Marcada pela Morte
4 Capítulo III. Monarquia, império absolutista
Notas iniciais
De repente, acordei de meu transe. Como assim ele achava que eu o estava seguindo?! É totalmente impossível...
— Claro que não. — Fiz um "puf" com os lábios.
Ele soltou meu braço, coçou a nuca e olhou para os sapatos e em seguida esboçou um sorriso sem graça. Era como eu imaginava, aquilo deveria ser totalmente proibido. E me peguei novamente sonhando acordada.
— Desculpe-me o mal entendido. — Ele parecia sem jeito.
— Sem problemas... — Tentei esboçar o sorriso mais amigável que podia.
Um silêncio desconfortável pareou entre nós, ficamos ali em silêncio por alguns segundo enquanto olhávamos um para o outro.
— Me chamo Clarie... — Quebrei o elo silencioso que nos rondava.
— Eric. — Ele sorriu novamente e eu senti meu estomago dar cambalhotas. — Então... Clarie, o te fez vir ao parque hoje?
— Fotos... — Ergui a câmera que estava em minha mão.
— E você é boa fotografa? — Ele parecia interessado.
— Eu realmente não sei. — Dei um sorriso irônico. — Mas é um bom hobbie... Sabe? Ajuda a relaxar.
— Sério? — Ele arregalou os olhos e eu ri. — Então, por favor, me empreste aqui um minutinho.
Eric tomou a máquina fotográfica de minha mão e segundos depois vi ele tirando fotos minhas.
— Ei! — Pus a mão no meio da lente da câmera.
— Com licença mas você está estragando meu momento. — Ele parecia concentrado.
Tirei a mão da lente e virei o rosto para o lago, eu não era muito do tipo que gostava de fotos.
— Você tem razão... — Ele dizia enquanto eu virava para o lado oposto da lente. — Isso relaxa mesmo... Espontânea!
Sorri e peguei a câmera de volta.
— E você Eric, o que te fez vir aqui hoje? — Perguntei enquanto via as fotos que ele havia tirado.
— Acho que a mesma coisa que você... — Seu semblante mudou completamente. — Precisando relaxar, sumir um pouco deste mundo... Se me permite, de onde conhecia Samanta?
— O que?! — Arregalei meus olhos como nunca antes.
As fofocas deveriam correr rápido mesmo nesta cidade.
— Desculpe-me, mas é que eu lhe vi ontem no enterro de Samanta Parker, ex estudante da Bilt Academy... — Processei a informação enquanto ele explicava melhor. — Eram parentes?
Então era por isso que ele perguntou se eu o estava seguindo...
— Não, eu... — Engoli a saliva que foi rasgando por minha garganta seca. — É meio complicado, você não vai querer perder seu precioso tempo.
— Perfeito. — Ele sorriu e sentou-se em um dos bancos do parque. — Hoje tenho o dia todo livre.
Revirei os olhos enquanto ele dava leves batidinhas no espaço do banco que faltava, convidando-me a sentar. Não sei o que deu em mim, mas apenas bati o pé e quando vi já estava lá ao lado de Eric, um cara que eu mal conhecia.
— Tudo começou quando eu e meu amigo fomos a...
— Pera, pera, pera... — Ele foi falando por cima de mim. — Eu pedi para você me dizer da onde a conhecia, não começar a contar um livro.
Semicerrei os olhos e o olhei novamente de cara fechada.
— Perdoe-me. — Ele fez reverencia. — Prossiga.
Segurei o riso e continuei.
— Como eu estava dizendo... Eu e meu amigo fomos a uma cafeteria, e quando estávamos voltando eu fui jogar meu copo de café usado no lixo, então encontrei a Samanta...
Meus olhos estavam fixados em um único ponto, eu me via revivendo aquela cena novamente numa especie de flash-back, o frio da noite me percorria novamente eu podia ouvir meu grito de agonia, e por fim... Via ela.
— Clarie... — Me vi voltando para o momento atual, numa especie de linha do tempo, enquanto Eric me chamava. — Clarie, você está bem?
— Sim, sim estou. — Menti.
