Marcas Da Morte

15 Aulas de Ciências


Notas iniciais
Último capítulo de 2012. Depois, partimos para uma nova era, e um novo ano. Ficará um pouco mais lento... mas farei todo o possível para continuar com a velocidade aqui.

Boa Leitura

19 de Fevereiro

Nada estava ficando de acordo com nada recentemente.

Não só o fato de não ter rolado nenhuma ação desde o “Dia da Ponte”, como a Heloísa passou a chamar.

E eu já estava ficando entediado. Eu podia ser especialista no Ramo de Se Esconder, mas ficar sem ação... a própria expressão já diz tudo: Sem Graça.

Pelo menos até ouvirmos aquilo...

–O que rolou na sala de química?!

–Eu ouvi umas americanas mimadas fofocarem exatamente o que você ouviu agora.

Nunca vi Heloísa tão perplexa como está agora. Tudo bem... eu também fiquei espantado com o caso. Nunca vimos isso em nossas vidas, e aposto que nem mesmo nossos superiores já viram.

–Como o fogo sumiu do nada?!

–Como eu iria saber? Só fiquei no meu canto escutando. Não captei nada de “como” aquilo aconteceu.

–Hum... alguma ideia do que possa ser, Kevin?

–Vendo o que aquele encapuzado da ponte poderia fazer... acho que tenho uma suspeita.

–Não acho que seja ele. Porque ele apagaria um incêndio por aqui? Ele tem mais chance de começar um do que parar.

–Bem... tem razão. Mas é nossa única testemunha por enquanto. Vamos deixa-lo em pauta até descobrirmos mais.

Não poderia ter sido outra pessoa senão aquele cara da ponte. Tanto eu quanto a minha colega estávamos pensativos abaixo daquela arvore no campo da escola. Era o horário de recreio, então era um bom tempo pra conversar. Eu ainda não me acostumei a comer aquela comida estranha todo dia, apesar de ser deliciosa!

–Viu o Felipe? – ela quase me assustou com essa pergunta.

–Não, ele sumiu desde ontem. E você?

–Também não...

A preocupação bateu em nós dois. Isso começou a preocupar muito. Não falávamos com ele e nem o víamos desde ontem, quando ele reclamou que estava sentindo uma dor. Será que foi aquilo? E onde ele estava?

–O Luca viu alguma coisa? – perguntei.

–Ele me disse que não, antes da aula começar. Ele deu uma procurada ontem a noite pela cidade, mas não achou nada.

Me levantei assim que ouvi isso. O Felipe podia encher o saco de vez enquando, mas ele definitivamente era meu, nosso amigo.

–Talvez ele não tenha procurado direito – disse – eu e você, hoje à tarde, depois da aula. Nós dois vamos vasculhar melhor essa cidade.

–E o Luca? – diz ela, se levantando também.

–Melhor não envolver ele nisso. Prefiro trabalhar com quem já conheço muito bem. Aquele cara me deixa nervoso...

Nem olhei, mas percebi na hora que Heloísa me encarava.

–“Você” ficou nervoso com alguém? Nem parece o Kevin que eu conheço!

–Não sei direito como é... não me sinto confortável perto dele. Mas enfim: Topa?

–As meninas com as quais estou tentando fazer amizade vão dar uma festinha hoje à noite. Mas acho que posso dar um jeito.

–É melhor dar. É o Felipe que está em questão aqui. E quanto antes descobrirmos onde ele está, melhor pra ele e pra nós.


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Tudo bem que podíamos falar bem a língua, mas eu definitivamente não gostava das aulas de inglês.

Eles tentam martelar na nossa cabeça coisas bem diferentes do que aprendemos! O professor sempre reclama porque ainda tenho um “sotaque muito puxado pro Europeu”, segundo ele. E por acaso eu tinha culpa?! Eu tenho toda a honra de dizer que nasci na Europa e cresci lá, e tenho repulsa por quem diz que tudo isso é errado.

Ah... que saudade...

É claro que eu achei a América incrível, mas isso nunca me impediu de sentir saudades de casa, dos amigos e, principalmente, da família. Eu nasci, fui criado, vi e ainda vejo a velha Base da Dinamarca como minha legitima casa. Aquilo são minha cultura, minha casa, minha gente. Nem eu e nem meus amigos fomos tão longe assim da Base. E, sinceramente, isso dói um pouco...

