Marcada

28 Capítulo 27


Capítulo 27

Isabella

Acordei com uma sensação de que havia dormido por semanas. Meu corpo estava levemente dolorido e gelado, um cheiro de hortelã estava fresco em todo o meu lençol. Sorri e me espreguicei, sem abrir os olhos. Não queria levantar no momento. O dia parecia estar bem frio e eu ainda tinha alguns dias, para não dizer muitos, de atestado médico indecente.

Com um pouco de relutância, eu agarrei o lençol fino com força e abri os olhos, acordando-me definitivamente. O quarto estava escuro, como se o tempo lá fora estivesse fechado, e eu sentia um pouco de frio.

Por incrível que pareça, eu olhei para baixo e reconheci o vampiro da noite anterior deitado sob mim. Minha mão segurava com força sua blusa de malha e eu agora conseguia entender o motivo de sentir um pouco de frio, mesmo estando debaixo dos cobertores.

Corri meus olhos pelo peito de Jasper e subi, chegando aos seus olhos cor carmim. Quando o fitei, ele me mostrou seu sorriso de lado, fazendo as covinhas aparecerem. O sorriso que eu tanto amava, as covinhas que eram tão lindas.

– Bom dia.

O hálito gelado e com aroma de hortelã bateu no meu rosto. Jasper pegou a minha mão com delicadeza, depositando com os lábios frios e carnudos um beijo leve nas costas. Eu vinquei a testa com o ato incomum. Depois de alguns minutos, a noite anterior tomou a minha mente.

Jasper entrando no meu quarto e fazendo a proposta para eu me tornar vampira. Tornar-me vampira para ele, por ele. Era muito irônico o meu destino, o que eu tanto queria há anos, agora se fazia presente novamente na minha vida, mas por meio de outro vampiro. Vampiro que agora corria os dedos levemente pelas minhas costas.

Tentei me concentrar nos últimos momentos que passei acordada com ele. Fazer sexo com Jasper sempre fora bom, e já estava se tornando parte da minha rotina. Mas não era esse fato que ocupava minha cabeça no momento. Ele me dissera que me amava, com todas as letras, olhando nos meus olhos. Fazer sexo com Jasper e depois ouvir uma declaração igual ele havia dito não era algo comum, e me deixava com uma sensação... estranha.

Senti meu rosto queimar no mesmo momento que me lembrei de tal fato. Eu espalmei minhas mãos no colchão e tentei sair da cama, mas fui impedida por mãos masculinas e fortes. Ele me olhou intensamente, sua testa estava levemente vincada.

– Por que está com vergonha?

Não respondi, apenas me remexi inquieta na cama, mas ainda estava presa pelas mãos de Jasper.

– Como sabe?

Ele revirou os olhos e me puxou para perto.

– Eu sou um empata, Isabella.

Surpreendi com minha falta de atenção. Meu cérebro parecia mais lento do que ficava normalmente pela manhã. Depois me dei conta de que não tinha ideia de que horas eram.

– Que horas são?

Jasper olhou para o teto e suspirou sem motivos, fazendo o peito subir e descer levemente.

– Três horas da tarde.

Tentei me levantar novamente, mas ele não deixou. Eu havia dormido muito e consequentemente perdido meu dia inteiro. Depois de desistir de lutar contra a força dele, corri meus olhos pelo vampiro e franzi o cenho.

– Como você está de blusa?

Jasper sorriu maliciosamente e seus dedos gelados voltaram a correr pelas minhas costas, arrepiando-me.

– Eu coloquei uma blusa enquanto você dormia... depois só voltei para meu lugar. Você estava dormindo igual uma pedra, mas ainda é leve.

Meu rosto voltou a queimar e eu pousei minha bochecha no peito dele, sentindo a pele fria mesmo por debaixo do tecido da blusa. Não havia batimentos cardíacos, mas eu já estava acostumada com esse fato. Ele se remexeu debaixo de mim, como se estivesse inquieto.

– Você continua com vergonha.

Não foi uma pergunta, e eu de repente amaldiçoava o dom de Jasper. Não sabia como ia dizer para ele o motivo de estar envergonhada, mas eu queria ser sincera com ele. Saí de cima dele e me sentei na cama. Ele correu os olhos pelos meus seios no mesmo minuto, mas logo depois me fitava diretamente.

[...]

Jasper

Isabella se ajeitou na cama, o rosto estava levemente corado e ela mordia os lábios, demonstrando seu nervosismo. Não precisava disso, eu podia sentir as ondas de ansiedade mesclando-se com as ondas de vergonha.

– Jasper... você me pegou desprevenida ontem à noite... eu realmente não esperava escutar de você o que eu escutei... tão decidido e claro...