— Você parou de responder por alguns segundos, está pálida... — Ele parecia estudar bem minha fisionomia. — Precisa de alguma coisa?
— Não, obrigada. E você, de onde conhece ela? — Desconversei.
— Ela era uma amiga, digamos que próxima. — Ele abaixou o olhar.
UMA SEMANA DEPOIS
A semana passou lentamente, a companhia de Josh se tornava cada vez mais constante, a piscina foi interditada devido ao frio que começava a aumentar por toda Manhattan. Todos as tardes, Josh vinha até minha casa, Gena não estava, e sua companhia era sempre bem-vida.
Josh sempre me contava sobre os alunos da Bilt, sobre as panelinhas e a monarquia que era o ensino médio da Academia, não demorou muito para que eu me situasse de que os privilégios eram concebidos aos jogadores de basquete e as lideres de torcida, sinceramente eu nunca me vi como líder de torcida, mas dança é infelizmente um dos meus fortes.
Josh fazia parte da turma dos jogadores de futebol, ele era atacante dos Belgigans, nome dado ao time oficial de futebol da Bilt. Ele também falou um pouco sobre seus amigos Mark, Emma, Charlie e Sandra. Mark, era o galã, médias baixas e jogador do time de futebol assim como Josh, típico de um garoto que só pensa em folia; Emma era bailarina; Charlie fazia parte do time de futebol também, mas parece que não era uma das estrelinhas do time, apesar de sua aparência não deixar rastros disso, ele era um gênio, apaixonado por física; Sandra era atriz, e sempre os tirava de roubadas quando o assunto era fazer uma cena.
Eu nem pude acreditar que hoje, era meu primeiro dia na Bilt Academy, fui de carona com Josh, já que Gen não podia me levar devido ao trabalho, seu pai nos levou num impala 2012 branco, para a escola. Confesso que o transito de Manhattan não é dos melhores e isso me deixava mais nervosa ainda. Josh parecia normal, estava com a cabeça encostada no vidro e a atenção voltada para os fones enfurnados em seus ouvidos. Minhas mãos coladas entre os joelhos eram um sinal de puro nervosismo, quem me conhecesse bem, aquilo certamente me denunciaria, mas graças a Deus ninguém percebeu como eu estava.
O pai de Josh nos deixou em frente a escola, ela era perfeita, parecia um daqueles edifícios antigos, tinha um portão de grandes pretas enormes na frente e logo depois uma escadaria. Em estantes, vi uma multidão de adolescentes espalhados vestindo a mesma roupa: Os meninos com blusa social num tom pastel, grava azul marinho e paletó preto opcional, todos de calça social cinza e sapatos sociais marrom ou preto. As meninas com camisa social no mesmo tom pastel, saia azul marinho exatamente a quatro dedos do joelho, meias longas e sapatos fechados na frente de variados modelos, seguidos de grava borboleta azul marinho com as pontas caídas, o que me fazia lembrar um laço.
Eu não estava das melhores, mas acho que estava claramente apresentável, vesti um blazer da mesma cor do paletó masculino, as mangas de minha camisa social e do blazer estavam claramente arregaçadas, optei por não vestir as meias brancas impostas pela escola, vesti uma meia calça cor da pele, para não deixar minhas pernas nuas ao frio de outono, e coloquei uma sapatilha; minha blusa estava desabotoada em cima e meus cabelos soltos, minha bolsa transversal posta só de um ombro, e uma echarpe de mesclagem vermelha estampava meu busto.
Josh estava com sapatos sociais marrons, com uma calça cinza como todos os outros, não estava com gravata e segurava o paletó por detrás do ombro direito, sua camisa social, como a minha estava parcialmente desabotoada, mas as mangas em perfeito estado.
Ninguém parecia notar nossa existência, mas quando ele passou seu braço por meus ombros, todos os olhares pareciam ser atraídos para nós dois como alguma espécie de força magnética. Automaticamente devo ter corado, porque o mesmo deu um sorrisinho de canto de boca ao olhar para mim.
