Marcada
27 Capítulo 26
Notas iniciais
Capítulo 26
– Quatro dias depois -
Jasper
Eu fitava com desatenção os flocos de neve que caíam e se amontoavam na grama, deixando-a como se fosse um tapete branco e felpudo. Mesmo que meu cérebro fosse inteiramente projetado para dar conta de inúmeros pensamentos de uma vez, ele não estava conseguindo processar nenhum, mesmo que apenas um me deixasse ocupado.
Isabella Swan. O único nome que rodava em minha mente, o único ser humano que conseguia me fazer ficar confuso e inseguro. E eu estava ficando louco, literalmente.
Abaixei a cabeça e comecei a rosnar, minha mão segurou um galho com força, quebrando-o. Fiquei alarmado com minha raiva súbita e joguei os pequenos gravetos de madeira no chão, tentando me acalmar.
Estava em cima da árvore do parque há horas, o lugar que eu mais gostava de ficar para pensar, o lugar que mais me tranquilizava, e mesmo assim, nem ele estava me ajudando muito no momento.
Por mais que eu quisesse, eu não conseguia deixar de pensar no que eu sentia por ela, e para dizer a verdade, nem mesmo eu sabia o que era exatamente esse sentimento. Como eu sabia que ela estava correndo perigo? Eu simplesmente sabia, alguma força invisível me puxava para ela, como se eu estivesse em um campo magnético, onde o centro era Isabella Swan.
Mas não era essa a pergunta que mais me importunava. Eu queria saber o porquê de ter sentido isso, o porquê de saber que ela corria perigo. E por mais que negasse a mim mesmo, eu infelizmente já sabia a resposta. Isabella era muito mais que uma simples humana para mim.
Isabella era...
Levantei-me em um salto, assustado com minha conclusão. Não conseguia admitir em voz alta, mas já sabia que meus sentimentos por ela já ultrapassavam o limite da luxúria e do prazer. Ela não era só isso.
Depois de conseguir solucionar o problema mais difícil e perceber que eu estava inteiro, eu decidi pular para outro tópico importante. Valeria a pena transformar Isabella em vampira? Seria inteligente mordê-la?
Se ela ficasse humana, iria seguir o curso natural de sua raça. Ela iria envelhecer, e, cedo ou tarde, Isabella iria morrer. Apenas a existência de uma pequena possibilidade de um dia perdê-la me deixou maluco, e eu consegui sentir mais um tronco se quebrando em minha mão. Eu teria que sair da árvore se não quisesse derrubá-la. Mas eu teria que tomar minha decisão antes de voltar para a casa dela.
Como eu conseguiria convencê-la? Ela não queria ser transformada, isso estava mais que claro para mim. Além de suas palavras naquela noite, eu pude sentir sua convicção quando ela havia me falado. Ela tinha certeza de sua permanência como humana.
Para Isabella aceitar ser mordida, eu teria que dar algum motivo para ela tomar tal decisão. E algo dentro de mim já sabia qual motivo eu daria, mesmo que eu tentasse esquecer isso. Eu não queria dizer isso a ela, mas eu não tinha alternativa, eu teria que ser sincero e dizer a verdade.
E a verdade é que eu gostava de Isabella Swan.
Admitir isso me tirou um peso enorme do peito, como se eu estivesse aceitando meu destino. Não pensei muito depois disso, tomei um impulso e pulei do galho, plantando meus pés no chão macio com facilidade.
Eu respirei fundo, sentindo o aroma de gelo misturado ao de grama úmida invadir meu nariz. Mas eu queria sentir apenas um cheiro essa noite. Eu queria sentir o cheiro dela.
Corri em direção ao prédio dela com velocidade. Já estava no fim da noite e começo da madrugada, não havia possibilidade de eu ser visto nas ruas; julgando pelo frio que estava fazendo, eu acho, todos estavam em suas devidas casas quentes.
Meus olhos correram pelas janelas e eu sorri percebendo que a janela da sala estava aberta, como prometido. Não precisava de chave, afinal. Subi com facilidade devido à parede de tijolos e em um segundo entrava no apartamento, fechando a janela para que o cômodo começasse a se esquentar. O cheiro de Isabella invadiu meus sentidos no mesmo segundo e eu fechei os olhos, correndo a língua pelos lábios, sentindo o gosto do meu próprio veneno inundar minha boca.