A maldição de ser um vampiro era grande, mas ser um vampiro empata era pior do que ter sentidos aguçados. No mesmo momento que Isabella me disse o motivo da sua inquietação, eu pude ouvir seu coração se acelerar, a respiração falhar minimamente... a dúvida correu todo meu corpo. Meu dom estava me dizendo que Isabella não acreditava em mim.

[...]

Isabella

Jasper olhava para mim com intensidade, eu já estava ficando desconfortável com isso. Não sabia como o vampiro poderia ter interpretado minha frase, mas o modo como os olhos carmins me fitavam me diziam que ele não estava muito à vontade com tudo.

Engoli em seco e puxei o lençol para meu corpo, esperando uma reação por parte dele. Não sabia dizer se ele havia dito que me amava da boca para a fora. Mas eu sabia que infelizmente ele conseguia sentir minha dúvida.

E ele não teve uma boa reação com isso.

Os olhos de dele começaram a tomar uma cor mais escura. Eu sabia que aquilo não era um bom sinal. O corpo do vampiro de repente ficou inteiramente tenso, imóvel. Eu tentei me afastar, mas a mão dele envolveu meu braço com um pouco mais de força do que o normal, impedindo-me.

Não disse nada, apenas me olhou com intensidade. Seus olhos me passavam determinação, e ele travou o maxilar quando os fechou. De repente eu senti. Uma onda anormal de amor tomou todo o meu corpo, dando-me uma sensação que eu nunca havia experimentado, uma sensação diferente, uma mescla de carinho, satisfação, dever cumprido e liberdade. Tudo o que havia de gostoso em relação aos sentimentos humanos, eu conseguia sentir.

A sensação foi diminuindo, mas ainda permanecia no meu corpo, como se depois de ser sentida fosse impossível de esquecer. Ele abriu os olhos e eu me perdi na cor vermelha intensa, caindo na realidade novamente, e depois de raciocinar com mais clareza, percebi que o que eu estava sentindo, era o sentimento de Jasper. O amor de Jasper.

Fui tomada por uma sensação de surpresa. Meu corpo se assustou quando ele se aproximou de mim.

– Você sente?

Eu assenti com a cabeça com toda a certeza e clareza do mundo.

– Você sabe o que é isso?

O vampiro se levantou rapidamente da cama, passando as mãos pálidas pelos cabelos dourados, bagunçando-os um pouco. Voltou a se virar para mim.

– Esse é o tipo de amor mais puro que uma pessoa pode sentir...

Ele não me deixou responder a segunda pergunta. Eu sabia que aquilo que eu havia sentido era amor, eu só não tinha ideia de como era senti-lo. Jasper voltou a se sentar ao meu lado, mesmo parecendo mais aliviado, ele ainda estava sério ao me olhar.

– Isabella, eu preciso saber o que você sente por mim.

Não fora uma pergunta. Era uma ordem. E eu sabia que mesmo se eu não quisesse responder, Jasper usaria seu dom para arrancar essa resposta de mim. Respirei fundo e pensei como eu poderia atender o seu pedido. Eu não era boa com palavras, e depois de Edward, isso só piorou.

Não sabia se eu o amava, mas projetei para ele tudo o que eu sentia, tudo o que Jasper havia me proporcionado. Os momentos que havíamos passado juntos estavam gravados na minha mente quando eu tentei me abrir completamente, para o dom dele capturar qualquer sentimento bom que eu estava tentando mostrar.

Ele ficou imóvel, apenas me olhando com atenção. Eu relaxei, esperando uma reação por parte dele. Jasper apenas fechou os olhos, um sorriso de satisfação começou a nascer em seu rosto perfeito e eu apenas esperei. Ele balançou cabeça ligeiramente e se aproximou ainda mais, me tomando nos braços com uma força bastante anormal. Mas era uma sensação bem gostosa, ser abraçada assim.

Sua pele fria me relaxava, seu cheiro de hortelã me proporcionava calma. Eu afundei meu nariz na gola de sua blusa, inalando o aroma peculiar do vampiro. Ele tremeu ligeiramente e se afastou o suficiente para me olhar.

– Isabella?

Ele parecia apreensivo. Vinquei a testa e gesticulei com a cabeça, para ele continuar o que estava pretendendo falar.

– Eu preciso de você em forma de vampira, para que eu compartilhe tudo com você.

Momentos antes, essa frase faria meu corpo ter uma sensação totalmente diferente do que ele estava tendo agora. Momentos antes, eu acharia um absurdo e uma ideia totalmente sem nexo, me tornar vampira apenas por um luxo, para ser imortal.

Agora não.