Fomos até a secretária e eu pude perceber que lá as turmas de cada ano eram divididas por rendimento escolar. Só os melhores ficavam na A, os medianos na B, e os 'péssimos' na C. Estava cursando o segundo ano e Josh, Charlie, Emma e Mark cursavam o terceiro. Josh estava no terceiro B, Emma no terceiro AB, Mark no C e Charlie no A. Também haviam algumas turmas como AB e BC, para alunos que ficavam em cima do muro quanto as médias. Bem, eu fiquei no segundo B, que por coincidência, era a turma de Sandra, a garota que finalizava o quinteto de amigos.
Haviam também atividade extracurriculares que ajudavam na média, os temas dessas atividades eram divididos em grupos, grupo de teatro, grupo de química, grupo de artes etc. Lá os esportes também eram considerados atividades extracurriculares, só as "seleções oficiais" eram as privilégiadas, e ficavam a parte. Logo que vi as atividades de fotografia e natação, coloquei meu nome na lista, eu não esperava nem um pouco entrar para o grupo oficial de nadadores da Bilt agora que ainda era caloura, pensei em começar com o mais básico e optei não me escrever para o teste das seleções.
Josh já fazia parte do time de futebol oficial da escola, então escreveu-se no grupo de musica e logo largou a caneta e me esperou preencher a fixa de inscrição.
Assim que terminamos de nos escrever, fomos em direção ao pátio da escola, ele era grande e ao ar livre, era coberto por uma grama verdinha e repleto de mesas e bancos onde os alunos se juntavam em seus grupinhos.
Josh passou novamente o braço por meus ombros, ele tinha uma mania irritante de fazer isso meio que todo o tempo, mas nessa ultima semana eu acho que havia me acostumado pois nem liguei se ele estava com a droga do braço lá ou não.
— E aí Josh, pegando a caloura? Esperto em garotão! — Dois caras fortões estavam numa folia enquanto falavam com Josh.
Um era menor, mas tinha músculos bem visíveis, tinha pele bronzeada e cabelos cortados, seus olhos eram escuros e opacos. Não prestei tanta atenção no outro, estudava todo o local, aquela escola era realmente maravilhosa.
— Ah engraçadinhos! — Josh revirou os olhos para os dois. — Clarie estes são Tyler e Emmet, trabalhadores da zaga dos Belgigans.
Emmet... Esse nome não me era estranho...
— Olá senhorita. — O mais baixo me cumprimentou formalmente com um beijo nas costas de minha mão. — Me chamo Tyler Philips, muito prazer.
Acenei para ele e o mesmo continuou:
— E aí, como é a pegada do nosso garanhão aqui? — Ele falou enquanto bagunçava o cabelo de Josh.
— Não estamos ficando. — Falei em meio a um riso irônico.
Tyler arregalou os olhos e olhou para Josh com uma cara indecifrável, eu não consegui entender nada, deveria ser coisa dos dois.
— Agora é minha vez de me apresentar — O rapaz maior falou. -, mas acho que já nos conhecemos...
Ergui a cabeça para poder observar seu rosto, e logo me veio a mente o rapaz do avião, irmão de Emily, estudei sua fisionomia e todos os traços condiziam com o mesmo, o cabelo lambido era realmente sua marca registrada.
— Emmet Droke... — Sussurrei seu nome.
Emmet esboçou um sorriso de satisfação , mas sua fisionomia parecia ansiadora e ao mesmo tempo desesperada, olhei em seus olhos, eram dois globos resolutos de um castanho mel muito claro, o contato visual com seus olhos me causou imediatamente uma reação inesperada, um frio na barriga percorreu-me desde a espinha, aquilo havia sido muito estranho.
— Eu e Clarie nos conhecemos a algumas semanas — Sua expressão devoradora mudava para angelical enquanto explicava aos amigos. — No avião, Clarie sentou ao lado de minha irmã.
Outro clarão passou por minha mente e eu não pude me conter em perguntar sobre sua irmã.
— Emily também estuda aqui? — Chamei sua atenção.
— Não, não. — Um sorriso maroto estampava-se em seus lábios enquanto o mesmo falava. — Emily estuda na Constance.
Para falar a verdade eu 'super sei' onde é essa tal escola Constance, mas apenas dei um sorrisinho e assenti com a cabeça.
