Marcada
29 Capítulo 28
Capítulo 28
Jasper
Eu escutei a pergunta de Isabella em choque. Não sabia respondê-la, mas eu sentia a determinação da garota fluir pelo quarto. Engoli em seco, em um gesto mais automático do que necessário.
Antes que eu pudesse encontrar uma resposta satisfatória, eu senti meu celular vibrar, quase caindo do criado-mudo onde estava. Meus olhos felinos enquadraram o aparelho e eu percebi que havia recebido uma mensagem, e algo me dizia que eu não ia ficar muito satisfeito em lê-la.
Isabella me olhava curiosa com a atenção que eu estava dando ao aparelho, e depois de alguns segundos eu percebi que meu corpo estava tenso. Ela devia ter percebido tal reação da minha parte.
Depositei um beijo leve nos lábios doces dela antes de me levantar da cama. Coloquei uma calça escura e uma blusa da mesma cor. Ela acompanhou meus gestos, colocando uma camisola que estava perdida entre os lençóis, enquanto eu caminhava até o criado-mudo, pegando o celular e abrindo-o.
"Não faça isso. Alice."
Uma mensagem pequena, mas uma mensagem que conseguiu fazer meu monstro aparecer da pior forma possível. Como alguém conseguia me irritar apenas com quatro palavras? Quem era Alice para me dizer o que fazer ou não?
Sem pensar muito, apertei o aparelho na minha mão, sentindo-o começar a se espatifar com facilidade entre meus dedos, e o joguei na parede. Ele se quebrou em vários pedaços. Eu coloquei as mãos no rosto e me sentei novamente na cama. Meu corpo inteiro estava tenso e eu procurava um jeito de me acalmar.
Respirei fundo várias vezes, inutilmente. Senti o colchão se afundar levemente ao meu lado, indicando que Isabella havia se aproximado. Ela pousou sua mão quente no meu ombro, apertando de leve o local.
– Quem era?
Ponderei se seria inteligente responder a pergunta. Eu sabia que ela não gostaria muito de saber que Alice às vezes me mandava mensagens no celular, mesmo sabendo que eu nunca responderia. Eu tentei trocar de número inúmeras vezes, mas infelizmente o dom de Alice conseguia chegar além das minhas expectativas.
Travei meu maxilar e fechei os olhos, decidindo por não responder a pergunta. Isso poderia apenas piorar a situação entre mim e Isabella. Senti o aperto de sua mão quente se intensificar.
– Jasper, se eu for passar a eternidade com você, eu exijo que você pelo menos seja sincero comigo.
Considerei sua fala, colocando na balança qual atitude seria a menos desastrosa. Com certeza contar a Isabella era a atitude mais certa, mas minha preocupação era a consequência disso. Decidi por ser sincero, assim como ela pediu.
– Era Alice.
Esperei uma reação, mas mesmo com o meu dom, não consegui captar nada do que ela estava sentindo no momento. Concluí que minha humana queria saber mais, como se descobrir quem era não fosse suficiente.
– Alice acaba de me mandar uma mensagem... dizendo para eu não te transformar...
Fiz uma careta, apenas a lembrança da mensagem fazendo meu corpo esquentar em fúria. Esperei novamente uma reação por parte de Isabella, e o que ela me mostrou acabou me surpreendendo.
Ela riu, aproximando-se de mim. Seus braços quentes me envolveram e ela colou seus seios cobertos apenas pelo fino tecido de sua camisola em minhas costas, suspirando um pouco.
– Não se preocupe com Alice, Jasper. Ela não é mais sua dona para mandar você fazer algo.
Disso eu sabia, mas a petulância irritante de Alice ainda conseguia me fazer sair do sério. Minhas mãos fecharam-se em punho, mas no momento que senti as mãos de Isabella acariciarem meus braços gelados, eu relaxei.
– Além do mais, sua dona agora sou eu.
Eu tinha mais de cem anos de vida, e nunca havia escutado isso da boca de uma mulher, nem mesmo de Alice. Parte de mim sabia o motivo principal. Eu odiava escutar isso de alguém, eu odiava ser tratado como propriedade privada de alguma mulher, eu era Jasper Whitlock, um vampiro sem parâmetros normais, sem donas.
Era.
Escutar isso de Isabella me surpreendeu. Não pelo fato dela ter a coragem de dizer isso com simplicidade e convicção. Mas o que me deixou surpreso foi como meu corpo reagiu às suas palavras. Uma eletricidade percorreu cada célula morta da minha pele, meu monstro rosnou de satisfação, e eu senti um arrepio na espinha, sensação que não sentia desde quando eu era humano.
Mas eu não consegui me conter. Eu era um vampiro excitado por escutar uma humana dizer que ela era minha dona. Um rosnado leve saiu do meu peito e Isabella olhou para mim, um sorriso malicioso percorrendo seus lábios.
