Notas iniciais
Se alguém se manifestar, eu posto outro hoje...

- Britt-Britt, acorde – San murmurou beijando minha bochecha.

Assim que saímos da ilha, o navio afundou. Segundo Joe, havia um arranhão feito provavelmente por Polifermo que fez com que muita água entrasse no navio e ele afundasse a lá Titanic. Resumindo, estávamos montados nos cavalos marinhos navegando pelo oceano. San e eu estávamos dividindo um dos animais, pois não quis deixa-la sozinha por hipótese alguma. Já tive a minha cota de quase perder a minha namorada pelo resto da minha vida.

Abracei a cintura da latina e beijei seu pescoço. Ela abriu um sorriso torto e eu tomei seus lábios para mim em um beijo demorado. Senti sua língua invadir minha boca e abri um sorriso.

Assim que chegamos a alguma cidade que deduzi ser Miami pela quantidade de palmeiras, San pegou o jornal mais próximo e olhou a data.

- Não é possível! Ficamos fora do acampamento por dez dias! A árvore de Quinn deve estar quase morta a esta altura do campeonato. – ela murmurou.

- Nós precisamos levar o Velocino para lá hoje. – conclui. – alguém tem algum dinheiro?

Meus amigos sacudiram as cabeças, desapontados. San sentou com o rosto entre as mãos e soltou um suspiro pesado.

- Dinheiro... Tipo papel verde? – Joe perguntou.

- Sim! Papel verde! Você tem? – perguntei.

- Tenho... Encontrei flutuando no mar, Arco-Íris disse que era bom juntar.

Abracei o gigante e peguei a bolsa com papel de suas mãos. Contei o dinheiro, tinha cerca de trezentos dólares ali.

- Kurt! – gritei, chamando um taxi. – Faça uma boa viagem! Até breve.

- M-mas...

- Você merece uma chance. – respondi – além do mais, Zeus me explodiria em zilhões de pedaços se eu ousasse a voar. Acredite, ele deixou isso bem claro.

- Mas é a sua missão, Britt. – Kurt disse delicadamente.

- Não, não é. É a nossa missão. Eu não teria conseguido sair viva sem você. – respondi – Muito menos teria conseguido sair de dentro de um bote salva vidas. Nós te devemos muito, Kurt. É o mínimo que eu posso fazer.

O garoto abriu um sorriso largo, com os olhos azuis brilhando. Logo, pulou no meu pescoço e me abraçou com força.

- Obrigado, Britt! – ele gritou animado e entrou no taxi.

Esperei o carro sair e me virei para encarar meus amigos. Joe espirrava deliberadamente ao lado de Finn, que por sua vez torcia o nariz pelo cheiro do ciclope. San me observava com um sorriso torto no rosto, e então se inclinou para beijar minha bochecha.

- Aquilo foi doce, Britt-Britt. – ela murmurou no meu ouvido e passei meus braços ao redor de sua cintura.

- Eu sei. Eu sou um amor. – respondi sorrindo e ela me deu um tapinha de leve no ombro.

Colei meus lábios nos seus e abracei sua cintura com força. A latina soltou um risinho baixo e escondeu o rosto na curva do meu pescoço.

- Nunca... Mas nunca mais faça isso comigo. Eu quase te perdi umas três vezes em dez dias, e eu só contei o que eu considerei bom. Eu não posso ficar sem você, Sanny. Eu te amo, latina besta. – sussurrei em seu ouvido.

Ficamos nos abraçando por um longo tempo, sem nos importarmos com os olhares ou com o fato de estarmos no meio da rua com um ciclope alérgico e um bode amedrontado. Fiquei imaginando a reação das pessoas se vissem as pernas de Finn ou o olho de Joe.

Nos separamos após algum tempo e eu estava prestes a me virar quando senti a ponta de uma espada contra minha camiseta.

- Oi, prima. – Sebastian disse com um sorrisinho irônico – Fez boa viagem?

Seus brutamontes, Agrios e Oreios estavam logo atrás dele sorrindo com os dentes podres e o bafo de urso bem no rosto de Joe.

- O que você quer, Sebastian? – perguntei mantendo Santana atrás de mim.

- Ora... Quero estender a minha hospitalidade, é claro!

Fomos levados para o Princesa Andrômeda com a ponta da espada de Sebastian logo atrás de nós. Assim que estramos na cabine, fomos recebidos por Sam, que tinha um sorriso que literalmente mal cabia em seu rosto.

- Onde está o Velocino, priminhas? – Sebastian perguntou.

- Não o temos. – respondi.

O rapaz gargalhou e Sam abriu um sorrisinho irônico. Logo, os dois começaram a nos revistar, apalpando nossas roupas.

- Ei! Tire as mãos daí, Boca de Truta! Ou eu juro que sumo com esse seu sorrisinho estúpido da sua cara em um minuto! – San rosnou para o loiro que tinha as mãos no meu corpo.

- Certo. Onde ele está? – Sebastian rosnou, visivelmente irritado.