Isso além de outro fato: Dinamarqueses pela Europa era tão comum que nem ligavam. Temos tantos países e tantas culturas que é inevitável que se misturem constantemente. Mas aqui na América... tá ficando “Hard”, como eles falam.

Você recebia olhares maldosos e intimidadores em qualquer segundo que passasse sobre um habitante local. E tanto faz o quanto eu me vestia igual a eles, sempre tinha algo em mim que atraia olhares preconceituosos.

Eu não gostava disso, com certeza. Não entendo porque não só esses americanos imperialistas, mas como muitos povos desse mundo tem preconceito uns com os outros! Não sou muito acostumado com isso, pois sempre vivi em um mundo onde ‘Todos somos um Só”. Mas sinto isso como se um bilhão de pessoas no mundo já tivessem sentido a mesma coisa antes.

Às vezes eu dou Graças a Deus que não nos enfiaram em uma escola rígida. Esses professores nem ligam pros alunos, só querem dar logo a matéria e sair pra fumar entre as aulas. O cheiro que sai deles é repugnante. Eu não sentava na frente, mas podia sentir esse cheiro horrível do canto de onde eu estava. Mas mesmo assim conseguia mergulhar nos meus pensamentos no meio daquela aula chata.

–Alunos! Página 23 à 26 pra casa! Fiquem quietos enquanto a professora não vem!

Isso nunca adiantava. Graças ao incêndio, tivemos que fazer umas mudanças. Ao invés de trocarmos de sala, os professores fazem isso. Temporariamente, pelo que ouvi. O que era bom, já que eu podia ter tempo pra conversar com a Heloísa e com o Felipe com esse sistema...

Felipe...

Espero que essa droga de aula passe rápido.

Assim que o professor saiu da sala (Aposto que ele tava doidinho pra fumar um dos tais “Free”, que sempre carregava), o caos da conversa se estabeleceu pela sala. Fofocas ali e aqui, e mais umas conversas sobre videogames entre os “gamers” da sala, como eles costumavam a se chamar.

Eu prefiro ficar na minha, sinceramente. Nunca fui de me misturar com essas pessoas do exterior, mesmo que eu seja bom em ficar no meio delas. Não sou nada bom conversando com desconhecido, tanto que até fui repreendido uma vez por causa disso, e muito. Mas simplesmente porque não via e ainda não vejo nenhuma utilidade prática pra esse tipo de habilidade. Eu sou mais do tipo que se esconde, ouve a age rapidamente. Não acho que conversar e fazer amiguinhos felizes vá ajudar em uma missão.

Mas acho que isso era inevitável, afinal das contas...

–Com licença...

Quase pulei com a voz assim tão perto do meu ouvido. Me virei na hora também e...

Ah... era ela...

–Posso me sentar aqui? – falou ela.

–Claro – disse apenas.

Era aquela garota esquisita. A mesma com a que eu senti arrepios um dia desses. Não me lembro o nome dela, mas aquela sensação ainda vinha a minha memória...

Espere... não estou mais sentindo o arrepio, a sensação. Bem, pelo menos não que eu saiba.

Ou tem algo nessa garota que está nos escapando, ou estou ficando doido. Qualquer que seja, melhor ficar mais de olho nessa guria.

–Você...Você fez a tarefa de Ciências?

–Hã? – eu meio que boiei com essa pergunta

–Lembra-se daquela Tarefa de casa de Ciências? Do corpo humano?

–Juro para você que não me vem à mente

Tentei parecer casual a todo custo. E isso era óbvio, já que era uma missão oficial. Mas até que tudo aquilo que eu falei e vou falar vai ter fundos bem verdadeiros: Eu tinha mesmo esquecido da tal tarefa.

–Era pra hoje. Página 49, lembra-se?

–Aí...

Aí... agora lembrei... Um trabalho chato sobre DNA! A professora passou no dia da Golden Gate! CLARO que eu não fiz!

O Felipe bem que tinha razão: Estudar e ser Assassino não ia ser nada fácil...

–Não fez, né?

–Não

–Hum... Olha... Se quiser... pode dar uma “olhadinha” no meu...

Eu nem estava olhando bem na cara dela até lá, mas finquei-me nos olhos dela. Aqueles belos olhos verdes estavam tímidos, mas bem sólidos no que diziam. Mas porque ela passaria a tarefa dela pra mim?

–Certeza?

–Hum... Claro! Porque não?

Por muitos motivos. Eu não daria minha tarefa pra qualquer otário que fizesse drama aos meus pés. Mas eu não pedi nada a ela... porque diabos ela tá fazendo isso?