Eu me aproximei, deitando-me sobre ela no mesmo momento. O corpo dela, normalmente quente, estava em chamas quando meus lábios alcançaram os dela, minha língua invadiu sua boca, minhas mãos fortes apertaram a carne macia de sua cintura.
Subi sua camisola fina com facilidade, expondo sua pele alva e arrepiada. Minha mão descia a minha calça, suficiente para pegar meu membro e direcionar na entrada de Isabella. Ela já estava pronta.
Mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, eu senti. O cheiro conhecido dos dois vampiros percorreu cada canto do quarto, e eu sabia que os aromas deviam estar por todo o apartamento também.
Travei meu corpo sobre o corpo de Isabella, sabia que os dois vampiros estavam por perto, e podia jurar que a origem do cheiro era a porta de entrada para o apartamento. Ela percebeu minha reação e ficou confusa, os olhos castanhos estavam me fitando com um ar curioso e a testa estava vincada.
– O que foi?
Minhas suposições foram confirmadas no momento que escutei a campainha do apartamento soar pelo imóvel inteiro. Eu deixei Isabella sair debaixo de mim e ela colocou um penhoar por cima da camisola amarrotada.
Ela passou por mim, indo em direção à porta. Sem pensar duas vezes, eu peguei o braço de Isabella um pouco bruscamente, impedindo-a de dar mais um passo em direção à maldita sala. Ela tentou puxar o braço, mas só conseguiu sentir mais dor.
Um novo toque de campainha.
Não consegui conter o rosnado animal que saiu da minha garganta. Edward estava tentando me ler, eu conseguia sentir a pequena fincada na minha cabeça, o filho da puta não conseguia tomar nenhuma atitude sem ler a mente de alguém. Isabella se assustou com meu rosnado severo e amoleceu, me olhando com um pouco de medo.
Meu peito se apertou no mesmo momento que vi minha humana com medo de mim. Por quê? Isabella estava pensando que eu iria machucá-la? Eu nunca conseguiria fazer isso... não agora.
– Não atenda...
A alertei, olhando para a porta com um pouco de raiva. Meu maxilar estava travado, meu corpo se arqueava automaticamente, como se eu estivesse me preparando para um ataque de recém criado. Certas manias e atitudes realmente não mudavam.
– Por quê?
Ela perguntou curiosa. Eu olhei para Isabella com um pouco de medo, não queria dizer a verdade, por mais que a conhecesse, eu não tinha a mínima ideia de sua reação se ela soubesse que Alice e Edward estavam parados do outro lado da porta.
– Acho que você não vai querer saber quem é.
Afirmei. Foi o melhor que consegui. Isabella abriu a boca para falar, mas antes que alguma palavra saísse, a porta foi aberta com um pouco de força. Força anormal para qualquer ladrão humano, mas força insignificante para um vampiro.
Então os dois entraram.
[...]
Isabella
Eu estava em estado de choque. Não sabia o que dizer quando vi os dois vampiros entrarem pelo meu apartamento, como se fossem dois amigos conhecidos e com liberdade suficiente para tal atitude. Mas eles não eram, um era meu ex-namorado, a pessoa que acabou comigo anos atrás, a outra era ex-mulher do homem que agora eu amava, do vampiro que eu amava.
Eu me aproximei automaticamente, os punhos cerrados com força. Meu corpo inteiro estava quente, a visão se tornara escura, e eu saí do quarto, indo em direção à sala onde eles estavam, como se eu fosse expulsar dois cachorros de rua.
Mas eu não ia tentar expulsar dois cachorros de rua. Eu ia tentar expulsar dois vampiros incrivelmente fortes. Jasper percebeu a situação rápido demais, como de costume. Antes que eu pudesse dar o próximo passo, eu senti as mãos frias do vampiro envolverem minha cintura com um aperto não muito forte, mas firme o suficiente para me puxar de encontro ao corpo dele.
Eu respirei fundo, e esperei.
Os olhos dourados corriam pelo meu corpo, até Jasper. Eu sabia que Edward estava lendo todos os pensamentos do vampiro, eu sabia perfeitamente o que Alice iria falar para Jasper, ou para mim. E ela não me decepcionou.
– Jasper, não faça isso.
Eu entendi o que Jasper sentiu quando recebeu a maldita mensagem de Alice. Quem era ela para dizer o que ele devia ou não fazer? Jasper era meu homem, meu vampiro, e não o dela, não mais. Ela podia se contentar com Edward e seu puritanismo exacerbado, porque o vampiro ninfomaníaco eu já havia tomado como meu.
As mãos de Jasper me apertaram um pouco e eu senti uma onda de calma percorrer meu corpo, ele estava usando seu dom para que eu ficasse mais tranquila, o motivo disso eu ainda iria descobrir, mas temia que Jasper estivesse apenas interpretando toda a tensão do ambiente como uma ameaça. Eu torci para que ele se controlasse.
– O que fazem aqui?
Perguntei, para ambos. Edward não respondeu, permanecia atrás de Alice, como se fosse um cachorro adestrado. Alice foi a primeira a falar.