Ela estava acordada, eu conseguia saber apenas pela sua respiração. Caminhei lentamente em direção ao quarto. A porta estava encostada, e sem pensar muito eu a abri, olhando com cuidado para dentro do cômodo. Isabella estava sentada na cama, um livro estava aberto em cima de suas pernas, sua mão segurava uma taça de vinho. No mesmo momento eu percebi o motivo do cheiro dela estar mais forte. Sua temperatura estava mais elevada do que o normal por causa da bebida.
Eu entrei totalmente no quarto, ficando pela primeira vez visível para olhos humanos. Fechei a porta. Ela olhou para mim, e sem pensar muito, sorriu.
Ela era linda, mas o vinho que ela estava bebendo tinha um cheiro muito ruim, comparado ao cheiro dela, e eu me perguntei como os humanos conseguiam beber aquilo sem ficarem enjoados. Não era possível que era tão bom, apesar da cor lembrar muito a cor do sangue.
Esqueci as comparações absurdas e fora de hora para me focar no meu objetivo. Eu precisava conversar com ela, e precisava convencê-la a ser minha. Com um pouco de relutância, me aproximei da cama e ela fechou o livro, colocando-o de lado. Estava totalmente recuperada, e isso apenas me relaxou.
Sentei-me ao lado dela e a fitei com intensidade. Seus olhos castanhos pareciam aberturas, eu conseguia ler Isabella totalmente quando ela me olhava, e meu dom apenas me ajudava a fazer isso. No momento, ela estava um pouco nervosa, como se estivesse com expectativa de algo. Eu fiz força para não rir.
Não sabia por onde começar.
– Isabella?
Ela respirou fundo, dizendo por meio desse gesto que estava atenta ao que eu ia falar.
– Lembra do que conversamos há alguns dias?
Comecei a sentir a tensão tomar conta do meu corpo e fechei meu dom, para que isso não a afetasse também. Isabella assentiu, sorrindo com tranquilidade. Não sabia o que fazer, ela estava praticamente me obrigando a iniciar uma conversa que eu não queria. E eu estava desconfiado de que ela já soubesse qual conversa eu queria ter.
– Você já pensou sobre esse assunto por outro ângulo? Digo... outras possibilidades?
– Quais possibilidades?
A curiosidade dela começou a tomar conta do quarto e eu me aproximei, ignorando sua pergunta.
– Você realmente não quer se tornar vampira?
Ela vincou a testa e eu senti uma combinação de incerteza e desconfiança. Ela não sabia realmente se queria continuar humana?
– Não quero me tornar vampira.
Sua resposta quase me fez desistir. Quando Isabella enfiava algo em sua cabeça, não mudava de ideia nunca. Isso podia ser irritante em certos momentos.
– Nem se eu te desse alguma opção?
Ela desviou seus olhos dos meus e eu percebi que ela estava indecisa. Pelo que eu sentia vindo dela, ela não estava entendendo muito o que eu queria dizer, e para falar a verdade, nem eu. Se eu quisesse o aval dela para mordê-la, eu teria que ser mais específico e claro.
– Como assim?
Ela voltou a me olhar e se assustou quando eu me aproximei ainda mais dela, colocando minha mão sobre a dela. Isabella era quente.
– E se eu te transformasse para ficar comigo?
A reação dela mudou completamente. Sua respiração se acelerou minimamente, seu coração começou a bater com um pouco mais de força, sua mão tremeu com delicadeza sob a minha. Ela desviou seus olhos dos meus para fitar nossas mãos juntas e depois voltou a me olhar.
– Me dê um motivo para isso.
Merda, eu tive que me controlar para não matar Isabella ali mesmo. Ela sabia que eu não era bom com palavras, e me pedir algo assim apenas me deixava pior. Mas ela não parecia estar se divertindo, e eu percebi que ela não perguntou por mal, apenas por inocência da parte dela. Respirei fundo, sentindo seu aroma doce.
