Marcas Da Morte

13 Mistério na Golden Gate


Notas iniciais
Sem mais delongas delongadas...

Boa Leitura! Até lá embaixo

16 de Fevereiro 18h57min

Nas ruas abafadas e cheias de neblina de São Francisco, podia-se ouvir o som frenético de passos de salto alto.

Uma mulher corria pelos becos da cidade. Mesmo seu vestido rosa atrapalhando um pouco, ela ainda corria como se sua vida dependesse disso.

Alias; dependia.

–Pare com isso! Socorro!

Quando deu de cara com um alto muro, entrou em desespero. Aquele era o fim. Ele pegaria ela a qualquer momento. A mulher esperava com medo e nervosa o vulto aparecer naquela neblina densa que invadia as ruas da cidade. O beco não tinha mais nenhuma saída. Aquele era o seu fim.

–Onde você está?! Madeleine!

Até que apareceu. O vulto negro quase fez a mulher sair correndo para qualquer direção. Só queria ficar longe e mais longe daquela figura de casaco de couro, com um revólver na mão, o qual um dia já chamara de “Meu amor”.

–Agora sim! Morra vadia!

Ela só esperava que um milagre acontecesse naquele momento. Só aquilo poderia salva-la.

E aconteceu. Através de um vulto de branco e vermelho descer tão rapidamente que só se via borros. Logo que se deu por conta, seu “amado” estava no chão, com alguém vestindo algo vermelho e branco agachado em cima.

Foi ai que se deu conta do que aconteceu. Logo uma poça de sangue se forma no chão. A figura de mantos brancos e de capuz branco de levanta, com sangue pingando de uma lâmina saindo do nada de um bracelete no braço esquerdo. Não se via nada naquele capuz, mas ela sentia que o que seja que estivesse ali, a estava encarando naquele momento.

–AAAHHH!!!! O que é você?!! SOCORRO!!!

O desespero foi tanto que correu dali como se a figura de mantos brancos e a poça de sangue não estivessem ali, passando bem ao lado deles.

Kevin esperou um pouco antes de murmurar para si mesmo.

–Um dia você vai me agradecer. Mas por enquanto: Descanse em paz.

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Mesmo que Kevin tenha acabado de aterrissar no topo de uma das torres, o trio dos encapuzados continuava imóvel.

–Demorou um pouco – observa Felipe.

–Atraso convencional – retruca o recém-chegado.

E, mesmo Luca tendo notado uma familiar mancha vermelha no pulso esquerdo de Kevin, se dirigiu à sua colega na borda da torre.

–O que temos?

–Nada, por enquanto...

–Não está... quieto demais? – pergunta Felipe.

–Também acho, Felipe – dizia Heloísa.

Mesmo estando equipada com sua potente mira da sua sniper, Heloísa não enxergava nada de anormal para aquele horário. A ponte estava normalmente movimentada para aquele horário. Aquela parecia uma noite tranquila.

–Tô vendo que dessa vez vai ser difícil... – reflete Felipe – e é sempre frio aqui em cima?

–Quase toda noite, menos no verão – responde Luca, o que não agradou o Assassino, que se contorcia no manto branco para se manter aquecido.

–Devia ter pego o uniforme com isolamento... – murmura para ninguém mais.

–Eu falei pra você pegar! – diz Kevin – eu estou com ele agora.

–Sortudo! – reclama – eu pensei que iria atrapalhar no salto.

–Até que atrapalha um pouco, mas é melhor do que virar um cubo de gelo.

–Sabe: Tô começando a concordar com você... – murmura.

–Gente; acho que achei alguma coisa.

A atenção de todos foi imediatamente voltada para Heloísa.

–O que é? – pergunta Luca rapidamente.

–Duas pessoas... – Heloísa parece dar mais zoom com a mira – as duas estão com um tipo de sobretudo ou capa preta...

–Hum... mais alguma coisa? – Kevin estava tanto nervoso quanto pensativo.

–Sim – diz ela – estão começando a atravessar a ponte... não peraí!

–O que foi?! – pergunta Felipe, se agarrando em si mesmo de frio.

–Os dois estão entrando POR BAIXO da ponte! Estão indo logo abaixo da rua, nas ferragens. E estão indo a algum lugar especifico, parece.

–Hum... – pensa Kevin, logo sorrindo para seus amigos – não seria muito “ruim” pra eles se xeretarmos?

–É verdade – Luca entrou na conversa – vamos consola-los então com um bom abraço e com uma lâmina no peito de cortesia...

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–Onde você disse mesmo que estavam?

–Da ultima vez que chequei, estavam logo abaixo da primeira torre da ponte.

