Marcada pela Morte

5 Capítulo IV. Veneno


Notas iniciais
Oi chuchus! Tudo bem com vocês? Então aqui está, como o prometido, quentinho e cheio de novidades mais um capítulo de Marcada Pela Morte. Hoje eu não tenho muito o que falar para vocês nessas notas iniciais, não quero que percam tempo enquanto poderia já está devorando todos os segredos, escândalos e novidades de Marcada Pela Morte. Boa leitura a todos.

Manhattan — NY; Midtown; Segunda-feira; 6:30 da manhã;

Acordei com o som estrondeante do despertador fuzilando meus ouvidos, abri os olhos espremidos e ainda pesados, tirei o edredom de cima do rosto e sentei-me sobre o colchão. Olhei-me no espelho enfrente a cama, fiz uma careta, meu estado era deplorável, eu não podia esperar nada menos, era a mesma coisa todas as manhãs.

Levantei-me e andei em direção ao banheiro, como de costume, fechei a porta mesmo a porta do quarto estando trancada — é uma mania tosca que eu tenho. Olhei novamente para o mostro no espelho do banheiro, era incrível como eu conseguia me desgastar tanto e acordar dessa forma todos os dias.

Lavei o rosto, escovei os dentes, e entrei no box. A água morna descia por meu corpo, a cada toque me fazendo estremecer, meu corpo se relaxava cada vez que a sensação da temperatura confortante o dominava.

Saí do banheiro, me sequei e em seguida vesti a farda da Bilt — claro que com uns toques meus, mas não deixava de ser a farda da Bilt. Olhei-me no espelho em frente a cama, analisando o resultado final, não estava muito diferente do que o de costume.

— Mais um dia... — Falei encarando fixamente meus olhos no espelho.

Peguei minha mochila, e fui até a cozinha, joguei-a na bancada e em seguida observei a mesma cena que me deparava todos os dias desde que minhas aulas começaram: Uma bandeja de café da manhã, com um cartão escrito "Bom Dia". Eu sabia que era a Gena que preparava aquilo tudo, acho que deveria ser mais uma forma de se redimir por nunca está presente em casa para me levar a escola.

A campainha soou, alguns segundos depois de eu dar a ultima garfada nas minhas panquecas carameladas. Com certeza era o Josh, todas as manhãs ele vinha até aqui para irmos de carona com o pai dele até a escola. Tomei meu suco de laranja em goladas rápidas e grandes, peguei minha mochila e fui até a porta.

— Bom dia, flor do dia! — Falei enquanto abria a porta.

Josh me olhava com a maior cara de maracujá amassado, seu humor era péssimo de manhã, ele odiava o fato de irmos para a escola todas as manhãs e não podermos descansar a tarde, já que todas as atividades na Bilt geralmente terminavam depois das 16:00.

— Como você consegue? — Ele me olhava com o mesmo olhar incrédulo e enojado de todas as manhãs.

Sorri e fechei a porta atrás de mim.

Manhattan — NY; Impala 2012 braco; Segunda-feira; 7:48 da manhã.

O trajeto que fazíamos até a escola era o mesmo: transito caótico, todos em silêncio, o pai de Josh frustrado com o horário e o atraso dos carros, Josh com seu péssimo humor matinal acompanhado por seus fones pretos enfurnados em seus ouvidos, e, não menos importante, o cenário interno do impala 2012.

Eu já estava me acostumando com a vida matinal em Manhattan, minhas mãos já não estavam mais depositadas entre os joelhos e eu já relaxava mais no banco detrás do carro do Sr. Cooper.

Manhattan — NY; Bilt Academy; Segunda-feira, 8:15 da manhã;

Finalmente chegamos a Academia, desci do carro e segui minha rotina de todos os dias, subi pela escadaria e fui seguindo até a ala B. A Bilt era enorme, eu tenho que admitir, mas eu já conseguia me locomover bem melhor lá dentro, o caminho parecia automático dentro da minha cabeça.

Fui até meu armário e organizei algumas coisas dentro dele, como roupa do grupo de natação, material do grupo de fotografia, eu teria aulas extras hoje. De repente, um vulto azul escuro passou por meus olhos e a porta do meu armário havia fechado causando um estalo alto e estridente por todo o corredor, risadas se espalharam em estantes pelo local.