Mas, apesar de tudo isso, não recusei a oferta. Minhas notas em ciências já estavam decaindo muito logo no começo do ano, dizia a professora. Não era lá uma coisa “limpa” a se fazer, mas é uma proposta irresistível.


–Bom Dia Alunos!!!

–Bom Dia “Querida” Professora!!!

Olha, até eu disse isso. Não apenas por poderem achar que eu estava dormindo na aula. Pela primeira vez, eu estava me sentindo calmo em uma aula.

E também ia ser a primeira vez que eu entregava uma tarefa completa. É claro que eu tive uma “ajuda” meio desonesta nisso...

Mas falando sério: Você prefere tirar 0 ou 10?

–Quero todas as tarefas aqui em cima da minha mesa agora! E enquanto eu corrijo, façam a página 49!

Finalmente pude fazer meu trabalho sem ficar suando ou preocupado com notas. A sala estava relativamente calma. Eu procurava e procurava com meus olhos, mas nada rolava de interessante nisso desde que colocamos nossos pés na América.

–Alunos! – a professora parecia ter acordado metade da sala – como parte de nosso projeto sobre pesquisas de DNA, proponho um trabalho a vocês!

Outro?! Ela só podia estar de brincadeira comigo.

–É um trabalho pro mês que vem! Pois envolverá uma pesquisa sobre o que estamos aprendendo agora.

Uma pergunta: O que estamos aprendendo agora?

–E, baseado no histórico de vocês – foi impressão minha ou ela lançou um olhar suspeito pros mais arruaceiros da sala? – eu mesmo defini os grupos.

A classe a acolheu com um grande “Ah” de decepção, e juro que até eu fui nisso. Fala sério: Outro? Tínhamos acabado de sair de um trabalho e já iriam mandar outro pior?

O mundo é muito complexo. Complexamente caótico.

Nem ouvi quando a professora falou as duplas. Qualquer que seja a minha, iria só ser mais um peso morto para mim. Esse pessoal só sabe falar de moda e esporte. É uma perda de tempo fazer um trabalho com alguém assim na sua cola.

Foi quando meu par sentou do meu lado.

Mas quem me avisou não foi meu ouvido, nem meus olhos que estavam enfiados dentre meus braços. Aquela sensação... aquela sensação de perigo voltou a formigar no meu cérebro.

Foi aí que eu decidi olhar.

E lá estava ela de novo: Giovanna.

–Quem diria! Caímos na mesma dupla!

–Não era grupo? – nem precisei fingir. Eu estava mesmo com sono.

–A professora disse que haveria umas duas duplas, você não ouviu?

–Não...

Bem, melhor pra mim. Menos um peso morto.

–Tudo bem então... Eu tenho uma ideia de como podemos começar! Seria...

Aquela sensação me perturbava monstruosamente. Era como se meu espírito quisesse saltar do meu corpo e fugir dali o mais rápido possível. Tinha algo perigoso ali, muito perigoso. E eu podia sentir isso nas veias.

E não estava nem um pouco a fim de sentir isso por mais tempo... Eu quero que isso suma, de um jeito ou de outro...

–Eu sei que é uma boa ideia... mas eu preciso sair.

E é claro que ela se espantou.

–Mas porque? Aconteceu alguma coisa?

–Depois nos falamos mais sobre o trabalho, O.K.? É que eu estou com uma dor de barriga... – menti

Uma dica que se leva para toda a vida: A professora não te deixa sair da sala por nada. Mas fale que está com dores de barriga, e você ganha um passe VIP.

–Vá logo então... então...

–Kevin – disse imitando dor, enquanto me levantava.

–Isso mesmo! Vá logo, Kevin! É logo a sua esquerda.

Mas enquanto eu corria pra porta, tinha que ter sempre o engraçadinho...

–Não se esqueça de pegar papel ultra-macio! Não vai querer se machucar e ficar todo dolorido!!! “Mamãe! Eu to com dor! Passa pomada?”

Tinha que ser... Agora ele pegou pesado. MUITO pesado...

Mas não podia me dar ao luxo. Meu plano era sair daqui com dor de barriga, e não com um castigo por fazer um brincalhão desmaiar... Tinha muitas testemunhas rindo ali agora.

–Deixa para a próxima... Você vai ver o que é bom pra tosse, engraçadinho... – murmurei baixinho, e sai correndo da sala.

Notas finais
Feito por Darth Dorfo

Plágio é Crime!

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