–Consegue nos ver daqui?

–Sim, Kevin. E por enquanto nenhuma movimentação...

Heloísa até que gostou da ideia de ficar fora da ação principal. O plano de Felipe em que os três desciam e ela ficava de guarda em cima fora bem útil. E enquanto Heloísa vigiava-os alerta com sua sniper de uma das bases da torre, os três colegas seguiam por baixo dela.

E falando neles...

–Tá vendo algo? – Kevin sussurra para Luca, que seguia na dianteira.

–Não. Mas vejo uma luz fraca vindo dali – sussurrava de volta, apontando para o que seria uma pequena plataforma à frente.

O trio estava andando lentamente por uma larga barra de ferro, da largura de um pequeno corredor. Enquanto Luca tomava a dianteira, Kevin ficava no meio, olhando os lados, enquanto Felipe protegia a retaguarda atrás.

Até que chegaram a tal plataforma. Era realmente uma pequena plataforma, sustentada pelas barras avermelhadas de metal da ponte. “Deveria ser algum tipo de lugar para manutenção da ponte”, pensa Kevin. Afinal, manter aquela coisa enorme sempre bela como é não deve ser fácil.

Mas não foi isso que mais chamou a atenção.

No centro da plataforma havia uma coisa que deixou o trio espantado. No meio de um desenho de estrela feito no chão, havia um corpo semi nu, usando apenas uma bermuda branca, deitado, com sangue escorrendo do peito. Parecia ser do sexo masculino, pálido e também aparentava não ser muito mais velho que eles. Tudo iluminado por grosas velas brancas nas pontas da tal estrela.

O choque e a surpresa foram inevitáveis.

–O que raios é isso?! – diz Luca, mas contendo o volume da voz.

–Eu gostaria de saber – disse Felipe, se aproximando lentamente do corpo.

–Está vivo? – pergunta Kevin.

–Acho que sim. O peito dele ainda sobe e desse...

Foi aí que notou. O sangue que escorria do peito vinha de uma estranha marca ou ferimento. Tinha o exato formato da estrela desenhada no chão, que parecia ter oito pontas. E o sangue ainda estava quente e escorrendo como um fluxo continuo.

–O.K., o que está acontecendo aqui...? – diz Felipe, se afastando lentamente do corpo.

–Vocês não deveriam estar aqui...

Uma voz estranha irrompe o local, fazendo o trio pular de susto. Um homem encapuzado entrava lentamente na plataforma. Usava um longo sobretudo preto equipado com um capuz, que ocultavam quase todo o seu corpo, incluindo o rosto. No pescoço se via um longo colar de prata que seguia até o peito, onde se via a mesma estrela de oito pontas adornada de rubis e outras joias.

–Vocês não deveriam estar aqui... – repete. A voz era rouca, masculina e aparentava adulta.

O grupo continuava em silencio e estático, apenas observando o sinistro recém-chegado que também estava parado, ao lado do corpo.

–Saiam daqui, Assassinos. Vocês não fazem a mínima ideia no que estão se metendo.

Mas uma gota de suor frio escorre no rosto do trio. “Então, se ele sabe o que somos, a coisa fica mais difícil...” pensa Kevin.

Continuavam estáticos, ambos se encarando. Era uma situação tão tensa que até mesmo um dedinho em movimento do inimigo poderia começar uma batalha ou algo assim. E o que piorava a situação era que nenhum deles conhecia o inimigo, e este parecia conhecer o dele.

–Se vocês não vão sair, então... – murmura, mas alto o suficiente para eles ouvirem.

–Fiquem alertas – murmura Luca – não sabemos se ele vai fazer mesmo algo ou só ameaçar...

–Niger Ignis!

Só foi preciso ouvir a voz dele ressoar para que os adolescentes pulassem com a adrenalina nas veias. Mas ela foi superada pela surpresa, quando uma colossal bola de fogo negro surge do nada, em direção aos Assassinos.

–Ferrou! Pulem! – grita Felipe.

Foi mais instintivo do que pela voz de Felipe que os adolescentes saltaram o mais alto que suas pernas treinadas podiam lhes dar.


–Mas o que raios foi aquilo?! – diz Kevin.


–Não sei, mas perigoso é, e muito – diz Luca, enquanto ficava de joelhos na barra.

O trio estava se agarrando e tentando subir em uma grossa viga de metal avermelhada, logo acima da plataforma, que metade dela ainda continuava domada por aquela estranha e inapagável chama negra.

–Cadê o cara?! – pergunta Felipe, já aflito enquanto se equilibrava na viga.

Realmente a pergunta de Felipe aumenta cada vez mais o nível de susto e ansiedade do trio, já que o encapuzado não estava mais na plataforma.