– Porque eu gosto de você, e quero que você passe a eternidade comigo.
No mesmo momento eu senti o ambiente ficar mais leve, a indecisão e a insegurança dela deu espaço para que outro sentimento aparecesse: a felicidade. O sorriso que ela me deu foi o sorriso mais sincero que eu já havia visto em seu rosto, e eu não precisei de aval melhor para concluir que ela havia aceitado minha proposta.
Sem pensar muito, me aproximei dela e a beijei.
O gosto dela invadiu meus sentidos no mesmo momento, o cheiro adocicado que ela exalava me deixava excitado das piores maneiras, a boca sempre quente e convidativa fazia com que eu quase me descontrolasse. Quase.
Afinal, eu conseguia canalizar meu desejo de outras formas.
Minha mão correu pela perna dela, sentindo a textura da pele fina e arrepiada. Usava apenas uma camisola de malha, o que facilitou muito meu trabalho quando minha mão subiu, fazendo o arrepio se intensificar. A outra tomou um rumo diferente, chegando aos cabelos longos e castanhos, puxando-os.
Isabella arqueou quando sentiu meus dedos começarem o trabalho que adoravam fazer, o cheiro de sua excitação ficou mais evidente quando eu coloquei a calcinha para o lado, expondo parcialmente o seu sexo. Estava quente e molhado. Introduzi um dedo com facilidade, escutando-a gemer no meu ouvido. Isso fez com que meu monstro aparecesse.
Eu me afastei um pouco dela, sua respiração batia no meu rosto, a boca estava parcialmente aberta. Eu conseguia sentir o seu cheiro misturado ao cheiro do vinho que ela havia acabado de beber. O aroma da bebida não era bom, mas combinado ao cheiro de sua boca, ficava perfeito.
Os olhos castanhos, tão acostumados com os meus olhos vermelhos, estavam em chamas. Ela instintivamente arqueava em direção a mim, mas eu sabia que ela nem estava percebendo a reação que o seu próprio corpo estava tendo ao meu.
Deitei-a na cama com delicadeza e subi um pouco mais a camisola de malha. O quarto estava um pouco frio e minha temperatura não estava ajudando muito. Mas parecia que Isabella estava habituada ao gelo que eu emanava. Ela não sentia frio quando eu estava perto, apenas excitação.
Já eu sentia uma combinação de desejo e sede, que se tornava sempre perigosa quando eu estava no ponto em que estava.
Eu queria tomá-la de todas as formas, com toda a intensidade que eu tinha direito. Mas infelizmente eu precisava ter cuidado se não quisesse feri-la. Olhei novamente para Isabella e ela corou, uma onda de luxúria me atingiu com intensidade e eu fechei os olhos, contendo um sorriso. Minha humana era incontrolável.
Fiquei de joelhos, as pernas em cada lado do corpo dela. Comecei a tirar minha blusa e joguei o pano para um lado do quarto, sem me dar conta se havia atingido algo ou não. A onda se intensificou quando eu vi os olhos castanhos de Isabella percorrendo cada cicatriz que tinha em meu peito e abdômen. Por mais que eu quisesse e me esforçasse, eu nunca conseguiria entender o fascínio que ela tinha pelas marcas do meu passado.
Livrei-me do restante das roupas em um minuto, ficando nu de frente para ela. Mesmo se eu desejasse, eu não conseguiria esconder minha excitação. Mas eu não queria, eu queria que Isabella soubesse o quanto ela conseguia me deixar no limite.
Eu tomei sua boca com a minha, deixando meu corpo perto do seu. As peles estavam por um centímetro e eu conseguia sentir o calor emanando de cada poro dela. Meus lábios deixaram os dela, formando um caminho até a sua clavícula, chegando ao pescoço e descendo para os seios.
Ah... Os seios, os mamilos enrijecidos. Ela arqueou quando sentiu minha língua fria deslizando por um deles, enquanto a mão acariciava o outro. As pernas travaram-se na minha cintura, tentando em vão me empurrar para perto dela. Mas eu não estava com planos de saciar sua vontade agora. Não essa.