Eu queria me tornar vampira. Eu queria ter meus anos de vida ilimitados para compartilhar com Jasper tudo o que gostaria de compartilhar com alguém, tudo o que eu planejara compartilhar com um homem quando me casasse. Eu só pretendia compartilhar tais coisas com um humano. Mas eu sabia que minha vida não era normal em nenhum aspecto, e não seria nesse também.

– Eu gostaria de me tornar vampira... por você.

Respondi com simplicidade. Jasper sorriu, voltando a se aproximar de mim. Os lábios carnudos encontraram os meus em um beijo mais calmo, um beijo cúmplice.

Mas o beijo tomou o rumo que sempre tomava quando eu sentia a língua dele dançar com a minha. Os toques foram se intensificando, a sua mão gelada deslizou pelas minhas costas, fazendo cada poro do meu corpo se arrepiar.

Ele contornou cada curva do meu corpo, sentiu cada célula presente, como se estivesse me tocando pela primeira vez. Um rosnado calmo e ao mesmo tempo estimulante saía de sua garganta sem que ele pudesse se conter, toda vez que eu respirava com um pouco mais de dificuldade.

Ele me deitou no colchão com lentidão, ficando por cima de mim, pressionando meu corpo com seu peso. Eu abri as pernas pare recebê-lo, esquecendo-me completamente do assunto que estávamos conversando. Eu tinha acabado de confirmar minha escolha, escolher meu futuro, meu parceiro. E a única coisa que eu queria era sentir Jasper dentro de mim.

E parecia que o vampiro não pretendia satisfazer minha vontade tão cedo.

Ele apenas pressionou seu membro duro de propósito, fazendo-me sentir cada centímetro através do leve tecido da sua boxer. Eu mordi os lábios, olhando-o com intensidade. Ele sorriu maliciosamente, antes de correr seu nariz gelado pelo meu pescoço. Os lábios carnudos beijaram com luxúria cada centímetro da minha pele, sugando com um cuidado adicional, sentindo o gosto que eu sabia que ele sentia. O gosto que apenas um vampiro poderia sentir.

Os lábios tomaram um caminho diferente, descendo pelo meu colo, sugando cada pedacinho do meu corpo. Jasper passou a língua com lentidão por meu mamilo esquerdo, fazendo-me gemer e fechar os olhos. O hálito gelado do vampiro bateu na minha pele quando esse deu uma risada maldosa.

Ele continuou a descer a boca pelo meu corpo e eu apenas esperei, na expectativa de obter o prazer que ele sempre me proporcionava.

E ele não me decepcionou.

[...]

Jasper

Passei a língua pelo sexo de Isabella, meu monstro rosnou de prazer no momento que senti seu gosto peculiar invadir todos os meus sentidos, o gosto da mulher que eu amava. Meus dedos ágeis começaram a massagear o local vagarosamente, para que Isabella sentisse cada toque.

Ela gemeu e tentou fechar as pernas por um reflexo, mas eu a impedi. Eu podia sentir a onda de prazer planar por todo o quarto da humana, e sinceramente, sabia que parte disso era culpa minha.

Intensifiquei os movimentos, ávido para que Isabella chegasse ao seu máximo. Eu já sentia sede apenas por captar o seu leve cheiro pelo cômodo por causa do rubor do seu rosto, e com ela gemendo e contorcendo-se diante de mim, isso não seria bom em longo prazo.

Não demorou muito e seu corpo travou, dando-me a certeza de que ela estava satisfeita. Os olhos achocolatados se abriram e ela levantou minimamente a cabeça para me fitar. Eu sorri maliciosamente para ela, lambendo-a pela última vez.

Isabella tombou o corpo, amolecendo pelo clímax. Eu engatinhei até ela, ficando por cima do seu corpo frágil.

– Você vai me deixar mal acostumada.

Eu apenas sorri, beijando seu colo novamente. A reação foi imediata.

– Eu posso ficar a eternidade deixando você mal acostumada.

Ela corou, mas um sorriso tímido nasceu eu seu rosto. Eu deitei-me sobre ela, tomando o cuidado de não jogar todo o meu peso para ela.

– Isabela... quando você quiser ser transformada, é só me pedir.

A humana ficou quieta de repente. Seu coração se acelerou um pouco. Eu não entendi sua reação. Os olhos achocolatados me fitaram intensamente e ela respirou fundo antes de abrir a boca.

– E se eu quiser ser transformada agora?

Notas finais
Não tenho palavras para agradecer os comentários nessa fanfic. Como todos sabem, eu ando postando aos poucos minhas fanfics no Nyah. Quando terminar Marcada, vou postar outra Jasper e Bella. Mas enquanto não acabo Marcada, hoje postei uma Demetri e Bella. Para quem se interessar, está no meu perfil. :) Obrigada!