Revirei os olhos e bufei, eu já sabia exatamente quem eram. Acho que os 'reis absolutistas' deveriam ter mais criatividade, todos os dias, nas mesmas horas, as mesmas brincadeiras, acho que eles não deviam ser tão cabeças ocas para não se cansarem disso.

Olhei de canto de olho, e como sempre ele estava lá, rindo e curtindo da cara dos inferiores na pirâmide, pelas aulas de história, acho que pelo ao menos o clero deveria ser mais inteligente. Mas na Bilt a história era totalmente inversa, o primeiro e o segundo estado formado pela nobreza e os mais privilégiados eram na verdade os de máxima ignorância e sem sombra de classe ou pelo ao menos de etiqueta, enquanto o terceiro estado formado pelos burgueses trabalhadores e camponeses, são os que realmente têm algo na cabeça, mas quem liga para cérebro ou decência? Aqui as pessoas só ligam para músculos, cabelos brilhantes, uniformes fofinhos e curtos de torcida, além de brutamontes correndo atrás de uma bola.

Não que eu esteja criticando Josh e os garotos, mas esses jogadores de basquete já passaram do seu limite a muito tempo, mas ninguém enxerga isso, todos preferem a desigualdade monarca enquanto poucos reinam sobre os pobres estudantes convertidos da Bilt.

As aulas passaram tão lentamente naquela manhã que eu pensei que o natal chegaria e nós ainda estaríamos em sala. O sinal tocou para o almoço, acho que meu suspiro de glória foi um tanto exagerado, considerando a cara que Sandra fez para mim. Peguei meus livros e eu e Sandra fomos em direção aos armários.

Sandra era uma garota legal, sua aparência fofa escondia seu jeito extrovertido de ser, sempre riamos ao lado dela, diferente de Emma, Sandra era doce e acolhedora, era uma ótima amiga, nem acredito como as duas podem ser melhores amigas, mas quem sou eu para falar delas...

As rizadas e a gritaria dominaram o corredor, olhei para Sandra e fiz uma careta em sinal de nojo e a mesma riu concordando. Os alunos se amontoavam ao redor do grupinho de patifes jogadores de basquete, todos comentavam e cochichavam pelos cantos e tudo era a maior festa. Era normal os brutescos estúpidos agitarem o corredor mas hoje estava fora do sério.

— Qual será dos riquenhos que está distribuindo dinheiro a plebe? — Disse irônica, me referindo a agitação em volta dos monarcas.

— Acho que é só o efeito Festas do Seth e companhia tentando os pobres da plebe. — Sandra dizia com o mesmo tom de desdem e ironia que eu.

— Festa do Seth? — Falei cruzando os braços enquanto um sorriso irônico brotava no canto dos meus lábios.

Balancei a cabeça negativamente e segui meu caminho acompanhada por Sandra.

— Ei meninas! — Uma voz masculina invadia meus ouvidos em meio a toda a gritaria, enquanto sua mão repousava sobre meu ombro.

Girei meu corpo para trás e no mesmo estante gelei. Era ele... Era Eric! Mas, o que ele queria comigo? Como se já não bastasse todos os dias ele e sua turminha me atormentarem. Meu corpo enrijeceu-se enquanto ele abria a boca para falar.

— Clarie? — O som da sua voz era grave e lento, enquanto seus lábios gesticulavam meu nome. — O que você ta fazendo aqui?

— Estudando, talvez? — Recuperei minha postura.

Sim, eu tinha sido, objetiva, irônica e ignorante. Eu não devia nada aqueles idiotas monarcas e muito menos a Eric, que vem se mostrando cada vez mais igual a cada um deles. Minha mãe me deu educação, mas para usar com quem merecia, e aquele Eric não merecia nem o próprio prato que come.

Ele arqueou a sobrancelha enquanto franzia o cenho, sua boca estava entre aberta, ele parecia está procurando palavras. Procurando palavras para que? Ele estava perdendo totalmente seu tempo, aquele idiota não deveria dirigir uma unica palavra a mim, e eu ainda estava ali perdendo meu tempo.

— Com licença. — Falei entre os dentes e retomei meu caminho.

— Espera! — A ponta de seus dedos entraram em contato com o meu antebraço, fazendo com que minha pele se arrepiasse no mesmo estante.