Desci mais um pouco, a língua correu pela pele quente e sedosa, sentindo o gosto único que apenas Isabella Swan tinha, sentindo o corpo da humana reagir a cada toque meu. Não demorei muito para encontrar meu destino, espacei um pouco as pernas dela para que eu tivesse livre acesso à parte que eu mais gostava. Mergulhei-me, sentindo o sabor adocicado do lugar, o sabor maravilhoso que ela tinha, o cheiro incomparável. Apenas o cheiro do seu sangue era melhor que aquilo, e eu desconfiava de que o gosto também, mas não queria pensar sobre aquilo no momento.
Os gemidos dela ficaram mais altos quando eu introduzi os dedos, massageando com o outro uma parte sensível do seu sexo. Eu senti as pernas travarem-se, dando-me a confirmação de que ela havia chegado ao ápice. E eu ao meu objetivo.
Levantei-me novamente, fitando-a com olhos intensos e sorriso jocoso nos lábios. E a humana estava como eu havia planejado. Faminta.
Ela se levantou e veio em minha direção, fazendo os corpos chocarem-se. Eu não senti muito o impacto, já Isabella teve que se agarrar ao meu ombro para não se desequilibrar no colchão fofo. Eu sorri, deitando-me no colchão e a colocando no meu colo. Ela entendeu o que eu queria, e apenas com um empurrão ávido, sentou-se sobre mim, fazendo-me penetrá-la.
Ela arqueou o corpo, no mesmo momento que tombava a cabeça. Um rosnado severo saiu da minha garganta, enquanto eu fechava os olhos. Senti-la era algo inenarrável. Minhas mãos frias pegaram a cintura delicada com um pouco de força, e eu tive certeza que ficaria marca depois.
Foda-se, eu não estava nem um pouco preocupado com isso.
Levantei o corpo frágil e leve, descendo com lentidão, conduzindo assim os movimentos do jeito que eu queria. E Isabella deixou-se ser conduzida sem pestanejar, afinal, quando os movimentos foram se intensificando, ela já não conseguia mais se mover, ficando à minha mercê.
Os movimentos foram ficando mais bruscos, e eu parei, retirando as mãos de sua cintura e olhando-a com malícia. Ela mordeu os lábios inchados e úmidos e começou a se mover por conta própria, deixando-me apenas observá-la enquanto ela sucumbia ao desejo. Os cabelos longos estavam jogados pelo corpo, alguns fios tampavam um seio enquanto outros desciam como cascata pelas costas.
Não demorou muito e eu senti Isabella parar, um pequeno espasmo percorreu cada linha de seu corpo, cada músculo que eu conseguia sentir com meu membro se contraiu, e ela abriu a boca, gemendo meu nome em um tom de voz rouco e sensual. Estava corada devido ao esforço e à bebida alcoólica.
Eu sentiria falta de sua pele corada, de sua temperatura elevada, de sua respiração descompassada e do seu sexo quente me envolver, mas eu sabia que se eu quisesse tê-la comigo para sempre, eu teria que abrir mão disso tudo.
E eu a teria para sempre.
Foi com esse pensamento que fiz meu último movimento, derramando-me dentro dela sem nenhum esforço adicional. Isabella ofegava em cima de mim, a pele branca brilhando minimamente devido ao suor pelo ato.
Eu abriria mão disso tudo de bom grado para tê-la ao meu lado por toda a minha vida eterna.
O que eu sentia por ela não era apenas um carinho excessivo, um sentimento de companheirismo criado por fatos avulsos. Eu amava Isabella Swan. E foi isso que eu disse para ela quando ela se aproximou de mim, deitando-se no meu peito frio.
– Eu amo você.
As palavras saíram com facilidade da minha boca e eu me surpreendi com isso. Eu senti o coração de Isabella bater com mais força, palpitando um pouco a pele que agora estava colada à minha. Mesmo que eu não pudesse ver seu rosto, eu senti este se contraindo, dizendo-me por meio disso que ela estava sorrindo.
Minha humana. Minha Isabella.
Mas não demorou muito para que seu peso caísse em cima de mim, e ela sucumbisse totalmente ao cansaço da noite. Eu respirei fundo, relaxando completamente depois de tudo.
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