderá causar um grave acidente!

Aqueles líquidos coloridos me deixavam fascinados! Era incrível como algo que parecesse suco de groselha poderiam incinerar sua mão! As cores vibravam com o movimento da mesa, e refletiam auroras boreais coloridas na mesa, com os raios de sol batendo nos recipientes de vidro.

Mesmo assim, não pude deixar de me distrair demais. Assim que a professora deu as instruções, comecei a mexer com os frascos. Pelo que ela havia dito, tínhamos que tomar cuidado! As substancias geravam um liquido que pegava fogo, pelo visto. Mas eu sabia me cuidar! Eu fui treinado para estar sob pressão e manter a calma! Eu estava tranquilo e seguro.

Pelo menos EU ACHAVA...

No começo nem notei. Estava tentando prestar atenção em minha própria experiência quando ouvi um pequeno ruído. Nada grave nem nada importante no começo, era apenas um borbulhar em um pote de vidro. Considerando que estávamos fazendo experiências, nem notei.

É... foi um erro...

–Jane! O que você fez?!

–Não sei! Eu só encostei e...

BUM

Tomei um choque instintivo quando subi minha cabeça. E o que vi não foi legal:

A mesa, de onde o som havia vindo, estava em chamas! Não era de se esperar que eu ficasse paralisado diante da cena, mas fiquei. Uma alta torre de fogo tocava o teto, e se espalhava ferozmente pela sala. Só descongelei quando ouvi a voz da professora:

–RÁPIDO! USEM A SAÍDA DE INCENDIO!!! TODOS, VÃO!!!

Ela estava na porta, junto com vários alunos, tentando escapar das chamas. Tomei um alivio em descobrir que todos estavam ali. Nenhum tinha ficado para trás!

Bem, mas só notei que eu era o único no meio da sala meio tarde demais.

As chamas tomaram conta da sala! O idiota aqui poderia ter ido até a porta, mas as chamas haviam feito uma parede mortal diante dos meus olhos, então fui forçado a recuar. O calor fazia gotas constantes de suor percorrerem o meu rosto. Mas eu me desesperei quando senti a parede nas minhas costas.

E agora?! O que eu faria?! Já havia treinado e lutado com centenas de mestres e inimigos, mas confesso que o terror absoluto nunca havia me dominado de tal forma. As chamas formavam um circulo diante de mim, que ficava cada vez menor. O que eu pude fazer?

Nesse período de terror, tentei procurar uma saída. As janelas; bloqueadas. A porta também. Não havia saída. O fogo estava alto demais para eu fazer uma manobra.

O desespero, por incrível que pareça, não foi tão grande. Só ouvia vozes abafadas nos corredores, porque a porta estava fechada. Deixado para morrer nas chamas? Não sei. Foi inteligente fechar a porta, para o fogo não se espelhar depressa pelo prédio.

Era o fim. Não estava acreditando na própria realidade. Eu não podia morrer ali, naquele momento! E a missão? E meus amigos? Minha família!!!

Eu só queria uma coisa: Que aquilo tudo sumisse, que não passasse de um sonho. Que eu acordasse na cama suado, dando graças a Deus que aquilo fora tudo um mero sonho da vida. Eu só queria que tudo sumisse.

Foi aí que aconteceu.

Levantei minha mão contra o rosto, para proteger minha face contra o calor mortal daquelas chamas. Quando fiz isso, senti uma energia incrivelmente estranha, mas poderosa, no meu braço. Era como se uma corrente elétrica estivesse avançando pelas veias do meu braço, em direção a minha mão.

Tudo foi muito rápido, mas eu vi o que aconteceu e com detalhes:

Assim que a tal energia chegou a meus dedos, minha visão do fogo ficou torta. Era como se o fogo não estivesse natural, era como se estivesse formando um cone, em direção a minha mão. O cone, feito totalmente de fogo, e sugando cada vez mais fogo da sala, tocou a palma da minha mão. Mas eu não me incinerei, muito pelo contrário. O cone, ao tocar na minha palma, formou uma pequena bolinha de luz em minha mão.

Nem tive tempo de me assustar, pois foi tudo rápido. Todas as chamas da sala, até mesmo cada partícula de fogo, estava formando um cone na minha frente, em direção a pequena bolinha luminosa em minha mão. Por mais estranho que isso já fosse, eu não sentia mais o calor mortal das chamas. Eu me fascinava e me horrorizava com aquele belo cone na minha frente. Nem parecia fogo, era como um plasma universal em minha frente.

Quando parou, todo o fogo da sala havia sumido, deixando para trás apenas mesas e o chão chamuscados e queimados de preto. Mas assim que olhei em minha mão direita, o pavor e a fascinação explodiram. Na minha palma flutuava a pequena esfera. Era muito luminosa, mas eu estava fascinado com ela. Alias, com tudo o que acabara de rolar.

Foi aí que o espanto me tomou conta. Assim que tentei tirar a mão daquela bolinha, ela se desintegra em um claro e brilhante pó branco, que caí lentamente sobre meu jaleco.

Com isso, despenquei no chão. O que, por Deus, acabara de acontecer??!!

Não sabia, mas sentia. Aquela energia ainda pulsava com força dentro de mim. Me sentia com força para fazer tudo, estava energizado por ela, ligado por ela.

Mas nem assim me deixei sair de mim mesmo. Assim que pensei nisso, decidi sair logo dali. Se não conseguia nem explicar a mim mesmo, como conseguiria para professores e bombeiros que viriam aqui depois?

Fui até a janela, me ajoelhei e pulei da base. Quem sabe o chão tinha uma explicação mais solida pra...

Mas o que raios foi aquilo?

Notas finais
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