Fiquei paralisada por alguns décimos de segundos, nunca havia sentido aquilo, era como se lava se chocasse contra água, ocasionando uma explosão de vapor. Eu não conseguia explicar aquilo. Afastei meu braço de seu toque, enquanto meu olhar percorria a extensão de seu braço ainda estendido, passando por seu abdômen, pescoço, queixo, boca, nariz, até finalmente meu olhos se fixarem aos seus criando uma linha de ligação imaginária entre nós. Novamente eu me via perdida naqueles olhos, podia ver as ondas do mar, exatamente da mesma cor que sua íris, quebrando violentamente em uma enseada de pedras pontudas.

— Então... — Ele falou quase que num sussurro, desviando os olhos do meu. — Queria entregar isto aqui para vocês...

Aquilo havia sido bastante estranho, até para mim, abaixei a cabeça e olhei para o chão, torcendo para que ele não percebesse minhas bochechas coradas.

Eric entregou um folheto da festa do Seth a mim e a Sandra e então parou na nossa frente esperando que falássemos algo.

Dei um sorriso forçado, dei de ombros e segui até meu armário. Joguei meus livros rapidamente lá dentro, evitando qualquer mínimo contato onde Eric pudesse puxar assunto comigo. Dei passadas largas até a escada que dava para a saída da ala B, amassei o folheto enquanto minha cara se fechava mais a cada segundo, joguei na lata de lixo ao lado da escada com toda a ignorância e raiva que eu tinha naquele momento. Dei de ombros e desci as escadas.

Manhattan — NY; Refeitório da Bilt Academy; Segunda-feira, 11:46.

Peguei meu almoço e segui em direção a mesa em que a galera sempre sentava, como sempre Emma me fuzilava com uma recepção nada calorosa, eu já havia me acostumado com sua antipatia, era assim todos os dias durante o almoço e todas as vezes que ela esbarrava comigo pelos corredores.

Sentei entre Josh e Mark sem dirigir minimas palavras a ninguém. Eu estava frustrada, com ódio e raiva, como aquele imbecil poderia nem ter notado quem era eu durante todo esse tempo. Isso só me fez odiá-lo ainda mais. Além de me odiar por enrijecer a sua presença. Eu sou uma idiota, ele é um ignorante, eu o odeio, odeio aqueles olhos imundos, odeio tudo nele, até o ultimo fio de cabelo, eu o odeio.

Dava garfadas violentas em meu bolo de carne, minha cara não devia estar nenhum pouco amigável, aquele com certeza não era o meu dia.

— Vocês souberam? — Josh falava empolgado. — O idiota do Seth vai dar mais uma festa.

Revirei os olhos e continuei encarando meu almoço.

— Que babaca quer ir a uma festa do Seth? — Falei pela primeira vez desde que tinha chegado ali e todos me encararam.

— Como assim que babaca quer ir a uma festa do Seth?! — Josh arregalou os olhos e me olhou como se fosse obvio.

— O que foi? — O encarei com indiferença.

— Clarie, Clarie... Minha querida Clarie. — Mark passava seus braços em volta do meu pescoço. — O cara pode ser o mais babaca que ele for, mas ir a uma festa do Seth é o rito de passagem que todo estudante da Bilt precisa passar.

— Você deveria saber Clar, já que Eric Jepshey está caidinho por você... — Sandra dava um sorriso atrevido enquanto apoiava suas mãos no queixo.

— Ele não está caidinho por mim. — Mostrei a língua para ela.

— Como assim o idiota do Jepshey está dando em cima da minha garota?! — Mark bufou enquanto apertava seus braços ainda mais sobre meus ombros.

— Ele não deu em cima de mim. — Bufei impaciente. — E eu não sou sua garota. — Tirei os braços dele de mim.

Olhei para Josh e ele estava com uma expressão fechada, não parecia o mesmo Josh de alguns minutos atrás. Estava concentrado em seu almoço, ele estava calado, todo esquisitão. Resolvi não incomoda-lo agora, às vezes é bom nos perdemos em nossos próprios pensamentos.

— Da onde vocês se conhecem? — Sandra estava bastante interessada.

— O que deu em vocês hoje, hein? — Disse frustrada. — Que saco!

— Ah vai Clar, — Ela revirava os olhos como se fosse algo obvio. — vai me dizer que o cara não é um gato?

— Nos conhecemos no Central Park. — Eu tinha esperanças que eles calassem a boca depois disso.