Josh despediu-se dos garotos e fomos ao encontro de um grupo de pessoas que estavam sentados mais para o fundo do pátio.
— E aí panacas, sentiram minha falta? — Josh dava um tapão na cabeça de dois caras que estavam sentado de costa para nós. — Meninas... — Ele sorriu e beijou o rosto das outras duas meninas que estava sentadas de frente para os meninos.
Deduzir que as duas meninas pudessem ser Emma e Sandra, a mais magra, com certeza, era Emma, tinha cabelos dourados em cachos modulados caindo feito cascatas sobre seus ombros até chegar um pouco depois do busto, seu corpo, assim como o cabelo, era completamente moldado, ela parecia uma princesa de tão bem feita, deveria fazer muito sucesso com os garotos da Academia. A outra, deveria ser Sandra, tinha cabelos e olhos castanhos, seu corpo era mais cheio do que o de Emma, sardas ilustravam seu rosto, parecia uma boneca de tão fofinha.
O dois meninos, sem sombra de duvidas eram Mark e Charlie, deduzi que pelas as notas, Mark deveria ser o cara de cabelos negros com jeitão moleque e sorriso brincalhão no rosto, Charlie só poderia ser então, o mais quieto de cabelos cor de mel, detalhadamente penteados, usava uma gravata de nó frouxo e suas abotoadoras estavam largadas e desabotoadas. (Sim, eu sou bastante observadora.)
— Pessoal, — Josh dizia. — quero que conheçam Clarie Santiago.
— Nova 'peguete' Cooper? — Emma chamava-o pelo sobrenome.
— Clarie, essa é a Emma, e não Emy, ela acabou de chegar na cidade e mora no mesmo prédio que eu. — Josh explicou para a loira.
— Você morava aonde Clarie? — Sandra perguntou-me.
— Eu morava fora do país, no Brasil. — Respondi.
— Desculpe, me chamo Sandra. — Ela soltava um sorriso amigável e sem jeito para mim.
— E o que você faz? — Emma interrompeu Sandra, parecia um tanto rude.
A garota de cabelos dourados e olhos cor de jade me olhava com um ar de poucos amigos, parecia estudar-me da cabeça aos pés, logo cruzou os braços e se encostou na árvore detrás da mesma.
— Como? — Tentei ser o mais delicada possível.
Eu não poderia começar meu primeiro dia arranjando inimizades, mas aquela garota parecia não me suportar desde o momento em que me viu.
Emma revirou os olhos e com a expressão sarcástica e ar desaprovante falou com total indiferença:
— Todos aqui na Bilt fazem alguma coisa, lindinha. — Seus olhos me fuzilavam e seu timbre de voz tinha vestígios quase impercebíveis de desprezo.
Ao ouvir e ver seus lábios carnudos e banhados num tom rosa chiclete gesticulando a palavra "lindinha", minha paciência chegou ao seu limite total. "O desprezo compartilhado será totalmente reciproco, queridinha!", pensei quase que semicerrando meus olhos para a mesma. Naquele momento até sua voz aguda que poluía as ondas sonoras do recinto me enojava.
— Sou nadadora, e tenho um como hobbie a fotografia. — Esbanjei um sorriso sem mostrar os dentes, mostrando a total falta de minimas considerações que eu teria pela mesma.
— Ótimo. — Ela cuspia as palavras enquanto apertava mais ainda o cruzamento de seus braços.
— Ótimo mesmo Emy! — Mark dizia empolgado. — Se Josh não tem nada com ela, o caminho até essa belezinha fica todo livre para o papai aqui!
O garoto de cabelos negros e sorriso maroto se levantava diante de mim. Ele era alto e seu jeito moleque não deixava de ser perceptível. Ele fez uma breve reverência e estendeu a mão para que eu a pegasse, assim que pousei a palma de minha mão sobre a sua, o mesmo roçou seus lábios cuidadosamente sobre as costas de minha mão enquanto olhava fixamente com aqueles olhos cinzas para dentro dos meus olhos, ele olhava tão fundo que parecia estar estudando minha alma.
— Me chamo Mark. — Ele falava enquanto tirava delicadamente seus lábios de minha mão.