– Estamos tentando impedir que você cometa o maior erro de sua vida.
Respirei fundo, tentando me controlar. O maior erro da minha vida já fora feito. Sofrer pelo vampiro de olhos dourados, que agora fitava Jasper como se esse fosse uma arma nuclear. Esse foi meu único erro, até porque se eu não tivesse passado a noite com Jasper, ele não estaria ali, me abraçando, colando seu corpo atrás do meu.
Seu aroma de hortelã me deixou calma, mas eu não respondi Alice, com medo que eu estivesse enganada, eu poderia tentar algo estúpido. Jasper respondeu por mim.
– Isabella já tomou a decisão dela, Alice.
Senti o corpo de Jasper tremer, para depois ficar imóvel. Não interpretei isso de uma forma positiva, o vampiro parecia disposto a arrancar a cabeça de Edward e Alice assim que eles se mexessem.
A vampira pequena olhou para Edward por um breve segundo, depois eu percebi que ambos olharam para mim, respirando fundo e franzindo o nariz ao fazer isso. Não precisava de um conhecimento muito profundo da raça deles para descobrir que os dois tinham sentido o cheiro de Jasper em mim, por todo o meu corpo.
Os olhos dourados de Edward cravaram-se nas minhas pernas quando eu dei dois passos para trás, colando-me ainda mais a Jasper. Eu sabia que estava com leves marcas arroxeadas nas pernas, e eu sabia que não estava vestida corretamente.
– Bella...
Ele se aproximou de mim e eu senti o peito de Jasper tremer. Meu corpo inteiro se contraiu em repulsa quando ele me fitou, aqueles olhos dourados passando um momento de dor, como sempre passavam na época que eu queria me tornar imortal para ele.
– Não se aproxime dela.
Jasper disse em um sibilar de dar calafrios, seu sotaque sulista sempre ficava acentuado quando o vampiro estava com raiva, deixando-o mais sensual, porém mais perigoso.
– Bella, não faça isso... por favor.
Escutar tais palavras de Edward foi como jogar álcool em uma fogueira. Meu corpo inteiro tremeu, eu me esquentei por dentro e estava prestes a voar no vampiro para tentar fazê-lo sentir dor, mas depois eu percebi. Ele me pedia algo como se soubesse o que iria acontecer.
E sabia. Alice já devia ter alertado Edward daquele jeito irritante, pelos pensamentos.
Eu sorri, sabendo que qualquer atitude que eu tomasse no momento, irritaria os dois e os decepcionaria. E eu tomei uma atitude pouco pensada, mas estava convicta de que não conseguiria hora melhor para tentar o que eu ia tentar. Poderia dar certo. Eu esperava que desse.
Foi com o mesmo sorriso nos lábios que procurei a nuca de Jasper, apertando a pele fria de mármore e indicando para onde ele devia ir. Ele se deixou levar, e eu o empurrei para meu pescoço, no momento que jogava meus cabelos para o lado, assim como minha cabeça.
Edward ficou tenso, e eu apenas esperei a mordida.
[...]
Jasper
Não entendi de imediato quando senti expectativa fluir do corpo de Isabella, mas no momento em que ela me empurrou para seu pescoço suculento, percebi o que ela queria.
Olhei para Edward, o vampiro estava disposto a impedir o que Isabella queria a todo custo. Alice também.
Não pensei duas vezes, me aproximei ainda mais do pescoço alvo, sentindo o sangue fluir pela veia principal, fazendo minha garganta queimar. Ela estava nervosa, e eu com sede. E isso só piorava as coisas.
Mas era minha Isabella, e eu a queria para sempre.
Foi com esse pensamento que prendi a respiração, fincando meus dentes afiados na pele macia. Eles cortaram a carne como navalha, e no momento que eu senti o gosto do sangue dela, eu achei que estava no céu, se é que um lugar assim existia.
Fechei os olhos, provando um banquete que eu sabia que ia provar apenas uma vez na minha vida. Eu consegui discernir os sentimentos pelos cômodos. Isabella sentia dor, dor forte. Dor imensa. Alice sentia desespero... e Edward sentia medo, medo por mim, medo que eu não conseguisse parar.
E eu consegui, mas precisei de todo o autocontrole adquirido em todos os meus anos de imortalidade. Retirei meus dentes do pescoço de Isabella, lambendo os furos que ainda jorravam sangue, tentando cicatrizar a ferida.
Lambi os lábios também, tentando pegar a última gota do sangue dela, no mesmo momento que olhava para Edward. Um sorriso vitorioso percorreu meus lábios. Sim, eu era um filho da puta que bebia sangue humano, um filho da puta que havia bebido o sangue de Isabella, o sangue que era considerado intocável.
– Você é um monstro.
Alice disse no mesmo momento que Isabella tombava o corpo nos meus braços, começando a respirar com dificuldade.
E quando ela gritou com toda a força possível, eu percebi que ela seria minha.
Isabella seria minha para sempre.
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