— Quer dizer que a nossa pequena Clarie, já anda muito bem enturmada não é mesmo? — Emma sorria sem mostrar os dentes. O que aquela garota tinha de sínica tinha de diabólica. — Se é que vocês me entendem...

— Com licença. — Josh bateu as mãos na mesa enquanto se levantava.

Ele saiu dali em segundos, todos ficamos estáticos com a sua reação. Ele parecia desordenado e nervoso, ninguém entendeu o porque de tudo aquilo, nos entre olhamos como se estivéssemos perguntando a nós mesmos o que fizemos de errado.

— Eu vou falar com ele. — Charlie se desfez também do grupo.

Olhei para Sandra e ela me olhava com o mesmo olhar confuso que eu estava, mas então, percebi que a cobra havia dado o seu bote... Emma estava de cabeça baixa comendo sua salada em silêncio enquanto um sorriso satisfatório brotava no canto de sua boca. Semicerrei meu olhos enquanto estudava cada detalhe de sua expressão, aquela ali havia aprontado alguma, eu só não sabia o que...

— VAMOS! — A treinadora apitava, enquanto sua voz e o som do apito viravam eco na piscina coberta do ginásio poliesportivo da Bilt.

Em segundos me joguei na piscina dando um mergulho rasante. Logo meu corpo se chocou contra a água e o impacto fez com que meus ouvidos se estalassem conforme meu corpo ia se aprofundando na piscina.

Aquele sim era o meu lugar, eu me sentia em casa, tão relaxada, longe de tudo. Eu só conseguia pensar na sensação da água cobrindo todo o meu corpo, em meus braços se movimentando e cortando a correnteza, meus pensamentos e o pesar de minha consciência logo iam embora junto com as ondas formadas por meus braços e pernas. Eu estava concentrada e relaxada, era uma espécie de habitat natural, entrava na água como uma agulha, rápida e veloz, num nado competitivo e violento. Ali eu já não era vista como Clarie Santiago, a meiga e frágil garota novata, ali era o meu lugar, onde eu mostrava que não sou tão delicada quanto os outros julgam, sob as águas, eu era a Clarie obcecada pela adrenalina de brincar com a água funda sem me afogar, adrenalina de prender a respiração sem desmaiar.

O treino foi ótimo, eu adorava o grupo de natação, sempre esfriava a cabeça e relaxava um pouco das frustrações diárias.

— Santiago! — A treinadora me chamava enquanto eu permanecia na beira da piscina secando meus cabelos.

— Sim? — Fui ao seu encontro com a toalha sobre os ombros.

— Clarie, você mais do que eu deve saber que o seu lugar não é aqui... — Ela parecia bem séria e firme no que falava.

— Como? — Eu não estava entendendo.

— Clarie, sem modéstia, você sabe que o seu lugar não é aqui no grupo de natação, você sabe do potencial que tem. Os testes para o time de natação da Academia fecham amanhã, eu quero você na minha equipe mocinha. — Ela apontava para mim.

Um sorriso de orelha a orelha estampava meu rosto, eu sabia que era boa, mas a treinadora vir me recomendar para ir fazer os testes para o time de natação OFICIAL da Bilt, só podia ser brincadeira. Eu mal acreditava.

Eu era a ultima no vestiário, estava mega feliz por ser recomendada aos testes, eu vestia minha calça jeans quando um barulho estrondeante de porta de armário batendo invadiu o local. Olhei em volta e tudo parecia normal, os armários todos iguais, o vestiário permanecia completamente vazio. "Deve ter sido o vento", pensei. Então o chuveiro da ultima cabine ligou, olhei para lá e não havia ninguém. Continuei a amarrar o cadarço de meu tênis quando em um piscar de olhos a toalha que eu me enxugava foi puxada. Virei para trás num impulso e aquele sorriso sínico terrivelmente esbranquiçado tomou meu campo de visão.

— Emma... — Minha voz repassava todo o nojo e desprezo no qual eu sentia em cuspir aquele nome para fora.

— Oi querida! — Ela sorria enquanto aqueles olhos verdes jade permaneciam impenetráveis em mim. — Como vai?

— Não precisa fingir aqui sua sínica. — Falei entre os dentes.

— Amada! — Emma fazia uma cara de inocente enquanto levava a mão até a boca.

Cruzei os braços e me imaginei decapitando-a ali mesmo.

Então a dissimulada soltou uma gargalhada demente.