Pelo menos não que eles consigam ver...

–O que esse cara é, afinal?! – diz Felipe, agachado na viga e esticando o pescoço para tentar procurar o inimigo.

–Tenho uma suspeita. Mas é melhor discutirmos isso depois... – diz Luca.

–Concordo. Mas eu... – tanto Kevin quanto os seus dois colegas foram imediatamente interrompidos, ambos pela mesma coisa.

Foi uma dor. Mas não era como se um ferimento tivesse sido aberto, era como se um ácido tivesse sido jogado sobre a pele deles e estava penetrando lentamente na veia.

E vinha do braço esquerdo, de todos os três.

–Aí! – reclamava Felipe, agarrando seu braço esquerdo – o que foi isso?!

–Será que aquele maldito jogou algo em nós?! – supôs Kevin, enquanto também gemia um pouco.

–Não sei. Acho que o fogo deve ter pego em nós.

Era a explicação mais plausível. E pensaram bem nisso enquanto a dor passava lentamente.

Após um minuto apenas observando as sinistras chamas se apagando aos poucos e o tal corpo, ainda repousado lá, respirando cada vez mais nervosamente e com força.

–Acho que devemos descer e checar lá embaixo...

–Mas ele pode ter preparado algo para nós! – diz Luca.

–Bem, eu concordo com o Kevin – diz Felipe, se preparando para descer – ficar aqui em cima não vai ajudar em nada.

–Tudo bem. Mas eu avisei...

Eles deram a volta por cima da plataforma antes de finalmente descer em um lugar apertado, mas longe do fogo, que ainda crepitava, logo ao lado do desenho e do corpo no chão.

–Depois que dermos um jeito nesse homem de preto – diz Kevin – é melhor chamar a Heloísa para dar uma olhada nesse outro aí no chão.

–É mesmo – refletia Felipe – esse cara parece que está...

Foi aí que aconteceu.

A primeira coisa que ouviram foram o som de passos. Com um impulso elétrico e instintivo, ambos se viraram para a origem do som.

Era ele, o cara do fogo negro. Ao contrário dos Assassinos, estava tranquilo, sem um único arranhão ou gota de suor na pele. Não dava para ver seu rosto, mas se pudessem com certeza diriam que ele estava calmo. Andava lentamente, em direção ao corpo no chão, que começou a se contorcer.

–Pelo visto o Mestre de vocês lhes ensinaram muita coisa. Mas não a ouvir – diz, com a mesma voz rouca – e já que foram tão malcriados...

O silencio da conversa foi irrompido por um som estranho. Primeiro parecia um gemido, depois foi para múrmuros e logo depois para gritos e convulsões.

E vinham do corpo no chão.

Rapidamente uma onda de susto tomou conta dos adolescentes. O corpo se contorcia no chão. Mas o mais estranho era que a tal estrela no peito brilhava.

–Como castigo para os matadores – diz o encapuzado – que venha um matador.

Assim que disse isso, o corpo se levantou em um salto tão rápido que fizeram os adolescentes pularem para trás, de susto e medo. Com a estrela ainda brilhando no peito, o corpo não era mais um corpo caído no chão, era um humano, um humano babando e com os olhos brilhando em vermelho.

Ou, talvez, aquilo não seja humano...

–Johan – murmura o encapuzado – acabe com esses Brancos.

Ao dizer a última palavra com um certo nojo e repugnância, os Assassinos ficaram confusos e assustados ao mesmo tempo, e o tal Johan encara o trio com um olhar mortal.

–Morte...

A voz rouca tinha algo mortal nela. Era uma voz assassina. Foi aí que perceberam que não estavam mais no controle da situação, tinham que levar isso a outro patamar.

E foi bem nessa hora que ele atacou.

Correu em uma tal velocidade que em pouquíssimos segundos já estava quase em cima de Felipe, que toma mais um susto.

–Cuidado! – grita Luca.

Johan tenta atingi-lo com um soco. Felipe rapidamente faz uma barreira com seus braços no peito. Mas mesmo impedindo lesões maiores, o soco foi tão forte que o empurra para a borda da plataforma.

–Você vai ver então! – diz Felipe.

Felipe tenta dar um chute no rosto de Johan. Mas, com uma velocidade incrível, Johan a para a pouco centímetros da cabeça com a mão direita, imobilizando Felipe.

–Lerdo – murmura, enquanto preparava o soco.

Mas o estranho que não foi exatamente um “soco”. Ao empurrar a mão para trás, uma estranha aura branca se acumula em seu punho esquerdo, quase formando uma esfera branca. Ao joga-la para o peito de Felipe, diz:

–Punch Mortis!