- Não o temos. – repeti.

- Mentirosa! Eu vi quando o pegou! Entreguem-me o e talvez poupe suas vidas! – ele gritou nervoso.

- Você está certo, nós o pegamos. Mas nós não o temos mais. – voltei a falar calmamente.

- E onde... Kurt. – ele concluiu. – Aquele imbecil... Agrios!

O gigante urso se encolheu.

- S-sim?

- Vá lá embaixo e prepare meu corcel. Traga-o para o convés. Preciso voar para o aeroporto de Miami, depressa!

- Mas, patrão...

- Faça isso! — berrou Sebastian. — Ou você vai virar comida de dragão!

O homem-urso engoliu em seco e disparou escada abaixo. Luke ficou andando de um lado para o outro na frente da piscina, praguejando em grego antigo, agarrado em sua espada com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

O restante da tripulação de Sebastian parecia inquieta. Talvez nunca tivessem visto o patrão tão enlouquecido. Comecei a pensar... Se eu pudesse usar a raiva de Sebastian, fazê-lo falar de modo que todos pudessem ouvir como seus planos eram insanos...

Olhei para a piscina, para as fontes borrifando água no ar, criando um arco-íris ao pôr-do-sol. E de repente tive uma ideia.

- Você estava nos usando o tempo todo — disse. — Queria que trouxéssemos o Velocino para você e o poupássemos do esforço de pegá-lo.

Sebastian fez uma careta.

- É claro, seu idiota! E você estragou tudo!

- Traidor! — Tirei meu último dracma de ouro do bolso e o joguei em Sebastian. Como eu esperava, ele se esquivou facilmente. A moeda voou para dentro do repuxo de água com as cores do arco-íris.

Esperei que minha prece silenciosa fosse aceita. Pensei de todo o coração: Ó deusa, aceite minha oferenda.

- Você enganou todos nós! — gritei para Sebastian. — Até DIONISIO NO ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE!

Atrás de Sebastian, a fonte começou a tremeluzir, mas eu precisava que a atenção de todos estivesse em mim, então destampei Contracorrente. Sebastian apenas deu um sorriso sarcástico.

- Não é hora para heroísmos, Brittany. Largue sua espadinha insignificante ou vou mandar matá-lo mais cedo, e não mais tarde.

- Quem envenenou a árvore de Quinn, Sebastian?

- Foi Sam ao meu comando, é claro — rosnou ele. — Eu já lhe disse isso. Usei peçonha da velha Píton, diretamente das profundezas do Tártaro.

- Will não tem nada a ver com isso?

- Ah! Você sabe que ele nunca faria isso. O idiota não teria coragem.

- Chama isso de coragem? Trair seus amigos? Pôr em risco o acampamento inteiro?

Sam e Sebastian ergueram as espadas. Acho que vou começar a chama-los de S&S ou gêmeos psicopatas.

- Você não entende nem a metade. Eu ia deixar você levar o Velocino... Depois que eu tivesse terminado com ele.

Aquilo me fez hesitar. Por que ele permitiria que eu levasse o Velocino? Devia estar mentindo. Mas eu não podia me permitir perder a atenção dele.

- Você ia curar Cronos — disse eu.

- Sim! A mágica do Velocino teria acelerado dez vezes o processo de recuperação dele. Mas você não vai nos deter, Brittany. Você só nos atrasou um pouco.

- Então você envenenou a árvore, traiu Quinn e nos preparou uma armadilha... Tudo para ajudar Cronos a destruir os deuses.

Sebastian rangeu os dentes.

- Você sabe disso! Por que fica me perguntando?

- Porque eu quero que todo o público o ouça.

- Que público?

Então seus olhos se estreitaram. Ele olhou para trás, e seus facínoras fizeram o mesmo. Eles engasgaram e recuaram, cambaleando. Acima da piscina, tremeluzindo na névoa do arco-íris, estava uma visão em mensagem de íris de Dionísio e o acampamento inteiro no pavilhão-refeitório. Estavam sentados num silêncio perplexo nos assistindo.

- Bem — disse Dioniso ironicamente -, um entretenimento inesperado no jantar.

- Você... – Sebastian rosnou.

- Acho que teremos que reintegrar Will as atividades do acampamento. – Senhor D. suspirou – Bem, até que senti sua falta.

Sebastian urrou e golpeou a mensagem com a espada.

Eu estava me sentindo muito bem comigo mesmo, até que Sebastian se virou e me lançou um olhar sanguinário.

- Cronos tinha razão, Brittany. Você é uma arma pouco confiável. Precisa ser substituído.

Não entendi muito bem o que ele queria dizer, mas não tive tempo de pensar a respeito. Um de seus homens soprou um apito de bronze, e as portas do convés se abriram violentamente. Mais uma dúzia de guerreiros foi despejada, formando um círculo à nossa volta, as pontas de bronze das lanças na nossa direção. Os gêmeos psicopatas sorriram para mim.

- Vocês não sairão vivos deste navio.

Notas finais
Aprovado?