— Enfim mostrando as garras não é, pequena Clarie? — Sua voz era de dó enfatizando "pequena Clarie".

— Soltando o veneno, naja? — Falei irônica. — Desculpa, mas já sou vacinada.

— Não me faça de boba garota! — Ela vinha para cima de mim.

— O que é que você ta pensando hein, vigarista? — Segurei seus punhos antes que seus dedos pudessem se atracar em meus cabelos.

— Tava demorando né? — Ela disse enquanto dava um tranco em seus braços para se soltar. — Sempre se fazendo de inocente, mas a mim você não engana!

— Me poupe, Emma. — Ri da postura dela. — Volta pro teu cabeleireiro que esse teu loiro oxigenado ta desbotando.

— Não vou perder mais meu tempo... — Ela me jogou contra os armários prendendo meus braços. — Eu só vim dar meu recado...

— Você é louca! — Dei uma joelhada em sua barriga, fazendo-a me soltar

— Você não sabe com quem está se metendo sua novatazinha de meia tigela! — Ela falava com as mãos contra a barriga.

A loira ergueu a cabeça e cada vez mais ia se aproximando de mim, ergui a cabeça e ajeitei as costas mostrando que ela não me intimidava, a mesma riu e colocou a mão em meu ombro.

— Fica longe do Josh. — Emma mostrava um sorriso forçado na intenção de mascarar seu tom ameaçador.

Peguei seu punho arrancando sua mão de meu ombro, e a jogando longe de mim.

— Escuta o que eu to te falando, magrela. — Ela dizia enquanto se recompunha. — Não se mete com que é meu.

Ela passou a mão para concertar uma mecha fora do lugar, deu de ombros e saiu batendo o salto no chão.

Estava passando pelos corredores vazios da Bilt em direção a saída da escola, já eram 16:30 da tarde e os alunos já haviam ido todos para casa — os que não estavam no ginásio claro. Estava bastante dispersa, pensava em como Emma havia se mostrado a pouco tempo no vestiário feminino do ginásio, eu sempre soube que aquela ali não era flor que se cheire, mas não imaginava tal insanidade. "Fica longe do Josh", suas palavras vinham a minha cabeça e eu não conseguia associar elas a ocasião, muito menos as pessoas. Mas por que eu ficaria longe do Josh? Afinal, não temos nada além de amizade... E aquele comportamento dele hoje... Estava tudo muito estranho. Bem, eu não haveria de me meter nos assuntos pessoais das pessoas, mas eles que me envolveram nisso, certo?

Dei um sorriso mal intencionado enquanto aqueles pensamentos rondavam minha cabeça. Eu finalmente teria algo para me divertir. Aqueles dois estão escondendo alguma coisa, não só de mim, mas de todos, e eu irei descobrir.

Estava tão concentrada em meus pensamentos que nem percebi quando sem querer esbarrei em Eric no cruzamento dos corredores. Fechei a cara imediatamente, não o olhei diretamente, apenas bufei e desviei meu caminho do dele.

— Ei! — Ele chamou minha atenção.

— O que você quer? — Virei para ele enquanto cruzava os braços.

— Oi para você também, Clarie. — Ele sorriu irônico e eu estava ficando quase sem paciência.

— Fala logo, eu não tenho o dia todo. — Falei impaciente.

— Sim Clarie, eu vou muito bem. E você? — Filho da mãe, se divertia com o meu pouco bom humor.

O fuzilei e o chamei dos piores nomes possíveis em minha mente, virei e segui meu caminho.

— Ei! — Ele me chamava novamente, mas eu simplesmente segui meu caminho. — Qual é Clarie. — Ele me puxou pelo braço.

— Me solta. — Disse num tom arrogante.

— Parece que alguém acordou de mal humor hoje... — Ele sorria enquanto me irritava.

Aquele sorriso era um paraíso, eu poderia passar o resto do dia ali o vendo sorrir. Por um momento me perdi em seus encantos, naveguei sobre as águas do seu mar. Mas em seguida, cai na real. "Foco Clarie, foco! Que merda você está fazendo?", eu martirizava a mim mesma.

Dei um tranco em meu braço e me soltei.

— Clarie... — Ele se colocava no meio do meu caminho. — O que ta acontecendo? Quando eu te conheci você era mais meiga.

— A vida não é um mar de rosas, não é mesmo. — Esbanjei um sorriso forçado.