Ao socar o peito de Felipe, foi como se um carro o tivesse atropelado, pois o impacto fora tão enorme que o joga ponte abaixo.

–FELIPE! – grita Kevin.

Mas nada podiam fazer. Só puderam ver Felipe caindo rapidamente em direção à água gelada do mar, fazendo um grande “Splash” ao se chocar.

–Até que enfim você falou algo... – diz o encapuzado.

Na verdade Kevin só precisou de uma palavra.

–Agora

No mesmo instante, um som alto ecoa pela ponte. Quase imediatamente, o tal Johan recua violentamente para perto do encapuzado, com o ombro esquerdo sangrando.

–Ah... então são quatro – murmura o encapuzado. Na sua voz tinha uma pequena mistura de surpresa e calma.

–Pare agora, ou terei que corrigir meu grave erro e apontar mais para cima da próxima vez – diz Kevin, olhando para a testa do tal Johan.

–Olha só quem resolveu crescer – diz o encapuzado.

E, como em um passe de mágica, uma sinistra névoa negra surge do nada, envolvendo lentamente o encapuzado e Johan.

–Isso ainda não acabou. Nos encontraremos um dia, Assassino...

Ao dizer isso, a névoa o cobre completamente. Logo depois que ela se dissipa, ele e Johan haviam sumido, juntamente com a tal marca no chão, as velas e o fogo negro.

Kevin e Luca relaxam os músculos.

–Bom trabalho, Heloísa – diz Kevin pelo rádio.

–Vejam! — Diz Luca, apontando para o mar abaixo.

A atenção do grupo foi imediatamente e totalmente levada para onde o dedo de Luca apontava. Quando finalmente viram o que era, todos respiraram com um alívio extremo.

Era Felipe. Cansado e ensopado, mas ainda estava vivo. Estava tentando se agarrar e subir em umas das bases da ponte, enquanto tossia água sem parar.

–Ufa... ele está bem – diz Kevin, se aliviando.

–Mas o que eram aqueles dois, afinal? – diz a voz de Heloísa no ouvido dos dois.

–Eu também gostaria de saber... – murmura Kevin.


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Ao longo de um pequeno calçadão às margens da Bacia de São Francisco, um elemento caminhava tranquilamente.


Não se podia dizer nem sua idade nem seu sexo, pois usava blusa e um capuz, mas podíamos observar que estava calmo, e parecia nas nuvens, ou pensando realmente em algo.

Até que ouviu um barulho estranho.

Era como uma explosão, e ecoou por toda a bacia. Rapidamente, seus olhos seguiram para a origem do som.

O elemento fixa seu olhar nas partes de baixo da ponte Golden Gate, onde vê com um pouco de dificuldade uma pequena bola de fogo se formar e sumir no local.

Mas o que o intrigou era que o fogo era negro.

–Será...?

Rapidamente toda sua atenção se levou para aquele ponto da ponte lustrosa. Nos primeiros minutos, mas nada viu, nem mais um som, nem mais uma luz, nem nada. Estava até disposto a ir embora. Afinal, tinha mais coisas a fazer, por que perderia seu tempo em algo que achou que era.

Mas mudou de ideia. Decidiu dar uma última olhada naquele ponto, e foi nessa hora que viu.

Viu alguma coisa caindo. De início só via um vulto, mas depois que focou mais no objeto, pode identificar três coisas:

–Era “alguém”, não “algo”

–Usava algum tipo de manto ou algo assim

–O manto era branco e vermelho

Assim que pensou nisso, o vulto desaparece de seu olhar.

–Não, não pode ser... – o elemento mal acreditava em si mesmo.

Rapidamente pegou um celular que carregava no bolso da blusa. Digitou o número e em poucos segundos começa a falar.

–É, sou eu. E você não vai acreditar no que eu achei hoje.

–... – a voz do outro lado da linha era incompreensível.

–Não, algo bem, bem melhor.

–...

–Não, não foi isso. Eu acho que vi um Branco – o elemento deu uma ênfase na última palavra.

–...! – a voz parecia surpresa e nervosa.

–Sim, tenho 80% de certeza.

–...

–É. Mas foi na Golden Gate.

–...

–Não, claro que não!

–...

–Mas se for verdade, acho que tiramos a sorte grande desta vez.

–...

–Claro, claro.

–...

–Não! Até parece que eu...

–...

–Tudo bem, vou contatá-lo assim que chegar lá.

Ao desligar o celular,o elemento procurou sair rápido dali. Afinal, se for mesmo isso, não podia perder um segundo.

Notas finais
Reviews?