Assim que desviei o olhar do seu, o garoto pôs-se em frente a mim. Mark me olhou de cima a baixo, mas diferente de Emma, ele parecia me devorar com os olhos, e aquilo me fez corar imediatamente.
Percebendo minha falta de jeito, Charlie se pronunciou imediatamente:
— Não ligue para este brutamontes bestial, Clarie. — Mark revirou os olhos para Charlie. — Ele tem esse nível elevado de pura ignorância e testosterona, mas isso é natural dele mesmo, com um tempo você se acostuma. — Ele gargalhava pelos insultos 'intelectuais' feitos ao amigo. — Me chamo Charlie.
O sinal para o início da aula tocou e todos tivemos que nos desvencilhar da conversa. Eu, Josh e Sandra nos dirigimos até a ala de salas das turmas B, a escola era toda divida em alas, as tais chamadas alas, na verdade, eram andares que abrigavam as salas das classes por suas turmas -A, AB, B, BC e C.
Dobramos em alguns corredores, subimos em alguns lances de escada, aquela escola era realmente enorme, ainda mais por dentro do que por fora, seria difícil de eu me situar completamente dentro daquele 'castelo', mas não impossível. Assim que acabamos de subir por mais um lance de escada, vi uma placa de metal na parede que havia escrito "Ala B". Era um andar meio extenso, haviam várias salas, armários e uma supervisora carrancuda de postura séria encostada na parede no início do andar, os alunos ainda meio confusos tumultuavam o corredor, mas não foi tão difícil já que Sandra, parecia conhecer muito bem o caminho, nos despedimos de Josh e seguimos para a nossa sala.
As três primeiras aulas foram bem tranquilas, confesso que o ensino na Bilt é bem mais avançado do que qualquer outra escola pela qual eu tenha passado no Brasil, mas não é nada que me faça arrancar os cabelos, só dobrar um pouco meu esforço dentro da sala de aula.
O toque para o intervalo tocou e o barulho dos alunos saindo agitados pelo corredor soou, esperei até que Sandra saísse para irmos juntas procurarmos por nossos armários. Logo que saímos avistamos Josh que veio ao nosso encontro.
— E aí, gostando das aulas da Bilt? — Ele perguntou enquanto passava novamente seu braço por meu ombro.
— Até que não estão nada mal... Por enquanto. — Respondi, fazendo-o gargalhar.
— Vocês vão agora para o refeitório? — Ele perguntou dando um beijo no alto da cabeça de Sandra.
— Não, fiquei de ir com a Clarie procurar nossos armários. — Sandra explicou.
— Eu acompanho vocês. — Disse Josh.
Fomos até a parte dos armários, peguei o papel que a recepcionista havia me dado após eu ter feito minhas inscrições, lá continham todas as informações que eu precisaria durante minha primeira semana. Olhei o número do meu armário, infelizmente não era perto de nenhum dos meus 'colegas', guardei algumas coisas dentro do mesmo e organizei alguns livros que estavam em minhas mãos.
De repente, um vulto passou por meus olhos e derrubou meus livros no chão, risadas se espalharam pelo local e alguns garotos caçoavam. Bufei e revirei os olhos.
— Não esquenta Clar. — Josh, que estava ao meu lado, pegou meus livros do chão. — São só alguns idiotas jogadores de basquete do terceiro B caçoando dos calouros.
Agradeci a ajuda e olhei novamente para a turma de garotos. Estudei cada um deles de cima a baixo, mas então, sem nenhuma explicação, duas íris de cor igualada a imensidão azul do mar tomavam meu campo de visão, subi o olhar e dei de cara com cabelos negros e calculosamente bagunçados, desci e observei lábios finos, estampando dentes cor de gelo, aquele sorriso proibido invadiu minha mente, aquele sorriso hipnotizaria qualquer um...
Quando dei por mim, eu não poderia acreditar por quem eu estava suspirando, não poderia acreditar que era ele em meio a tantos meninos sem a menor sombra de conteúdo, não podia acreditar que ele era um dos monarcas da Bilt, nunca acreditaria que ele poderia agir de tal forma em meio aos plebeus recém chegados... Era ele sim, era Eric.
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