— Por que você está me tratando assim? O que eu te fiz? — Ele disse na cara dura.

— Sai da minha frente! — Eu gritei, meu sangue estava pegando fogo.

Ele não saiu, logicamente deveria estar esperando uma resposta minha. O empurrei com toda a força e ódio que eu tinha naquele momento e saí dali com a cabeça a mil, graças a Deus que ele não veio atrás de mim dessa vez.

Manhattan — NY; Ala B; Terça-feira, 10:34 da manhã.

— Hey dude! — Falei enquanto me encostava no armário ao lado do de Josh.

— Oi Clar. — Ele falava com a cabeça praticamente enfiada lá dentro.

— Perdeu o lanche? — Tirei uma mordida cheia de minha maçã.

— Não Clar... — Josh fechou a porta do armário.

— Qual é Josh! — Cruzei os braços. — Vai mesmo me tratar assim?

— TPM Clarie? — Ele riu pelo nariz.

— Babaca... — Revirei os olhos. — Você sabe muito bem que ta com esse comportamento tenso desde ontem na hora do almoço.

— Clarie você ta viajando...

— Oi Josh! — Emma apareceu por detrás dele com aquela voz irritante e melosa.

A megera deu um beijo melado na bochecha de Josh e em seguida olhou para mim, seus olhos estava flamejando de puro ódio, ri da expressão dela. Aquela garota era insuportável, mas bem que eu me divertia nesse joguinho da patricinha.

— Te vejo depois, gatinho. — Ela jogou um beijo no ar para Josh e saiu se insinuando enquanto andava pelo corredor da ala B.

Josh revirou os olhos e levou as mãos até a cabeça, sua expressão era impaciente.

— O que a princesa de sapatilhas cor de rosa está fazendo na ala B? — Pensei alto.

— Deve ter ido falar com a Sandra. — Ele bateu a porta do armário com força e saiu me deixando com a maior cara de bunda no meio do corredor.

Me fiz de indiferente e voltei para meu armário, daqui a pouco o intervalo entre as aulas terminaria.

Pov. Josh; Manhattan — NY; Campo de futebol da Bilt; Terça-feira, 15:40 da tarde.

— Você ficou maluca? — Puxei Emma pelo braço até detrás das arquibancadas do campo.

— Ai Josh, você sabe que você me tratando assim eu fico excitada, bebê. — Ela falava ofegante perto de meu ouvido.

— Cala a boca, sou eu quem falo aqui! — Soltei seu braço.

— Josh eu estou no meio da minha aula de educação física, se eu perder mais alguma a treinadora me mata! Então seja qual for o seu drama, fala rápido. — Ela cruzava os braços de forma autoritária.

"Você acha que eu não percebi?", pensei comigo mesmo e sorri maleficamente enquanto devorava suas pernas naquele shortinho justo.

— Você não tinha o direito de fazer aquela palhaçada na frente da Clarie! — Falei irritado.

— Não se preocupa com ela, aquela lambisgoia já ta muito bem avisada. — Ela sorria satisfatoriamente.

— Não me diga que você foi atrás dela?! — Passei as mãos freneticamente por meus cabelos.

Eu sabia muito bem que a Emma era uma louca, e não sabia até onde ela chegaria, mas ela não pode detonar as coisas com Clarie.

— Ops! — Ela levou a mão até a boca enquanto se empinava toda.

— Vadia! — Falei entre os dentes.

Emma deu de ombros e estava quase saindo dali, mas eu a puxei novamente.

— Ai Josh... — Ela soltou um gemido enquanto mordia seu lábio inferior.

Aquela garota era uma putinha, e como eu sei disso... Em estantes, minha língua estava atravessando a boca dela sem pedir entrada nem nada, ferozmente experimentava novamente o que a loira fazia de melhor.

Notas finais
E aí o que acharam do babado? Gente, cada coisa! E esse rolo da Emma com o Josh? Eric e Clarie? Oh my god! Deixem seus comentários ou opiniões sobre a história e/ou o capítulo, sejam elas construtivas ou não. Obrigada por lerem até aqui. Não se esqueçam de visitar o blog (http://meussonhosaostreze.blogspot.com.br/) e ficarem ligados nas atualizações/novidades/spoillers sobre MPM (Marcada Pela Morte). Não deixem de visitar a Academia, esse ano alem da elite, os alunos estão bombando! Um beijão da Julie e até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.